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7. İŞTEN AYRILMA NİYETİNİN SONUÇLARI

1.3. DİĞER FAKTÖRLER

O conceito de Cuidados de Saúde Primários remonta a 1978, na Conferência Internacional em Alma-Ata (URSS), que se realizou de 6 a 12 de Setembro, onde foram definidos como:

“(…) cuidados essenciais de saúde baseados em métodos e tecnologias práticas, cientificamente bem fundamentadas e socialmente aceitáveis, colocadas ao alcance universal de indivíduos e famílias da comunidade, mediante sua plena participação e a um custo que a comunidade e o país podem manter em cada fase de seu desenvolvimento, no espírito de autoconfiança e autodeterminação. Fazem parte integrante tanto do sistema de saúde do país, do qual constituem a função central e o foco principal, quanto do desenvolvimento social e económico global da comunidade. Representam o primeiro nível de contacto dos indivíduos, da família e da comunidade com o sistema nacional de saúde pelo qual os cuidados de saúde são levados o mais proximamente possível aos lugares onde pessoas vivem e trabalham, e constituem o primeiro elemento de um continuado processo de assistência à saúde” (Ministério da Saúde, 2002).

Ainda na referida Conferência Internacional em Alma-Ata, reafirmou-se enfaticamente que a saúde, entendida como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não simplesmente a ausência de doença ou enfermidade, não pode, por si só, constituir-se uma finalidade, mas um direito humano fundamental, sendo um recurso importante para o desenvolvimento socio-económico das comunidades. Neste

sentido, e atendendo à existência de uma enorme e preocupante desigualdade existente no estado de saúde das populações, particularmente entre os países desenvolvidos, em desenvolvimento e subdesenvolvidos, frisou-se que compete a cada país a responsabilidade de implementar e desenvolver um Serviço de Saúde que alcance um nível de saúde adequado às comunidades, face às suas necessidades, aos seus recursos e participação activa. Tal facto, tem em vista atingir um nível de saúde que permita à população levar uma vida social e economicamente produtiva, cabendo aos Cuidados de Saúde Primários a chave para que tal se verifique.

De acordo com a Lei de Bases da Saúde (Lei nº 48/90), o sistema de saúde assenta nos Cuidados de Saúde Primários, exercidos pelos Centros de Saúde, que devem situar-se junto das comunidades. De acordo com a Lei do Serviço Nacional de Saúde (SNS) Português (Lei n.º 56/76) os Cuidados de Saúde Primários englobam:

a) a prevenção da doença, a promoção da saúde e os cuidados de tipo ambulatório, abrangendo os de clínica geral, materno-infantis e de planeamento familiar, escolar e geriátricos;

b) cuidados de especialidade, abrangendo nomeadamente as áreas de oftalmologia, estomatologia, otorrinolaringologia e saúde mental;

c) internamentos que não impliquem cuidados diferenciados; d) cuidados de Enfermagem, incluindo a visitação domiciliária.

A prestação de Cuidados de Saúde Primários é considerada a principal via de acesso aos cuidados de saúde, por todos os sistemas e políticas de saúde em geral. Com vista a atingir mais e melhores Cuidados de Saúde Primários em Portugal, o Governo propôs alterações legislativas (Decreto-Lei n.º 60/2003, de 1 de Abril) no sistema de

organização dos Cuidados de Saúde Primários para um novo modelo, designado por

Rede de Prestação de Cuidados de Saúde Primários.

Com efeito, a Rede de Prestação Cuidados de Saúde Primários, por um lado,

promove a saúde e, por outro, faz a prevenção da doença, assim como a gestão dos problemas de saúde, agudos e crónicos do indivíduo, considerando sempre a sua dimensão física, psicológica, social e cultural. Este atendimento é feito através de uma abordagem centrada na pessoa, orientada para o indivíduo, a sua família e a comunidade em que se insere.

Este novo modelo abrange três entidades de saúde: os Centros de Saúde do SNS; as Entidades Privadas (com ou sem fins lucrativos) que prestem Cuidados de Saúde Primários a utentes do SNS e, por último, os Agrupamentos de Profissionais em Regime Liberal, designadamente cooperativas, com quem sejam celebrados contratos ou convenções.

Deste modo, e atendendo a que esta investigação se desenvolve no contexto dos

Centros de Saúde, de seguida dar-se-á ênfase a esta entidade da Rede de Prestação de

Cuidados de Saúde Primários.

Assim, os Centros de Saúde, de acordo com este novo modelo proposto, têm os seguintes objectivos:

“(…) dar resposta às necessidades de saúde da população abrangida, incluindo a promoção e a vigilância da saúde, a prevenção, o diagnóstico e o tratamento da doença, através do planeamento e da prestação de cuidados ao indivíduo, à família e à comunidade, bem como do desenvolvimento de actividades específicas dirigidas às situações de maior risco ou vulnerabilidade de saúde” (Decreto-Lei n.º 60/2003, artigo 6º).

Assim, os Centros de Saúde objectivam a melhoria do nível de saúde da população da sua área geográfica, a qual abrange o Concelho e as Freguesias que o integram, ou outra que seja definida pela Administração Regional de Saúde (ARS). É ainda de referir que cada Centro de Saúde pode estatuir de Extensões de Saúde periféricas, as quais se situam em locais da sua área de influência. Se tal se verificar, a sede do Centro de Saúde e Extensões de Saúde devem actuar sempre como um todo funcional, com o objectivo de proporcionar aos clientes uma maior proximidade aos cuidados de saúde.

Tais cuidados de saúde, prestados nos Centros de Saúde, de acordo com a Direcção-Geral de Saúde (2002), dividem-se da seguinte forma:

a) cuidados a prestar segundo as fases da vida: fase fértil; gravidez, parto e puerpério; primeiro ano de vida, infância e adolescência; adulto e idoso;

b) cuidados e tarefas em qualquer fase da vida;

c) abordagem das situações de doença aguda e/ou urgentes;

d) cuidados a prestar na doença crónica e multipatologia, incluindo os cuidados nos domicílios.

De acordo com a Ordem dos Enfermeiros (2002), os enfermeiros de Cuidados de Saúde Primários devem desenvolver a sua actividade, de forma vigorosa, no contexto comunitário, no trabalho em equipa de saúde, na prestação de cuidados de saúde em serviços com proximidade do domicílio, dos locais de trabalho das pessoas e das famílias.

a qual tem sofrido profundas alterações nos últimos anos, quer em termos de conceito, quer em termos de estrutura, pelo que urge, então, a necessidade de definir novas formas de intervenção que promovam a sua saúde e bem-estar (Ordem dos Enfermeiros, 2002).

Neste âmbito, a Enfermagem, especificamente a Enfermagem da Família, desenvolvida nos Cuidados de Saúde Primários, enfrenta, actualmente inúmeros

desafios. De acordo com a Ordem dos Enfermeiros (2002) desde a I International

Family Nursing, realizada no Canadá, que a ideia da Enfermagem de Família não parou

de se desenvolver. Em Portugal, o acontecimento mais recente, inserido na temática da Enfermagem da Família, aconteceu com a realização da conferência “A cada família o seu enfermeiro”, promovida pela Ordem dos Enfermeiros Portugueses, em Novembro de 2002, como forma de divulgação, aprofundamento e reflexão das conclusões da Segunda Conferência Ministerial da Organização Mundial de Saúde (OMS) em Enfermagem e Enfermagem Obstétrica na Europa, realizada em Munique de 15 a 17 de Junho de 2000.

Nessa conferência de Munique (2000) foi debatida a importância da intervenção dos enfermeiros junto das famílias na promoção da qualidade dos cuidados de saúde, onde foram emanados os novos desafios colocados aos governos e à Enfermagem, a nível da União Europeia. Como resultado desta discussão/reflexão, foram definidas políticas de saúde através do programa SAÚDE 21, o qual preconiza a concretização de vinte e uma Metas de SAÚDE 21. Estas Metas de Saúde, inseridas, então, na Saúde Pública, são aquelas que devem ser atingidas por todos os países da União Europeia nos primeiros 20 anos do século XXI. Estas mesmas Metas apontam para a necessidade de

impulsionar o crescimento do Sistema da Saúde e, por consequência, apostar nos Cuidados de Saúde Primários, articulando a política regional, o que permite a cada Estado Membro, consertar as suas próprias políticas e estratégias de saúde com as Metas de SAÚDE 21.

Nestas Metas de SAÚDE 21, a OMS introduz o conceito de um novo tipo de enfermeiro, o “enfermeiro de saúde familiar”, o qual contribuirá para atingir, na sua plenitude, as 20, das 21 Metas de SAÚDE 21, excepto a Meta 17, a qual se concentra exclusivamente na função dos governos, trabalhando no seio de uma equipa multidisciplinar de profissionais de saúde.

A ideia de enfermeiro de família surge como trunfo para a melhoria da saúde na Zona Europeia. A conferência de Munique, de acordo coma Ordem de Enfermeiros (2002) defende que o enfermeiro de família deve prestar cuidados, tendo por base a promoção e a protecção da saúde e prevenção e redução da incidência dos danos das doenças e lesões, assim como a actuação e responsabilidades clínicas direccionadas a todos os membros da família. Cabe ainda aos enfermeiros de família desenvolver e fazer usar os poderes e as potencialidades das comunidades, de modo a fomentar os seus próprios recursos e ajudá-las a encontrar as suas próprias soluções para os problemas existentes.

As Metas de SAÚDE 21 referem-se à importância do cabal conhecimento da situação de vida do cliente, da família e da comunidade, ou seja, de todo o enquadramento familiar, social comunitário onde a pessoa se insere.

Em suma, o trabalho do enfermeiro de família, que presta cuidados nos Centros de Saúde, é muito vasto e direcciona-se essencialmente para a promoção e protecção da saúde dos clientes ao longo da sua vida, assim como para a prevenção da doença. Desta forma, o enfermeiro, nestes locais de prestação de cuidados, contacta com o indivíduo, saudável ou com algum tipo de patologia, com a sua família, conhece o seu contexto social, comunitário e acompanha-os ao longo de todas as fases da vida.

Após a descrição dos Cuidados de Saúde Primários, no contexto dos Centros de

Saúde, passa-se a fazer uma abordagem específica ao trabalho regular do dia-a-dia do enfermeiro neste sector de trabalho, dado que a população que integra este estudo são os enfermeiros que prestam cuidados de Enfermagem nos Centros de Saúde.