Nível 3 – integra as categorias de enfermeiro-supervisor.
Com efeito, a área de actuação do enfermeiro, do enfermeiro graduado é a da prestação de cuidados. Para além do enfermeiro especialista desempenhar o conteúdo funcional inerente às categorias de nível 1, o mesmo ainda presta cuidados que exijam conhecimentos mais aprofundados e específicos em determinada área de actuação. O enfermeiro-chefe e o enfermeiro-supervisor exercem funções no âmbito da gestão. No que se refere aos cargos de enfermeiro director e assessor de Enfermagem, salienta-se que os mesmos são cargos de nomeação e desempenham, respectivamente, funções na da aplicação das políticas de Enfermagem, a nível local e regional.
Apesar dos referidos níveis e categorias profissionais, optou-se por desenvolver esta investigação junto de enfermeiros que, efectivamente, têm somente como área de actuação, a prestação de cuidados de Enfermagem directos a clientes. Assim, definiu-se como população alvo desta investigação, os enfermeiros de nível 1 (enfermeiros e enfermeiros graduados). Apesar de os enfermeiros de nível 2, com a categoria de enfermeiro especialista, também prestarem cuidados de Enfermagem directos, há que se atender ao seu campo de acção que é mais específico não sendo, portanto, de interesse para esta investigação. Assim, de seguida passa-se a expor, exclusivamente, o conteúdo funcional do enfermeiro de nível 1, de acordo com a Carreira de Enfermagem, ao qual compete:
“a) colher dados para identificação das necessidades em cuidados de Enfermagem, com base num modelo teórico de Enfermagem;
b) elaborar o plano de cuidados de Enfermagem em função dos problemas identificados e estabelecer prioridades, tendo em conta os recursos disponíveis;
c) executar os cuidados de Enfermagem planeados, favorecendo um clima de confiança que suscite a implicação do utente (indivíduo, família, grupos e comunidade) nos cuidados de Enfermagem, integrando um processo educativo que promova o auto-
cuidado;
d) integrar, no planeamento e execução dos cuidados de Enfermagem ao indivíduo e à família, a preparação de alta ou internamento Hospitalar;
e) responsabilizar-se por prestar cuidados de Enfermagem à família, como unidade de cuidados, no âmbito dos cuidados de saúde primários;
f) participar nas acções que visem a articulação entre os cuidados de saúde primários e os cuidados de saúde diferenciados;
g) avaliar os cuidados de Enfermagem prestados, efectuando os respectivos registos e analisando os factores que contribuíram para os resultados obtidos;
h) reavaliar as necessidades do utente em cuidados de Enfermagem;
i) Realizar ou colaborar em estudos sobre problemas de Enfermagem, visando a melhoria dos cuidados de Enfermagem;
j) colaborar na formação realizada na unidade de cuidados” (artigo 7º).
Para além dos aspectos do Cuidar, tarefa primária, os cuidados de Enfermagem
não se reduzem a uma visão restritiva de um conjunto de actividades. Perante tal, Hesbeen (1998) afirma que os profissionais de Enfermagem possuem determinados meios e recursos “que lhes conferem a especificidade necessária para garantir a sua função (...)” ( p. 34). As funções a que o autor se refere e que caracterizam o trabalho do enfermeiro, são as seguintes:
- os cuidados “base”, onde se englobam os cuidados de higiene, de alimentação e de conforto. No fundo, os cuidados “base” direccionam-se para a intimidade, para o corpo da pessoa;
- uma presença contínua, através da qual, o enfermeiro vivência fortes momentos de aproximação com o cliente e família. Acompanha-os nos seus momentos de plena saúde e nos momentos da doença, onde o cliente e família exteriorizam os seus sentimentos, dificuldades, constrangimentos, esperanças, projectos... Apesar de não ser característica única dos enfermeiros, este acompanhamento é típico desta profissão, dada a continuidade e permanência dos enfermeiros junto dos clientes. Esta presença contínua permite ao enfermeiro um maior conhecimento global da situação do cliente, o
que lhe facilita a troca de informações com a equipa multidisciplinar, favorecendo a implementação de um programa terapêutico mais apropriado;
- um mundo de acções de carácter técnico, que se enquadra na prática clínica.
O REPE (1996), acrescenta que as intervenções de Enfermagem podem ser consideradas autónomas e interdependentes. As acções autónomas são designadas e realizadas exclusivamente pelos enfermeiros que assumem a responsabilidade das mesmas. As acções interdependentes são realizadas por enfermeiros, em conjunto com outros técnicos, com vista a um objectivo comum e que são previamente definidas pelas equipas multidisciplinares e prescritas ou orientadas por médicos.
Assim, o exercício da actividade profissional dos enfermeiros tem como propósito fulcral a promoção da saúde, a prevenção da doença, o tratamento, a reabilitação e a reinserção social (REPE, 1996). Neste contexto, e na sequência do que foi referido, os cuidados de Enfermagem caracterizam-se, segundo o REPE (1996) por:
“l) Terem por fundamento uma interacção entre enfermeiro e utente, indivíduo, família, grupos e comunidade;
2) Estabelecerem uma relação de ajuda com o utente; 3) Utilizarem metodologia científica, que inclui:
a) A identificação dos problemas de saúde em geral e de Enfermagem em especial, no indivíduo, família, grupos e comunidade;
b) A recolha e apreciação de dados sobre cada situação que se apresenta; c) A formulação do diagnóstico de Enfermagem;
d) A elaboração e realização de planos para a prestação de cuidados de Enfermagem; e) A execução correcta e adequada dos cuidados de Enfermagem necessários;
f) A avaliação dos cuidados de Enfermagem prestados e a reformulação das intervenções;
4) Englobarem, de acordo com o grau de dependência do utente, as seguintes formas de actuação:
a) Fazer por substituir a competência funcional em que o utente esteja totalmente incapacitado;
b) Ajudar a completar a competência funcional em que o utente esteja parcialmente incapacitado;
c) Orientar e supervisar, transmitindo informação ao utente que vise mudança de comportamento para a aquisição de estilos de vida saudáveis ou recuperação da saúde, acompanhar este processo e introduzir as correcções necessárias;
d) Encaminhar, orientando para os recursos adequados, em função dos problemas existentes, ou promover a intervenção de outros técnicos de saúde, quando os problemas identificados não possam ser resolvidos só pelo enfermeiro;
e) Avaliar, verificando os resultados das intervenções de Enfermagem através da observação, resposta do utente, familiares ou outros e dos registos efectuados” (artigo 5.º).
Assim, os enfermeiros, face ao diagnóstico de Enfermagem formulado e às qualificações profissionais, de acordo com o REPE (1996):
“a) Organizam, coordenam, executam, supervisionam e avaliam as intervenções de Enfermagem nos três níveis de prevenção [primária, secundária e terciária];
b) Decidem sobre técnicas e meios a utilizar na prestação de cuidados de Enfermagem, potenciando e rentabilizando os recursos existentes, criando a confiança e a participação activa do indivíduo, da família, dos grupos e da comunidade;
c) Utilizam técnicas próprias da profissão de Enfermagem, com vista à manutenção e recuperação das funções vitais, nomeadamente, respiração, alimentação, eliminação, circulação, comunicação, integridade cutânea e mobilidade;
d) Participam na coordenação e dinamização das actividades inerentes à situação de saúde/doença, quer o utente seja seguido em internamento, ambulatório ou domicilio; e) Procedem à administração da terapêutica prescrita, detectando os seus efeitos e
actuando em conformidade, devendo, em situação de emergência, agir de acordo com a qualificação e os conhecimentos que detém, tendo como finalidade a manutenção ou recuperação das funções vitais;
f) Participam na elaboração e concretização de protocolos referentes a normas e critérios para a administração de tratamentos e medicamentos;
g) Procedem ao ensino do utente sobre a administração e utilização de medicamentos ou tratamentos” (artigo 9.º).
Neste sentido, o Conselho de Enfermagem de Portugal, no ano de 2003, definiu as competências do enfermeiro de cuidados gerais, que se referem a um determinado
nível de desempenho profissional demonstrador de uma aplicação real dos conhecimentos e das capacidades destes profissionais. Com efeito, a figura 2 ilustra exactamente as competências do enfermeiro de cuidados gerais.
Figura 2 – Competências do Enfermeiro de Cuidados Gerais
Fonte: Ordem dos Enfermeiros Portugueses (2003, p. 54).
As características expostas, frisam que o trabalho do enfermeiro englobm, efectivamente, saberes de índole científico e técnico, mas também humano, isto é, aglomera uma série de “pequenas coisas”, tal como refere Hesbeen (1998). O autor toma a expressão de “pequenas coisas”, ultrapassando o sentido dos actos praticados, ou seja, diz respeito à capacidade que os enfermeiros têm de:
“(…) ir ao encontro dos outros e de caminhar com eles para conseguirem uma saúde melhor. As pequenas coisas, aparentemente tão anódicas, tão pouco sofisticadas e tão pouco aparatosas, fazem parte da vida de todos e são, portanto, necessárias à promoção da saúde das pessoas” (p. 35).
Em suma, o trabalho do enfermeiro que presta cuidados de Enfermagem no
DOMÍNIOS