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A Escola B é estabelecimento integrante da rede pública estadual e, em 2010 atendeu em torno de 1.260 alunos, contando com 157 professores, equipe pedagógica e administrativa. Possui uma infraestrutura que considero de boa qualidade, biblioteca ampla, laboratórios, quadra interna, uma Sala de Professores, equipada com computador e internet, bebedouro, mesa e cadeiras apropriadas.

A aprovação do Plano do Curso de Educação Profissional Técnica de Nível Médio habilitação em Eletromecânica, na forma integrada ao Ensino Médio, foi mediante a Resolução n. 070/2008, do Conselho Estadual de Educação do Maranhão, com base no Parecer n. 080/2008, do próprio conselho (MARANHÃO, 2008c).

Esse curso foi estruturado em três anos, com a carga horária de 3.600 (três mil e seiscentas) horas, acrescidas de 400 (quatrocentas) horas de estágio curricular. Na prática, o seu funcionamento ocorreu igualmente aqueles da Escola A: os estudos gerais em um turno e os estudos específicos em outro turno, mas neste caso, sob o acompanhamento da própria gestora geral da escola.

Quanto à oferta de cursos em 2010, observa-se que:

Tabela 5 - Total de cursos, turnos, séries da Escola B em 2010:

Curso Turno 1ª série 2ª série 3ª série Total

Geral matutino vespertino noturno 10 10 10 08 08 05 06 24 06 24 03 18 Integrado* matutino vespertino - - - - 04 04 - EJA - - - - -

Fonte: Secretaria da Escola/2010.

Na Escola B foram aplicados 43 questionários, com os alunos do Curso de Educação Profissional Técnica de Nível Médio habilitação em Eletromecânica, na

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forma integrada ao Ensino Médio, sendo 31 de uma turma e 12 de outra, ambas compostas cada qual por 35 alunos concluintes. Nesta escola, os dados da pesquisa foram obtidos também com a gestora geral e uma supervisora escolar, que neste caso não se mostrou à vontade em prestar as informações pretendidas, mas o fez rapidamente, segundo ela, por causa da sobrecarga de trabalho nos dias em que estive na escola e, porque se voltou mais especificamente para os problemas do Ensino Médio regular.

No entanto, as atividades docentes e discentes desse curso estavam sob orientação e acompanhamento da própria gestora geral, com quem mantive contato permanente no período da pesquisa de campo. Em relação aos professores da Escola B, o acesso não ocorreu como esperado, pois nos dias estabelecidos pela gestora geral ora estavam ministrando aulas, ora em horário de intervalo, ora em reunião, o que inviabilizou a obtenção dos dados conforme se estabeleceu.

3.3 Ensino Médio na rede pública estadual maranhense: identificando os sujeitos investigados

Na Escola A, no Curso de Educação Profissional Técnica de Nível Médio habilitação em Gestão e Empreendedorismo, na forma integrada ao Ensino Médio, oito dos 11 alunos, aos quais foram aplicados os questionários, pertencem ao sexo feminino, quatro em idade entre 15 a 17 anos. Porém, sete daquele total, estavam entre 18 a 21 anos, todos solteiros. A renda mensal de 06 (seis) alunos girava em torno de zero a um salário mínimo e, de quatro alunos em torno de um a dois salários mínimo. Em relação ao nível de instrução do pai, três são alfabetizados e quatro concluíram o Ensino Médio, apenas um concluiu o curso superior. Quanto às mães, sete não concluíram o Ensino Fundamental, três concluíram o Ensino Médio, nenhuma realizou estudos em curso superior.

Em relação ao estudo e trabalho, 10 alunos somente estudavam e um aluno informou que estudava e trabalhava, neste caso como atendente em lanchonete; seis realizavam atividades extra-escolares como cursos de inglês e computação; desses, apenas um aluno praticava esportes. Gostam de fazer leitura através da rede internet, seguida de revista de entretenimento. Costumam ouvir músicas nas horas de lazer e, todos os alunos investigados cursaram o Ensino Fundamental em escola pública, apenas um concluiu outro curso profissionalizante

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de nível técnico.

Quanto ao mercado de trabalho, 10 alunos informaram que obtiveram informações por meio da televisão.

No que se refere aos alunos do Curso de Educação Profissional Técnica de Nível Médio habilitação em Turismo e Hospitalidade, na forma integrada ao Ensino Médio, da Escola A, 10 são do sexo feminino, com idade em torno de 18 a 21 anos, oito são do sexo masculino com idade entre 15 a 17 anos, 19 alunos informaram que o estado civil era solteiro. A renda familiar mensal da família de 07 (sete) alunos correspondia a um a dois salários mínimos e de cinco alunos de zero a um salário mínimo. Os demais estavam na faixa de dois a três e de três a quatro salários mínimos.

Em relação ao nível de instrução dos pais, seis possuem o Ensino Médio completo, cinco não concluíram o Ensino Fundamental, apenas dois concluíram o ensino superior, os demais alunos limitaram-se a não responder essa questão. Quanto às mães, 11 concluíram o Ensino Médio, porém nenhuma fez o curso superior.

Ao se tratar de estudo e trabalho, 16 alunos informaram que apenas estudavam. Dos que trabalhavam, o faziam em assistência em informática, recepção e designer gráfico. Quanto às atividades extra-escolares, nove afirmaram que não as realizavam, mas oito disseram que sim, dentre as quais, computação, música, esportes e cursos de idiomas. Preferem a rede internet para realização de leitura, e que assistem televisão durante as horas de lazer. Todos os alunos pesquisados cursaram o Ensino Fundamental em escola pública e, se informam sobre o mercado de trabalho por meio da rede de internet, seguida de jornais e televisão.

A coordenadora do Curso de Educação Profissional Técnica de Nível Médio habilitação em Turismo e Hospitalidade, na forma integrada ao Ensino Médio, também da Escola A é Bacharel em Turismo, com especialização em Gestão e Hotelaria. Atua há mais de três anos no magistério, tendo assumido a coordenadoria do curso a partir do primeiro semestre de 2010, por indicação da gestora geral na época. Contudo, o seu contato de trabalho é de duração limitada junto a SEDUC.

Destaca-se que a sua responsabilidade restringe-se ao acompanhamento do que ocorre em relação ao desenvolvimento das atividades dos componentes curriculares específicos. Exerce outra atividade, além da docência, atua “como autônoma com vendas”. O coordenador do Curso de Educação Profissional Técnica de Nível Médio habilitação em Gestão e Empreendedorismo, na forma integrada ao

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Ensino Médio, concluiu o curso de Administração, cursou especialização em Gestão Estratégia e Planejamento e, atua no magistério há dois anos, tendo assumido a Coordenação desse curso apenas para o acompanhamento de componentes curriculares específicos no início do ano de 2010, após a sua contratação para vínculo empregatício temporário pela SEDUC. Atuou também como professor, responsável pelo estágio supervisionado do curso.

Os professores respondentes foram selecionados levando-se em consideração tanto aqueles responsáveis pelas disciplinas específicas quanto pelas disciplinas gerais dos cursos. A investigação ocorreu em intervalos das aulas no 2º (segundo) semestre do ano de 2010. Foram 11, sendo: dois com formação em Administração de Empresas, um em Pedagogia, um em Química Industrial, um em Processamento de Dados, um em Letras, dois em Hotelaria, dois em Direito, e um que não a identificou, que se dispuseram responder ao questionário, alguns com interesse em “contar tudo” sobre os “fatos” relativos aos cursos. quatro desses professores informaram já possuíam a experiência no magistério há mais de 15 anos, seis se colocaram na faixa de zero a dois anos dessa experiência.

Em relação ao tempo de atuação na Escola A, três informaram de dois a três anos; um de meses, mas sete não prestam essa informação. Finalmente, seis exerciam outra atividade além da docência (consultoria jurídica, publicidade, estatística, artesanato, advocacia) e cinco não realizavam outra atividade além da docência. Sete do total de 11 professores não trabalhavam em outra escola. Contudo, nenhum dos 11 professores respondentes possui a titulação de mestre e de doutor, apenas três informaram que concluíram uma especialização, sem informar qual.

Quanto à supervisora escolar respondente, exercia sua função na Escola A já há dois anos, sendo responsável, no período da coleta destes dados, pelo acompanhamento pedagógico dos dois cursos integrados no turno matutino, mas apenas relacionados aos aspectos dos componentes curriculares gerais. No tuno vespertino, esse acompanhamento era realizado pelos coordenadores do curso79, entretanto, voltados aos componentes específicos do curso.

 

79“O coordenador deve conhecer o significado do Curso, bem como sua proposta adequando-a a realidade na qual está inserido para que possa atender as necessidades daqueles que estão participando do curso e consequentemente para a elevação da qualidade educacional”. Dentre as atribuições do coordenador, destaca-se “discutir as diretrizes do projeto pedagógico do curso em parceria com diretores, técnicos e professores” (MARANHÃO, 2009). Entretanto, não identifiquei nos momentos da investigação a ocorrência dessa discussão e nem o seu planejamento. 

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A despeito “dessa divisão de tarefas”, aqui cabe recorrer-se a Machado (2010) sobre a possibilidade de êxito de um trabalho integrado. Segundo a autora, essa questão passa pelo entendimento consensual que os educadores do ensino médio e do ensino técnico possam construir sobre alguns pontos de partida fundamentais, dos quais o anterior é base. Assim, é fundamental ocorrer certa convergência sobre que ser humano e que profissional se quer formar, como também quais estratégias seriam as mais indicadas para traduzir operacionalmente os valores e as perspectivas que foram priorizados (MACHADO, 2010).

O planejamento, a organização, a sistematização, o controle e a orientação do processo didático, da atuação docente e da atividade cognoscitiva dos alunos precisam se mostrar com coerência interna e evidenciar, de forma consistente, a construção intencional desses sentidos e perspectivas (MACHADO, 2010, p. 83).

Portanto, a integração, conforme Bernstein (apud Ramos, 2005, p. 114), coloca as disciplinas e cursos isolados numa perspectiva relacional, de tal modo que o abrandamento dos enquadramentos e das classificações do conhecimento escolar promove maior iniciativa de professores e alunos, mais integração dos saberes escolares com os saberes cotidianos, combatendo assim, a visão hierárquica e dogmática do conhecimento. Senso assim, aquela “divisão de tarefas” a que se refere não converge com essa perspectiva de um currículo integrado.

Na Escola B, no Curso de Educação Profissional Técnica de Nível Médio habilitação em Eletromecânica, na forma integrada ao Ensino Médio, 21 são do sexo masculino e 22 do sexo feminino. Quando da aplicação do questionário, 22 estavam em idade de 15 a 17 enquanto 21 alunos se encontravam entre 18 a 21 anos, todos solteiros, 17 deles com renda familiar mensal em torno de 0 (zero) a um salário mínimo, seguida da renda de um a dois salários mínimos de 12 anos.

Em relação ao nível de instrução do pai, constatou-se que 17 possuem o Ensino Médio completo, porém 14 não concluíram o Ensino Fundamental, tendo penas 05 (cinco) deles concluído um curso superior. Quanto às mães, 22 possuem o Ensino Médio completo, duas concluíram o curso superior, contudo nove não chegaram a concluir o Ensino Fundamental e sete o Ensino Médio.

Do total de alunos pesquisados, 41 apenas estudavam, 31 não responderam se realizavam atividades extra-escolares. Os quatro alunos que responderam esta questão disseram que realizavam atividades relacionadas a idiomas e computação. Informaram, ainda, por ordem de preferência os tipos de

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leitura que mais gostavam de fazer -, a bíblia em primeiro lugar, seguida da rede internet e jornais. Ouvir musica é o que costumam fazer nas horas de lazer, seguida de leitura e conversa com os colegas.

Quanto ao Ensino Fundamental, 36 alunos informaram que concluíram em escola pública e, em relação ao mercado de trabalho, disseram que obtiveram informações pela rede internet, televisão e escola.

A única gestora que compõe o quadro dos respondentes concluiu o curso de Pedagogia, é especializada em administração e magistério superior. Com uma experiência de mais de 28 anos de atuação em escola pública, e de 10 anos atuando como professora e coordenadora pedagógica na Escola B. Concorreu às eleições para escolha dos gestores escolares em 2003, tendo sido eleita.

Finalmente, quanto ao perfil dos alunos das Escolas A e B e ao seu contexto socioeconômico e cultural, o que se percebe é que possuem vários pontos comuns: a maioria é do sexo feminino, em idade de 18 a 21 anos, com o pai e a mãe portadores de escolaridade média. Têm renda entre zero a um salário mínimo e realizaram os estudos fundamentais em escola pública, além de recorrerem à rede internet para obtenção de informações sobre o mercado de trabalho. Poucos praticam esportes, mas gostam de ouvir música nas horas de lazer.

3.4 O Ensino Médio Integrado na rede pública estadual maranhense: