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2.3. ULUSAL DÜZEYDE ÇALIŞANLARIN İŞ SAĞLIĞI VE GÜVENLİĞİ

2.3.3. Diğer Ulusal Düzeyde Katılım Örnekleri

De acordo com Gracci (2003), em algumas culturas, os nomes dos seres representam a cor por eles refletida. Na Índia, por exemplo, o termo kalapam que significa jovem elefante deriva de kalam, termo que pode ser traduzido por de cor negra/preta. Tal termo faz referência à cor do animal e, sobretudo, ao seu período de cio, fase em que o elefante se torna altamente perigoso ao homem. Já na China antiga, a palavra ts’ing era aplicada a tonalidades muito específicas de azul ou de verde, referindo-se ao verde das árvores e ao azul do céu em uma determinada época do ano.

A escolha em trabalhar com o vocabulário da Flora e da Fauna deve-se à presença marcante das cores nesses domínios. Com efeito, na natureza tudo são cores, e nós, seres humanos, somos privilegiados com a beleza e o colorido presente a nossa volta. Para além da beleza, as cores nesses domínios da Zoologia e da Botânica designam funções diversas e são de fundamental importância para a denominação e descrição das espécies, refletindo a variação intraespecífica ou fatores ambientais.

Nos animais, as cores correspondem a valores adaptativos ao meio ambiente. Nas aves, por exemplo, como uma consequência da seleção sexual, os machos apresentam penas modificadas e de cores mais brilhantes, características que estão envolvidas com a exibição e o comportamento sexual. Por conseguinte, as fêmeas se mostram mais atraídas e se acasalam preferencialmente com esses machos. Isso porque as “cores brilhantes dos machos podem ser uma indicação do bom estado nutricional e dessa forma podem dar subsídios às fêmeas para avaliarem os méritos dos vários parceiros em potencial” (POUGH, 1993, p. 620).

No entanto, as cores podem ser uma característica prejudicial aos pássaros, uma vez que podem ajudar aos predadores que se guiam visualmente na sua captura. Sendo assim, é normal a troca de penas após a corte. Algumas aves terrícolas se valem das cores para a camuflagem com o meio ambiente, o que impossibilita sua captura por parte do predador. Os pavões, por exemplo, usam sua cauda colorida para atrair os predadores, enquanto a fêmea protege o ninho com sua coloração acinzentada, o que dificulta que o inimigo a perceba.

Também as flores, assim como todo ser ou objeto presente no planeta, têm a capacidade de refletir a luz. Órgão reprodutor das plantas designadas angiospermas, a flor, com suas cores vivas, perfume, formas, sempre causou profunda impressão aos olhos do ser humano. Segundo Rousseau (1980)

Sua aparição é relativamente tardia na história da Terra, pois não encontramos vestígio de flores verdadeiras na Era Primária que foi, incomparavelmente, o período geológico mais extenso no tempo. Durante as primeiras idades, as

criptógamas e as gimnospermas (com sementes a descoberto) se espalharam pelos continentes. Mas, nos tempos que se seguiram, surgem esses órgãos de forma tão delicada e com coloridos tão matizados, que parecem ser filhas da própria luz. (ROUSSEAU, 1980, p.62)

A função da reflexão dos raios ultravioletas, no entanto, só foi descoberta há pouco. Endress (1994) assevera que a cor e a forma das flores são de extrema importância para a polinização. O autor afirma que uma de suas funções principais é a de atrair os insetos polinizadores, possibilitando que seus receptores ultravioletas detectem a luz polarizada, uma ferramenta de grande importância para a orientação.

Da mesma forma que o homem percebe o espectro cromático, geralmente influenciado pelo estado evolutivo em que se encontra (social e tecnológico), as cores das flores também são direcionadas para diferentes tipos de insetos, a depender de seu grau de evolução. As flores amarelas, por exemplo, recebem uma grande variedade de insetos, sobretudo aqueles mais primitivos. As flores azuis, que se encontram num nível médio-alto na escala evolucionária das angiospermas, recebem geralmente abelhas mais evoluídas. As flores vermelhas estão associadas a beija-flores e grupos de borboletas muito avançados. Já as flores brancas são frequentemente noturnas, pois são mais visíveis no escuro.

Suas cores são inúmeras. Endress (1994) afirma que todo o espectro cromático pode ser visto nas flores, o que envolve vários tipos de moléculas com diferentes pigmentos: 1. os flavanóides (azul, violeta e vermelho), a antoxantina (amarelado, branco e ultravioleta), o antocloro (amarelo e ultravioleta), a betalaina (rosa ou vermelho), que são encontrados nos vacúolos;

2. a clorofila (verde), os carotenóides (vermelho) e as xantofilas (amarelo), que são encontrados no citoplasma;

Nas angiospermas mais evoluídas, percebe-se uma grande vastidão cromática, com exceção do azul, que está presente em apenas algumas famílias, como Rosidae e Liliidae. Já o pólen é geralmente amarelo, devido ao acúmulo de carotenóides. Ele reflete comprimentos de ondas mais longos do que os da flor e tem a capacidade, assim, de atrair os insetos polinizadores.

Endress (1994) destaca ainda que esses pigmentos estão geralmente localizados na epiderme das flores, o que dá brilho à coloração. Além disso, ressalta que as estruturas da superfície do órgão, bem como os espaços intercelulares na mesófila, influenciam nos efeitos da cor.

O mesmo autor fala também sobre a troca de cor das flores. Segundo ele, esse fenômeno está ligado à polinização, uma vez que se restringe a flores mais velhas que aumentam a atratividade da inflorescência e ao mesmo tempo se distinguem das flores mais novas.

Quicke (1996) defende que as cores não deveriam ser usadas como fator de identificação, pois são características individuais que podem variar, cabendo à Taxonomia retratar as características da espécie como um todo. Entretanto, o que se observa é a grande frequência de expressões cromáticas nesse campo do saber.

É tomando por base os estudos anteriormente descritos e visando a cooperação disciplinar que nos propomos a investigar o uso e a organização linguística das cores e formular um dicionário composto por expressões cromáticas da Fauna e Flora. Nosso trabalho está baseado nas tipologias já propostas, a saber, preto, branco, vermelho, verde, amarelo, azul, marrom, rosa, alaranjado e cinza, sendo acrescentado a estas as cores roxo, violeta e anil, uma vez que tais nomes de cores são muito utilizados em língua portuguesa e são encontradas nas subáreas em questão.

Entendendo a importância do léxico das cores para a ampliação vocabular, nos propomos a estudar tal fatia lexical, analisando a forma como unidades lexicais tão presentes no discurso comum atuam no discurso especializado. Nas próximas páginas, discutiremos algumas questões cruciais para o tratamento do léxico especializado que proporcionaram a ascensão da Teoria Comunicativa da Terminologia, perspectiva teórica defensora da observação do contexto de uso para a definição e delimitação das terminologias e da visão de linguagem como um todo composto por diversas manifestações discursivas constantemente influenciadas e dependentes.

O século XX foi um período revolucionário para os estudos relacionados à linguagem. Se antes seus objetos e metodologias não estavam marcadamente definidos, a virada do século XIX para o XX trouxe novas perspectivas que deram novos rumos para os estudos linguísticos. Em se tratando do léxico, despontam os estudos em Lexicografia que colocaram a antiga prática no patamar de ciência. Ascende ainda uma nova disciplina, a Terminologia, transcorrendo uma evolução gradual no que concerne aos seus pressupostos teóricos e metodológicos.

Como dito anteriormente, a presente pesquisa aborda o léxico especializado da língua e sua compilação em dicionários especializados. Nas próximas linhas, daremos um panorama geral dos estudos em Terminologia e sua influência para a Lexicografia Especializada. Desde já, esclarecemos que, a nosso ver, Terminologia e Lexicologia, bem como Terminografia e Lexicografia não são disciplinas totalmente díspares, mas sim se complementam na medida em que têm como objeto de estudo o léxico de uma ou mais línguas.