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AVRUPA BİRLİĞİ’NDE BİLGİLENDİRME VE DANIŞMA HAKLAR

Após décadas de estudo, o embate entre universalistas e relativistas continua presente nas pesquisas relacionadas ao vocabulário das cores. Para muitos estudiosos, a sua categorização representa um caso no infinito debate sobre a origem, o significado e as propriedades dos sistemas de categorização, debate este que tem uma raiz histórica amparada na visão dicotômica de linguagem: moldada pelo pensamento ou completamente independente dele. O que se observa, entretanto, é a constante abordagem psico-cognitivista em detrimento da linguística. Tais estudos têm girado em torno de duas questões fundamentais:

1. Os nomes de cores são um problema de arbitrariedade linguística entre as línguas? 2. As diferenças entre as línguas na nomeação das cores são a causa de diferenças

correspondentes na percepção das cores?

Para Kay e Regier (2006), do ponto de vista do relativismo, a resposta para as duas questões seria sim. Já para os universalistas, seria não. No entanto, as pesquisas recentes “sugerem que existem tendências de universais na nomeação das cores, mas que diferenças na nomeação entre as línguas causam diferenças na cor”21 (KAY; REGIER, 2006, p.1).

Em texto anterior (KAY; REGIER, 2003, p. 9085), os autores colocam que “por um lado, o significado é direcionado por aspectos universalmente compartilhados de percepção, cognição, ou de meio ambiente; por outro, é determinado, sobretudo, por convenções linguísticas arbitrárias de uma determinada língua”.22

Atualmente, embora a crença nos universais tenha predominado, acredita-se que a língua e a cultura afetam de algum modo a percepção das cores. Trabalhos recentes (Roberson

21 [ ] suggest instead that there are universal tendencies in color naming, but that naming differences across

languages do cause differences in color.

22In one view, meaning is constrained by universally shared aspects of perception, cognition, or the environment;

et al. (2002); Kay; Regier (2003; 2006); Baronchelli et al. (2010)) mostram que há novas evidências para os universais cromáticos e que, embora os focos sofram variação entre as línguas, esta é muito menor entre falantes de mesma língua. São pressupostos que abrem caminhos para questões como: “Quais aspectos da cognição da cor molda a linguagem, e quais aspectos são moldados pela linguagem? Como essas influências recíprocas trabalham juntas?”23 (KAY; REGIER, 2006, p.3).

De acordo com Baronchelli et alli (2010), pesquisas utilizando dados coletados no Wolrd Color Survey (WCS) demonstraram que a categorização das cores não é um mero problema de convenções, mas sim depende muito das características psicológicas e cognitivas, e que existem traços de universalidade na denominação das cores, tanto em culturas industrializadas, como nas não-industrializadas. Kay e Regier (2003) argumentam que

A aplicação de testes estatísticos para os dados de nomes de cores do WCS estabeleceu que: (i) existem claras tendências estatísticas interlinguísticas nas chamadas categorias de cores, agrupadas em certos pontos privilegiados no espaço perceptual das cores; (ii) esses pontos privilegiados são similares tanto em línguas ágrafas de comunidades não industrializadas como em línguas dotadas de sistema de escrita de sociedades industrializadas; e (iii) esses pontos privilegiados geralmente estão próximos, embora não sempre, às cores vermelho, amarelo, verde, azul, púrpura, marrom, alaranjado, rosa, preto, branco e cinza em inglês (KAY; REGIER, 2003, p.9089).24

Brown e Lindsey (2009) realizaram um estudo com 2116 falantes de 110 línguas com 330 amostras de cores do WCS, cada uma apresentada separadamente, que revelou a existência de oito grupos de nomes de cores básicas: vermelho, verde, azul, verde-azul,

23 Which aspects of color cognition shape language, and which are shaped by it? How do these reciprocal

influences work together?

24 The application of statistical tests to the color naming data of the WCS has established three points: (i) there

are clear cross-linguistic statistical tendencies for named color categories to cluster at certain privileged points in perceptual color space; (ii) these privileged points are similar for the unwritten languages of non industrialized communities and the written languages of industrialized societies; and (iii) these privileged points tend to lie near, although not always at, those colors named red, yellow, green, blue, purple, brown, orange, pink, black, white, and gray in English.

amarelo-alaranjado, marrom, rosa e violeta. Tais padrões foram observados em diversas línguas que não estabeleciam nenhum tipo de relação entre si, cada um deles caracterizado por regularidades de nomeação das cores de cada indivíduo. O resultado inesperado foi a diversidade dos padrões dentro das línguas e a similaridade entre os sistemas de nomeação das cores de indivíduos de línguas completamente diversas. Para os autores, tais resultados são de suma importância quando se considera que a comunicação intracultural provoca a padronização intralinguística do léxico das cores,

Assim, esperava-se que a ausência de contato entre culturas geograficamente distantes facilitaria a diversidade entre as línguas. Ao invés disso, os padrões de nomeação das cores giram em torno de um pequeno número de características distintivas. Desse modo, independentemente de suas causas proximais, a escolha do léxico das cores por um indivíduo é altamente estimulada (BROWN; LINDSEY, 2009, p. 19789).25

Ao questionarem o que provoca os universais de um lado e as particularidades entre os falantes de uma mesma língua de outro, os autores defendem que indivíduos dentro de uma cultura podem vivenciar situações diferentes, a depender das necessidades, hábitos ou do seu papel na sociedade. Também é possível que algumas dessas necessidades e características diferentes possam ser universais entre as culturas, contribuindo para o estabelecimento destes padrões cromáticos. Acrescentam ainda que

É difícil de imaginar que as características, e os nomes de cores que elas contêm, poderiam ser tão similares entre as línguas na falta de universais neurobiológicos ou fatores cognitivos, o que mostra a variação individual, mas que são comuns a todos e que estimulam o desenvolvimento do léxico das cores de cada falante (BROWN; LINDSEY, 2009, p.19789).26

25Likewise, a lack of contact between cultures that are widely separated geographically is expected to facilitate

diversity across languages. Instead, patterns of color naming worldwide coalesce around a small number of distinctive motifs. Thus, whatever its proximal causes, an individual’s choice of a color lexicon is highly constrained.

26However, it is hard to imagine that the motifs, and the color terms that they contain, would be so similar across

cultures in the absence of some universal neurobiological or cognitive factors, which show individual variation but which are common to all people and constrain the development of individual speakers’ color lexicons.

No que concerne à percepção categorial das cores, ao contrário do que era sugerido, que a língua era a sua causa, tais pesquisas concluíram que a distinção entre as categorias cromáticas são anteriores à aquisição da linguagem e parecem ser reforçadas, moduladas ou eliminadas ao aprender uma língua em especial.

Para Roberson et al. (2002), a base psicológica da visão cromática é a mesma para todos os seres humanos, isto é, tricromática. O que divergiria, no caso, é a forma como o continuum das cores visíveis é segmentado pelo indivíduo ou pelo grupo ao qual pertence, pois algumas línguas usam menos nomes de cores, enquanto outras usam mais. Porém, embora exista essa diversidade na nomeação, dados obtidos nesse estudo sustentam a hipótese dos universais cognitivos na categorização das cores.

Os autores analisaram as hipóteses relativistas e universalistas da categorização, comparando a aquisição das cores em crianças de duas línguas e culturas diferentes, de modo a compreender as diversidades e similaridades do aprendizado entre elas, por meio da nomeação e compreensão dos nomes de cores e organização cognitiva da cor durante um período de três anos. Para tanto, usaram um conjunto de vinte e duas cores, as onze cores básicas mais onze cores intermediárias. Além disso, as crianças foram entrevistadas em seu próprio ambiente de convivência e em condições naturais.

Os resultados mostraram que as crianças não têm um conjunto universal de categorias pré-determinadas, mas adquirem gradualmente a organização das categorias que são adequadas para sua língua e cultura. Assim, os erros no reconhecimento das cores, que nesse caso foram muito similares para as duas culturas, estavam muito mais relacionados à distância entre as cores do que às categorias propostas. Os grupos não mostraram uma ordem fixa de aquisição das cores e as primárias não foram aquelas aprendidas primeiramente, como argumentavam Berlim e Kay (1969). Para crianças que não conheciam esse vocabulário, o aprendizado das cores focais não trouxe nenhuma vantagem. Por fim, os resultados mostraram

que as crianças refinam progressivamente durante alguns anos as categorias conceptuais cromáticas.

Claidière et al. (2008), por sua vez, em estudo feito com participantes que tiveram que nomear fichas de cores e após algum tempo relembrá-las, constataram que, em condição verbal, os pressupostos universalistas não são encontrados e que as capacidades cognitivas interferem na discriminação e categorização das cores.

Pesquisas neurofisiológicas (tais como a realizada por Siok et al. (2009)) têm demonstrado fortes evidências de que a categorização das cores tem relação de dependência com o hemisfério neural, além de que, em comparação com cores de difícil nomeação, as cores de fácil nomeação ativam fortemente a região temporoparietal posterior. Segundo Siok et al. (2009), ao contrário do que dizia Whorf, essas pesquisas argumentam a favor de que as categorias linguísticas filtram alguns inputs perceptuais e que tais fatores influenciam na sua constituição.

Nesse estudo, os autores investigaram os mecanismos neurais, evidenciando os efeitos da hipótese de Whorf em adultos. Foram escolhidas quatro cores numa gradação que variava do azul ao verde, sendo também usada uma cor para a distração do entrevistado, pertencente à mesma ou a uma categoria lexical diferente. Os participantes foram convidados a indicar em qual lado, direito ou esquerdo, se encontrava a cor e os estudiosos comprovaram que há fortes ativações do circuito neural atribuídas à percepção das cores, de regiões responsáveis pelo registro lexical e semântico. Tal ativação indica que sua informação linguística é rapidamente ativada e representada no cérebro. Além disso, os autores concluíram que as regiões responsáveis pela linguagem participam na percepção das categorias cromáticas quando submetidos a tal tipo de incentivo.

Recentemente, a matemática e a computação têm explorado essa área e têm feito experimentos para verificar as hipóteses relacionadas a esse problema e, assim, sugerir novas

questões e perspectivas. Para Baronchelli et al. (2010, p. 2), “a categorização da cor tem sido abordada também nos estudos computacionais que investigam o quanto a língua e as categorias perceptualmente fundamentadas influenciam umas às outras e como uma determinada população estabelece um repertório compartilhado de categorias”.27 Tais estudos têm demonstrado que a negociação puramente cultural está relacionada à coevolução das categorias e sua sistematização linguística. O estudo dos autores evidência a existência de universais no sistema dos nomes de cores, mas mostra que a transmissão cultural pode influenciar nesses padrões.

Como se pode observar, entre os universalistas e relativistas a balança tem pendido muito mais para a primeira vertente do que para a segunda, uma vez que as pesquisas em psicolinguística têm apoiado a independência entre a linguagem e outros processos mentais. De fato, tais pesquisas optaram por uma abordagem muito mais relacionada aos fatores psico- cognitivistas do que aos linguísticos, não considerando o contexto em que esses nomes ocorrem. No entanto, é bom ressaltar, como bem afirma González (2008), que não se pode sustentar extremamente nenhuma das duas versões, e mesmo que o debate entre as duas teorias tenha beneficiado os estudos da área, a realidade é muito mais complexa e “talvez a evidência empírica nos mostre que a verdade está em algum ponto intermediário” (GONZÁLEZ, 2008, p. 62).28