3. Vakıf Üniversitelerinin Akademik ve İdari Örgütlenmesi
3.2. Devlet ve Vakıf Üniversitelerinde Rektör Seçimi ve Bunun Yargısal
Discutindo as ‘competências práticas’ para o trabalho, não poderíamos deixar de lado as habilidades físicas, a destreza manual e o desenvolvimento de diferentes sentidos das trabalhadoras para o uso dos computadores, a partir da informatização do trabalho em diferentes setores do CSSJ.
A introdução da informática acarretou uma mudança significativa na organização do trabalho e foi identificada por boa parte das entrevistadas como uma oportunidade de aprendizado importante, não apenas para o exercício profissional, como também para suas vidas. Pode-se constatar pelos depoimentos, as diferentes formas de utilização do corpo das trabalhadoras no desenvolvimento das habilidades para o uso da nova tecnologia.
No caso das médicas e enfermeiras, o uso da informática não trouxe grandes dificuldades, uma vez que, de modo geral, estas já tinham o domínio da tecnologia ampliando-a a partir de então, para os programas específicos relativos ao serviço de saúde, o que facilitou a execução do trabalho diário. O mesmo não ocorreu com as auxiliares de enfermagem, que tiveram que dominar um saber técnico com exigências de destreza manual e novas habilidades, até então, totalmente desconhecidas pela maioria:
A informática era algo totalmente novo para quase todo mundo aqui. Nós fomos aprendendo juntos, com a ajuda do técnico. Hoje eu já digito normal, mas comecei catando cada letra. Era horrível, porque o trabalho demorava mais. Mas valeu muito porque é algo que fica pra vida da gente e aqui no trabalho nem se compara, ficou tudo muito mais fácil. (AE DC Recepção 20/07/06)
Além da habilidade para a digitação, as trabalhadoras aprenderam a lidar com uma série de programas, um para cada situação diferenciada de atendimento:
[Sobre a implantação da informática] Durante 4 anos, a gente pode contar com a ajuda do técnico que implantava o programa, por módulo, tirava dúvidas e treinava o pessoal nos módulos, um por
um. E foi por partes. Primeiro, vamos informatizar o atendimento ambulatorial, agora o acolhimento, até chegar na farmácia... E foi feito tudo aqui no trabalho. Nos treinamentos, uns colegas cobriam os outros no atendimento, como uma escala. (G Janete)
A aquisição de conhecimento revela-se, para a trabalhadora, um novo passo para o seu crescimento, pois a habilidade adquirida com a informatização do trabalho refletiu-se em outros âmbitos de sua vida. Algumas auxiliares declararam que, para além das necessidades do serviço, descobriram motivos pessoais, desafios vinculados à suas vidas fora do trabalho que ampliaram suas possibilidades por terem adquirido o domínio de uma tecnologia até então inacessível:
Outra coisa dos saberes no trabalho foi a informática, porque antes eu nem chegava perto de computador, aprendi aqui e agora ele faz parte da minha vida lá fora. (AE Ana)
A constituição de novos saberes vinculados à nova forma de trabalho resultou, internamente, em uma experiência de prazer, possibilitando à auxiliar superar alguns limites, podendo, assim, exercer suas potencialidades. Desse modo, a função corporal requisitada em todos os níveis: físico, psíquico e emocional, denota a profunda diferença entre o trabalho prescrito e o trabalho real. A tendência ao recentramento mostra-se como o livre jogo das faculdades, o corpo sendo o lugar de encontro, de saberes e determinante na superação do desafio proposto (SCHWARTZ, 1998). É o que constatamos no depoimento abaixo:
Construção de conhecimento no trabalho foi na farmácia.... NOSSA! Eu saí daqui e depois fui contratada com o trabalho da farmácia informatizado. Eu até disse pra gerente que não ia voltar, porque eu não sabia nada, naaaada de computador. Falei pra gerente: - “Ah, não vai dar certo!” Eu devo tudo que eu sei às meninas, que me ensinaram tudo, passo a passo, no atendimento, no dia a dia. Agora eu sinto que foi um sucesso. Esse foi um passo novo na minha vida, posso dizer que foi uma conquista meeeeesmo! porque não acreditava que ia dar conta. (AE Elisa)
Pode-se depreender que recursos complexos inscritos nas
possibilidades da trabalhadora puderam ser desenvolvidos quando solicitados pelas novas formas de trabalho, permitindo uma reapropriação da atividade e produzindo
uma sensação de vitória diante superação das dificuldades. Nessa direção, Schwartz (1988) reafirma que o “prazer estético é enigmático porque o sujeito não tem consciência das operações em jogo, mas somente dos efeitos, dos resultados. Não existe mais do que o sentimento vivido (...) sentimento do nosso ser como finalidade.”
Embora tenham sido unânimes quanto às facilidades na realização do trabalho com a informatização, o processo de aquisição desse saber, incluindo o domínio dos novos programas e a lida diária com os mesmos não foi nada fácil e exigiu, de todas as profissionais, um empenho a mais para a realização da atividade:
A informática, hoje eu sei um pouco, porque tive muita dificuldade no começo. As meninas pegaram mais fácil, mas já ajuda demais no trabalho. (AE Nilma)
Lidar com os prontuários eletrônicos no início não foi nada fácil, porque não tínhamos o domínio dos programas, isso também era novo. Mas depois fomos pegando e hoje ficou muito melhor. (M Marta)
Nesse sentido, Clot (2006, p.164) assinala que entre a nova mobilização subjetiva do trabalhador diante de uma nova atividade e os resultados tangíveis que deve obter, “interpõem-se as leis objetivas e bem materiais”, ou seja, as habilidades manuais e o domínio dos programas. Foi um processo de ensino-aprendizagem direcionado pelos instrutores e estagiários de informática, mas cujos movimentos e comandos dependeram de cada uma das trabalhadoras.
Assim, as novas determinações do trabalho suscitaram diferentes reações e, embora a maioria das profissionais tenha enfrentado com afinco esse desafio, uma delas conseguiu esquivar-se da atividade substituindo todas as colegas em suas escalas, enquanto estas participavam da capacitação, estratégia apropriada para sua defesa que revela a astúcia na resistência à nova tecnologia:
Eu tenho dificuldade com essas coisas novas como a informática, muita! (...) Então, fiquei no serviço o tempo todo pras colegas treinarem e depois diminuiu o pessoal e eu não treinei, e não achei ruim não. (AE2 Nilma)
No setor saúde, a informática é um instrumento a mais para a realização da atividade assistencial e todo domínio técnico não dispensa o saber específico da trabalhadora sobre a atividade, como aponta o depoimento abaixo:
Surge um endereço que o programa não aceita, paralisando a ação. O estagiário solicita ajuda:
- Vem cá: o sistema não responde e o endereço está certinho (...) - AE: Deixa eu ver: é que essa rua do lado impar é da equipe pra 1 e do lado par é da 2 por isso que não está batendo. Faz assim (altera alguns dados)... Olha, agora entrou. Depois ela comenta comigo: - É como se diz mesmo, a máquina nunca substitui o homem, porque como agora, ele sabe tudo de informática, mas se não tiver minhas informações pra lançar, ele não faz nada ali na frente do computador (risos). (AE Sandra DC - Recepção 26/07/2006)
Para muitos estudiosos do trabalho, a informatização determina uma maior padronização da tarefa, uma execução mecanicista e repetitiva para o trabalhador. Entretanto, pudemos verificar que cada programa só funciona a partir do saber singular da profissional sobre as especificações do trabalho das ESF, sem o qual a ação é interrompida. Assim, apesar de todos os avanços tecnológicos, o trabalho humano na área da saúde mantém, em todos os sentidos, a singularidade do atendimento de modo que, nenhum progresso da tecnologia pode substituir o saber e a ação do homem pela máquina (ANTUNES, 2000).
5.2.5 O Cuidado: uma sabedoria inscrita na linguagem capaz de produzir