3.4. Kamu Menkul Kıymetlerinden Elde Edilen Gelirlerin Vergilendirilmesi
3.4.1. Devlet tahvili ve hazine bonosundan elde edilen gelirlerin
justiça
4. Justiça. 4. Representações sociais sobre
justiça
5. Injustiça. 5. Representações sociais
sobre injustiça
Tabela 3. Temas e Categorias extraídas das entrevistas.
Com base nesses parâmetros é que trechos das entrevistas são apresentados na seqüência, de modo a exemplificar a unidade temática objeto de análise, que será trazida no capítulo 7. A apresentação desses trechos se comunica com a proposta de analisar as representações que os entrevistados possuem sobre os temas em discussão. Tomar então a fala desses sujeitos se mostra como uma forma de organizar o conhecimento
que detém sobre determinados objetos relacionados com suas experiências de acesso à justiça.
Trabalhar com a descontextualização do que foi dito pelos entrevistados, utilizando trechos de suas falas singulares, transcende a adequação a unidades temáticas. Essas experiências precisam ser re-situadas no quadro de um fenômeno social, comum a todos esses sujeitos, quando do acesso à justiça. Então o que une esses relatos são justamente as representações sociais aí formadas.
Retomando ao campo dessas representações, sobretudo com foco na ancoragem, por ser um de seus processos formadores, é que se encontra a justificativa para a utilização dos mencionados trechos das entrevistas. Sendo a ancoragem uma forma de classificação, que permite, de acordo com SÁ apud MOSCOVICI (2002:47) “(...) representar o não-usual em nosso mundo usual, reproduzi-lo como a réplica de um modelo familiar”, procurando destacar cada um desses fragmentos, para além da transcrição das palavras proferidas, está se buscando um significado sobre o que foi dito. Ademais, a correspondência da leitura feita sobre o material coletado com essa teoria referida, garante cientificidade ao presente estudo.
Nos trechos apresentados, a indicação “P” refere-se à fala da pesquisadora, enquanto a “E” ao entrevistado.
1. Representações sociais sobre a Defensoria
Buscando as representações sobre a Defensoria, procurou-se investigar pontos relacionados com a atuação e com os que aí trabalham, bem como motivações para a procura dessa instituição, com vistas a verificar quais elaborações e como os usuários constroem a imagem da Defensoria como um todo. Também relacionados com essa categoria foram situadas as representações sobre a Procuradoria de Assistência Judiciária (PAJ) e sobre a Ouvidoria da Defensoria. A primeira por se tratar do órgão que antecedeu a Defensoria, na prestação de assistência jurídica. Já essa última, por ser o canal de comunicação da população atendida com a Defensoria.
No que diz respeito à atuação da Defensoria (1.1.), o que se observou foram referências ao respeito e atenção no trato com os atendidos, sendo que houve associação dessa instituição com um órgão de auxílio, um local onde se vem para ser ajudado. Por outro lado surgiu a questão da desinformação sobre a Defensoria:
“O que mais chama atenção é que as pessoas são muito atenciosas comigo e com o povo, que eu vi.” (112)
“E2 - (...) o doutor fulano, que foi quem deu a palestra e ele trouxe a gente aqui. Pegou a gente lá na Prefeitura e trouxe no carro dele (...)E1 – Acho que ele se sensibilizou. (...) E2- Ele assim...eu não vi ele como um advogado, eu vi ele como mais um parte...E1- Como mais um membro da nossa população”.(106) “E o mais importante é que eles abriram as portas pra mim quando eu mais precisei, né? Eu fui, eu vim pedir ajuda e eles me receberam bem, entendeu?” (115)
“Muita gente não sabe que tem isso aqui. Muita gente que fala: “Pôxa. Eu precisava de um bom advogado e vou ter que pagar.”. A pessoa não sabe. Muitas vezes você vê aí advogados nos painéis dos carros: “Procure um advogado da OAB. “Você tem direitos.”. Mas muita gente não sabe que aqui é de graça.” (126)
Quando a questão foi elencar o modo como a Defensoria deveria trabalhar, as respostas não apontaram objetivamente um formato:
“P - Como é que você acha que a Defensoria deveria trabalhar? E – Um pouco melhor. P – Mas, mais ou menos assim, tem alguma coisa que te chama mais atenção, que você acha que deveria melhorar? E – Quem somos nós pra julgar o doutorado? (...)” (105)
“P - Como é que você acha que a defensoria deveria trabalhar? E - Ah, eu não sei moça, porque o caso, cada caso é um caso, entendeu?.E - Às vezes não deu certo comigo, mas pode dar certo com outra pessoa com um caso diferente, entendeu?” (110)
A referência à demora apareceu associada com a resolução das demandas, assim também com uma confiança no trabalho realizado:
“Ah, eu acho que aqui você procura, que nem eu te falei, demora. Não é uma coisa que você pode contar tipo assim, ele me paga... não pode contar com esse dinheiro. Mas é uma coisa que você sabe que vai vir, dia menos dia vai vir a seu favor, se você tiver direito, se tiver tudo certinho não tem como você perder.” (123) “(...) porque pode ser que demora, mas que eles resolvem eles resolvem... Resolve, eu tenho a certeza que se não resolver hoje vai resolver nos próximos dias, no próximo mês, eu não sei quando, mas eles me passam confiança no trabalho que eles fazem.” (122)
Tratando dos que trabalham na Defensoria (1.2.), a dúvida sobre quem realizou o atendimento apareceu, bem como a referência à figura do defensor público foi, por vezes, nomeada com a denominação “promotor”:
“P – Você sabe dizer se quem te atendeu foi estagiário ou foi um defensor público? E - Ah, eu fui atendida por tantas pessoas, mas
eu acho que no caso seria, eu acho que eu fui atendida pelos dois, viu? Eu acho que foi pelos dois...” (118)
“O tempo que eu vinha tinha um promotor muito bom, nós nos tornamos amigos ... ele foi até minha casa, uma ótima pessoa. Agilizou rapidinho o processo” (126)
“Deveria ter um revezamento de promotor, é promotor que fala ,né?, não é advogado.” (126)
A linguagem utilizada nos atendimentos, bem como as explicações dadas aos usuários foram mencionadas em um contexto de um trabalho que leva em conta a especificidade do público que atende. Por outro lado, mesmo com menor recorrência, memórias de desconforto na relação com quem trabalha na Defensoria também foram referidas:
“Um pessoal que tem paciência porque eu sou analfabeto, praticamente, um pessoal que tem saco para explicar, conversa numa linguagem que a gente entende, eu acho muito bacana isso. Facilita, não só pra mim e até pessoa com mais idade, porque eles não chegam falando em número, não, eles explicam assim, tudo direitinho, não vem com enrolação, nem nada”.(117)
“Por que uma vez eu vim aqui, eu não me lembro o nome dele. Ele se eu ver (sic) hoje, eu nem o conheço. Me tratou de uma forma aqui, há dois anos. Como se eu fosse...” Cê tá pensando que o juiz vai te dar esse dinheiro?”Que não sei o que foi. Eu disse: “Você tá pensando que tá falando com quem?”Nem o nome dele eu lembro. Trabalhava aí. Eu não se aquilo era advogado, se num era, é, como é que chama? Estagiário. Que raio que o parta era aquele homem. E tenho arrependimento de não ter pegado esse homem e ter jogado ele dessa forma lá embaixo (aponta para a janela). Que morreria que nem um porco. Pra mim não fazia tipo, sugestão, entendeu? Não querendo partir para a violência, mas tem hora que... (...) É, deixa a pessoa estressada, a pessoa cansada, a pessoa tipo assim isolada, como coisa que tá aqui vindo pedir favores. “Ah, me dá uma esmola aí”. E não é esmola, não. Porque eles trabalham, eles ganham.”(101)
Passando às motivações de procura da Defensoria (1.3.), para além do fato de se tratarem de demandas na sua maioria relacionadas com questões de direito de família, tanto se vê os que diante dessa questão formularam respostas muito objetivas, como os que trazem narrativas mais extensas sobre suas demandas:
“Divórcio” (103)
“Foi assim. A gente morou, morava aqui há vinte anos. Aí comprei uma casa e a gente resolveu de ir morar no Pernambuco. Vendeu essa casa e foi pra lá. Quando cheguei lá comprei três casas e, em cima das três, construí mais uma. Foi quatro. Aí pra ver se dava pra viver lá. Aí não deu. Aluguel barato...aí não deu. Aí o que eu fiz? Juntei as casas vendi tudinho. Pegou o dinheiro e não gastou pra nada esse dinheiro. Depositei e falei com o meu
esposo. Ele falou: “a gente não gasta e lá a gente compra um lugarzinho”. A gente veio, quando chegou aqui...ele veio na frente. Aí no que ele veio na frente, ele tava com um pouco de dinheiro, que as casas ficou pra vender. Aí esse pouco de dinheiro comprou um lugarzinho simples, um barraquinho pra ele. Aí ele ficou morando. E as casas lá de pé. Não tinha vendido as casas. Depois eu fui, vendi as casas e vim. Com o dinheiro das casas, ele foi vendeu esse barraquinho e inteirou tudo. De tudo deu um valor mais ou menos. A gente foi e comprou um imóvel. Registrou no cartório, tá tudo aqui (mostra os documentos). Registrou no cartório, comprovante de pagamento. Depois que comprou a mulher não quer dar a casa.”(125)
Quanto às fontes de informações sobre a Defensoria (1.4.), a maior parte dos entrevistados fez referência ao fórum:
“Eu tinha ido lá no Fórum de Santana, né? Eu tinha separado, aí eu fui no Fórum de Santana e eles me mandaram vir aqui, arrumar um advogado.” (123)
“Então, eu fui naquele fórum João Mendes lá, aquele grande, e eles me passaram aqui, eu cheguei aqui eles me informaram como funcionava.” (120)
Nas representações sobre a PAJ (1.5), apareceram, na maior parte, o desconhecimento em relação a essa instituição. No entanto, também foram feitas menções a uma identidade da PAJ com a Defensoria:
“P - O senhor já ouviu falar num órgão chamado PAJ? E – Não” (112)
“P – A senhora conhece um órgão chamado PAJ? Já ouviu falar? E – Não.” (124)
“P – É, você conhece um órgão chamado PAJ? E - Conheço. P – O que é o PAJ? O que significa? P – O que faz? Você já usou?E - É advogados é, já advogados, gratuitos, advogados para resolver esse problema da solução da gente.P – É a mesma coisa que a defensoria? E - É a mesma coisa que a defensoria, a mesma coisa que aqui.” (115).
“P - Você conhece um órgão chamado PAJ? Já ouviu falar?E - É aqui, né? PAJ? Já, já, isso (...)” (111)
Sobre a Ouvidoria da Defensoria (1.6), várias foram as representações. Houve referências desde o total desconhecimento, passando por já ter ouvido falar e nunca ter utilizado, ter ouvido falar e não saber do que se trata, até saber o que é e já ter utilizado:
“P - Você já ouviu falar? E – Não.” (110)
“Eu já ouvi falar, mas nunca fui procurar. Nem sei se funciona. Se a gente fala alguma coisa que funciona.” (101)
“P – E um órgão chamado ouvidoria da defensoria? E - Já ouvi alguém falar em algum lugar aí que eu fui, mas não sei do que se trata.” (122)
“P - Você já ouviu falar de um órgão chamado ouvidoria da defensoria? E - Já. P – Você já usou? E - É reclamações. Já, já, já cheguei a receber, já cheguei a reclamar com a ouvidoria que demora demais, demora demais esses processos. (risos)” (115)
2. Representações sociais sobre o atendimento da Defensoria