4. BULGULAR VE YORUM
4.4. Dördüncü Alt Probleme İlişkin Bulgular ve Yorum
4.4.1. Derse Katılımı Artırma
Muitas são as potencialidades de inserção de ações de Educação Patrimonial no cotidiano do desenvolvimento de projetos envolvendo instituições, escolas, agentes culturais e educadores, especialmente inserindo as inovações tecnológicas no seu contexto de atuação. Vale destacar que a facilidade do acesso e difusão das informações sobre os bens culturais por meio da rede mundial de computadores ampliou, nos últimos anos, o raio de atuação de muitos destes projetos. Paralelo a isso, nas diretrizes estabelecidas pelos órgãos reguladores das políticas públicas de proteção ao Patrimônio Cultural, expressas em documentos oficiais, uma das questões mais amplamente discutida, nos últimos tempos, diz respeito ao caráter didático das ações sobre o tema, visando à inserção da Educação Patrimonial em instituições formais e informais, seja como disciplina nos currículos do sistema educacional básico da educação formal ou como educação informal.
Prevista nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN - 1997 e 1998) como conteúdo para o ensino de história, a temática do Patrimônio Cultural apresenta-se como fonte de informação preciosa para a valorização da identificação cultural e étnica de grupos desprestigiados socialmente ao longo da história, incorporando memórias e tradições locais que trazem no seu interior argumentos para a Educação Patrimonial tendo como eixo temático a história local e do cotidiano. Neste caso, a orientação ao educador passa pelo enfoque preferencial das diferentes histórias do entorno da instituição, com o objetivo de promover a ampliação da capacidade de observação do participante, no sentido de possibilitar a compreensão das relações sociais existentes que se encontram mais próximas num tempo próprio, variável.
Trata-se de um processo complexo que resvala na questão da formação do cidadão e no direito à memória. Essa inter-relação entre informação e patrimônio cultural aponta para a necessidade da construção de uma cidadania cultural ancorada na garantia dos direitos à informação, com base nos direitos culturais (CHAUÍ, 2006) que coloca em cena, na sociedade contemporânea, a cultura popular tradicional e junto com ela a
preocupação com a instrumentalização do sujeito e dos grupos sociais dentro do objetivo de aumentar a capacidade de desenvolvimento de ações direcionadas para a democratização do acesso à informações sobre os bens culturais. Ultrapassando a concepção de um modelo de política cultural, a cidadania cultural trata, essencialmente, de uma forma de atuação que visa à construção de uma nova cultura política, do ponto de vista transformador e democrático.
É importante lembrar que, conforme dito anteriormente, foi no período pós- Segunda Guerra Mundial que os Estados passaram a se debruçar sobre as questões culturais e a atuar cada vez mais efetivamente, pela sua regulamentação além da criação de oportunidades de desenvolvimento de projetos e construção de espaços culturais.
Neste contexto surgem os direitos culturais, parte integrante dos direitos humanos, indicados na Declaração Universal dos Direitos Humanos assim como no Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais como condição para o exercício da cidadania na qual todas as pessoas tem o direito a uma educação que respeite a sua identidade cultural e ao exercício das suas próprias práticas culturais.
No processo de implementação mundial dos direitos culturais foi aprovada pela Unesco, em novembro de 2001, a Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural que afirma o direito à livre expressão cultural das minorias. O documento, ao mesmo tempo em que observa a impossibilidade de utilização da diversidade das expressões culturais desta minoria para infringir os direitos humanos não permite também que o uso dessa diversidade possa ser utilizado para limitar exercício do seu direito.
No Brasil, as políticas públicas de educação e cultura implantadas no processo de promoção e proteção do patrimônio cultural brasileiro, colocaram em pauta o acesso a informação e à cultura. Amplamente discutida, esta questão culminou na integração de três atores: o Estado, a sociedade e a comunidade para o desenvolvimento de ações relacionadas à Educação Patrimonial, propiciando o surgimento de projetos específicos desenvolvidos em escolas e equipamentos culturais.
São exposições de acervos acompanhadas por visitas guiadas, assim como a realização de apresentações artísticas ou produção e distribuição de material informativo (cartilhas e vídeo documentários) num processo interativo de construção de conhecimento sobre os bens culturais, que ocupam um espaço cada vez maior nestes locais. Ambos contando com a participação ativa de um público mais ampliado e mais interessado a cada dia. Por meio deste movimento, os participantes são levados a utilizarem suas capacidades intelectuais para a obtenção e o uso de conceitos e habilidades no seu cotidiano, dentro do objetivo de serem envolvidos num processo de descoberta capaz de incentivar a construção do seu próprio conhecimento, interpretando as evidências e significados por meio do
desenvolvimento da capacidade de análise e julgamento crítico. Tudo isso na direção da apropriação e a consequente valorização do Patrimônio Cultural.
Todavia, é importante lembrar que por mais que as propostas de desenvolvimento de ações dentro do tema Educação Patrimonial tenham sido apresentadas de forma ainda não estruturada dentro de uma metodologia comum, figurando como uma ideia relativamente recente, conforme apontado no capítulo anterior, tem-se notícia da realização de ações educativas visando a valorização do patrimônio imaterial em diferentes instituições, museus, escolas e centros culturais desde a primeira metade do século passado. Embora fossem ações pontuais e não reconhecidas com a nomenclatura atual, possuíam o mesmo objetivo de unir cultura e educação, num processo simbiótico, capaz de estimular atuações mais complexas de proteção ao patrimônio cultural. Por si só, isso demonstra uma vocação antiga destas instituições para o trabalho de educação patrimonial, nem sempre reconhecida.
No momento atual, a crítica recai sobre o desempenho dos órgãos reguladores de proteção ao patrimônio cultural, responsáveis pela promoção de grande parte das ações relacionadas à Educação Patrimonial. Dado que existe o reconhecimento da importância da pesquisa e da difusão de informações sobre a dinâmica das práticas culturais no sentido de promover o desenvolvimento da cultura brasileira, baseado em elementos que caracterizam a diversidade cultural do país, não foi colocado ainda em prática um programa específico voltado para a Educação Patrimonial. O exemplo apresentado anteriormente de uma ação dentro do Programa Mais Educação que une o Ministério da Educação e o Ministério da Cultura vai de encontro a uma demanda há muito apresentada, entretanto não se apresenta como um programa e tem sua estrutura de permanência associada a uma política de educação integral que ainda se encontra em fase de implantação.
Muito além do reconhecimento de projetos e ações específicas que tem relação com o tema, realizados em escolas e em instituições culturais faz-se necessário a percepção de que a Educação Patrimonial deve ser assimilada no contexto da criação das políticas públicas pelo seu objetivo primordial que a coloca sempre a serviço da coletividade. Por isso, necessita da criação de uma política específica com instrumentos capazes de incentivar a realização de projetos em lugares múltiplos, conforme lhe convém.
Outro aspecto a ser observado diz respeito à formação de profissionais para atuarem no sentido de potencializar ações voltadas para a Educação Patrimonial. Não basta apenas discutir o conceito e destacar a sua importância no processo de formação da cidadania cultural como acontece em muitas propostas desenvolvidas pelos órgãos reguladores ou mesmo instituições culturais de valorização da memória. Há de se investir na
qualificação profissional assim como na criação de instrumentos facilitadores para o desenvolvimento de ações diversificadas, considerando o tema.
Neste sentido, é importante destacar também, para além da experiência sensorial, muito válida para o trabalho educativo, a relevância da criação de propostas para o desenvolvimento de projetos específicos, dentro e fora de instituições formais de ensino, pensadas pelos grupos sociais envolvidos e voltados para a difusão e preservação da memória da própria comunidade.
Reiterando a ideia que sustenta estainvestigação, vale lembrar que o homem é um ser cultural, nasce em sociedade e vive nela atuando e se expressando durante toda a sua existência, sendo marcado por experiências, tradições e pelo convívio social. Por isso a cultura deve ser compreendida como um direito básico já que é por meio do acesso a ela que se constrói a cidadania cultural. Sem a aplicação do binômio cultura/educação torna-se mais difícil para o indivíduo ou grupo social sobreviver sem ter a sua identidade mutilada ou destruída. A inserção de uma política de desenvolvimento de projetos visando a Educação Patrimonial deve buscar criar condições e instrumentos que permitiam as crianças, aos adolescentes e aos adultos, sejam eles moradores dos grandes centros ou de comunidades afastadas, tornarem-se construtores da sua própria história, consumidores de cultura e agentes transformadores da realidade social.
Destacamos como um passo significativo dado nessa direção a proposta desenvolvida pelo Iphan de criação das chamadas Casas do Patrimônio, locais compreendidos pela instituição como espaços articuladores de ações educativas e de
aproximação com as comunidades locais, de forma a exercer um papel determinante na gestão compartilhada da preservação do Patrimônio Cultural, valorizando o direito à
diversidade e à memória, individual e coletiva. Conforme descrição na publicação institucional do IPHAN,
Longe de se restringir à instalação de uma estrutura física, as Casas do Patrimônio constituem, antes, um desafio: ampliar os espaços de diálogo com a sociedade a partir da Educação Patrimonial, multiplicando locais de gestão compartilhada e de construção das políticas públicas de Patrimônio Cultural. É o primeiro passo para transformar as sedes do IPHAN e instituições parceiras da sociedade civil em polos de referência sobre o Patrimônio Cultural, fomentando a criação de novas práticas de preservação, sobretudo por meio de ações educacionais formais e não formais, em parceria com escolas, agentes culturais, instituições educativas não formais e demais segmentos sociais e econômicos (BEZERRA et al, 2014).
Trata-se de uma proposta que pretende de um lado, dialogar com as atividades e rotinas administrativas da instituição e, de outro, promover ações de qualificação e
capacitação de agentes públicos e da sociedade civil, partindo da ideia de que o patrimônio é um eixo de desenvolvimento local sustentável, capaz de gerar renda e oportunidades econômicas para a população. Neste contexto, as Casas do Patrimônio devem atuar de maneira articulada com outros setores governamentais, especialmente nas áreas de educação, cultura e meio ambiente.
Um edital específico para seleção de candidatos, sob a responsabilidade da Coordenação de Educação Patrimonial do Iphan, previsto para o ano de 2014, tem como objetivo selecionar instituições da sociedade civil para integrar a rede das Casas do Patrimônio com o intuito de, baseado em princípios de gestão em rede, fomentar um desenho organizacional das ações educativas de valorização do Patrimônio Cultural brasileiro.
De fato, tanto esta proposta de criação das Casas do Patrimônio, quanto o projeto de Educação Patrimonial do programa Mais Educação constituem-se em exemplos de ações governamentais elaboradas a partir de reflexões teóricas e da análise de atividades práticas referentes ao tema.
Entretanto, considerando tanto as potencialidades deste tipo de proposta quanto a sua relevância social o que se pode observar é que, mesmo com a criação de projetos institucionais relacionados ao desenvolvimento de ações de Educação Patrimonial seguindo a direção apontada pelos debates, evitando adotar uma metodologia uniforme que não considere os diferentes contextos culturais do país, falta um instrumental de registro e difusão de informações capaz de auxiliar na criação e desenvolvimento de atividades considerando propostas desta natureza.
Conforme aponta Fonseca (2012) um dos grandes desafios colocados para o trabalho de Educação Patrimonial diz respeito à elaboração de subsídios, em termos de
produção de material de apoio, voltados para o desenvolvimento de atividades que tem
como objetivo contribuir para a difusão de uma consciência preservacionista, embasada pela apropriação dos bens culturais. Desenvolvidas dentro ou fora de instituições como museus, escolas e centros culturais, as iniciativas de realização de atividades visando a Educação Patrimonial, carecem de um diálogo mais profundo considerando as instituições e as tecnologias digitais disponíveis no sentido de promover a ampliação das possibilidades de ação, tendo em vista a especificidade do campo.
Neste sentido, há de se ponderar sobre a participação dos museus nestes processos como lugares de memória privilegiados para o tipo de ação proposta. Dentro do objetivo de refletir sobre a possibilidade de promoção de ações educativas e em especial aquelas utilizando novas possibilidades tecnológicas passemos, na próxima secção, a enfocar este espaço denominado museu, contemplando suas limitações e contradições,
todavia, acreditando também no seu potencial para o desenvolvimento de projetos de educação patrimonial.
3.3 De lugares de memória a espaço de mediação de culturas: a importância e o lugar