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Ders DıĢı Etkinlikler ve Öğrenci Kulüplerinin Yararları

2.2. Ġlköğretim Okullarındaki Öğrenci Kulüpleri

2.2.4. Ders DıĢı Etkinlikler ve Öğrenci Kulüplerinin Yararları

O método de pesquisa adotado é o estudo de caso, que é entendido como um momento importante na produção teórica, pois, por meio dele, é possível expressar “[...] a tensão permanente entre o individual e o social, momento essencial para a produção de conhecimentos sobre ambos os níveis de construção da subjetividade" (GONZÁLEZ REY, 1999, p. 158). Ainda que a pesquisa se aprofunde a partir de desdobramentos individuais, ou seja, via sentidos subjetivos dos sujeitos participantes da pesquisa, a ênfase é dada ao coletivo. A pesquisa se desenvolve a partir de um grupo de pesquisa formado por pessoas envolvidas diretamente na busca por soluções ao problema pesquisado, no exercício de funções políticas ou administrativas no espaço social pesquisado. O grupo de pesquisa é formado por vinte e cinco pessoas, a maioria participante do Grupo de Trabalho Drenagem (GT Drenagem) no âmbito do Comdevit.

82 Durante o ano de 2013 e 2014, os participantes do GT Drenagam se reuniram aproximadamente quinze vezes para elaboração de um termo de referência para contratação de um plano de gestão das bacias hidrográficas na região metropolitana de Vitória. Nessas reuniões, o pesquisador participou como convidado, o que abriu possibilidade para desenvolvimento de zonas de sentidos essenciais à obtenção de informações por meio de conversações, individuais e em grupo, realizadas no período de junho de 2013 a setembro de 2014. As sondagens aos participantes do grupo de pesquisa aconteceram no segundo semestre de 2012, a partir do que foram sendo amadurecidos os contatos até a realização da primeira reunião do grupo de estudo, em junho de 2013, para a criação do cenário de pesquisa.

Ao todo, foram realizados aproximadamente trinta momentos empíricos, nos anos de 2013 e 2014, entre reuniões do grupo de pesquisa e conversações individuais e em grupo. Entre um momento e outro, são realizadas interpretações que vão se acumulando a cada novo momento empírico. Esse processo vai se repetindo até que se observe esgotamento de informações e interpretações, ou seja, até que se observe que os resultados da pesquisa satisfazem o seu objetivo. O número de pessoas que compõem o grupo de estudo tem consonância com o segundo princípio da epistemologia qualitativa, que consiste na defesa da legitimação do singular como fonte de produção do conhecimento. González Rey (2005) alerta que, apesar de a pesquisa qualitativa não usar o conceito de amostra tradicional, ligado ao significado estatístico de um grupo em relação a sua população, esse tipo de pesquisa permite enfrentar problemas que, por sua natureza, envolvem o estudo de grupos grandes. Nesse entendimento se insere o caso do estudo da gestão no espaço social metropolitano de Vitória. O autor explica que o conhecimento produzido no trabalho de grupos grandes na pesquisa qualitativa baseia-se nos mesmos princípios epistemológicos do estudo de caso. Ou seja, não é o tamanho do grupo o fator fundamental para se definirem os procedimentos de construção do conhecimento, mas, sim, o que se deseja de informação quanto ao modelo em construção na pesquisa, aspecto cuidadosamente levado em consideração nesta pesquisa.

Durante a seleção dos participantes da pesquisa, é levado em conta o envolvimento deles no problema de pesquisa, suas experiências e conhecimentos sobre o assunto, seu interesse no problema da gestão metropolitana e a vontade de participarem como sujeitos de pesquisa. Esse interesse é avaliado pelo pesquisador a partir do contato pessoal com cada um. Os contatos são estabelecidos a partir de busca sobre as principais pessoas que participaram ou participam em marcos históricos na construção da gestão metropolitana em Vitória. Do grupo de pesquisa

83 participam dois pesquisadores do Instituto de Pesquisa Jones dos Santos Neves; sete gestores do governo estadual atuantes em áreas associadas ao planejamento e à gestão metropolitana; dois representantes de cada um dos municípios da Serra, de Vitória, de Vila Velha, de Cariacica e de Viana; um representante do município de Fundão e outro de Guarapari; um representante de movimentos sociais; o prefeito de Cariacica e uma deputada estadual.

Os nomes dos participantes da pesquisa são fictícios. Adelson é pesquisador do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), estudioso do tema da gestão metropolitana há mais de trinta anos e um dos idealizadores do Comdevit. Foi um dos líderes do Projeto Governança Metropolitana no Brasil, realizado no âmbito do IPEA, iniciado em 2012 e publicado em 2014 com o título

“40 anos de regiões metropolitanas no Brasil” (BRASIL, 2014). Délio e Alberto são gestores

e assessores da Prefeitura de Vila Velha. Délio atuou durante muitos anos na prefeitura de Cariacica e, depois, na de Vila Velha, em assuntos de abrangência metropolitana, como parcelamento de solo, saneamento, drenagem e outros, área em que possui vasta experiência e conhecimento, notadamente sobre os problemas que afetam o espaço social metropolitano de Vitória. Alberto atua na prefeitura de Vila Velha, também nesses temas, junto com Délio. Conhece e vem estudando experiências internacionais de gestão metropolitana, principalmente na França, onde esteve pesquisando.

Hernandez e Rose atuam na Secretaria Estadual de Transportes (SETOP) e participaram ativamente como idealizadores e executores do sistema Transcol na região de Vitória, nas décadas de 1980 e 1990, a partir do que conseguem pensar com profundidade diversas dimensões do problema da gestão metropolitana, como a política, a geográfica, a social, entre outras. Olavo e Nádia também foram lideranças principais dos processos que culminaram na implantação do sistema Transcol e atualmente atuam no governo estadual, na área de desenvolvimento urbano e metropolitano. Sérvio e Flaviana atuam no governo estadual, na Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano (SEDURB). Lidam, entre outras áreas, com planos e projetos de intervenção urbana, mas também, e por isso, atuam diretamente com a população, notadamente com ocupantes de áreas impróprias e de risco. Esse contato é feito por meio de reuniões, audiências públicas e conversas pessoais. Durante as conversações, Sérvio e Flaviana entremostraram suas preocupações com essas populações. Em sua maioria, os participantes da pesquisa atuantes no governo estadual atuam no Comdevit diretamente ou por meio de seus grupos técnicos.

84 Vanessa e Mário são servidores da prefeitura municipal de Vitória, onde atuam há mais de vinte anos na área de gestão de saneamento urbano, drenagem e recursos hídricos. Possuem vasta experiência e aprofundados conhecimentos nesses e em outros assuntos de abrangência metropolitana e participam ativamente de grupos de trabalho e de atividades no Comdevit. Vanessa e Mário também procuram estar conscientes de problemas em outros municípios de sua área de atuação, principalmente do município da Serra, com o qual Vitória possui a maior fronteira terrestre. Ana Maria é servidora pública estadual e atualmente trabalha na Secretaria Estadual de Fazenda (SEFAZ), mas passou por aproximadamente cinco anos em secretarias da área de planejamento e desenvolvimento metropolitano. Ana Maria se formou e trabalhou na Espanha e viajou por diversos países da Comunidade Europeia. Por isso, ela parece fazer uma espécie de estranhamento, como teorizado por Geertz (2008), do campo pesquisado.

Hermínia e Lorena são servidores da Prefeitura Municipal da Serra, onde atuam nas áreas de planejamento e gestão, em especial nas áreas de saneamento, resíduos sólidos e drenagem. Hermínia possui vasta experiência e conhecimento em administração pública e nas áreas em que atua, enquanto Lorena iniciou seu trabalho como estagiária na prefeitura, e vem se desenvolvendo e assumindo tarefas importantes de abrangência metropolitana. Hermínia é pós- graduada e mestre em engenharia ambiental.

Afrânio é servidor público do município de Guarapari, formado em Turismo e atuante na área de gestão de meio ambiente. Participa das discussões no âmbito do Comdevit e em consórcios municipais dos quais Guarapari faz parte. Tem experiência e conhece com profundidade os problemas que afetam o município de Guarapari nas áreas de turismo, meio ambiente, finanças públicas, entre outros. Franciele e Lúcio são servidores da Prefeitura Municipal de Viana e atuam na gestão de meio ambiente e na de obras públicas, respectivamente, por isso precisam manter suas áreas de atuação sempre entrosadas. Também mostram interesse em participar de discussões sobre problemas de ordem metropolitana no Comdevit, por meio de seus grupos técnicos, por avaliarem que muitos problemas no município de Viana já não podem mais ser resolvidos em âmbito municipal. Amanda atua na gestão de meio ambiente na prefeitura de Viana, mas atuou também durante muitos anos na prefeitura municipal de Vila Velha, onde acumulou sua experiência na área de atuação. Apesar de concentrar seus trabalhos no tema ambiental, Amanda conhece os problemas metropolitanos nos diferentes municípios e em várias áreas, como transporte, saneamento, águas, resíduos sólidos, entre outros, com o político.

85 Geraldo é Prefeito Municipal de Cariacica e Janete deputada estadual e fizeram questão de participarem pessoalmente da conversação para a pesquisa. Dos municípios maiores da região metropolitana de Vitória, Cariacica é o que possui maior carência em diversas áreas e teve dificuldades inclusive para indicar pessoas para participarem do GT Drenagem. Nascido e criado em Cariacica, onde se desenvolveu na atividade comunitária e política, Geraldo conhece com profundidade os problemas do município e tem visão amadurecida sobre a construção de gestão metropolitana para a região de Vitória. Amauri também é de Cariacica, a partir de onde atua em movimentos sociais em âmbito municipal, estadual e nacional. É representante da Federação das Associações de Moradores e dos Movimentos Populares do Estado do Espírito Santo (Famopes) no Comdevit e conhece com detalhes a geografia e os problemas urbanos de Cariacica, em suas diferentes dimensões, mas também conhece esses problemas em âmbito metropolitano e estadual, por meio de estudo e de atuação há mais de vinte anos em movimentos sociais, principalmente. Tem buscado se atualizar acerca de realidades internacionais associadas à gestão urbana e metropolitana.

Definido o grupo de pesquisa, a etapa seguinte foi a criação do cenário de pesquisa, que se deu em reunião presencial do pesquisador com os sujeitos pesquisados, com vistas à formação do grupo de pesquisa. Alguns desses encontros se deram individualmente, em grupo ou no decorrer das reuniões do GT Drenagem. González Rey (2005) explica que, durante o curso do avanço em direção à formulação do problema de pesquisa, é muito importante se pensar também nas possibilidades reais da pesquisa, o que envolve a representação do pesquisador sobre a criação do cenário de pesquisa. Ao final da conversa com os sujeitos de pesquisa e tendo eles compreendido o escopo, o problema e os objetivos de pesquisa e expressado vontade de participar do estudo, os participantes são convertidos então em grupo de pesquisa. A criação do cenário de pesquisa se deu no primeiro trimestre de 2013.

Formado o grupo de estudo e criado o cenário de pesquisa, em seguida, iniciou-se a realização dos momentos empíricos que se deram nos anos de 2013 e 2014. Nos momentos empíricos, privilegiou-se a conversação individual e em grupo devido ao potencial que o instrumento tem de fazer com que cada participante se sinta sujeito no processo de pesquisa, “[...] facilitando a

expressão deles por meio de suas necessidades e interesses” (GONZÁLEZ REY, 2005, p. 45).

Algumas conversas aconteceram durante as reuniões do grupo de estudo, mas a maioria se deu individualmente ou com duas pessoas. As conversas foram gravadas e transcritas na íntegra. Na utilização do instrumento de pesquisa, a conversação, o pesquisador afasta-se do princípio de

86 que o valor da informação está definido pelo caráter dos instrumentos que a produzem, pois, como expõe González Rey (2005), essa concepção exclui o momento de adoção das reflexões do pesquisador.