2.1. BoĢ Zamanların Değerlendirilmesi
2.1.4. BoĢ Zaman Değerlendirme
Um possível modelo de gestão metropolitana para Jakarta, capital e maior cidade da Indonésia, é estudado por Firman (2008). O pesquisador busca compreender em que medida a combinação de autonomia regional com a reforma de descentralização fiscal tem afetado o desenvolvimento da área metropolitana de Jakarta. Por volta de 2008, o país passou por um processo legal de descentralização administrativa e financeira que concedeu autonomia substancial as suas diferentes regiões urbanas e metropolitanas, o que acarretou, consequentemente, maior independência para administração local, cenário diametralmente oposto ao governo militar e fortemente central da era Suharto (1966-1997). Ao mesmo tempo, Firman (2008) procura vislumbrar um tipo de governança institucional para o desenvolvimento competitivo e efetivo daquela área metropolitana. O autor chama atenção para o fato de que governança é um conceito bem mais complexo do que o de governo. Para tecer sua opinião, o autor se baseia na acepção desenvolvida no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), de que a governança é um conceito que reconhece que o poder existe dentro e fora da autoridade formal e das instituições governamentais, incluindo o setor privado e a sociedade civil, e de que as decisões são tomadas baseadas em complexas relações entre os diversos stakholders com diferentes interesses e prioridades.
Firman (2008) enfatiza que em contraste ao termo governança, ainda no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o termo governo se refere especificamente a instituições ou entidades que fornecem serviços à determinada área geográfica de acordo com suas funções, como definido nas Constituições de cada Estado. O autor se sustenta em referenciais teóricos que combinam as acepções de descentralização, desenvolvimento regional e governança metropolitana. Na Indonésia, cada governo local, incluindo a área metropolitana de Jakarta, possui poder para agir com liberdade dentro da legislação de política nacional de descentralização, decidindo a respeito de implantação de desenvolvimento urbano e regional em suas respectivas áreas, não precisando sequer consultar
51 suas áreas vizinhas a respeito de determinada decisão. Existe ainda um caso significativo de mecanismo de efetiva governança institucional no sentido de promover a competitividade em sua área metropolitana, visando tornar Jakarta uma cidade global na Ásia.
A Indonésia é uma república presidencialista, num modelo de Estado unitário, em que o poder está concentrado no governo central. Dentro de uma visão liberal, e vislumbrando o futuro econômico de Jakarta, o autor sugere que o governo central da Indonésia deve ter autoridade para planejar e desenvolver infraestrutura para a área metropolitana de Jakarta como um todo, enquanto os governos locais e regionais devem ceder sua autoridade sobre funções maiores, mas exercer sua autoridade total sobre a administração do governo local.
Rodriguez-Acosta e Rosembaum (2005) pesquisam arranjos de gestão metropolitana em diversas cidades da América Latina que vão se tornando megacidades, como Buenos Aires, Lima, Cidade do México e São Paulo. Os autores chamam particularmente a atenção para o surgimento recente de arranjos cooperativos que, no futuro, poderão contribuir para direcionar assuntos relevantes para a organização social em áreas metropolitanas. Os autores destacam que a América Latina tem sido caracterizada por governança metropolitana centralizada, herança de governos centralizadores ou autoritários. Os autores tecem breves considerações sobre as regiões metropolitanas de Buenos Aires (Argentina), Santiago (Chile), Lima-Callao (Peru), Santa Fé de Bogotá (Colômbia), São Paulo (Brasil), Cidade do México (México), e San Salvador (El Salvador). Na opinião dos autores, os problemas de governança metropolitana na América latina são urgentes e muito difusos.
Como exceção ao centralismo e bom exemplo de experiência de governança baseada na política e na cooperação, Rodriguez-Acosta e Rosembaum (2005) destacam San Salvador, onde autoridades municipais têm obtido êxitos na gestão metropolitana, por meio do Conselho de Prefeitos para a Área Metropolitana de San Salvador. Esse Conselho funciona como uma espécie de colegiado que formula, regula, coordena e dirige programas e políticas para promover o desenvolvimento da área. Nele reside a intenção de ser uma organização democrática com influência no estabelecimento de políticas de desenvolvimento nacional que possam repercutir na área metropolitana. A despeito de seus desafios e dificuldades, e do período ainda relativamente curto para o estabelecimento de avaliação mais acurada de seu funcionamento e resultados, o fato de os prefeitos da região metropolitana de San Salvador terem conseguido trabalhar em conjunto e buscado unificar posições diante do governo nacional representa um passo à frente dentro do contexto da região da América Central.
52 Entre os inúmeros estudiosos que se debruçam sobre o caso brasileiro, Souza (2005) é um dos poucos que o faz a partir de uma visão autonomista. Parte da compreensão de gestão metropolitana a partir da inter-relação entre os diversos atores e instituições com poder de tomada de decisões e com interesses plurais e divergentes: os três níveis de governo e suas instituições legislativas; o setor privado, em particular, a indústria de construção civil; entidades de utilidade pública; organizações não governamentais e muitos outros segmentos da sociedade civil. O que o pesquisador chama mais a atenção é para a lacuna existente nas constituições federal e estaduais a respeito de assuntos metropolitanos: a gestão dessas regiões é subordinada à iniciativa do governo estadual. Paradoxalmente, os municípios brasileiros ganharam razoável autonomia financeira e política a partir da Constituição de 1988:
“Art. 158. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição” (BRASIL, 1988).
Esse cenário, que pode ser caracterizado de contraditório, mostra que nem o período de ditadura militar, marcado pela centralização, e nem o regime democrático, de característica descentralizadora, foram capazes de estimular a cooperação exigida para uma governança metropolitana Esse contexto, então, propiciou o aparecimento de arranjos de gestão diferenciados, baseados em dois diferentes direcionamentos: na formação de conselhos de representantes políticos dessas regiões e em práticas de orçamento participativo. Souza (2005) chama a atenção para o fato de que os conflitos e tensões entre os participantes que compõem diferentes regiões metropolitanas têm se aprofundado e se tornado mais complexos em razão da redemocratização do País. E a despeito do processo de descentralização e de tentativas de diálogo em busca de interesses comuns nessas regiões, o que ainda prevalece é a singular falta de cooperação para sua gestão.
Experiências de cooperação na gestão metropolitana parecem mais amadurecidas em países europeus, como na França, por exemplo. Nicholls (2005) chama a atenção para a série de dramáticas mudanças que o sistema de governança metropolitana na França tem sofrido ao longo de quarenta anos. Enquanto no passado as cidades centrais e seus prefeitos gozavam de uma posição privilegiada em relação a autoridades de localidades menores, agora eles próprios se encontram dependendo dessas autoridades para cumprir muitas tarefas básicas de governança. O aumento da importância da cooperação e da parceria no âmbito da governança metropolitana tem conduzido à proeminência do conceito de poder funcionalista
53 (interdependência e cooperação) em muitas das análises sobre governança metropolitana. Ao contrário, concepções distributivas de poder (hierarquia e conflito) têm largamente sido suprimidas, enfraquecendo a capacidade de estudiosos para contar com um componente-chave responsável pelo estreitamento de relações entre os sujeitos envolvidos na governança urbana. Nesse contexto, Nicholls (2005) busca desenvolver um quadro conceitual que explique ambos os aspectos de poder, com a intenção de utilizar esse quadro para mostrar as mudanças no sistema de governança na França. O autor estuda o caso de governança metropolitana na região de Tolouse, na França, onde as autoridades locais discutiram que a incapacidade para prover melhores serviços não residia na incompetência de seus predecessores, mas, sim, na falta de um novo modelo de governança.
Em 1975, com o objetivo de aumentarem sua base de recursos, prefeitos de seis municípios formaram um sindicato intermunicipal para gerir seus recursos coletivos. No decorrer dos anos 1990, esse arranjo somava 28 municipalidades e três novos parques tecnológicos que alcançaram altos êxitos segundo o autor. Os resultados do estudo mostraram a existência de um alto grau de cooperação entre os envolvidos, mas a qualidade tem sido comprometida pela continuidade dos conflitos e pela falta de coordenação em nível metropolitano. No trabalho de Nicholls (2005), transparece o entendimento de existência de acentuado nível de cooperação, apesar dos conflitos, o que representa um avanço considerável no caso estudado. Uma visão interessante de possibilidade de cooperação num cenário de conflito. Conflito que, como não poderia deixar de ser, acarreta comprometimentos na qualidade da cooperação.
Práticas culturais seculares também podem servir como elemento chave na construção de gestão metropolitana. Na África do Sul, Beall (2006) ressalta o papel formal das lideranças tradicionais nos governos locais pós-apartheid. O autor pesquisa a relação entre arranjos governamentais antigos baseados em chefias locais e no controle da autoridade tradicional sobre o território e sobre o desenvolvimento, e a emergência de governos locais democráticos na municipalidade de Thekwini. Seu estudo sugere que formas híbridas de identidade política, incorporando tanto aspectos da democracia formal, quanto das experiências de lideranças tribais tradicionais, estão surgindo e indicam que a cultura política urbana e as instituições têm sido transformadas não somente no âmbito do processo de desenvolvimento, mas também por meio de ações, crenças e práticas da população. Para os autores, a incorporação de autoridades tradicionais no governo local tem reflexos fortes na administração da região. Essa incorporação acarreta efeitos econômicos importantes, como permitir desenvolvimento descentralizado e econômico,
54 dispensando a criação de estruturas muito caras e somando a contribuição dos líderes tradicionais para negociar, gerenciar e manter o fornecimento de infraestrutura e serviços.