2.2. Ġlköğretim Okullarındaki Öğrenci Kulüpleri
2.2.3. Ülkemizdeki Öğrenci Kulüpleri Uygulaması
No imaginário moderno, a definição de sujeito se sustenta na força de sua razão e na linguagem com que nomeia o que se passa pela razão. Nessa definição, o sujeito é o ser humano abstrato separado do outro, do mundo e de suas próprias abstrações, do que advém um sujeito vazio,
73 sem história e sem concreções. É, assim, um sujeito coisificado, objetivado, alienado, que perde
sua historicidade, sua ação e sua mudança e transformação. “O sujeito racional que se define a
partir de seus ideais de perfeição perde sua própria natureza tensional, conflitante, vital,
complexa” (ALVARADO, OSPNA e MUÑÓZ, 2008, p. 26). Essa acepção de ser humano, que
se encarna na configuração modernidade, racionalidade e economia baseada no modo de acumulação capitalista, desgasta a noção de sujeito, implicando desgastes igualmente sérios em diversas dimensões associadas a valores humanos, como o são os valores da igualdade, da ética, da liberdade, da cooperação e da política.
Esse discurso moderno de sujeito corrói a noção de sujeitos compreendidos como seres humanos dotados de pensamento, criação, participação, emoção e linguagem (GONZÁLEZ REY, 2005); e de seres humanos ativos, reflexivos, políticos e criadores (CASTORIADIS,
2007). Ou, ao invés de sujeito, “[...] melhor falar em componentes de subjetivação trabalhando, cada um, mais ou menos por conta própria” (GUATARRI, 1990, p. 17), mas sempre na perspectiva de que “[...] somos todos sujeitos, já que é possível descobrir a marca do sujeito em
todos os indivíduos” (TOURAINE, 2006, p. 129). É nesse veio crítico que se busca sustentação para reflexões sobre subjetividade política apresentadas neste trabalho, no sentido de que o resgate da acepção da política passa pelo resgate da acepção de sujeito que se perde com o advento do discurso da sociedade moderna, racional e capitalista que se hegemoniza especialmente a partir do século XIX. Passa pelo resgate do sujeito que foi deixado de lado pela própria psicologia em sua busca de reconhecimento entre as ciências, quando tenta
[...] abandonar seu substrato filosófico e adota métodos das ciências naturais, o que condiciona a negação da subjetividade. A Psicologia se desenvolve carregando as marcas do positivismo e sofre influências também presentes no desenvolvimento das ciências no século XIX (MOTTA e URT, 2009, p. 621).
A acepção de subjetividade política está sustentada, assim, na acepção de subjetividade, vocábulo que, de forma geral, segundo Furtado (2007), vem sendo utilizado para fazer referência a fenômenos humanos que escapam à objetividade, mas também na psicologia para se referir à produção psíquica. Para o autor, González Rey (2005) é um psicólogo social que
tem se dedicado “[...] a construir uma definição de subjetividade” no campo da psicologia atual.
É nesse esforço intelectual que surge o conceito de subjetividade social (GONZÁLEZ REY; 2003; 2005) que sustenta esta tese, dentro do qual se insere a noção de subjetividade política. Ao longo dos últimos anos, González Rey (2005) vem assumindo interesse especial pelo tema da subjetividade política, notadamente no que tange à associação entre os sentidos subjetivos e
74 o político. Menciona, por exemplo, que a política no Brasil, assim como em outras partes do mundo, se alimenta de aspectos contextuais e históricos. Suas reflexões têm inspiração em pensadores sociais que aportaram reflexões com implicações sociais profundas, destacando Pierre-Felix Guattari e Cornelius Castoriadis. Segundo González Rey (2005, p. 97), “[...] tanto Guattari quanto Castoriadis realizam seu trabalho dentro de um referencial psicanalítico; contudo, ambos criticam o universalismo totalizador das construções freudianas e lacanianas, e
empreendem caminhos novos de construção teórica [...]”.
Ainda em relação ao desenvolvimento de uma acepção de subjetividade política, a teoria do imaginário de Castoriadis (1982) é particularmente contributiva. Motta e Urt (2009) expõem que o pensamento de Cornelius Castoriadis se desenvolve a partir de princípios filosóficos de Karl Marx, mas a partir dos quais vai desenvolver críticas ao marxismo. Conceitos marxistas fundamentais são contestados por ele, como a concepção de estruturalismo e de alienação, já que para C. Castoriadis, o trabalhador pensa e age em seus espaços de atuação, onde desenvolve possibilidades de resistência e de organização. Levando essa compreensão para o campo da gestão metropolitana e pensando a expressão cidadão metropolitano, equivaleria a dizer que as pessoas compreendidas nesse espaço social também pensam e agem a seu modo e conforme os recursos de que dispõem, com vistas à organização social desses espaços. No que tange à análise do estruturalismo, Castoriadis (1987, apud GONZÁLEZ REY, 2005, p. 101) assim se expressa:
[...] as tendências extremistas do estruturalismo resultam do fato de que o estruturalismo cede efetivamente à utopia do século, a qual não é construir um sistema de signos em um só nível de articulação, senão eliminar inteiramente o sentido (e, sob uma outra forma, eliminar o homem).
Nessa trajetória, a partir da dimensão da autonomia, a acepção de imaginário - categoria central do pensamento de Castoriadis (1982) que abrange com profundidade o ser humano, a sociedade e sua organização - influencia o desenvolvimento do conceito de subjetividade social e de subjetividade política. Com a categoria de imaginário, Castoriadis (1982)
delineia a existência de estruturas significantes e de significados que não respondem ao real, assim como também não têm a função de ajudar a pensar o real: são formas de organizações simbólicas e de sentido, que formam um fim em si mesmas, e que geram sentido, coesão e organização dentro do complexo tecido social. O imaginário social é uma criação humana, seu valor está no sentido que gera para os sujeitos que o compartilham, e não na designação de um fenômeno real externo ao sujeito (GONZÁLEZ REY, 2005, p. 104).
Para González Rey (2005), essa construção teórica de imaginário social remete a um fenômeno da subjetividade social e retoma a ideia de que as sociedades humanas não podem ser
75 compreendidas tão somente a partir de suas condições objetivas de existência, já que fenômenos subjetivos que são construídos socialmente são também responsáveis pela forma de organização social de determinado espaço. Levando essas reflexões para o campo da gestão pública e da gestão metropolitana, significa dizer que a realidade social e a organização social e política do espaço metropolitano não são passíveis de serem compreendidos apenas a partir de suas condições objetivas. Da mesma forma, a realidade e a organização metropolitana não são passíveis de serem compreendidas somente a partir de suas condições atuais. Desconsiderar a subjetividade social e política que conforma esses espaços, bem como desconsiderar seu passado ou configurações histórico-culturais determinantes para a condição atual desses espaços, significa comprometer o seu futuro, ou melhor, comprometer a criação, o planejamento e a construção desse novo futuro. Transpondo para o tema desta tese, significa comprometer a própria gestão da metrópole e seu futuro.
Assim como em sua contestação a conceitos marxistas, como os de alienação e de estruturalismo, a acepção de imaginário social de Cornelius Castoriadis está assentada firmemente na questão da autonomia, ideia que está relacionada à capacidade dos seres humanos para criarem e instituírem o seu próprio mundo; capacidade que têm de questionarem, reverem e recriarem as próprias leis a que estão submetidos. É especialmente instrutivo o entendimento de Fressard (2006) sobre a acepção de imaginário social, significando-a de la potencia de inventar de los pueblos.
En primer lugar, el imaginario social viene a caracterizar las sociedades humanas como creación ontológica de un modo de ser sui generis, absolutamente irreducible al de otros entes. Designa, también, al mundo singular una y otra vez creado por una sociedad como su mundo propio. El imaginario social es un “magma de significaciones imaginarias sociales” encarnadas en instituciones. Como tal, regula el decir y orienta la acción des los miembros de esa sociedad, en la que determina tanto las maneras de sentir y desear como las maneras de pensar. En definitiva, ese mundo es esencialmente histórico. En efecto, toda sociedad contiene en sí misma una potencia de alteridad. Siempre existe según un doble modo: el modo de “lo instituido”, estabilización relativa de un conjunto de instituciones, y el modo de “lo
instituyente”, la dinámica que impulsa su transformación (FRESSARD, 2006, p.
1).
Numa entrevista, F. L. González Rey (GOMES e GONZÁLEZ REY, 2012) expõe seu entendimento de subjetividade política como parte de um momento de uma subjetividade social, podendo estar atravessada ao mesmo tempo por muitos componentes da subjetividade social. O autor cita, por exemplo, o imaginário coronelista que impregnou e ainda permeia a política e a gestão pública brasileira, tema pesquisado por muitos estudiosos. A subjetividade política
76 seria vista, assim, como uma produção da subjetividade social, com especificações importantes que valem à pena ser estudadas e que se convertem em um campo valioso de conhecimento.
Porque quando hablamos de subjetividade política, em ella está la religión, están las creencias, están los mitos de um determinado país, están uma cantidade de cosas que em sentido estricto no formam parte de la atividade de la organizacion política. Esa subjetividade política son sínteses de uma subjetividade social com desdobramentos infinitos, de ali que me cuesta trabajo seccionar la subjetividade, decir que esto es domínio de la subjetividade política (GÓMEZ e GONZÁLEZ REY, 2012, p. 376). Assim como em outros elementos constituintes da organização social e política, a gestão metropolitana e seu processo de construção e desenvolvimento estão entranhados por subjetividades ou configurações subjetivas histórico-culturais que conformam sua realidade atual. Contudo, uma questão essencial é que esses elementos estão sofrendo processos permanentes de transformação, bem como outros estão sendo criados. Assim, as expressões imaginário social, subjetividade social e subjetividade política, por exemplo, não se prestam apenas à compreensão de como se deu a construção da gestão de espaços metropolitanos e como está sua situação atual, mas se apresentam sobretudo essenciais para os processos de transformação social e de criação nesses espaços sociais, em suas diversas dimensões, sendo a gestão e a organização do espaço social uma delas.
A associação entre subjetividade e gestão em organizações e instituições vem ganhando relevância no campo dos estudos organizacionais nos últimos anos. Umas das linhas de pesquisas que vem aportando conhecimentos relevantes nesse sentido no Brasil é a do Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal do Espírito Santo (PPGADM- UFES), denominada Organizações e Subjetividades. O foco de pesquisa são temas envolvendo aspectos humanos e subjetivos nas organizações, públicas e privadas. Palassi (2011) vem orientando estudos associando subjetividade e participação. Ainda, no âmbito do PPGADM- UFES, Vasconcelos (1995a; 1995b) baseou-se na teoria do imaginário de Castoriadis (1982) para estudar o coronelismo e suas origens, associando-o a um componente histórico-cultural hegemônico que alimenta a subjetividade social que conforma a administração pública no Brasil. Junquilho (2000; 2002) busca compreender o gestor público brasileiro que emerge da mistura do gestor público tradicional com o gerente público concebido a partir do movimento conhecido como New Public Management, ou seja, a ideia de um gestor público atuando com base em princípios e diretrizes oriundos da iniciativa privada.
Trata-se de autores e de estudos importantes para o foco desta tese, reunidos na UFES, porque neles estão associados tanto elementos histórico-culturais significativos para a conformação do
77 modo de gestão pública brasileira, quanto por tratarem de um período recente da história do Brasil em que é possível visualizar a concretização da acepção de imaginário social de Castoriadis (1982). A visão de gerente caboclo de Junquilho (2000; 2002), por exemplo, expressa um período de inflexão na história da administração pública no Brasil em que é possível notar a sociedade revendo suas próprias leis, suas tradições e seus valores, para transformá-las e para criar novas leis e novos padrões sociais, criações que afetam diretamente a administração pública. Nesse período de inflexão, entretanto, convivem e entram em conflitos mitos, tradições, simbolismos históricos e modernos, avançados e atrasados, do ponto de vista da organização política e social. Trata-se de pesquisas que tangenciam os conceitos de configuração subjetiva e de subjetividade social e que carregam conhecimentos teóricos levantados a partir de pesquisas empíricas relevantes à construção do conceito de subjetividade política. A visão da democracia grega no século V a.C., berço da acepção do conceito original de democracia, vale para apresentar o quão longe as sociedades ocidentais atuais se distanciaram da verdadeira acepção de democracia. No caso brasileiro, mais longe ainda está quando se considera que componentes culturais como clientelismo, coronelismo, patrimonialismo, entre outros, permeiam o funcionamento do sistema representativo e da administração pública. Uma aproximação nas teses de Vasconcelos (1995a) e Junquilho (2000; 2002) ajuda a ilustrar essa realidade.
A respeito do imaginário coronelista, por exemplo, Vasconcelos (1995a,) diz que a sociedade brasileira foi construindo personagens políticos peculiares durante o período colonial, cujo personagem central foi o latifundiário, que acabou por gerar o coronel republicano. “Na ausência das comunidades como as que havia nos Estados Unidos, o latifúndio estruturou a vida
no Brasil Colônia” (VASCONCELOS, 1995a, p. 38). De fato, a independência política de
Portugal, em 1822, não foi capaz de impedir que a estrutura econômica colonial arraigada fizesse surgir a figura imaginária do coronel, oriunda da Guarda Nacional. A tese central de Vasconcelos (1995a) é a de que a figura do coronel é um dos principais personagens políticos da história brasileira, por meio da qual foi construído o sistema político no Brasil. Vasconcelos (1995a) sustenta suas ideias na teoria de Castoriadis (1982) do imaginário. O coronelismo, uma espécie de anti-heroismo da participação, é definido por ele como uma das instituições imaginárias centrais da sociedade brasileira. Interpretando sua tese a partir de ideias de González Rey (GOMES e GONZÁLEZ REY, 2012), especialmente a de subjetividade social, o coronelismo alimenta configurações subjetivas centrais da subjetividade política e da
78 do coronelismo até hoje é devida à profunda impregnação das práticas sócio-políticas brasileiras
pelo imaginário do coronel”. O coronelismo é, assim, uma produção cultural da subjetividade
social brasileira, e por isso está entranhado em diversos espaços sociais no País, sendo o espaço da política um deles e, por consequência, o espaço social de gestão metropolitana.
O imaginário coronelista e outras expressões histórico-culturais como o patrimonialismo, o mandonismo, o nepotismo, o insulamento burocrático, o corporativismo, o clientelismo e a derivação perversa da corrupção, são tratados por alguns estudiosos como componentes culturais históricos que impregnam a política e a gestão pública no Brasil (DA MATTA, 1990; NUNES, 2010; CARVALHO, 1998; LEAL, 1997) e continuam persistindo ainda em tempos dos chips, como estuda Martins (2012). Trata-se de componentes históricos produzidos pela subjetividade política e social brasileira, por assim dizer. Entretanto, se existem muitos estudos a respeito dessas expressões histórico-culturais impregnadas na Administração Pública no Brasil, são raros os que intentam investigar mudanças para novos valores que deverão orientar a política e a gestão pública brasileira.
Junquilho (2000; 2002) foi um dos estudiosos a empreender pesquisa nesse sentido, desenvolvendo em sua tese de doutorado a noção de gerente caboclo no Brasil. No âmago da tentativa de implantação do novo modelo de gestão pública no Brasil nos anos 1990, por meio da importação de ideias do New Public Management (OSBORNE e GAEBER, 1992), Junquilho (2000) pretendeu compreender a complexidade envolvida no desafio de substituição do protótipo do administrador burocrático — ineficiente, descomprometido e pouco atento ao usuário — pelo do tipo novo gerente, empreendedor, criativo e atento ao cliente. Tal desafio consistia num dos pilares para alcance dos objetivos previstos no Plano Diretor de Reforma do Estado (BRESSER-PEREIRA, 1998).
Junquilho (2002, p. 2) aproveita para resgatar alguns pilares que sustentavam a ideia da Nova Gestão Pública, como a de que o gasto público seria um custo improdutivo “[...] ao contrário
do investimento coletivo e social”. Ou como a ideia da identificação dos servidores públicos
como hostis à sociedade, detentores de privilégios e defensores de interesses particulares. Ou como a crítica à interferência do Estado no mercado e à hegemonia da ideia de que os mecanismos de mercado são mais apropriados à distribuição de bens e serviços à sociedade. Resgata ainda a ideia de importação para a gestão pública de práticas gerenciais do setor
privado, a “[...] privatização de setores econômicos produtivos estatais e a ênfase na
79 O autor observou que a forma burocrática de agir de gestores públicos no Brasil refletia práticas cotidianas construídas num processo histórico-social longo, compreendendo traços culturais brasileiros que influenciam as ações desses gestores nas administrações públicas (JUNQUILHO, 2002). Como desconsiderar essa subjetividade histórico-cultural no processo de tentativa de mudança do perfil do gerente público? As interpretações do pesquisador o levam a perceber um novo gerente público que adjetiva de o gerente caboclo, um gerente contemporizador; dividido entre o coração e a “razão; tendente à centralização; conjugando pessoalidade e impessoalidade; capaz de contornar excessos formais via jeitinho e avesso a controles formais e planificação.
Para completar essas reflexões, é preciso tocar num assunto pouco enfrentado no campo dos estudos sobre administração pública no Brasil: a corrupção. A proliferação de partidos políticos no Brasil deriva dessa e de outras expressões culturais como o clientelismo e o coronelismo, por exemplo. Existem atualmente no Brasil 35 partidos políticos, sendo que a maioria é constituída por pequenos partidos comandados por uma espécie de coronel. Os acordos entre partidos se dão nem sempre baseados em identidades ideológicas ou em interesses sociais comuns, mas, sim, em interesses econômicos. Entre interesses de coronéis à frente dos partidos. É possível pensar o quanto esses aspectos impactam o desenvolvimento administração pública, âmbito em que se insere o tema da gestão metropolitana.
Contudo, o fato é que, ainda que numa velocidade menor que a almejada pela população brasileira, o País dá indicadores de avanço em direção a uma nova realidade política baseada em valores da ética, da participação, da democracia e do interesse público. Ou seja, em confronto ou em substituição a expressões negativas da subjetividade social e política entranhadas na gestão pública brasileira são produzidas outras positividades, por assim dizer. O fato é que o Brasil tem uma democracia muito recente, mas, apesar de tudo e dentro dos limites da democracia representativa e de sua incapacidade para servir como instrumento de distribuição da riqueza produzida no País, por meio dos instrumentos governamentais de captação e de alocação de recursos públicos, observa-se aprimoramento dos políticos eleitos a cada novo processo eleitoral, aprimoramento que é produzido a partir do amadurecimento político e da participação gradual do brasileiro nas questões públicas. Um sujeito brasileiro que produz novas subjetividades na política.
Enfim, muito ainda haveria para ser explorado sobre esses aspectos simbólicos da subjetividade social e política brasileira que, de uma forma ou de outra, se inserem no
80 problema da gestão metropolitana. Todavia, considera-se que esse breve panorama sobre aspectos expressivos da subjetividade social e política da administração pública brasileira é suficiente para a associação entre o referencial teórico utilizado e o contexto histórico-cultural do campo pesquisado. Esses aspectos culturais e históricos e outros peculiares a cada uma das regiões pesquisadas aparecem na tese, porém, aspectos mais recentes relativos à democracia, à cultura cívica e à participação, produzidos no bojo da luta contra a ditadura militar e no processo posterior de redemocratização do Brasil, se fazem revelar nos debates acerca do tema da gestão metropolitana. É nesse período das últimas décadas aproximadamente, caracterizado por paradoxos e por contraposições no campo da administração pública brasileira, que se encontra o objeto de estudo desta tese, centrado nos processos de construção da gestão metropolitana em Vitória.