Keywords : Seismic Isolation, Control Algorithms, Artificial Neural Network, Fuzzy Logic, Genetic Algorithms
VII- Hasar Yapıcı:
1.6. Depremin Yapılara Etkis
Kivell (19922 apud Vasques, 2009) relaciona o surgimento dos brownfields com as mudanças econômicas, tecnológicas e sociais responsáveis pelas readaptações na utilização dos espaços. Vasques (2009) sintetiza as causas desse aparecimento em duas escalas: geral (global e nacional) e específica (regional e local). Considera como fatores gerais a reestruturação industrial, desindustrialização, desconcentração industrial, desinvestimento e exurbanização3.
Relaciona como fatores específicos o fechamento por falência, o comportamento especulativo, as realocações mais rentáveis, o desacordo entre proprietários e a obsolescência funcional.
As áreas abandonadas ou subutilizadas fruto, principalmente, da dinâmica urbana contemporânea vêm recebendo denominação específica em diversos países. O emprego do termo brownfield inicialmente ocorre, na década de 1970, no processo de modernização de plantas da indústria de aço estadunidense como “brownfield expansion”4 (US Office of Technology Assessment, 1980; Cranndall, 1981). O seu uso passou a incorporar a existência de atividades pré-desenvolvidas,
podendo apresentar contaminação, tal como destacam Ferber e Grimski5 (2002), segundo Vasques (2009, p.31).
De acordo com Vasques (2005, p.8) e Iaochite (2005, p.10) a definição de
brownfields aparece, em 1980, na lei federal americana Comprehensive
2 KIVELL, P.T. Les friches et Le déclin industrial Dan lês ville britanniques. Revue Belge de Geographie, Bruxelles: societé
Royale Belge de Geographie , 116éme Anne (1-4). 1992. P. 117-128.
3 É o processo de formação dos distritos industriais, devido à realocação das atividades econômicas para re-agrupamentos
pré-determinados, geralmente, especializados. Ocorre por diversos fatores, dentre eles, os menores preços dos terrenos nas periferias, tráfego intenso, problemas de estacionamento e dificuldade para expansão física das empresas, nas zonas centrais (Mérenne-Schoumaker, 1996 apud Vasques 2009, p. 29).
4 Refere-se à instalação de equipamentos que elevem a produtividade da fábrica, devido a algum impedimento que limita sua
capacidade de uso completo (Vasques, 2009, p. 31).
5 FERBER, U.; GRIMSK, D. Brownfields and Redevelopment of Urban Areas. Viena: Umweltbundersamt (Austrian Federal
Environment Response, Compensation, and Liability Act – CERCLA, seção 101, primeira a tratar de áreas contaminadas, como: “instalações industriais ou comerciais abandonadas, ociosas e subutilizadas cujo redesenvolvimento é dificultado devido à contaminação real ou percebida, mas que tem um potencial ativo para reuso”. A agência ambiental americana (EPA) recepcionou esta definição, assim como a lei pública americana, de 2002, “Small Business Liability Relief and Brownfields Revitalization Act.. Também é utilizado o termo wastelands (áreas residuais).
Tal como relata Vasques (2009), os brownfields, no Reino Unido, são denominados como brownland, blackfields, derelict land, fallow land e previously
developed land. Na França são utilizados os termos friches urbaines e industrielles
(Macquat6, 2006; Bruyelle7, 1992; Cabanne8, 1992), bem como, terrains vagues e
terrains abandonnés. Em italiano, área dismessa ou fabbrica dismessa. No
espanhol, o termo mais utilizado é ruínas e baldios industriales. Segundo Ihobe9 (1998) a expressão “emplazamientos industriales contaminados” é utilizada para
identificar restrições de uso, na etapa de recuperação. Na Alemanha são usados
industriebrächen e brachfläche (Vasques 2009, p. 31 a 33). Sánchez (2001, p. 129)
aponta os termos alemães altstandorte e altlasten.
Nos estudos sobre brownfields realizados por Vasques (2005; 2009) e Leite (2005) foram encontrados, além da utilização do próprio termo, uma série de outros nomes: áreas degradadas, pontos negros, espaços opacos, espaços residuais, espaços de reconversão, paisagens estragadas, cicatrizes/fraturas urbanas, cinturão ou anel de ferrugem ou, ainda ferradura (áreas industriais concentradas), espaços de inércia, terrenos vagos, rugosidades, aos quais estão associados diferentes conceitos. Leite (2005, p. 12) se refere a essas áreas como
[...] entraves espaciais, obstáculos que provocam descontinuidades urbanas, dificultando o uso mais eficiente do espaço, e dando a eles a aparência ultrapassada ou de abandono bastante característica, proporcionando um impacto visual negativo do ponto de vista urbanístico.
Souza C. (2002, p. 110-111), nos seus estudos sobre novas territorialidades ao longo da orla ferroviária paulistana, trata essas áreas como “terrenos vagos” que se constituem em “rupturas no tecido urbano”. São “espaços residuais” que
6 MACQUAT, A. Processus du Réabiltation des friches industrielles. Cinc cas das des friches industrielles en Ville Délemont. Neuchatel: Universite Nêuchatel/Institut de Geografie, October, 2006.
7 BRUYELLE, P. Les friches industrielles. Revue Belge du Géographie. Bruxellas: Sociète rRuyale Belge du Géograohie,
116ème anné, n1-4, 1992 p. 113-137.
registram as transformações do capitalismo no território urbano. Por outro lado, destaca que podem se transformar em oportunidades
[...] uma área disponível, cheia de expectativas, com forte memória urbana, a memória de seu uso anterior parece maior que seu uso atual, potencialmente única, o espaço do possível, do futuro, a possibilidade do novo.
A Universidade Estadual de São Paulo (UNESP) em convênio com as universidades americanas University of Pittsburgh (UP) e Carnegie Mellon
University (CMU) estabeleceu, em 2001, em Rio Claro, o Grupo de Análise
Territorial com Suporte de Geotecnologias, que elaborou, em 2003, o seguinte conceito para brownfields, conforme Iaochite (2005, p. 29 e Vasques (2005, p. 34): “[...] arcabouço físico-territorial abandonado, contaminado ou não, de uma atividade sócio-econômica relevante em um determinado período de tempo, passível de redesenvolvimento”.
Alker et al10 (2000 apud Vasques, 2009, p. 39) propõem uma definição para o termo, aceita por vários autores que trata de “terreno ou parte dele, sem uso ou parcialmente utilizado, onde houve atividade ou uso anterior; podendo estar desocupado, desamparado ou contaminado e disponível para reuso, exigindo, porém, em muitos casos, intervenções”. Essa definição é fruto de uma síntese, realizada pelos autores, sobre os fatores inclusos nas várias definições do termo, criando um modelo do que pode ser considerado um brownfield.
Vasques (2009) elabora uma tentativa de classificação do que é e do que não é brownfield (Anexo C) e afirma que a análise das várias tipologias de
brownfields (2005), facilita a compreensão sobre as suas origens e características e
organiza um organograma (Anexo D) com as principais categorias de brownfields encontradas na literatura estrangeira.
Leite (2005, p.114) nos seus estudos sobre brownfields especifica que “aterros de resíduos sólidos urbanos desativados, sem recuperação, apartados da dinâmica urbana e, conseqüentemente, contribuindo para a desvalorização do entorno podem ser considerados brownfields ou entraves espaciais”. São denominados também como espaços desperdiçados, pois o uso do espaço é pouco eficiente originando descontinuidades urbanas, como no município de São Paulo. Concluiu que dos seis aterros desativados no município de São Paulo, com área
10 ALKER, S.A.J.V. et al. The Definition of Brownfield. Journal fo Enviromental Planning and Management. Abgdom, v. 43,
total de 1.200.000 m², sob a fiscalização do Departamento de Limpeza Urbana (Limpurb); os aterros Sapopemba, Jacuí e São Mateus podem ser classificados como brownfields, enquanto os aterros de Santo Amaro, Vila Albertina e Itatinga (inertes) como brownfields em processo de recuperação, apesar de não possuírem projetos definidos e oficializados de refuncionalização11.
De acordo com Sánchez (2004, p.85) “[...] alguns brownfields são áreas contaminadas, enquanto que nem toda área contaminada é um brownfield, caso de áreas contaminadas situadas em indústrias ativas, por exemplo – denominado como “terreno industrial contaminado” (Figura 2.1). Compreende-se, então, que as áreas contaminadas são casos especiais de áreas degradadas.
Figura 2.1- Tipologia de áreas degradadas Fonte: Sánchez (2004, p. 85)
As diferentes definições para o termo brownfield dificultam sobremaneira a sua identificação e quantificação. Yount12 (2003 apud Vasques, 2009) ressalta a importância de um conceito padrão para permitir a realização de inventários de
brownfields, que os identifiquem e os restituam ao ciclo produtivo. Aponta, também,
a inexistência de termos que expressem quando uma propriedade se torna um
brownfield e quando deixa de sê-lo. Vasques (2009, p.36) relata que alguns autores
delimitam o mínimo de dois anos, sendo dez anos como tempo médio para abandono.
11 Refuncionalizar segundo Evaso (1999 apud Vasques 2005:36; Vasques 2009:49 “implica na alteração da função de uma
determinada coisa/elemento, atribuindo-lhe um novo valor de uso. […] Tais acomodações requerem, às vezes, adequações por parte do espaço construído: demolições (supressões), reformas (superposições) e acréscimos (acumulações). [...] As alterações a serem feitas reordenam o conteúdo, atribuindo a cada elemento uma nova posição hierárquica, que é, essencialmente, de cunho funcional”.
Greenberg13 (1991 apud Vasques, 2009, p. 41) e Greenberg et al.14 (1999
apud Magalhães, 2000, p. 41) propôs a expressão TOADS – Temporaly Obsolete,
Abandoned or Derelict Sites para conceituar um tipo especial de brownfield,
tratando-se de um local abandonado e obsoleto, temporariamente, capaz de desvalorizar as propriedades vizinhas e influenciar uma mudança no zoneamento local. O espaço passa a ser associado à insegurança, à criminalidade, à falta de empregos e serviços e ao vandalismo. Adquire um estigma negativo com a contaminação de terrenos e estruturas.
Outro termo, derivado deste último, HI-TOADS – High-impact Temporaly
Obsolete, Abandoned or Derelict Sites, foi criado por Hollander 15(2009 apud Vasques, 2009, p. 42) para se referir a brownfields mais perigosos, apontados em algumas cidades americanas (New Bedford – Massachusetts, Pittsburg – Pennsylvania, Richmond – Virginia, Trenton – New Jersey e Youngstown – Ohio), onde foram observadas áreas poluídas e perigosas, destruídas, contaminadas, abandonadas e arruinadas.
Outra expressão “Locally Unwanted Land Uses – LULUs” é encontrada para definir espaços problemáticos, que traduzida significa „usos do solo localmente não
desejados‟. Designa espaços desejados e necessários à sociedade ou legalmente exigidos, mas pelos quais ninguém quer se responsabilizar, tais como os aterros de lixo, os abrigos para sem-tetos e incineradores (Vasques, 2009, p. 42).
A mesma autora identifica esses espaços como „terras de ninguém‟. Cita como exemplo o estudo de Greenberg e Schneider16 (1994), em Nova Jersey, que observaram concentrações de áreas TOADs e LULUs, onde taxas de mortes violentas de jovens do sexo masculino relacionavam-se à injustiça social, produzindo violência urbana estrutural. A autora cita os autores Bowman e Pagano17, 2004, p. 1-2), que se remetem aos dangerous brownfields (brownfields perigosos), indicadores de declínio intra-urbano, materializados nos lotes desocupados; desencadeando o aparecimento das expressões dead space (espaço morto) e disturbed space (espaço alterado) para se referir a solos improdutivos,
13 GREENBERG, M. American Cities: Good and Bad News about Public Healthy. Bulletin of New York Academy of Medine.
New York, V. 67 n1. 1991. p. 17-21
14______,; Schneider, Violenca in American City: Young Black malls is the Answer, but what was the question? Social Science Medicine. V. 39, n2. 1994, p.179-184.
15 HOLLANDER, J.B. Polluted and dangerous: America’s worst abandoned properties and what can e done about them.
Burlington: The University of Vermont Press; Hannover: University Press of New England, 2009.
16 GREENBERG, M.; SCHENEIDER D. Violence in America cities: Young Black Males is the Answer, but what was the
Question? Social Science and Medicine, v. 39, n. 2. 1994. P. 179-187.
17 BOWMAN, A.O.; PAGANO, M.A. Terra Incognita: Vacant Land and Urban Strategies. Washington: Georgetown Uiverty
edifícios degradados ou usos temporários como depósitos de lixo ou de material de construção.
As três expressões citadas anteriormente englobam sérios problemas sociais relacionados à criminalidade, comércio de drogas, roubos, prostituição, etc., sendo reconhecidos por Leite (2005, p.14) como espaços marginais.
Berger18(2006) nos seus estudos sobre brownfields, considerados subprodutos das mutações econômicas, apresenta uma classificação para as diversas paisagens: Landscape of Dwelling – LODs, terrenos vagos em conjuntos residenciais; Landscape of Transition – LOTs, armazéns temporários; Landscape of
Infrastructure – Lins, paisagens de infra-estrutura de transporte; Landscape of
Obsolescense – LOOs, depósitos e aterros de lixo; Landscape of Exchange – LEXs, centros comericiais abandonados e Landscape of contamination – LOCOs, bases militares e outros tipos de brownfields (Vasques, 2009, p. 43).