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Keywords : Seismic Isolation, Control Algorithms, Artificial Neural Network, Fuzzy Logic, Genetic Algorithms

1.3. Deprem Parametreler

O destino do lixo no município de São Paulo historicamente se revela como um símbolo das suas dinâmicas físicas e sócio-econômicas e do nível de desenvolvimento técnico-científico e político. Lopes (1998, p. 19) afirma que

[...] a história do lixo exige uma reflexão não só sobre seu aspecto ou valor simbólico, mas também sobre a realidade técnica e científica das ações políticas e econômicas que o transformam, progressivamente, numa mercadoria rentável, num objeto de disputas de setores públicos e privados, num tema estratégico para as campanhas para a ordem social, [...], e ainda num assunto de grande importância para as instituições ligadas ao planejamento urbano. Por isso fazer a história do lixo é também repensar os limites da cidade e mergulhar num campo de disputas locais.

A evolução histórica aqui apresentada, limitada ao período de 1800 a 1976, justifica-se, pois é nesse intervalo da evolução da cidade que se originam muitos dos lixões e aterros controlados que ainda hoje permanecem visíveis ou invisíveis como manchas na matriz urbana, funcionando como registros das mudanças ocorridas na paisagem paulistana.

A regulamentação da destinação do lixo na cidade já se evidenciava no texto do Edital de 15 de outubro de 1722 (Lopes,1998, p.29 e Silva, 2001, p.34):

[...] Os oficiais do Senado da Câmara desta cidade de São Paulo que presente servimos pela ordenação de sua majestade que Deus guarde, fazemos saber a todos os moradores desta cidade, de qualquer qualidade ou condição que em diante façam botar os cisco e os lixos de suas casas nas paragens, declaradas, a saber, nas covas que estão atrás da misericórdia nova e nas covas que estão de fronte de Santa Tereza e somente o façam nestas paragens e as pessoas que fora destes lugares botarem os tais lixos serão condenadas por cada vez em seis mil réis sem que lhes sirva de desculpa o ignorarem onde seus servos botam os tais lixos, pois o deverão examinar e fazer escutar como pelo que o presente quartel ordenamos.

Lopes (1998, p.34), reproduzindo mapa (Figura 1.5) de Ogata (1978), afirma que até meados do século XIX os depósitos de lixo estavam identificados às pessoas (próximos ao rio, fundos de casa, etc.) dispostos num aro concêntrico, a menos de um quilômetro do centro da vila, no convívio das pessoas. Ainda não representavam um perigo.

Figura 1.5: Localização dos depósitos dos lixões no período de 1800-1850 Fonte: Ogata (1978, p.50).

Nesta fase, conforme Ogata (1978), não havia coleta residencial do lixo, mas a municipalidade estabelecia locais destinados ao seu lançamento pela própria população, situados na periferia da época. Situavam-se nas

encostas das margens esquerda e direita do Rio Anhangabaú e esquerda do Rio Tamanduateí, correspondendo aos terraços fluviais do nível intermediário. Esses terraços, definidos por Aziz Ab’Sáber, em 1958 (Ab’Sáber, 2007), possuem altitudes médias muito constantes (745-750 m), estendendo-se da área central da cidade até as colinas do Tatuapé, passando pelos baixos terraços (725-730 m) do Brás, Canindé e Pari. Relacionam-se a um nível de terraceamento antigo da calha-eixo dos vales do Tietê e Pinheiros.

As ameaças de epidemia, especialmente, a de febre amarela, transformaram o lixo em alvo de preocupação das autoridades, associados aos danos à saúde pública. O Código de Posturas do Município de 1886, no seu Título VII “Da higiene e salubridade pública” (Lopes, 1998, p.40) com o intuito de proteger a população quanto à ameaça das epidemias trata de regulamentar a disposição do lixo para a periferia da cidade: “Art. 98 – A Câmara designará os lugares próprios para neles ser feito o depósito de lixo e terra, afastando o mais possível das proximidades da cidade [...]”.

A cidade apresentou um grande crescimento a partir de meados do século XIX, principalmente após 1875, quando São Paulo se tornava um pólo industrial (Ogata,1978). Nesta época, além de se dispor o lixo era necessário transformá-lo. Assim, o método de incineração foi implantado, de acordo com o princípio básico de não-desperdício de energia. A energia produzida no processo de queima no incinerador abasteceria alguns locais da cidade (Lopes, 1998). Os resíduos, então, passam a ser depositados sempre na periferia (Figura 1.6), a oeste da cidade, nos terraços fluviais do nível intermediário, em Santa Cecília e às margens do Rio Tietê, na ilha Capirunduva, formada pelos seus meandros, e onde estava instalado o incinerador da Ponte Pequena (Ogata , 1978).

Em 1914, a Postura Municipal decretada pelo então Prefeito Washington Luiz definiu o que era lixo e o que não era (Lopes, 1998, p.91):

 [...] lixo, para efeitos de remoção pela limpeza pública, abrange todos os detrictos, animaes, vegetaes, minerais e industriais encontrados nas ruas públicas e também todos os detritos domiciliares sólidos resultantes da limpeza de qualquer prédio, estabelecimento ou casa de habitação inclusive jardisn, páteos, cozinha e quaisquer dependências;

 [...] os objetos de uso doméstico que pelas suas dimensões e peso, não caibam nos recipientes destinados a conter os detritos domiciliares, os resíduos industriais de qualquer natureza, os objetos e artigos imprestáveis ou condenados para o consumo, que pela sua

quantidade não caibam nos recipientes destinados a conter os resíduos domiciliares; os restos de materiais de obras e construções e o produto de demolição e entulho de qualquer natureza. Esses produtos, resíduos e objetos não serão removidos pela limpeza pública, mas esta é obrigada a aceitá-los nos lugares de destino final do lixo.

O impulso na industrialização devido à 1ª Guerra Mundial e o conseqüente crescimento populacional, no começo do século XX, trouxe vários problemas à administração pública, dos quais, a poluição do Rio Tietê, que além do lixo, recebia, também, os esgotos da cidade. Nesta fase, a principal forma de destinação do lixo eram os lixões. Segundo declaração do Prefeito Washington Luiz Pereira de Souza, os lixões deveriam ser extintos, pois o crescimento urbano logo os englobavam (Ogata, 1978). Petrone (1958 apud Ogata, 1978) distinguia três zonas funcionais na cidade. A zona comercial, correspondendo ao centro velho, e a industrial, aos bairros de várzea, próxima à ferrovia (Brás, Mooca e Belenzinho). A zona residencial incluía os bairros aristocráticos (Campos Elísios até a Av. Paulista e a nascente do Jardim América), os bairros de classe média, na periferia e, os bairros operários junto à zona industrial.

O mapa dos locais de disposição do lixo no período de 1925 a 1950 (Figura 1.6), elaborado por (Ogata, 1978), mostra que os mesmos se situavam na periferia, nas porções oeste, norte e leste da cidade, formando um semi- círculo. Estes locais situavam-se nos compartimentos geomorfológicos do espigão central (incinerador Araçá), nas altas colinas e espigões secundários (aterro da Rua Galeno de Almeida), nos baixos terraços fluviais do vale do Tietê (lixão da 4ª Parada, no Belenzinho) e na várzea do Rio Tietê (lixão da Rua Anhanguera, na Barra Funda e compressor de latas, na Ponte Pequena).

O espigão central, as altas colinas e os espigões secundários, são elementos topográficos, também, definidos por Ab’Saber, em 1958. O primeiro, com direção SE-NW, se constitui na principal plataforma interfluvial do sistema de colinas paulistanas, estendendo-se do Jabaquara até o Sumaré (790-820 m). As altas colinas dos rebordos dos espigões principais são regiões relativamente acidentadas onde estão as cabeceiras dos afluentes da margem esquerda do Rio Tietê e direita do Rio Pinheiros, com altitudes entre 780-830m.

Os espigões secundários são patamares elevados e planos, descontínuos e decrescentes, perpendiculares ao eixo do divisor Tietê-Pinheiros, com altitudes variando entre 750 e 800 m (Ab’Saber, 2007, p.105-107).

Em meados do século XX, conforme relata Ogata (1978), houve o incremento da industrialização associada à crise do café transformando São Paulo em pólo de atração de população e numa grande cidade. É nesta época que já se projetava a retificação do Tietê, intensificando-se o lançamento de resíduos nas suas margens. O fato contribuiria para o lançamento dos resíduos próximo ao centro produtor, por propiciar um longo período para sua deposição e com a valorização de grandes e antigos alagados, próximo ao centro. Além disso, surgem as estações zimotérmicas, pelo processo Beccare, precurssoras das usinas de compostagem. Neste período, também, é implantado o primeiro aterro sanitário de São Paulo, de acordo com depoimento de Ribeiro da Luz5, na Rua Pedro de Toledo, próximo ao Ibirapuera, onde se encontra o Centro Recreativo do Bem Estar Social.

A autora destaca, ainda, que na fase de 1925-1950 os resíduos são racionalmente utilizados, evitando-se o desperdício de recursos naturais e que os locais de disposição ultrapassam as margens dos rios Tietê e Pinheiros (Figura 1.6). Situam-se nos terraços fluviais de nível intermediário, nos baixos terraços fluviais dos vales do Tietê e Pinheiros e na várzea dos rios Tietê, Pinheiros e Tamanduateí.

No estado de São Paulo o período de 1956 a 1970, segundo Negri (19966 apud Morinaga, 2007) foi marcado pela industrialização pesada e pela

“consolidação dos materiais de uma sociedade urbana e industrial”.

Quanto à disposição dos resíduos Ogata (1978) afirma que no período de 1950 -1975 (Figura 1.6) houve o predomínio dos lixões, mas outras formas se fazem presentes como o aparecimento da usina de compostagem, em 1970 e do primeiro aterro, reconhecido como sanitário, em Lauzane Paulista, em 1974.

É importante observar, no entanto, que a nomenclatura aterro sanitário utilizada na época, corresponde na verdade ao que hoje denominamos aterro controlado. São considerados como aterros sanitários, tal

5 Rocha, A.A. A história do lixo. In: Resíduos sólidos e meio ambiente no Estado de São Paulo. São Paulo:

Coordenadoria de Educação Ambiental, 1992.

como definidos anteriormente, no município de São Paulo, apenas os aterros Bandeirantes e São João, hoje encerrados.

Na década de 1950, as indústrias avançaram para o vale do rio Pinheiros (Vila Leopoldina, Jaguaré, Jurubatuba), periferia da área metropolitana. Em seguida, devido à mudança do transporte ferroviário para rodoviário, elas começaram a ocupar os terrenos mais altos, na direção de Guarulhos, São Bernardo do Campo e Diadema. Este deslocamento foi acompanhado pela mudança de uso do solo, onde os bairros industriais passaram a mistos e estes a residenciais. Este processo também acarretou alteração na localização das áreas de disposição de resíduos, mostrando uma nova tendência para se localizarem nas colinas. Os lixões serão expulsos da várzea, pois já terão cumprido o seu papel de valorização imobiliária dos antigos alagados (Ogata, 1978).

Entretanto, tal como observa, também Ogata, a várzea ainda será por muito tempo o local preferencial para a disposição do lixo. O Projeto de Recuperação de Áreas com Resíduos Sólidos (RARES) criado pelo Prefeito Miguel Colassuono (1973 - 1975), tinha o objetivo de aterrar, com resíduos sólidos, todas as áreas adjacentes do rio Tietê, a ser retificado. Assim, nesta fase, as áreas de disposição de resíduos situavam-se em diferentes compartimentos geomorfológicos (Ogata, 1978): altas colinas e espigões secundários, altas colinas da periferia e várzea do Rio Tietê, Pinheiros e outros rios (Anexo A).

Após 1975, Ogata (1978) informa que o município adotava quatro formas de destinação dos resíduos sólidos: o aterro sanitário, mais expressivo, o lixão, a usina de compostagem e a incineração (Figura 1.7). Destas, as duas primeiras predominaram por várias décadas (Figura 1.8), sendo responsáveis por cerca de 80 % da disposição de todos os resíduos coletados em 1976. Afirma que o lixão está em vias de extinção, persistindo somente o lixão do Itaim Paulista.

Figura 1.6- Áreas de disposição de lixo no município de São Paulo entre 1850 a 1975. Fonte: Rodriguez (1998, p.92), reproduzido de Ogata (1983)

Figura 1.7 - Localização das áreas de disposição de lixo no período de 1975 - 1976 Fonte: Ogata (1978, s/nº p).

Figura 1.8 - A evolução dos resíduos sólidos no município de São Paulo no período de 1940 a 1975: fases de disposição, quantidade e formas de destino final.

Fonte: Anuários da Limpeza Pública da Prefeitura do Município de São Paulo apud Ogata (1978, Prancha II).

A autora no seu estudo sobre a evolução da disposição dos resíduos sólidos no município de São Paulo no período de 1800 a 1976 aponta que os lixões e os aterros sanitários necessitam de grandes áreas para se instalarem, disponíveis, em geral, na periferia. A localização dessas áreas na periferia faz com que as mesmas não sejam percebidas pela maioria dos cidadãos. Somente a população do seu entorno é que percebe a dimensão clara e visível

dessas áreas na materialidade física da cidade. Mediante o seu estudo concluiu, então, que o problema dos resíduos sólidos afeta diretamente os elementos da “cidade pressão” e não a população como um todo. Portanto, essa característica, leva a pouca importância dada ao tema na formalização das políticas públicas. Considerou, também, que os resíduos sólidos serviriam como indicador do grau de eficiência da urbanização de São Paulo.

O histórico de disposição final do lixo no município mostra que aqueles locais relacionavam-se às antigas atividades de mineração, sejam as cavas de extração de areia, ao longo das planícies aluvionares dos rios Tietê e Pinheiros ou, as pedreiras, junto às encostas dos maciços de solos/rochas do embasamento cristalino, zonas mais periféricas ao centro urbano.

Tammemagi (19997 apud Ruberg, 2005) comenta que as áreas de mineração, em geral, são inadequadas à disposição de resíduos, pois possuem baixa estabilidade estrutural e, preferencialmente, taludes mais íngremes; além da concepção do seu projeto estar restrita à vida útil da mina, sem considerar o seu reuso como depósito de resíduos, por mais 20 ou 30 anos. Adiciona, ainda, que são áreas geologicamente complexas, podendo conter estruturas que favorecem a condução das águas subterrâneas, exigindo barreiras mecânicas adicionais para garantir a impermeabilização do solo.

Silva (2001, p.37) informa que, em 1974, a Prefeitura publicava o primeiro edital para execução de aterros sanitários8. O edital incluía algumas

especificações para os projetos a serem desenvolvidos nos locais indicados pela Prefeitura, tais como: incluir eventual sistema de drenagem; receber todo e qualquer tipo de resíduo, com exceção de animais mortos de grande porte e resíduos patológicos, que deveriam ser incinerados, construção de células de 2 a 4 metros de altura, a serem recobertas diariamente por uma camada com 15 a 30 cm de espessura e implantar uma camada de recobrimento final com no mínimo 60 cm. Essas especificações, no entanto, não determinavam as medidas necessárias à implantação de um aterro sanitário, tal como definido anteriormente. Desta forma, foram executados nesta época, na verdade, um total de oito aterros controlados: Lauzanne Paulista, Vila São Francisco, Jardim

7 TAMMEMAGI, H. The waste crisis: landfills, incinerators and the search for a sustainable future. New York: Oxford,

1999.

Damaceno,.Pedreira Itapuí, Pedreira City, Carandiru, Engenheiro Goulart e Raposo Tavares.

Ao longo da história, os diversos tipos de resíduos produzidos no município, vêm se modificando. Entretanto, a geração de papel, papelão e jornal mostra-se relativamente constante, assim como permanece uma alta taxa de geração de matéria orgânica (Figura 1.9, Anexo B).

Elaboração: Luzia Helena dos S. Barros (2011)

Figura 1.19 - Evolução histórica da caracterização dos resíduos coletados no município. Fonte:Tiveron (2001); Grimberg (2009); SES/Limpurb (2004; 2010).

1.2.2 SISTEMA DE DISPOSIÇÃO FINAL DOS RSU NO

Benzer Belgeler