• Sonuç bulunamadı

IV. 5’inci Ordunun Kuruluşundan Önce Çanakkale Cephesinde Lojistik Hizmetlerin

2.3. Denizyolu Ulaşımı

2.3.3. Denizyolu Nakliyatı Esnasında Karşılaşılan Zorluklar ve Alınan

Vive-se o tempo áureo da emancipação humana. Está nas mãos humanas traçar destinos, fins e meios, organizar a vida e vivê-la do modo que lhe parece correto. No entanto, para corresponder às exigências atuais, faz-se necessário postular um fundamento ético universal aceito por todos e aplicado sobre todos os parâmetros sociais. Mas aqui surge a questão: Que tipo de ética? Como fazer que a ética possa valer para todos? De certo modo, tornou-se impraticável a aplicação da ética antiga para resolver os novos problemas, cada época e cada problema pedem respostas apropriadas. Por isso, é dever, neste caso, buscar uma

383 RICOEUR, Paul. O si-mesmo como um outro, p. 211. 384 BENTO XVI. Carta Encíclica Spe Salvi, nº 22.

reflexão ética que melhor corresponda na prática aos novos desafios, agindo com parcimônia e humildade.

Ética é missão, tarefa humana. O fenômeno ético só se dá na pessoa humana.385 Qualquer afirmação que extrapole seu campo é imprópria. Ethos é um termo de origem grega que envolve conhecer quem é a pessoa humana e as ações próprias a ela. Ou seja, também por ela se dá o processo do conhecimento do ser humano por si mesmo, ou seja, o ser humano capta que existe, toma consciência de si e relaciona-se com sua própria existência, de tal forma que, ao mesmo tempo, apreende o sentido de seu agir.386 A pessoa humana se expressa por meio de suas ações. Nesse caso, a ética é a ciência que estuda, reflete e orienta o agir humano a partir de valores próprios da pessoa humana: de certo modo, a ética pode ser compreendida como antropologia aplicada em todos os sentidos.387 Para o estudioso Wilmar Barth “ética envolve fundamentos”. E continua ele: “Quanto mais alto for um edifício, maior o seu fundamento. Quanto maior o projeto existencial, mais firme deverá ser a base ética e, portanto, maior deverá ser o autoconhecimento”.388

Percebe-se que a tarefa da ética é extremamente árdua. É tarefa de peso, importante, essencial e necessária: “a ética se faz ética da responsabilidade, capaz de olhar „além‟ da consciência individual, para colher os efeitos da ação, mesmo boa, naquele outro de si (outro homem, natureza, Deus)...”389 Sem ela a humanidade não se conhece e não se realiza: “a própria existência do homem de bem é para ele próprio desejável”.390 Quando alguém não tem

ética, é terra de ninguém, desabitada, vive ao modo do vento e do tempo, não tem base e não fixa raízes. Uma pessoa sem ética não se governa, mas é governada a partir de outro fundamento que nela se instala ou dela se apropria, tornando-se um falso absoluto.

Todavia, só se pode falar de ética se aceitar, igualmente, que existe algo compartilhado pela espécie humana, uma dada humanidade comum, sobre a qual a ética possa se assentar: “diferimos enormemente como indivíduos e por cultura, mas partilhamos uma humanidade comum que permite a todo ser humano se comunicar potencialmente com todos os demais seres humanos no planeta e entrar numa relação moral com eles” [itálico nosso].391 Tal

humanidade se assenta sobre reações inatas que guiam a formação de ideias morais de uma

385 Cf. GUARDINI, R. Ética, p. 111. 386 Ibidem, p. 123.

387 Cf. KÖRTNER, U. H. J. Ecumenismo bioético? In: ANSELM, Reiner. A polêmica da biomedicina, p. 92. 388 BARTH, W. L. Religião, ciência e bioética, p. 37.

389 SIGNORE, M. O sonho da hibridação homem-máquina. In: Cadernos IHU em Formação, ano 4, 2008, p. 24. 390 RICOEUR, Paul. O si-mesmo como um outro, p. 219.

maneira relativamente uniforme entre as várias espécies. Nesse sentido, no entendimento de Dietrich Bonhoeffer, como que em conformidade com a realidade, o indivíduo humano busca agir responsavelmente por uma tarefa, não que se dispõe na pessoa como “um princípio de validade absoluta que devesse impor fanaticamente contra toda resistência da realidade, mas vê o que, na situação dada, é necessário, „mandado‟ captar e fazer”.392

Foi Kant, hoje com uma extraordinária revalorização, que ampliou a regra de ouro dos antepassados de forma a se passar a entender – faça para aos outros o que gostaria que todos fizessem para todos. Com isso, queria enfrentar o relativismo moral, essa moralidade circunstancial tão generalizada no mundo contemporâneo, isto é, a noção de que o que é certo depende da situação ou do contexto. Ele não concordava com a doutrina do utilitarismo, ou seja, a de que os fins justificam os meios.393

Aplicando isso à atualidade, como pode nortear as ações com base nos resultados, se até mesmo os planos mais bem traçados podem ser desvirtuados? O resultado do que se faz, muitas vezes, não é absolutamente o que se pretendia; portanto, é um desvirtuamento moral basear os julgamentos nos resultados. Então, como agir com segurança? Para Kant, tem-se que agir, não segundo os fins nem regras circunstanciais, mas segundo princípios universais. Para isso ele cunhou três imperativos como ideais centrais para a adequada compreensão da eticidade, como o dever de agir na conformidade dos princípios que sejam aplicados de maneira universal, visando uma reta relação entre os fins e os meios, a saber: o imperativo categórico – age somente, segundo uma máxima tal, que possas querer ao mesmo tempo em que se torne lei universal; o imperativo universal – age como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, por tua vontade, lei universal da natureza; e o imperativo prático – age de tal modo que possas usar a humanidade, tanto em tua pessoa como na pessoa de qualquer outro, sempre como um fim ao mesmo tempo e nunca apenas como um meio.394

Para falar de outro modelo e autores, na sua maioria contemporânea, oferece-se o modelo da ética da responsabilidade, inserida numa corrente de pensamento que tem no intelectual Max Weber, no teólogo Dietrich Bonhoeffer e nos filósofos Georg Picht e Hans Jonas, todos de origem alemã, alguns de seus estudiosos. A articulação de modo algum é uniforme. Mas há uma estrutura básica comum. Entre esses, talvez o mais citado Hans Jonas foi aquele que muito bem se debruçou sobre esse tema, ressaltando a importância da ética e da

392 BONHOEFFER, D. Ética, p. 127.

393 Ver obra cf. KANT, I. Fundamentos da metafísica dos costumes, p. 70-79.

394 Para saber mais cf. REALE, G; ANTISERI, D. História da filosofia: do humanismo a Kant; ABBAGNANO,

filosofia contemporâneas ante o ser humano tecnológico, que possui tantos poderes não só para desorganizar como também para mudar radicalmente os fundamentos da vida, para criar e destruir a si próprio.395

A ética da responsabilidade se baseia na capacidade de cada pessoa tornar-se consciente do seu compromisso e, a partir da própria sensibilidade, envolver-se livremente na tarefa da responsabilidade diante de cada pessoa, dos outros, da natureza, inclusive das gerações futuras: “deve-se criar uma nova ética, feita à medida dos novos poderes humanos. Uma espécie de novo imperativo categórico, como: „Aja de modo que os efeitos da sua ação seja compatíveis com a permanência da genuína vida humana‟”.396 Em outras palavras, a ética

da responsabilidade é uma ética do futuro. No entanto, nas palavras de Brakemeier, o que ela pretende não é a concretização de uma utopia, ou seja, o cumprimento de promessas escatológicas, pois o objetivo é bem mais modesto, consiste “em evitar danos irreparáveis e garantir um mundo habitável também aos netos. (...). Qual será o mundo de amanhã, isto depende em boa medida das decisões e da prática hoje”.397

Enfim, ética não é a defesa a qualquer preço de convicções morais. É, antes de tudo, diálogo em vista do bem comum. É muito mais uma reflexão crítica e, sobretudo, autocrítica, na busca da análise honesta da realidade, na disponibilidade de colocar-se na discussão, convidando o outro a participar do processo de reflexão.