• Sonuç bulunamadı

4.2. Araştırma Soruları ve Problem Cümlelerine İlişkin Bulgular

4.2.2. Gelin Denilince Aklınıza Ne Geliyor?

No artigo XII, da Carta Mundial, é garantido o direito a todos os cidadãos aos serviços públicos de água potável, saneamento básico e coleta de lixo, dentre outros, prestados diretamente por entes públicos ou em conjunto com entes privados, com tarifa social exequível e serviço público adequado aos habitantes, incluindo os grupos vulneráveis e desempregados.

A água, um recurso natural de fundamental importância para a sobrevivência de todos os seres vivos de todas as espécies, sendo que esse direito acha-se implícito no direito fundamental à vida (artigo 5º, caput, CF). Da mesma forma, a manutenção de um ambiente ecologicamente equilibrado depende da preservação e utilização consciente da água no planeta.

No Brasil, coube à União instituir um sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos e definir critérios de outorga de direitos de seu uso (artigo 21, XIX, CF), através da Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei nº 9.433/97),175 em que a água é tratada como bem de uso comum do povo (artigo 1º). Na lição de Paulo Affonso Leme MACHADO, esse tratamento jurídico impõe as seguintes consequências:

O uso da água não pode ser apropriado por uma só pessoa física ou jurídica, com exclusão absoluta de outros usuários em potencial; o uso da água não pode significar a poluição ou a agressão desse bem; o uso da água não pode esgotar o próprio bem utilizado, ou a autorização (ou qualquer tipo de outorga) desse uso deve ser motivada e fundamentada pelo gestor público.

Da mesma forma, coube à União a edição da Lei nº 11.445/07, que instituiu as Diretrizes Nacionais de Saneamento Básico (artigo 21, XX, CF), cujo termo ―envolve um conjunto de serviços, infra-estrutura e instalações operacionais de abastecimento de água potável, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e drenagem e das águas pluviais urbanas.‖176

O artigo 2º, da Lei nº 11.445/07, elenca os princípios fundamentais do serviço público de saneamento básico, como a universalização do acesso; a integralidade, compreendida como o conjunto de todas as atividades e componentes de cada um dos diversos serviços de saneamento básico, propiciando à população esse acesso na conformidade de suas necessidades e maximizando a eficácia das ações e resultados; o abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos realizados de formas adequadas à saúde pública e à proteção do meio ambiente; a disponibilidade, em todas as áreas urbanas, de serviços de drenagem e de manejo das águas pluviais adequados à saúde pública e à segurança da vida e do patrimônio público e privado; a adoção de métodos, técnicas e processos que considerem as peculiaridades locais e regionais; a articulação com as políticas de desenvolvimento urbano e regional, de habitação, de combate à pobreza e de sua erradicação, de proteção ambiental, de promoção da saúde e outras de relevante interesse social, voltadas para a melhoria da qualidade de vida, para as quais o saneamento básico seja fator determinante; a eficiência e sustentabilidade econômica; a utilização de tecnologias apropriadas, considerando a capacidade de pagamento dos usuários e a adoção de soluções

175 Antes mesmo da edição da Política Nacional de Recursos Hídricos, o Brasil já possuía legislação específica em relação ao

uso da água (Código das Águas – Lei nº 24.643/34), além de outros dispositivos inseridos em legislações esparsas.

176 ALOCHIO, Luiz Henrique Antunes. Direito do Saneamento: Introdução à lei de diretrizes nacionais de saneamento

graduais e progressivas; a transparência das ações, baseada em sistemas de informações e de processos decisórios institucionalizados; o controle social; a segurança, qualidade e regularidade e, por fim, a integração das infraestruturas e serviços com a gestão eficiente dos recursos hídricos.

No tocante ao alcance do princípio da universalização do acesso ao saneamento básico, de fundamental importância para a construção de cidades sadias e ambientalmente equilibradas, vale a lição de Paulo José Villela LOMAR:

O princípio fundamental da universalização do acesso decorre dos direitos fundamentais da pessoa humana, a vida, a saúde e ao saneamento ambiental acolhidos na Constituição Federal de 1988. Expressa o direito de todo ser humano, em qualquer ponto do território nacional, ter acesso efetivo aos serviços públicos de saneamento básico e o dever do Poder Público de assegurá-la concretamente. Trata-se de direito fundamental de natureza social que exige prestação ativa por parte do Poder Público para seu atendimento.177

Portanto, afigurasse correto afirmar que o acesso à água potável, ao saneamento básico e à coleta de lixo está intrinsecamente ligado ao direito fundamental à vida e à saúde, constituindo funções sociais da cidade (artigo 182, CF) e, ao mesmo tempo, direito fundamental ao meio ambiente equilibrado (artigo 225, CF).

Por fim, ressalta-se que, em 28 de julho de 2010, a Assembléia Geral da ONU declarou, por resolução, que o acesso à água potável e ao saneamento básico é um direito básico de todo o ser humano. Os dados publicados são alarmantes: segundo a ONU, quase 900 milhões de pessoas vivem sem acesso a água potável em todo o mundo, e que ao menos 1,5 milhão de crianças morrem, anualmente, antes de completar cinco anos por falta de água potável. Ainda conforme a ONU, o número dos que não recebem serviços de saneamento básico é quase três vezes maior, chegando a 2,6 bilhões de pessoas.178

Por essa razão, o acesso universal, a racionalização e o aproveitamento adequado da água potável ainda existente, bem como a implementação do serviço universal de saneamento básico e coleta de lixo domiciliar, importam em objetivo constitucional comum da política urbana e da proteção ao meio ambiente, fundamentando a adoção no planejamento e na execução das cidades de instrumentos consentâneos com o direito ambiental para sustentabilidade do meio ambiente urbano.

177 LOMAR, Paulo José Villela. Saneamento básico: diretrizes gerais. Comentários Lei nº 11.445 de 2007. MUKAI, Toshio

(Coordenador). – Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2007, p. 15.