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Deney ve Kontrol Grubu Öğrencilerinin GIF Ölçeğinin “Bilişsel Özellikler” Alt Boyutuna ait Bulgular

V. Düzey (En Üst Düzey): Öğrenci, farklı iki aksiyomatik sistem arasındaki ilişkileri ve ayrılıkları görebilmekte, soyut çıkarımlar

6. Üçgenlerin benzer olma durumunu açıklar, yorumlar ve örneklendirir.

4.1 Birinci Alt Probleme Ait Bulgular

4.1.1 Deney ve Kontrol Grubu Öğrencilerinin GIF Ölçeğinin “Bilişsel Özellikler” Alt Boyutuna ait Bulgular

“O acervo, metáfora da história, nos coloca diante da efervescência das rupturas, mas, igualmente, faz emergir as longas continuidades subterrâneas que, gota a gota, também fazem a história”

(Maria Zilda Cury)

A associação entre os livros e os seus leitores, segundo Manguel (1997), é diferente de qualquer outra relação entre os objetos e os seus colecionadores. O livro inflige a seus leitores um simbolismo muito mais complexo que qualquer outro objeto. “A simples posse de livros”, diz o autor, “... implica uma posição social e uma certa

riqueza intelectual” (p.242). A presença de livros pode “denotar atividades elevadas” e a sua ausência pode subtrair poder intelectual e humano a uma personagem.

Conforme Manguel (1997), as bibliotecas particulares na França no século XVIII “... eram tesouros familiares que a nobreza preservara e ampliara de geração em geração, e os livros que continham eram tanto símbolos de posição social quanto de refinamento e postura” (p.271).

Essas coleções, dada a sua especificidade, chegaram a ocupar salas especialmente destinadas a elas nas residências particulares. Há poucas fontes que abordam a história das bibliotecas pessoais. Um dos poucos trabalhos relacionados ao tema é o de Otness (1988), que relata a história das bibliotecas residenciais dos Estados Unidos. Segundo a autora, as bibliotecas eram parte essencial da arquitetura das grandes residências inglesas desde a Renascença. Com o passar do tempo, elas foram ganhando importância e aumentando ainda mais de tamanho.

As bibliotecas eram construídas no andar principal da casa e, em geral, tinham tamanho semelhante ao da sala de jantar e de visitas. Os levantamentos de Otness (1988) revelaram que não apenas as grandes mansões do século XIX possuíam livros, mas também as casas de campo e os chalés, o que demonstra a popularidade e a valoração atribuída a esse tipo de coleção. As bibliotecas particulares dos Estados Unidos, segundo Otness (1988), são fruto dessa tradição inglesa. Em meados do século XIX, as bibliotecas particulares eram, portanto, comuns na América, como demonstra a opinião de um dos grandes arquitetos da época:

In country-houses or villas, there are never less than three or four apartments of good size... on the principal floor. In every villa of moderate size, we expect to find a separate apartment devoted to

meals, entitled the dining-room; another devoted to social intercourse, or the drawing-room; and a third devoted to intellectual cultures, or, the library. (DOWNING, 1850 apud OTNESS, 1988, p.113)8

A partir da segunda metade do século XIX, no entanto, verifica-se um declínio da existência de bibliotecas particulares nos lares americanos. Burgess (1941 apud OTNESS, 1988), outro arquiteto da época, registra essa tendência:

In these days of small homes and compact apartments it is often the library – that gracious book-lined room which is such a happy childhood memory to so many of us – that has gone by the board ... the library, the place where we go to read because we like to, is almost defunct except in large mansions... (p.130)9

Um dos fatores que contribuíram para o declínio das bibliotecas particulares nos Estados Unidos foi a mudança de valores. Outros símbolos de status da classe média substituíram a biblioteca residencial, entre os quais estão a sala de jogos e o bar. Os livros e as estantes não desapareceram das residências, mas deixaram de ter uma sala exclusiva e foram espalhados pela casa ocupando, por exemplo, as paredes de quartos,

halls e salas de visitas. As revistas de decoração passaram então a publicar artigos

descrevendo como transformar as bibliotecas em “...little-used guest room, a large closet or dressing room with a window, even a corner set off from the main living room...”10 (BURGESS, 1941 apud OTNESS, 1988, p.131). O último artigo encontrado pela autora que reafirmava a importância da biblioteca residencial foi publicado em

8 Nas casas de campo ou villas, não há mais que três ou quatro apartamentos de bom tamanho... no

piso principal. Em toda vila de tamanho moderado, nós encontramos um apartamento separado para destinado a alimentação, chamada sala de jantar; outra destinada a relacionamentos sociais, ou sala de visitas; e a terceira destinada à cultura intelectual, ou, a biblioteca”. (Downing, A. J. apud Otness, 1988, p.113, trad. da autora).

9 Nestes dias de casas pequenas e apartamentos compactos é freqüente a biblioteca – aquela sala

graciosa com livros alinhados a qual é semelhante a uma lembrança feliz da infância para muitos de nós – que têm sido aposentados... a biblioteca, lugar onde nós íamos ler porque gostávamos, é apenas um defunto exceto em grandes mansões.

10 Um quarto de visitas pouco usado, um amplo closet ou vestiário com uma janela, até mesmo um

1938, na revista House and garden. Nele, o autor argumentava que, apesar da falta de espaço, aqueles que gostavam de ler poderiam, de alguma forma, encontrar algum espaço em casa e reunir uma biblioteca modesta, mas básica e representativa.

Otness (1988) aponta ainda a crescente mobilidade da vida das pessoas e das famílias como fator que inibe a manutenção de bibliotecas nas residências. Os divórcios, por exemplo, separavam as famílias e também as bibliotecas. A necessidade de mudança de casa ou de cidade é também apontada como uma dificuldade para a manutenção de uma grande coleção de livros. Ao finalizar o seu artigo ela afirma que, apesar do seu declínio, a biblioteca residencial ainda é nos Estados Unidos e no mundo uma expressão da estabilidade e continuidade doméstica.

Não foram encontrados trabalhos específicos referentes às bibliotecas particulares no Brasil. Sabe-se que nas cidades, com a ascensão do bacharelismo, houve o surgimento de espaços domésticos destinados ao convívio masculino, que eram dotados de estantes abarrotadas de livros, escrivaninha e materiais para escrita (ALENCASTRO e RENAUX, 2001). Nas fazendas, no entanto, não era comum a destinação de um espaço exclusivo para o escritório ou biblioteca, como demonstra Marcondes (1995), que analisa as construções das fazendas do interior paulista datadas de 1880 a 1910.

No que diz respeito à composição de seu acervo, em geral, as bibliotecas de pessoas comuns, não iniciadas na arte da bibliofilia, podem parecer desordenadas, mas isso não significa que sejam uma simples acumulação de livros sem sentido. Uma biblioteca particular é o testemunho das preferências e necessidades do proprietário em diferentes momentos de sua vida. Conforme Antonio Cândido (1996), no decorrer de

sua formação, a biblioteca segue algumas vertentes e a sua indisciplina reflete as diferentes fases de amadurecimento intelectual pelas quais o seu curador passou.

Alberto Manguel (1997), por exemplo, confidencia que, ao correr os olhos pelas estantes de sua biblioteca, ele reconhece estar cercado por uma espécie de inventário de sua vida. Nos volumes às vezes quase esquecidos, segundo ele, é possível reconhecer os traços do leitor que ele já foi. Isso é possível através das obras em si e também de vestígios materiais de outras épocas encontrados no interior dessas obras, tais como anotações de leitura, de uma data ou lembrete, pedaços de papéis contendo nomes de hotéis ou cafés nos quais esteve. Há sempre na casa da maioria das pessoas um livro da infância, um presente que se recebe de alguém que lhe foi caro e até mesmo livros herdados que podem não despertar interesse por seus conteúdos, mas que têm um valor afetivo.

Este acúmulo de materiais adquiridos em diferentes fases da vida de um leitor, quando analisado, permite verificar o que Antonio Cândido (1996) chama de “estratificação de sucessivas camadas de interesse” do leitor. Segundo ele, uma coleção evidencia a evolução cultural de seu proprietário, cada fase de interesse provavelmente corresponde a um conjunto de documentos que pode ser identificado pela data de aquisição, pela temática e por vestígios materiais como aqueles apontados anteriormente por Manguel (1997).

No entanto, vários autores, entre eles Mindlin (1997), Benjamin (1987) e Eco (1993), chamam atenção para o fato de que nem tudo o que está em uma biblioteca particular foi lido. Darnton (1990) afirma que o estudo de uma biblioteca particular pode revelar o perfil do leitor, mesmo que este não leia todos os livros que possui e

que, por outro lado, leia muitos outros que nunca incorporou à sua biblioteca. Conforme Eco (1993), a biblioteca particular deve ser considerada como um “instrumento de trabalho” e não um “mero depósito de livros lidos” (p.192). O simples fato de o proprietário da biblioteca ter escolhido o livro para incluí-lo em sua biblioteca é significativo, revela as suas preferências, valorações e influências, como demonstra Jobim (1999) no ensaio “Por que é importante pesquisar a biblioteca pessoal de Machado de Assis”. Segundo o autor, ao se estudar uma biblioteca particular, pode-se verificar, por exemplo, a existência de obras na coleção coincidentes com aquelas apontadas na literatura como sendo os padrões de leitura da época; possíveis influências de determinados escritores; variedade de temas de interesse do leitor; suas opiniões acerca do que foi lido através de anotações e “... a reconstrução histórica do papel das obras do acervo no horizonte da época em que viveu o leitor” (p.2).

Para Prosperi (1986),

Una biblioteca allora non è solo un contenitore più o meno grande di volumi variamente ordinati... ed esposti in un apposito angolo della propria abitazione dove il proprietario há accumulato e conservato nel tempo le personali letture già fatte o da fare’è pure, per così dire, un tratto della propria personalità (o di quelle che vi sono inorporate), unprolongamento e una proiezione... dell’io all esterno, insomma uno dei tanti segni che contribuiscono a comporre l’identità di un soggetto e a riscotruirne la psicologia e la biografia intetellecttuale 11 (p. 53).

11 Uma biblioteca então não é somente uma caixa mais ou menos grande de volumes ordenados de

forma variada e exposto em um ângulo apropriado do próprio quarto onde proprietário tem acumulado e conservado no tempo leituras pessoais, já feitas ou por fazer; é também, por assim dizer, uma parte de sua própria personalidade (ou aquela que lhe é incorporada), um prolongamento e uma projeção do eu ao externo, enfim, um dos muitos sinais que contribuem para compor a identidade de um sujeito e a reconstruir a sua psicologia e a biografia intelectual.

Abraham Moles (1978), professor de Psicologia da Universidade de Estrasburgo, diz que o arranjo e a extensão de uma biblioteca particular também são importantes e ajudam a revelar o perfil do seu leitor. O estudo destes aspectos da coleção podem revelar o que o leitor pensa e quais são as suas orientações políticas, seus gostos artísticos ou seus projetos, pois suas escolhas obedecem a um dado esquema de valores. Para Moles (1978), a organização das estantes de uma biblioteca particular reflete o universo pessoal de conhecimentos do proprietário da biblioteca. Tais conhecimentos são devidamente hierarquizados segundo o sistema de valores e interesses de quem os possui. A biblioteca particular é a concretização do esforço do leitor para construir a sua visão de mundo.

Por outro lado, as escolhas do leitor ao formar a sua biblioteca refletem a história intelectual de um período. Mesmo que a biblioteca contenha notadamente traços específicos da personalidade de seu proprietário, ela não deixa de ser influenciada por elementos do contexto vivenciado pelo leitor.

Antonio Cândido (1996) acredita que o estudo de coleções particulares pode revelar a história intelectual ou a formação das mentalidades num dado momento histórico. Segundo ele, a evolução da cultura de um homem se evidencia nos livros que ele leu e, através dela, é possível esclarecer a história intelectual de um período, pois “... a formação de uma biblioteca equivale geralmente à superposição de camadas de interesse que refletem a época através da pessoa” (p. 217).

As bibliotecas particulares constituem, então, um campo profícuo de estudo que pode revelar tanto o perfil intelectual de um certo leitor, como a formação da mentalidade de uma determinada época. É nesse domínio que se inscreve a presente

pesquisa, que também privilegia uma biblioteca particular como objeto de análise. A biblioteca abordada neste estudo, no entanto, apresenta algumas particularidades que já foram apontadas na introdução deste trabalho. Não se trata de uma coleção construída por alguém ou grupo, mas de uma tentativa de reconstrução de um determinado acervo. Essa realidade suscita, de início, uma questão crucial: o estudo de uma coleção com essas configurações é relevante ?

O fato de a biblioteca não ser “original”, ou seja, não incluir somente os livros que pertenceram ao Conde, à Condessa e a seus filhos, como se supunha no início da pesquisa, não implica que ela seja destituída de valor e, sim, que a investigação atingiu o seu objetivo, abrindo novas perspectivas da problemática da pesquisa. A descoberta de um fato não previsto no início de uma pesquisa não implica desistência ou malogro, mas um redimensionamento da mesma, o que sem dúvida contribui para o seu enriquecimento.

Para completar, então, a fundamentação teórica que norteia este trabalho, faz-se necessário tecer algumas considerações acerca da problemática que lhe é inerente. O trecho a seguir objetiva estabelecer um respaldo teórico que instrumente a análise requerida pelo objeto em estudo.

1.4 A problemática da pesquisa: o imaginário na formação