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5. TARTIŞMA, SONUÇ VE ÖNERİLER

5.2. Sonuçlar

5.2.2. Deney Grubu Öğrencilerinin GM Süreçlerine Dönük Sonuçlar

A partir da década de 1990, as pesquisas com imagens visuais começaram a ser tema da área dos Estudos Visuais.237 Durante a última década do século XX se institucionalizou,

230

Sobre isso, ver: CHARTIER, Roger. A história cultural. Entre práticas e representações. Lisboa: Difel, 1990.

231 KERN, 2010, p. 15. 232 Ibid., p. 15-16. 233

MENESES, Ulpiano T. Bezerra de. História e imagem: iconografia/iconologia e além. In: CARDOSO, Ciro Flamarion; VAINFAS, Ronaldo (orgs.). Novos domínios da história. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012, p. 243-262.

234 Ibid., p. 244. 235

Ibid., p. 245.

236 Voltaremos ao conceito de iconologia de E. Panofsky logo a seguir, ao tratarmos de sua influência em um

estudo de caso do pesquisador Boris Kossoy.

237 KNAUSS, Paulo. O desafio de fazer História com imagens: arte e cultura visual. Artcultura, v. 8, n. 12, 2006,

nos Estados Unidos, esse novo campo interdisciplinar de pesquisa, com o objetivo de investigar a cultura visual de diferentes sociedades, inclusive a contemporânea.238 De acordo com Knauss239, a definição de cultura visual possui múltiplos sentidos entre seus estudiosos, mas pode ser resumida em dois universos gerais: há um grupo que a define de modo abrangente e, outro, que se guia por uma aplicação mais restrita do conceito.

O primeiro grupo considera que o conceito de cultura visual “serve para pensar

diferentes experiências visuais ao longo da história em diversos tempos e sociedades”240.

Além disso, a cultura visual pode ser definida “como o estudo das construções culturais da

experiência visual na vida cotidiana, assim como nas mídias, representações e artes

visuais”241

. Para esse grupo, que tem como um de seus principais expoentes o historiador da arte William Thomas Mitchell, a antiga ênfase no pictórico, ou figurado, dos estudos com

imagens visuais deve ser abandonada para, então, passar a “acentuar o visual e a visualização”242

. Num sentido prático, é o que faz o historiador medievalista Jean-Claude Schmitt243, que utiliza o conceito de cultura visual para compreender o significado da imagem (não só a bidimensional, caso da pintura, mas, também, as esculturas, relicários etc.) para a sociedade da Alta Idade Média. Segundo o autor, influenciada pela cultura do cristianismo, a

sociedade medieval entendia as imagens como “mediadora entre os homens e o divino”244

. Igualmente, o autor demonstra como as imagens, naquele período, possuíam um caráter pedagógico, que auxiliava a Igreja tanto nas celebrações litúrgicas como na evangelização.245

Já para o segundo grupo, a cultura visual traduz, especificamente, “a cultura dos tempos recentes marcados pela imagem virtual e digital, sob o domínio da tecnologia”246

. Segundo essa concepção, o uso do conceito de cultura visual deve ser restringindo para o estudo da sociedade ocidental contemporânea (do século XX), pois é quando novos suportes

238 Segundo Meneses (MENESES, Ulpiano T. Bezerra de. Fontes visuais, cultura visual, História visual. Balanço

provisório, propostas cautelares. Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 23, n. 45, 2003, p. 11-36), o surgimento desse novo campo operacional resulta da “difusão da comunicação eletrônica e da popularização da imagem virtual”, que “obrigaram a procura de novos parâmetros e instrumentos de análise, articulando esforços da Sociologia, Antropologia, Filosofia, Semiótica, Psicologia e Psicanálise, Comunicação, Cibernética, Ciências da Congnição.” (Ib., p. 23).

239 KNAUSS, 2006, p. 106. 240 Ibid., loc. cit.

241

Ibid., p. 108.

242 Ibid., p. 107.

243 SCHMITT, Jean-Claude. O corpo das imagens: ensaios sobre a cultura visual na Idade Média. Bauru: Edusc,

2007.

244 Ibid., p. 16. 245 Ibid., passim. 246

visuais (como a fotografia, o cinema, a televisão e as imagens digitais) surgem ou se vulgarizam promovendo a transformação da cultura em uma cultura do visual – diferentemente do século XIX, que foi o tempo da cultura escrita, do jornal e do romance.247 É exemplo dessa visão o pesquisador Nicholas Mirzoeff248, autor que estuda a influência dos suportes visuais contemporâneos (acima citados) na sociedade que ele classifica de pós- moderna. Para Mirzoeff249, “a vida moderna se passa na tela”250– ou seja, os telespectadores tanto passam horas em frente à televisão ou ao vídeo como as suas vidas são quase que inteiramente transmitidas ou gravadas por essas mídias –, o que tornou a imagem visual, desde as últimas décadas, a principal mediadora entre os sujeitos e o mundo.

Independentemente da perspectiva adotada em relação à definição do conceito de cultura visual, os estudos nesse novo campo de pesquisa têm contribuído significativamente para a escrita historiográfica recente, principalmente por darem conta de problematizar esta dimensão – o visual – até então pouco explorada na história, e que desempenha, conforme os autores vêm procurando demonstrar, papel determinante na dinâmica social (seja em relação ao uso das imagens pelo poder, pela memória, pelos meios de comunicação etc.).

Para Meneses251, os estudos de cultura visual vêm contribuindo para que a pesquisa histórica com imagens visuais caminhe em direção ao surgimento de uma “História Visual” –

à semelhança do que ocorre no campo da “História Material”, com o conceito de cultura

material –, pois “o campo [dos estudos de cultura visual] pode em muito beneficiar o

historiador e enriquecer consideravelmente o conhecimento que ele deve produzir”252

. Analogamente, Mauad253, apresentando produções historiográficas recentes nesse campo de pesquisa – com ênfase em imagens fotográficas –, avalia que os trabalhos atuais que elevam a problemática trazida pelos estudos de cultura visual têm colocado novas questões importantes,

que abarcam a compreensão da fotografia a partir de múltiplos enfoques: “como expressão

247

Ibid., p. 109.

248 MIRZOEFF, Nicholas. An introducion to a visual culture. London, UK: Routledge, 1999. 249 Ibid., p. 1.

250Traduzido do original: “Modern life takes place on screen”.

251

MENESES, 2003.

252 Ibid., p. 27.

253 MAUAD, Ana Maria. Apresentação. In: MONTEIRO, Charles (org.). Fotografia, história e cultura visual:

pesquisas recentes. [E-book]. Porto Alegre: Edipucrs, 2012, p. 6-7. Disponível em <http://ebooks.pucrs.br/edipucrs/fotografia.pdf>. Acesso em 10 jul. 2012.

estética, percepção subjetiva, produção autoral, leitura do mundo visível, tramas de ver e

registrar visualmente a história, como processo e problema.”254

.

Após esse longo processo historiográfico que culminou em um novo lugar destinado à imagem visual na história – agora, como fonte possível para a sua escrita –, e resultou no desenvolvimento de novas áreas de pesquisa, resta-nos considerar, junto ao anacrônico resenhista do American Journal of Photography, que fotografias dos romanos na época imperial, de Alexandre e de Cleópatra seriam realmente bastante úteis ao trabalho do historiador, pois possibilitariam a compreensão de outras dimensões daqueles passados. Não só teríamos uma impressão mais legítima acerca das suas fisionomias – conheceríamos a

“graça suntuosa” da soberana egípcia, por exemplo –, como poderíamos certamente

conjecturar sobre os modos de ver específicos a essas sociedades e a influência ou o poder da imagem em relação aos seus membros, exatamente uma das preocupações que os estudos de cultura visual vêm propondo.

A seguir, são apresentadas e discutidas algumas definições teóricas acerca da imagem fotográfica.

3.2 TEORIA DA IMAGEM FOTOGRÁFICA: DEFINIÇÕES E A PROBLEMÁTICA DO