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Madde 20- Kurumlarda görevli öğretmenlerin başarı durumları, teftiş yapılarak belirlenir Öğretmenlerin teftişinde kurumun özelliğine göre "Öğretmen

2.1.1.2. Ders Denetiminin Uygulanma Şekl

Comunidade de Roçado, Xique-Xique (BA).

Fonte: Pesquisa de Campo, abril de 2013. Autor: DOURADO, J. A. L.

Para o camponês caatingueiro, terra e água não constituem unicamente recursos naturais: estão para além disso, pois representam terra de trabalho e água de trabalho. Sua existência possui íntima relação com esses bens naturais: é deles que advém o sustento econômico de sua família, são eles os elementos que compõem a sua identidade. O tempo e o uso dos espaços estão atrelados ao universo simbólico “terra- água”, com reflexos na organização do roçado, nos apetrechos de pesca, nas relações com seus pares, entre tantos outros exemplos, expressando haver, por parte das populações camponesas do Semiárido, uma “mistificação da água”, cujo contexto deve ser analisado a partir das relações intersubjetivas e das trocas de saberes envolvendo esses bens naturais – terra e água. A identidade construída a partir das interações entre os ciclos físicos (estiagem e chuva) e as construções simbólicas (práticas socioculturais, mitos e interações físico-sociais) confere aos camponeses e à Caatinga uma riqueza e uma complexidade existencial não consideradas pelas políticas de desenvolvimento

territorial. A Caatinga deve ser compreendida a partir de suas feições geográfica, climatológica, geológica, econômica e social, de modo a fomentar a desconstrução discursiva da seca como tragédia climática, entendendo-a como um fenômeno social. De acordo com Carvalho (2012, p. 95), a água

adentra como um elemento repleto de significação para a elaboração da territorialidade sertaneja, uma vez que, por si mesma, é um elemento que carrega toda uma simbologia que regula o universo material e imaterial das populações em todo o mundo.

O camponês caatingueiro que vive às margens do rio São Francisco não vivencia a seca como escassez hídrica porque as áreas de cultivo estão relacionadas ao regime do rio – cheia e vazante. Além do mais, o ciclo das águas do rio representa um agente delimitador do que e ondese planta. Por outro lado, esse mesmo sujeito sofre os efeitos discursivos e político-ideológicos da seca devido aos diversos projetos implantados ao longo de toda a bacia do rio São Francisco, tendo, como resultados, transformações nas atividades socioeconômicas, culturais, perda dos referenciais históricos e geográficos. Associados a esses efeitos, tem-se ainda a ruptura da relação metabólica terra e água, sendo essa um aspecto gerador de conflito entre os camponeses do Semiárido e os setores do capital.

A questão agrária no vale do rio Salitre se associa aos conflitos pelo acesso à água, revelando o caráter contraditório da lógica de acumulação privada, tanto da terra quanto água, de modo que há uma concentração dos proveitos (os perímetros irrigados) e a socialização dos rejeitos (a degradação dos recursos naturais e a exploração do trabalhado, o subemprego). De fato, o constante movimento expansivo do capital no baixo Salitre tem levado a um o processo de estranhamento dos homens em função das mediações de segunda ordem, como bem destaca por Mészáros (2007). Dentro desse emaranhado de relações/mediações, há uma obnubilação da subjetividade do camponês caatingueiro bem como do trabalhador da fruticultura irrigada os quais, em virtude dos apelos do capital e do Estado, acabam por incorporar um discurso favorável aos empreendimentos relacionados à infraestrutura hídrica no Semiárido. Durante as visitas às comunidades nos meses de abril e maio de 2013, constatou-se que surgem novos fetiches relacionados tanto ao consumo quanto às sociabilidades que passam a ser direcionadas/reconstruídas a partir de referenciais bem consolidados, expressos pela relação sociedade-natureza. Tais desdobramentos revelam a importância do pesquisador fazer imersões na área a ser analisada, para estabelecer contato direto com os sujeitos da

pesquisa bem como observar a paisagem (cenário) e seus elementos, concordando com Thomaz Junior (2005, p. 39) quando este afirma ser o trabalho de campo um “laboratório geográfico por excelência”.

2.5 – As águas do Semiárido brasileiro correm para o mercado global

O novo cenário agrário/agrícola do Semiárido revela que o capital agroindustrial continua sua expansão pelo campo brasileiro, com o objetivo de (re)organizar os territórios, de modo que estes possam ser ocupados com atividades favoráveis à sua reprodução ampliada. Os redimensionamentos em curso são parte integrante da reestruturação produtiva do capital no setor agrícola, num processo de forte dependência ao setor industrial, mediante a mecanização do campo e a utilização intensiva de insumos agrícolas. Esse fenômeno não ocorre de forma homogênea no território, cujas contradições desencadeiam conflitos territoriais devido às divergências de modelos e projetos de desenvolvimento entre os diversos sujeitos que compõem o mosaico sócio- político e cultural do Semiárido.

Se a expansão do agrohidronegócio representa a modernidade em terras até então fadadas ao atraso, a contraposição à rusticidade do ser e do lugar revela, por outro lado, como o Estado e o capital atuam, conjuntamente, para colocar em execução projetos destinados à agricultura irrigada visando a atender ao mercado externo. Não se trata apenas de questões conjunturais que se apresentam no horizonte como desafiadoras e merecedoras de uma profunda análise. A manutenção das velhas relações de poder e subserviência e o papel do Sertão da divisão territorial do trabalho revela que o “novo” projeto desenvolvimentista posto em execução nessa fração da região Nordeste traz em seu cerne os ranços de outros contextos históricos, cujos desdobramentos foram o fortalecimento das desigualdades sociais e a manutenção do status quo.

Para Ab’Saber (1999, p. 7), conhecer

mais adequadamente o complexo geográfico e social dos sertões secos e fixar os atributos, as limitações e as capacidades dos seus espaços ecológicos nos parece uma espécie de exercício de brasilidade, o germe mesmo de uma desesperada busca de soluções para uma das regiões socialmente mais dramáticas das Américas. O Nordeste seco.

Os investimentos feitos em obras voltadas à criação de uma infraestrutura hídrica na região semiárida evidenciam a ineficácia do Estado no tocante à resolução de uma questão estrutural para as comunidades camponesas, o acesso à água historicamente represada e protegida pelas cercas, resquício de “uma estrutura agrária

particularmente perversa” (AB’SABER, 1999, p. 7) que perdura até os dias atuais.

Desde sempre, as obras realizadas pelos órgãos do governo, como a CODEVASF e o DNOCS, provocaram intensos processos de desterritorialização e “descampesinização” (CARVALHO, 2005),abrindo espaço para a desestruturação dos territórios comunitários e a reorganização do espaço para o capital financeiro sob o domínio dos conglomerados agro-químico-alimentar-financeiros. Entendemos por descampesinização, as alterações ocorridas a partirda implantação dos perímetros irrigados voltados para a agricultura modernizada baseada no uso intensivo de agrotóxicos, na produção de mercadorias para o mercado e no trabalho assalariado, levando assim a uma ruptura de práticas agrícolas fundamentadas em saberes tradicionais. Nas áreas que antes eram utilizadas para a produção de alimentos para o sustento familiar, passa a predominar a produção regida pela lógica do mercado, promovendo profundas transformações na paisagem e fomentando o surgimento de conflitos em os diferentes sujeitos que produzem o território. Urge alterar essa maneira de conceber a conformação do pensamento genérico acerca da política de irrigação implantada no Nordeste porque nela o controle da água, como instrumento de empoderamento social, não é evidenciado, haja vista que isso poderia causar desdobramentos políticos indesejáveis e induzir ações contrárias aos discursos imbuídos de intento de naturalizar a falta de acesso à água e de deslegitimar os conflitos relacionados ao seu uso e controle.

Grandes áreas do Semiárido brasileiro foram modernizadas mediante a tecnificação do território, assumindo papel de destaque no cenário nacional, como grandes produtoras de frutas tropicais direcionadas ao mercado internacional. O

slogan“desenvolvimento” impele o capital, em sua marcha expansionista destrutiva,

sobre os vales férteis que outrora eram ocupados pela agricultura camponesa, tendo como pano de fundo o “progresso” trazido pelo capitalismo triunfante. A conformação do Semiárido como fronteira agrícola para a fruticultura irrigada se expressa através das muitas áreas nas quais o agronegócio impera e, junto com ele, toda uma teia de relações de poder, dominação e articulações políticas e ideológicas, no intuito de consolidar as suas bases e perpetuar as desigualdades sociais.

O agrohidronegócio tem expandido seus tentáculos em todos os biomas (Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, ambientes costeiros,Pantanal, Pampa e Amazônia), na busca de apropriação da água, justamente nos lugares onde o seu acesso e a propriedade da terra não representem custos elevados. Terras planas, fertéis, mão de

obra disponível e barata, associada à disponibilidade hídrica tornam-se atrativos para os investidores que buscam condições adequadas para suas atividades econômicas. Além dos impactos verificados na modernização das forças produtivas, tem-se uma reorganização socioeconômica em função da expansão das atividades agroindustriais, sendo marcantes as disputas (intra e intercapital) sobre uma mesma porção territorial. No Centro-Sul do Brasil, mais especificamente, no Polígono do Agrohidronegócio72, a grilagem de terras tem constituído um componente político importante para viabilizar a agricultura baseada no modelo agroexportador-monocultor, cujo papel é o de legitimar/legalizar o grilo no contexto da requalificação da dinâmica expansionista do agronegócio canavieiro. Segundo Thomaz Junior (2010a, p. 103-4), outro

dispositivo também importante em relação às disputas que requalificam a dinâmica expansionista do agronegócio canavieiro tem a ver com a garantia de terras para a produção da matéria-prima. Os expedientes que emprega contemplam a formalização de contratos de parceria e de compra e venda, com proprietários regulares, via de regra pecuaristas decadentes, mas seus responsáveis também estão apostando no futuro do empreendimento como um todo, através da tentativa de legitimar grandes extensões de terras devolutas, com pendências jurídicas e improdutivas, o que se efetiva por meio de contratos de arrendamento, pois, assim dividem os “riscos” com os grileiros, usufruem dos preços mais baixos e podem contribuir para a regularização dessas terras, o que lhes garantirá prioridade na sua aquisição, depois de regularizadas juridicamente, mediante a vidência do Decreto 578.

A reestruturação espacial do capital vem promovendo a inserção de novos lugares, inclusive de regiões pouco desenvolvidas economicamente, em seu circuito de reprodução, assumindo, em muitos casos, um caráter “civilizatório”. Essa mobilidade leva em consideração diversos aspectos, como a existência de mão de obra barata disponível, infraestrutura adequada, recursos hídricos e o apoio por parte do Estado para evitar movimentos contrários à presença do grande capital na região. Na busca por lugares com as condições favoráveis à reprodução do lucro e à geração de riquezas, o capital tem gerado disputas nos mais diferentes ambientes, ao avançar por territórios sob o domínio de camponeses e de populações tradicionais, como destacam Siqueira e Zellhuber (2006, p. 112), ao afirmarem que a

causa geradora destes conflitos, no fundo, é a lógica capitalista do uso dos chamados "recursos hídricos", que pode ser resumido como

72 Thomaz Junior (2010a) faz uma discussão sobre os conflitos territoriais decorrentes da expansão das plantas

processadoras e agroindustriais do setor canavieiro no Pontal do Paranapanema (SP), colocando em evidência as estratégias utilizadas pelo capital, em seu processo expansionista, para ter acesso e controle sobre as terras férteis e planas e com disponibilidade hídrica, aptas à mecanização.

hidronegócio, termo que engloba todos os tipos de negócios que se fazem hoje com a água ou relacionados a ela. É pelos caminhos das águas que avança o capital no campo, interferindo, ocupando e remodelando o espaço antes de posse e uso tradicional de comunidades indígenas, quilombolas, extrativistas, agroextrativistas. As principais faces do hidronegócio podem ser resumidas na produção de energia hídrica, irrigação, carcinicultura (criação de camarão, que consome 50 mil litros por quilo), saneamento ambiental, água engarrafada. Como um país de grande potencial hídrico e agrícola, relativamente pouco utilizado até agora, o Brasil tende a se tornar, cada vez mais, grande exportador de água em produtos agrícolas e agrocombustível (etanol e agrodiesel). E não está fora de cogitação a privatização dos serviços de água e esgoto, através das Parcerias Público-Privadas (PPPs).

Na Bahia, um dos exemplos emblemáticos desse fenômeno é a produção de eucalipto, introduzida na década de 1980. Desde então, tem ela avançado sobre o Extremo Sul, causando profundas transformações socioespaciais (uso da terra e da água, expansão urbana, concentração fundiária, redução dos postos de trabalho no campo, migração campo-cidade, entre outros), muito embora as atividades tradicionais, como a pecuária, a agricultura para o autoconsumo e a pesca, continuem a desempenhar papel importante para região. A territorialização de empresas, como a Veracel, Bahia Sul e Aracruz, além das mudanças na paisagem, introduziu o Extremo Sul Baiano na dinâmica econômica nacional e internacional, desencadeando, segundo Pedreira (2004), a desestruturação da produção camponesa e a migração para a cidade. Inicialmente, houve um crescimento significativo de postos de trabalho, devido à necessidade de mão de obra para a instalação das plantas industriais e para o cultivo dos bosques, ocorrendo posteriormente uma queda vertiginosa na quantidade de empregos, como demonstram Almeida et al. (2008, p. 14), ao afirmarem que houve “crescimento no número de empregados temporários entre 1970 a 1985 de 225%, saindo de 7.105 em 1970 para 23.111 trabalhadores em 1985. Já em 1995 esse número cai para 2.398 trabalhadores, ou seja, uma redução de 863%, comparando-se com os anos de 1985 e 1995”.

A territorialização do grande capital em terras do Semiárido nordestino configura novas paisagens, cria “ilhas” de crescimento econômico, modifica culturalmente os lugares a partir da inserção de novas relações econômicas, sociais e de trabalho, num intenso processo de des-re-territorialização. Soja, eucalipto, frutas, cana- de-açúcar, camarões, e oleaginosas para a produção de agrocombustíveis têm avançado sobre os territórios camponeses, indígenas e quilombolas, ocasionando conflitos e danos

socioambientais sem precedentes na história agrária brasileira. Tal afirmação pode ser elucidada se observarmos os dados disponibilizados pelo Caderno de Conflitos no Campo 2012 (CPT, 2012, p. 26-7), onde se verifica que, dos 63 conflitos por terra no estado da Bahia, 20 estão relacionados à construção da Ferrovia de Integração Oeste- Leste (FIOL), destinada ao escoamento da produção de soja (Tocantins e Oeste baiano) e de minério de ferro no Semiárido baiano (município de Caetité), cuja exploração seria feita pela empresa Bahia Mineração (BAMIN).

Grandes extensões dos vales dos rios e dos perímetros irrigados no Semiárido estão sob o domínio do agrohidronegócio. Nessas áreas predominam a monocultura, a concentração de terras, o trabalho precarizado nas lavouras e nas agroindústrias e o uso intensivo de agrotóxicos. Vale do Rio Açu (RN), Mossoró (RN), Baixo Jaguaribe (CE) e região do Médio São Francisco (BA) ganharam notoriedade pelo fato de transformarem-se num“mar verde” em pleno Semiárido. Conforme destaca Gomes (2010, p. 61), como

consequência da territorialização do capital no campo, há um incremento da oligopolização do espaço agrícola brasileiro, acompanhado de um paralelo processo de fragmentação deste, culminando numa nova divisão territorial do trabalho diretamente relacionada ao setor agrícola.

Na Bahia, tanto a atuação do DNOCS quanto da CODEVASF tiveram como desdobramentos a criação de vários projetos de irrigação, principalmente no vale do rio São Francisco, num processo de reorganização socioespacial a partir de lógicas totalmente alheias à realidade local. Atualmente, dois grandes empreendimentos na área de irrigação vêm sendo implantados na região do vale do São Francisco, mais especificamente no Médio São Francisco, fatos que demonstram que a política de irrigação no Semiárido ainda continua com força, embora tenha sofrido algumas mutações, devido ao processo de reestruturação produtiva do capital. Além das obras da transposição do rio São Francisco, os projetos de irrigação do Baixio do Irecê (BA), do Projeto Salitre, em Juazeiro (BA), representam, segundo o discurso do Estado, a locomotiva desenvolvimentista para a região, mediante a oferta de emprego e a superação da miséria, discurso exaustivamente utilizado quando o que está em jogo são os interesses do grande capital. Deste modo, a

espacialização dos perímetros irrigados e das plantas agroprocessadoras de frutas e das monoculturas, demonstra o movimento do capital no Semi-árido nordestino, evidenciando as regiões onde o capital concentra suas ações de maneira intensificada e

articulada, com o propósito de reproduzir-se. A eleição dessas áreas não se trata de um movimento despretensioso ou “natural”. Trata-se de um conjunto de estratégias, na busca incessante pelo acesso e controle da água. (DOURADO, 2011, p. 116).

A expansão das áreas irrigadas no Semiárido baianotraz elementos para análise das controvérsias que perpassam a modernização desse território na perspectiva do agrohidronegócio, porque os prejuízos são socializados e a riqueza concentrada, com a formação de cidades-polo como é o caso de Juazeiro. Os hidroterritórios (TORRES, 2007) se constituem num ambiente conflituoso, porque colocam em disputa modelos de desenvolvimento antagônicos, revelando as urdiduras do capital e do Estado para garantir o controle de áreas com abundância hídrica. Mesmo com todo o aparato midiático, aspersonas do capital não conseguem camuflar o fato de que a criação dos perímetros irrigados acaba fomentando a plasticidade e a mobilidade do trabalho, tanto nas comunidades próximas à sua localização quanto na cidade. A demarcação de territórios pelo capital em função da disponibilidade de água é uma realidade neste limiar de século XXI, com sérios agravos para os milhões de miseráveis de todo o mundo e, principalmente,da América Latina, a quem foi atribuída a responsabilidade de prover a manutenção do “desenvolvimento” do restante do planeta devido à riqueza de sua sociobiodiversidade. Harvey (2011, p. 147) defende que o

direito a participar na construção da geografia do capitalismo é (...) um direito em disputa. Embora as relações de poder na atual conjuntura favoreçam, sem dúvida, a combinação de capital e Estado sobre todo o resto, há importantes forças de oposição. E tanto o capital quanto o Estado hoje estão na defensiva, suas alegações de que para o benefício de todos estão criticamente desacreditadas, assim como suas alegações de que são os benfeitores da humanidade como agentes da acumulação do capital baseada no mercado.

Nos Brasil, os conflitos por água eclodem em todos os lugares, até mesmo em regiões com grandes rios, como é o caso da região Norte, colocando a necessidade de repensar o paradigma vigente do “desenvolvimento” e “modernidade”. O Semiárido, com sua histórica escassez hídrica, não tem constituído um fator limitante para o grande capital, haja vista que a seca possui gradações diferenciadas de influência na vida dos sujeitos que compõem o mosaico social, político, econômico e cultural do Sertão.

Para os detentores do capital, o Semiárido representa uma oportunidade ímpar de ampliação dos lucros e da extração de renda e riqueza,pois se utilizam de expedientes para garantir seus propósitos, tais como velhas estruturas e ideias que, ao serem reformuladas, transformam-se em elementos sustentadores da barbárie instalada.

Nesse contexto, a geograficização da expansão do agrohidronegócio no Semiárido deve representar uma possibilidade de cindir as “subtotalidades” locais, de modo a dotá-las de valores e elementos que permitam pensar a modernização do território a partir de uma lógica que não seja baseada na concepção equivocada do agronegócio, como o único meio de promover o desenvolvimento do campo. O modus

vivendi dos múltiplos sujeitos que compõem os territórios do Semiárido não deve ser

desconsiderado na luta contra o capital, mesmo que, nesse embate de forças desiguais, o agrohidronegócio busque, através do apoio do próprio Estado, (des)construir uma nova racionalidade da água, atribuindo-lhe valor econômico em detrimento de todo o legado simbólico-cultural que os camponeses caatingueiros trazem em suas relações sociais.

CAPÍTULO III