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2.4. ÖRGÜTSEL BAĞLILIK DÜZEYĠNĠ BELĠRLEYEN UNSURLAR

2.4.1. Bireysel Unsurlar

2.4.1.1. Demografik DeğiĢkenler

Isabela e Leilane foram as pessoas principais na organização do movimento antiproibicionista em Natal. Isto se deveu não apenas às suas iniciativas a fim de organizar as primeiras reuniões do grupo de maconheiros e, muitas vezes, tomar frente no andamento e organização do grupo para que as atividades se realizassem.

Isabela teve papel fundamental pela sua grande articulação com Coletivos de outras partes do país. No seu terceiro ano de graduação, Isabela participou de um intercâmbio interinstitucional, quando passou um semestre cursando disciplinas no curso de ciências sociais na UNICAMP, em Campinas – SP. Pelos relatos dela, considero que este período foi fundamental para que ela tomasse ciência da dimensão que este movimento já havia adquirido em outras partes do Brasil e, através desse contato, ela pôde aprofundar seu interesse e também seu conhecimento sobre este debate. Ao voltar para Natal, as vivências que acumulara impulsionaram o início de uma articulação potiguar sobre o assunto. Assim, Isa sempre fez a ponte entre o Cannabis Ativa e outros Coletivos antiproibicionistas do país, inclusive com o núcleo central da Marcha da Maconha nacional.

Por este motivo, ela sempre esteve antenada aos meios de comunicação virtuais, passando as informações do que acontecia em Natal e recebendo notícias do que estava acontecendo em outros lugares, muitas vezes articulando a participação do Coletivo potiguar em atividades programadas em todo o país, como, por exemplo, incluir a data da Marcha da Maconha de Natal no calendário nacional. Nesta função de ligação entre organizações, desde o início do Coletivo, ela era responsável pela atualização do blog do Coletivo Cannabis Ativa na internet, onde todas as reuniões e atividades marcadas eram divulgadas para que aqueles que estivessem dispostos a colaborar ou participar ficassem sabendo o que, quando e onde aconteceriam os eventos.

Considero Isabela fundamental para que o Coletivo tenha se organizado e realizado suas atividades nos dois primeiros anos. Isabela sempre foi muito ativa na organização, muitas vezes concentrando muitas responsabilidades e afazeres para si. Assim, ela era a principal referência do Coletivo. Qualquer informação ou necessidade sobre as atividades do Coletivo ela era a maior encarregada de saber e divulgar. Entrevistas, reuniões com órgãos externos,

necessárias para a realização dos eventos, etc, ela sempre estava presente. Assim como Isa sempre foi muito prática na resolução que questões do Coletivo, também sempre foi fundamental na construção retórica do Coletivo, respondendo diretamente por ele.

No dia da Marcha da Maconha de 2012, era visível que a maior responsável pelo evento era Isabela. A chegada tanto da Polícia Militar assim como da imprensa se remetiam diretamente a ela, atrás de informações e, no caso da polícia, conferindo o cumprimento dos termos acordados, inclusive porque havia sido ela que assinara o termo de acordo com os órgãos públicos e por isso, caso ocorresse qualquer irregularidade, ela seria responsabilizada.

Em função de toda esta responsabilidade acumulada, Isabela ganhou grande visibilidade, sendo diretamente associada ao Coletivo Cannabis Ativa. A meu ver, esta visibilidade provocou ciúmes e, por consequência, desentendimentos internos ao Coletivo e, possivelmente, tenha sido uma das principais causas dos rompimentos e desmembramentos do Coletivo após a Marcha de 2011, quando ela mesma deixou o Coletivo propondo a formação de outro grupo que não vingou e ela mesma, por motivos pessoais, afastou-se da militância em Natal até, em 2012, se mudar para Brasília onde, atualmente, integra outro Coletivo antiproibicionista local.

A importância da participação de Isabela no Cannabis Ativa pode ser medida pelo impacto da sua saída do grupo, já que após o rompimento, o Coletivo não permaneceu com o mesmo vigor e nem se encarregou mais continuar promovendo todas as atividades que realizara nos anos anteriores. Nem mesmo a Marcha da Maconha continuou a ser responsabilidade deste Coletivo, que permaneceu responsável apenas pela realização do Ciclo de Debates Antiproibicionistas, tornando-se predominantemente de atuação acadêmica.

Já Leilane, tem um papel substancial, até hoje, nas atividades desenvolvidas pelos Coletivos antiproibicionistas, principalmente pela sua capacidade retórica, de articulação e expressão verbal sobre as demandas, os argumentos e propostas desta mobilização. Ela sempre cumpriu o papel de falar em nome do Coletivo, dando entrevistas durante e discursando ao término das Marchas da Maconha, de forma enfática, coerente e articulada em suas colocações.

Ao mesmo tempo, a sua forma de intervir e muitas vezes de dar ordem e seguimento às reuniões do Coletivo, desagradaram muitas pessoas e possivelmente ocasionou

rompimentos internos no Coletivo (e também pessoais para ela), como me foi relatado por outras pessoas. De qualquer forma, é inegável que ela sempre teve papel fundamental na organização do grupo, sobretudo na coordenação das reuniões e atividades, inclusive para sustentar o Cannabis Ativa após a Marcha de 2011, quando outros membros principais se afastaram do Coletivo e até propuseram outros Coletivos. A persistência dela em manter o primeiro Coletivo em atividade proporcionou que o Ciclo de Debates, evento realizado desde o primeiro ano do Coletivo, continue acontecendo e cada ano maior, com mais participantes convidados de fora da UFRN e também com mais apoio institucional.

Marcelo, que nem sempre estava presente nas reuniões, desempenhava um papel interessante dentro e fora dos Coletivos. Exatamente por ter a maconha como uma “bandeira pessoal”, cotidiana e jamais restrita às manifestações e atividades dos Coletivos, ele parecia ser um estandarte da causa, cumprindo um papel de representante carismático em tempo integral. Assim, estava sempre em contato com muita gente, divulgando e intermediando relações favoráveis para a construção das atividades do Coletivo. Embora nem sempre presente, devido a outros afazeres, sempre o vi como um apoio importante dentro do Coletivo, pois quando era necessário resolver pendências de última hora, Marcelo se prontificava a resolvê-las.

Quando participava das reuniões, se disponibilizava para resolver questões práticas, assim como outros membros e contribuía para a realização principalmente das manifestações, onde também desempenhava um papel importante, já que ele fazia diversas falas ao longo do trajeto da Marcha da Maconha no microfone dando informações sobre a maconha e sobre o teor da manifestação.

Quando me interessei e me aproximei dos Coletivos – na época apenas o Cannabis

Ativa existia – percebi também o interesse de Rinaldo em participar, mesmo não ocupando um

papel tão central como Isabela e Leilane visivelmente ocupavam, mas estava sempre disposto a contribuir com o que estivesse ao seu alcance, sobretudo na resolução de questões práticas e quando houvesse a necessidade de deslocamento, já que apenas ele e Diego no grupo tinham meios de transporte próprios e em função disso sempre esteve disposto a levar na carona da sua moto outro integrante do Coletivo para resolver questões em órgãos públicos, por exemplo.

Outra função relevante da participação de Rinaldo no Coletivo diz respeito a articulação deste movimento com outros movimentos sociais, grupos organizados e secretarias e outras esferas do poder público municipal e estadual. Isso porque, como coloquei anteriormente, desde que conheci Rinaldo, sempre soube do seu envolvimento com partidos e articulações políticas, o que facilitava seu trânsito entre estes setores. Fosse para entregar convites e documentos aos possíveis parceiros e colaborados dos Coletivos e mesmo para solicitar ajudas financeiras com políticos, ele era o responsável por fazer este contato, o que pode ser considerado fundamental para o transcorrer das ações do movimento.

Em 2012, ele não esteve tão presente quanto nos anos anteriores na organização da Marcha da Maconha, mas engajou-se na venda das rifas para arrecadar dinheiro para realizar a manifestação. Conforme ele me contou em uma conversa, havia se afastado da organização por vários motivos, inclusive porque estava “complicado” participar das reuniões com muitas pessoas e algumas confusões e desentendimentos, e por isso preferiu se distanciar um pouco sem deixar de contribuir para que a Marcha acontecesse.

Considero que Álvaro desempenhou um papel muito importante na transição entre os Coletivos antiproibicionistas que ocorreu após a Marcha de 2011. Embora ele não estivesse muito presente na construção do evento neste ano, ele já havia participado da organização no ano anterior, e se afastado por conflitos com outros membros do Cannabis Ativa. Em 2012, quando este primeiro Coletivo deixou de organizar a Marcha da Maconha, Álvaro tomou a frente na realização das reuniões e também na indicação das decisões que eram necessárias para que o evento acontecesse. Assim, enquanto eu acompanhava as reuniões de 2012, percebi que era ele quem tinha maior experiência e, por isso, era o principal organizador, mais respeitado e ouvido no grupo.

Além disso, ele era um elo deste movimento com outros menos articulados, como o anarquista, do qual ele também faz parte. Desta forma, sua atuação em outros grupos possibilita a relação entre eles e até mesmo a participação de outras pessoas, mais engajadas em outras questões, nos eventos antiproibicionistas.

Durante a pesquisa, percebia Diego muito engajado tanto nas reuniões quanto na resolução de questões práticas necessárias para o andamento da organização dos eventos, assim como também era responsável pela divulgação de informações sobre a realização das

reuniões e atividades do Cannabis Ativa. Ele sempre esteve presente na organização dos eventos. Mesmo após as rupturas do Coletivo, Diego não deixou de participar das reuniões dos outros Coletivos para contribuir na organização das atividades. Nas manifestações, ele assumia, inclusive, o papel destacado de puxar as Marchas da Maconha, estendendo a faixa que intitulava o evento.

Coletivamente, todos desempenhavam papéis e funções complementares, na intenção de organizar os Coletivos. Durante a existência apenas do Cannabis Ativa, esta união, apesar dos conflitos, parecia estar mais organizada, característica que foi se dissolvendo na medida que os outros Coletivos foram sendo criados, fragmentando a organização dos eventos antiproibicionistas.

Benzer Belgeler