2 KAVRAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
2.3 Değerler
2.3.1 Değer Sınıflamaları ve Kuramları
A concepção de aprendizagem sócio-cultural ou interacionista, conforme a teoria de educação desenvolvida pelo estudioso Lev Seminovich Vygotsky (1896-1934), enfatiza a inserção do aluno em práticas sócio-culturais de ensino e de aprendizagem ao definir os sujeitos como aprendizes do conhecimento mediado por símbolos (linguagem, fórmula, jogos...) e instrumentos (livros, filmes, material didático...). Diferente de Piaget (1976, 1995) cujos estudos remetem ao desenvolvimento da autonomia e à independência do sujeito face às coisas e aos outros, a teoria de Vygotsky (1994, 1995) orienta-se pela idéia de heteronomia ou subordinação do sujeito às diversas estruturas sociais. Esta teoria afirma que o sujeito só se desenvolve na medida em que participa em formas diversas de integração social, utilizando-se de diferentes instrumentos e símbolos e, principalmente, do coletivo, da interação com os outros. Em semelhança à teoria de Piaget, a teoria de Vygotsky não é reducionista, ambos os autores “enfatizam que a inteligência e a consciência humanas são formas de organização e adaptação ao meio que não são redutíveis a conjuntos de reflexos, nem às primeiras manifestações externas em que essas formas de organização, muitas vezes, se expressam” (LOURENÇO, 2005).
Para Vygotsky (1994, 1995), há dois tipos de desenvolvimento: o natural, resultante da maturação, e o cultural, ligado à linguagem e ao raciocínio. Spodek e Saracho (1994, p. 76) destacam que “os padrões de pensamento de um indivíduo são o produto das atividades praticadas na cultura na qualele cresce”. Neste caso, a linguagem passa a ser um instrumento fundamental para que a pessoa possa aprender a pensar. O conceito-chave de sua teoria em relação à compreensão das funções mentais superiores, como a atenção e a memória, é o conceito de sociogênese. No desenvolvimento cultural da criança, qualquer função ocorre duas vezes, uma no plano social – nível interpsicológico e, mais tarde, no plano individual – nível intrapsicológico.
Mesmo que a linguagem seja, segundo Vygotsky (1995, 2001), adquirida através da interação social e tenha na primeira fase do desenvolvimento a função social, ela é, posteriormente, interiorizada e passa a ser determinante para o pensamento. Este processo, denominado de interiorização, de acordo com a função psicológica superior, aparece em dois níveis durante o desenvolvimento: a primeira, no nível social ou interpessoal, e a segunda, no nível individual ou intrapessoal. “A passagem de algo externo e interpessoal para o domínio interno e intrapessoal não é feita por simples imposição exterior, mas exige também reconstrução e transformação por parte do próprio sujeito", é afirma Lourenço (2005, p. 58). O método utilizado por Vygotsky (1994, 1995) é o da compreensão dos fenômenos psicológicos, no qual o foco vai para o estudo dos processos de desenvolvimento, não tanto para os resultados externos.
Na comunicação, a linguagem adquire, segundo Vygotsky (1994), uma função intrapessoal (o indivíduo consigo mesmo), serve de mediadora da ação pedagógica no uso interpessoal (o indivíduo com os outros) e tem papel fundamental na regulação das aprendizagens. Uma prática dialógica e interativa favorece esquemas de regulação. Para desenvolvê-los, o educador precisa criar situações de confronto, de interação, de trocas, de tomada de decisão, a fim de possibilitar a exposição de idéias, a argumentação, as justificativas, os planejamentos.
Na teoria de Vygotsky (1994, 1995), não aparece o termo cognição, o que não significa que ele não tenha estudado pensamento, percepção e memória, funções mentais (superiores e inferiores) e a consciência para designar os processos cognitivos. A capacidade cognitiva humana se realiza através das possibilidades criadas pelas mediações possíveis entre o meio (contexto sócio-histórico que o circunda) e o sujeito. Os processos afetivos e os cognitivos não se desenvolvem separadamente, mas estão imbricados um ao outro. Essa mesma relação encontra-se entre pensamento e linguagem, que surge durante o desenvolvimento, mas que com outras aprendizagens também se modifica. Vygotsky (1994) ressalta a importância do contexto sócio-cultural no desenvolvimento da auto-regulação da aprendizagem. O aprendiz, através das ferramentas adquiridas na interação com o outro, avança do estágio de regulação externa assistida para a auto-regulação interna. O autor (Vygotsky, 1995) salienta a importância do controle consciente e reflexivo para a aprendizagem e considera que a base para a auto-regulação é a linguagem, a qual regula a ação e o pensamento. Destaca que o “pensamento não é simplesmente expresso em palavras; é por meio delas que ele passa a existir” (p. 156). Considera a linguagem como o primeiro meio através do qual a cultura é transmitida e como o primeiro veículo para o pensamento e a auto-
regulação voluntária. Assim, qualquer aptidão auto-regulatória decorre das atividades verbais precoces com os adultos e com os pares.
Conforme afirma Vygotsky (1994), o aprendiz avança primeiro por processos controlados pelo meio (regulação) e depois obedece à auto-regulação do sujeito (que implica no próprio planejamento, execução e avaliação do proposto). Segundo esta teoria, a auto- regulação da aprendizagem se dá através do escoramento, entendido como ação regulatória (mediação), como se fossem ajudas pedagógicas que estimulam as funções psicológicas superiores que têm origem nos processos sociais. Os processos mentais podem ser entendidos pela compreensão dos instrumentos e signos que atuam como mediadores. Relativamente à questão da mediação e da interação na aprendizagem, Vygotsky (1994) apresenta o princípio - Zona do Desenvolvimento Proximal – e enfatiza que nela se dá a construção de aprendizagem, iniciando por aquilo que o sujeito já sabe mediado por instrumentos, signos, orientações dos adultos ou companheiros mais capazes que facilitam a construção de novas aprendizagens. A ação de mediar o conhecimento de quem sabe menos equivale a uma tutoria que passa a atuar na auto-regulação dos aprendizes. As intervenções educativas podem ser denominadas de regulatórias, estas podem evoluir à medida que os sujeitos vão se apropriando dos processos de regulação que foram anteriormente assegurados pelo tutor. O desenvolvimento natural do ser humano produz funções primárias, enquanto o desenvolvimento social produz funções superiores. “A grande diferença entre os processos psicológicos elementares e superiores diz respeito ao fato de que os primeiros são controlados pelo meio, enquanto os segundos obedecem a uma auto-regulação” (SOUSA SANTOS, 2001b, p. 130).
Os processos superiores acontecem a partir da auto-estimulação, ocorrem de forma voluntária e consciente, originam-se na interação dos fatores biológicos, parte da constituição física do homo sapiens com os fatores culturais, que fazem parte dos processos sociais. O que significa dizer que o aprendizado (tanto o processo de ensino como o de aprendizagem) inicia-se por um desenvolvimento interpsicológico e segue por um plano intrapsicológico. O processo de desenvolvimento das condutas superiores consiste, portanto, na incorporação e na internalização de pautas e de ferramentas de relação com os outros. Desta forma, o indivíduo auto-observa, auto-regula, desenvolve sua metacognição (capacidade de pensar sobre seu pensamento), planeja, infere e induz o pensamento lógico na busca de solução de problemas.
Vygostsky (2001) entende que o desenvolvimento se constitui de forma prospectiva, ou seja, a aprendizagem do sujeito vai além do momento atual, referindo-se ao que vai acontecer, prospectivamente, na trajetória do indivíduo. Afirma que a mediação entre a
cultura e o indivíduo é essencial, pois permite a auto-organização que vai se dar na intervenção dos outros, do grupo social. Desta forma, o indivíduo cumpre seu processo de desenvolvimento movido por mecanismos de aprendizagem acionados externamente, este contexto cultural proporciona a matéria-prima para que haja auto-regulação da aprendizagem.
Conforme afirma Vygotsky (1995), o pensamento é gerado pela motivação, que traduz os desejos e as necessidades, os interesses e as emoções. Destaca que por trás de cada pensamento há uma abordagem dialética a qual permite que os diversos fenômenos psicológicos relacionem-se entre si. Assim, a apreciação cognitiva dos acontecimentos fica subordinada às emoções, qualificando-as. Desta forma, a cognição é afetada intrinsecamente pela emoção.
Outro fator realçado por Vygotsky (1994) é o enfoque histórico-cultural como fonte teórica para o entendimento da memória como processo mental superior. Destaca o autor que “o processo de lembrança está reduzido a estabelecer e encontrar relações lógicas; reconhecer passa a consistir em descobrir aquele elemento que a tarefa exige que seja encontrado” (VIGOSTKY, 1994, p. 58). Enfatiza, pois, que os fenômenos devem ser estudados como processos em movimento e em mudanças. A teoria de Vygotsky (1994) define como consciência tudo aquilo que o indivíduo processa, organiza, delibera, interpreta, planeja, realiza e decide. Em outras palavras, a autoconsciência é o que equivale a um processo de auto-regulação.