5 SONUÇ, TARTIŞMA VE ÖNERİLER
5.2 Öneriler
Na revisão da literatura sobre motivação, constatou-se que, a partir dos anos 80, teve inicio uma fase intensa de pesquisas sobre motivação com muita ênfase na abordagem cognitiva, mais especificamente na teoria da autodeterminação, em cujos pressupostos centrais encontra-se a assertiva que as pessoas respondem não aos acontecimentos externos, mas à interpretação desses acontecimentos, às suas vivências e experiências pessoais.
Conforme tal abordagem, o comportamento é determinado pelo pensamento e não pelas recompensas ou punições. Esta teoria estuda um conjunto de variáveis e processos cognitivos que atuam entre a situação e o comportamento com os quais as pessoas se envolvem e que parecem ser essenciais à percepção que dá suporte à autonomia e à competência. Esta abordagem da teoria da motivação salienta existirem recursos internos que estimulam o desenvolvimento da personalidade. A autodeterminação pressupõe que as pessoas sejam ativas e, por isso, orientadas para o desenvolvimento de sua aprendizagem. A mesma teoria ressalta que o ser humano tem uma tendência inata e natural para aprender e assimilar novas informações, para interiorizar práticas e valores do seu meio.
De acordo com a teoria da autodeterminação, as pessoas trazem inato à capacidade de satisfazer suas necessidades psicológicas básicas, as quais são a base do desenvolvimento dos processos de motivação pessoal. Esta teoria estuda um conjunto de variáveis e processos cognitivos que atuam entre a situação e o comportamento em que a pessoa se envolve. Nesta teoria, a tendência para a organização vitaliza o desenvolvimento em duas direções, que representam os mais básicos e importantes esforços intrínsecos da personalidade e do self. A primeira diz respeito às capacidades e interesses do indivíduo e à sua integração ou assimilação recíproca numa estrutura que é coerente e auto-regulada. A segunda tendência para a organização é representada pelo esforço para a coesão e a integração do indivíduo com respeito à sua matriz social, ela ultrapassa a questão individual para o sentido de pertença na
forma de uma vida social organizada que está arraigada à natureza humana, a qual corresponde à necessidade de envolvimento interpessoal.
Na teoria da autodeterminação, há três conceitos centrais: self; estilos regulatórios; necessidades básicas. O self refere-se ao sentido de iniciativa que começa com os elementos inatos e se desenvolve através do processo de interiorização e integração. O self não é um conjunto de mecanismos cognitivos, mas um conjunto de processos motivacionais com diversidade de funções assimiladoras e reguladoras. O self não é simplesmente resultado das avaliações sociais e das pressões, mas é o processo através do qual uma pessoa se relaciona, estabelece contato com o meio social (RYAN & DECI, 2000).
Segundo Ryan & Deci (op. cit.), na teoria da autodeterminação, os seres humanos são movidos por algumas necessidades psicológicas básicas, cuja satisfação é necessária para um relacionamento efetivo e saudável com o seu ambiente. Eles salientam que existem três necessidades psicológicas básicas e inatas que determinam a motivação intrínseca em um funcionamento saudável: necessidade de competência; necessidade de envolvimento pessoal; necessidade de autonomia. Estas necessidades, quando satisfeitas, aumentam a motivação pessoal e a saúde mental e, quando contrariadas, levam à diminuição da motivação e do bem- estar. Esta teoria considera o impacto das necessidades e os processos psicológicos em domínios, tais como os cuidados com o trabalho, com a educação e a formação, o desporto, a espiritualidade.
A autodeterminação defende que os sujeitos possuem componentes internos que, acionados, explicam o envolvimento intrínseco das pessoas nas atividades como forma de satisfazer as necessidades psicológicas. Há de se considerar, entretanto, que, quando se fala de uma tarefa que todos gostam de fazer, se pode estar apontando para a tendência interna de satisfazer as necessidades básicas. Por exemplo: a necessidade de competência diz respeito ao sentido de realização que decorre do exercício das capacidades das pessoas e que as levam a procurar desafios que sejam ótimos para as suas capacidades e a, persistentemente, desenvolverem estas capacidades para obter um sentido/significado e confiança através da atividade que está sendo resolvida.
Para Deci e Ryan (1985, 2000), estar motivado significa estar com a intenção de alcançar algum objetivo, o que pode ser totalmente diferente para cada pessoa, assim como as razões que as levam a procurá-los. Para compreender o significado da auto-regulação, é necessário distinguir quais os objetivos que são escolhidos pelo próprio sujeito e quais os que são impostos pelos outros. Um objetivo que tem por base a auto-regulação é aquele estruturalmente consistente e valorizado pelo sentido de quem se é – pelo verdadeiro sentido
do self. Quando, ao contrário, se referir à ação ‘não’ regulada, pode-se dizer que a pessoa está no estado de falta de motivação, no qual há falta de intencionalidade e, assim, falta de comportamento orientado para um objetivo. Quando o comportamento é autodeterminado, o processo regulatório é a escolha, mas quando é controlado, o processo regulatório é imposição que pode levar à desobediência ou ao desinteresse.
A teoria da autodeterminação descreve a ocorrência de distintos processos através dos quais os comportamentos são determinados ou regulados, alguns deles são caracterizados como autônomos e outros como controlados ou não motivados. A auto-regulação versus controle caracteriza-se por diferentes bases que subjacentes à questão da evolução da autonomia. Para Deci e Ryan (1985, 2000), a questão da regulação autônoma requer maior envolvimento das pessoas e dos processos reflexivos de ordem superior.
A motivação para a aprendizagem é cada vez mais considerada como resultado da educação, levando-se em conta que a aprendizagem se dá ao longo da vida e que na sociedade atual a informação tornou-se extremamente dinâmica. A atitude do individuo perante à aprendizagem é importante não só no período escolar, mas por toda a vida. A teoria da auto- regulação pressupõe que os seres humanos são organismos ativos e estão orientados para o crescimento, inclinados para a integração dos seus elementos psíquicos (self) e para sua integração com as estruturas sociais. Segundo Deci & Ryan (2000), o self não é um conjunto de mecanismos cognitivos, mas é um conjunto de processos motivacionais com diversidade de funções assimiladoras e reguladoras.
A análise motivacional da auto-regulação tem como conceito central a intenção (DECI e RYAN, 1996), neste caso, estar motivado significa alcançar algum resultado o qual vai depender dos objetivos de cada pessoa. No entendimento da auto-regulação, se tem que distinguir os verdadeiros objetivos daqueles que são impostos por pressões exteriores ao self. A regulação introjetada representa o principal exemplo de comportamento motivado por processos internos à pessoa, mas externos ao self (DECI & RYAN, 2000).
Os autores citados destacam que, entre os trabalhos realizados sobre a teoria da autodeterminação, muitos começam pela motivação intrínseca, referindo-se a ela como fator ou condição que a facilita ou que prejudica a aprendizagem. Analisam também a auto- regulação no que diz respeito à forma como as pessoas, partindo de valores sociais extrínsecos, progressivamente, os transformam em valores pessoais e automotivacionais. O desenvolvimento da capacidade de auto-regulação é denominado, como processo de interiorização e refere-se ao processo através do qual as regulações externas são interiorizadas e integradas ao self.
Os modelos de motivação, propostos por Vallerand e Ratelle (2002), permitem estudar as formas intrínseca e extrínseca de motivação nas pessoas, bem como a falta de motivação.
A motivação extrínseca tem sido definida como heterônoma e do controle externo, e a motivação intrínseca como de autonomia e autocontrole pessoal. Na teoria da autodeterminação, Deci e Ryan (2000) consideram não ser adequado afirmar que o comportamento extrinsecamente motivado não pode ser autodeterminado. Eles defendem que é possível estar extrinsecamente motivado de forma autônoma. Diversos estudos com base nesta teoria indicam que a manutenção da motivação intrínseca traz implícita a interiorização da motivação extrínseca e pressupõe contextos que apóiam a autonomia. Desta forma, as práticas educativas, que ocorrem em espaços formativos excessivamente controlados, podem bloquear o processo de interiorização de valores e o processo de auto-regulação (DECI & RYAN, 2000).
A motivação intrínseca impele a pessoa a fazer algo pelo prazer ou pelo desafio que a atividade suscita em si mesma, sem ser forçada por agentes externos que exerçam pressão ou ofereçam recompensas em troca. A motivação intrínseca, para Ryan e Deci (2000), significa a tendência que as pessoas têm de explorar, aprender e procurar novidades e desafios para ampliarem e exercitarem suas potencialidades. Esta motivação se traduz como a inclinação natural para a assimilação, o interesse ou exploração do indivíduo em relação à alguma coisa, o que parece ser essencial ao desenvolvimento cognitivo e social e pode constituir-se na principal fonte de entusiasmo do sujeito. Ryan e Deci (2000) demonstram os efeitos negativos das recompensas ou ameaças, na motivação intrínseca. A tomada de consciência dos sentimentos e o papel de autogoverno podem aumentar a motivação intrínseca porque desenvolvem nas pessoas o sentimento de autonomia pessoal. As pessoas, quando submetidas a uma educação repressora e controladora, não só diminuem a sua capacidade de iniciativa, como também aprendem de forma menos eficaz, especialmente quando as aprendizagens são complexas e exigem maior reflexão.
Apesar de os seres humanos terem tendências motivacionais intrínsecas, há evidências de que a manutenção e o crescimento desta tendência, inerente à espécie humana, requerem condições que a sustentem, pois ela pode ser destruída se as condições não forem favoráveis. A teoria da motivação intrínseca não diz respeito àquilo que causa a motivação intrínseca, mas analisa as condições que a mantém e as condições que a enfraquecem e que diminuem esta propensão inata.
O contexto, seja ele escolar, familiar ou de trabalho, pode facilitar e promover a motivação intrínseca, quando oferece apoio no desenvolvimento da autonomia (GROLNICK, DECI & RYAN, 1991). A motivação intrínseca ocorre apenas se as atividades representam perspectivas interessantes para o educando-trabalhador, ou seja, se elas despertam novidade, desafio e valor especial.
Na teoria da autodeterminação, a manutenção da motivação intrínseca e a interiorização da motivação extrínseca pressupõem contextos que apóiem a autonomia. Deci e Ryan (2000) afirmam que as práticas educativas, excessivamente controladas, bloqueiam o processo de interiorização de valores, de ações e de processos de regulação da aprendizagem. Apoiar a autonomia significa apoiar a capacidade de iniciativa e de autodeterminação do sujeito.
A capacidade de auto-regulação é denominada, nesta teoria, processo de interiorização e refere-se ao processo através do qual as regulações externas são interiorizadas e integradas ao self. Mesmo assim, incluem os fatores contextuais que, potencialmente, podem inibir ou estimular as experiências de competências, de autonomia e aparecem na motivação. Os seres humanos são movidos por alguma necessidade psicológica básica, cuja satisfação é necessária para o relacionamento efetivo e saudável com o seu ambiente. Deci & Ryan (2000) reconhecem que, apesar do apoio à autonomia e à competência serem mais salientes na viabilidade da motivação intrínseca, o envolvimento interpessoal também contribui para a motivação intrínseca. O ser humano tem necessidade de envolvimento interpessoal e, conseqüentemente, a motivação intrínseca se desenvolve melhor em contextos caracterizados pelo sentido de segurança e pelo envolvimento interpessoal.
Os acontecimentos que aumentam a percepção de competência promovem a motivação intrínseca. Os acontecimentos que reduzem a percepção de competências podem diminuir a motivação intrínseca. Há, portanto, aumento da motivação intrínseca nas situações em que o meio possibilita um feedback positivo e contingente aos resultados acerca do seu desempenho. O feedback negativo ou fracassos contínuos que apontem para a incompetência em determinada situação prejudicam a motivação intrínseca, segundo afirmam Deci & Ryan (2000).
A ausência de motivação é considerada como o estilo mais pobre de integração e de autonomia, porque representa comportamentos que não são intencionais e não estão sob o controle do sujeito. Isso equivale à não-regulação e se refere ao estado no qual existe falta de intencionalidade e, portanto, falta de comportamento orientado para o objetivo.