2 KAVRAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
2.3 Değerler
2.3.3 Öğretmen Adaylarının ve Öğretmenlerin Değerleri
Aprendizagem é um termo complexo e se refere, de forma genérica, à aquisição de um novo comportamento ou ao domínio de um procedimento em relação a um conteúdo qualquer e envolve variáveis que se combinam de diversos modos. A aprendizagem sofre influência de fatores internos (individuais) e externos (sociais).
A aprendizagem, afirma Pain (1999), é efeito do funcionamento do pensamento e não causa deste funcionamento. A aprendizagem é um fenômeno complexo, suscetível de ser interpretado por diversas teorias.
Na teoria da complexidade, as pessoas aprendem alterando papéis, ensinam e aprendem concomitantemente, durante processo de desenvolvimento e de aprendizagem. Este processo ocorre através da construção, reconstrução, de forma a evitar a dissociação dos processos de ensino e de aprendizagem. Freire, desde 1997, destaca que os homens aprendem em comunhão, isto significa que aprender é interagir, é lidar com os outros e com as diferenças. Nenhum ser humano é uma ilha, ninguém se desenvolve sozinho, o sujeito precisa do outro para se desenvolver e realizar ações e propostas de trabalho em uma aprendizagem ativa, assim as ações de interação social que estimulam o desenvolvimento cognitivo passam a ser sinônimos de aprendizagem.
O estudo dos processos mentais mais complexos não pode ser feito sem considerar a interação social. Para definir aprendizagem, é preciso concentrar-se na descrição dos processos intra-individuais para depois refletir sobre os fatores do contexto social em que o sujeito está inserido. Segundo Boruchovitch e Bzuneck (2004), os aspectos intrapessoais e situacionais na aprendizagem não se opõem nem representam uma divisão dicotômica, ao contrário, são inseparáveis e apresentam visões complementares de um mesmo fenômeno.
Na ótica cognitivista, o processo mental de aprender é por natureza interno ao sujeito e é exercido por indivíduos situados num contexto que recebem influência tanto motivacional como de natureza cognitiva. Os fatores intra-individuais da aprendizagem também aparecem explícitos na interação com outros sujeitos em contextos escolares ou profissionais. Nas variáveis sócio-contextuais, estão presentes os processos mentais e motivacionais de cada indivíduo, o todo está nas partes e as partes estão no todo, de forma que um complementa o outro, dando-lhe significado – princípio hologramático (MORIN, 1999). A aprendizagem humana envolve questões de ordem cognitiva, motivacional e contextual e, ao mesmo tempo, é subjetiva (caracterizada pela ação do sujeito), portanto precisa ser auto-regulada e objetiva (caracterizada pela operacionalidade, pela linguagem, pelas teorias e idéias).
Um dos papéis fundamentais do pedagogo é otimizar o processo de aprendizagem. Ao otimizar, ele torna-se o mediador, ele regula de forma a propiciar ao aprendiz a auto-
regulação da aprendizagem. O alcance deste objetivo começa mediante a compreensão mais aprofundada de como o sujeito aprende, fenômeno que envolve processos e fatores. De acordo com as teorias construtivista, sócio-construtivista e da complexidade, a compreensão, por parte do educador/pedagogo, de como os sujeitos aprendem abre espaço e atribui significado às estratégias metodológicas que possam tornar a aprendizagem mais efetiva.
Saber como acontece a aprendizagem constitui-se em elemento facilitador e promotor do desenvolvimento de estratégias de ensino auto-reguladoras da aprendizagem. A capacidade para a auto-regulação consciente e voluntária é uma característica do ser humano (BRONSON, 2000). A auto-regulação envolve escolha, tomada de decisão e planejamento e torna cada um responsável por suas ações.
Para promover a auto-regulação da aprendizagem, é preciso criar uma cultura que valorize e promova o aprender a aprender, o desenvolvimento metacognitivo, a sistematização, a organização da aprendizagem como pontos fundamentais do discurso implícito no processo formativo inerente a todo local em que há pessoas com o objetivo de construir conhecimento. A participação autônoma, ativa e planejada do sujeito nos processos de ensino e de aprendizagem são componentes indispensáveis neste contexto.
A auto-regulação da aprendizagem constitui-se como a construção de capacidades para o desenvolvimento e o direcionamento de estratégias que facilitem a resolução de tarefas. Ela também permite remover ou refletir sobre os obstáculos existentes na execução tarefa. Na prática pedagógica, isto se traduz como a necessidade da inserção de auto-avaliação, autodesenvolvimento, auto-aprendizagem e auto-regulação nos processos de ensino e de aprendizagem (PERRENOUD, 1999, 2000). O educador que deseja trabalhar com a perspectiva de auto-regulação da aprendizagem precisa perceber a coerência no estabelecimento de contratos pedagógicos, dispositivos didáticos e estratégias de construção do sentido do conteúdo a ser trabalhado e a importância de oportunizar e estimular permanentemente a reflexão crítica.
Na mente humana, toda regulação, em última instância, só pode ser uma auto- regulação, pelo menos se aderirmos às teses básicas do construtivismo: nenhuma intervenção externa age se não for percebida, interpretada, assimilada por um "sujeito". Nessa perspectiva, toda ação educativa só pode estimular o autodesenvolvimento, a auto-aprendizagem, a auto-regulação de um sujeito, modificando seu meio, entrando em interação com ele (PERRENOUD, 1999a, p. 96).
Outros estudos exploram e discutem a importância de o sujeito gerir, conscientemente, seus processos de aprendizagem (DAVIDSON; DEUSER e STERNBERG,
1996; POLYA, 1995; POZO, 1998, 2002), bem como a importância dos processos metacognitivos na construção da subjetividade (OLIVEIRA, 2001).
A capacidade de auto-regulação da aprendizagem é considerada como o uso intencional de estratégias de domínio de funções mentais, como atenção, memória e planejamento da ação – funções autoconscientes essenciais aos processos de ensino e de aprendizagem. Neles, as funções mentais são estudadas como processos cognitivos. Quando o sujeito tem domínio consciente de seus processos cognitivos (OLIVEIRA, 1999), eles são denominados metacognitivos.
O construto da aprendizagem auto-regulada, buscando tornar o sujeito participante, ativo e autônomo, contribui para reforçar seu protagonismo. A aprendizagem auto-regulada é um processo regulador do comportamento que envolve a definição de objetivos e que o dirige para a concretização destes mesmos objetivos (ZEIDNER, BOEKARERTS E PINTRICH, 2000).
Os educadores-pedagogos precisam estabelecer metodologias de trabalho e de aprendizagem que levem os aprendizes a cooperarem uns com os outros, reconhecendo a importância e a necessidade da aprendizagem para a vida social e profissional. A formação permanente contribui para que os educandos-trabalhadores aprendam a auto-regular sua aprendizagem. É preciso, no entanto, ter cuidado com os métodos utilizados para que os aprendizes com baixas escolarização, motivação, confiança não se tornem meros espectadores, deixem de ser sujeitos e se transformem em objetos, o que causaria dependência, ansiedade e desencorajamento para regularem suas aprendizagens. Estas variáveis, no entanto, não interagem isoladamente.
Questões semelhantes são observadas nos espaços não-escolares, quando é esperado que a pessoa aprenda a reconhecer e a escolher metas apropriadas, dê a si mesma instruções efetivas ou se disponha a seguir instruções recebidas, monitore suas atividades e se recompense pelas conquistas obtidas. As conseqüências, na perspectiva comportamental, são vistas como fatores que fortalecem ou enfraquecem o comportamento, por terem implícitos, em sua abordagem, reforços (positivos ou negativos) que estimulam ou não a realização da tarefa. Em muitas organizações, os sujeitos auto-regulam as ações com bastante intencionalidade, pois aprendem o valor relativo da recompensa e administram ou desenvolvem estratégias para controlar respostas de forma a ganhar recompensas vantajosas.
Uma pessoa será considerada auto-regulada em determinada área se ela desenvolver critérios internos que possam ajudá-la a elaborar, executar atividades autodirigidas e independentes e que lhe possibilitem verificar e perceber o quanto avançou a partir das ações
realizadas. Neste caso, a pessoa é motivada pelo próprio esforço cognitivo despendido na ação desenvolvida.
A auto-regulação da aprendizagem pode se dar numa construção conjunta, de internalização progressiva entre o sujeito e o educador. Numa organização ou em espaços não-escolares, as pessoas que a constituem podem ser estimuladas a aprender. O desenvolvimento de competências permite ao educando-trabalhador a permanente atualização e a construção do conhecimento, permite processar e selecionar o que lhe possibilita melhorar sua atuação. Os aprendizes que apresentam baixo rendimento profissional, em geral, não possuem ou não desenvolveram as competências necessárias para a organização da aprendizagem voltada para a sua ação e, normalmente, são demitidos. Uma alternativa possível para esta situação é organizar, promover, nas organizações empresariais, estratégias que desenvolvam capacidades (formação de competências) constituídas de saberes que permitam ao sujeito auto-regular as aprendizagens, de forma a saber resolver com mais eficácia situações da vida e do trabalho. Em cenários nos quais as pessoas não estejam preparadas para trabalhar nem sejam estimuladas a auto-regularem as atividades, certamente, haverá uma elevada taxa de insucesso nas tarefas propostas, sejam escolares ou não-escolares (SALEMA, 1997).
O sociólogo Laval (2003) destaca que o nível de educação tem efeitos econômicos, idéia sustentada por economistas, desde o século XIX. Ele concebe a educação como função fundamental relacionada ao bem-estar, à prosperidade dos interesses individuais da empresa e dos que nela trabalham. A idéia de formação continuada e de desenvolvimento de competências adquiriu extrema relevância na esfera organizacional empresarial. Isto pode ser visto, por exemplo, na valorização e na promoção de idéias e conceitos relacionados ao ‘capital humano’. Por todo lugar, se vê a mesma lógica aplicada: os estudos devem ser orientados para a construção de conhecimento, de competêncis, cuja finalidade principal é o desenvolvimento do trabalho pessoal em benefício do desenvolvimento econômico empresarial. É a chamada ‘nova ordem educativa mundial’, na qual a empresa se organiza a partir de necessidades, cada vez mais identificadas com emergência do conhecimento, que pode ser construído através de um processo de auto-regulação da aprendizagem.
A empresa, para criar competências e conhecimentos que estejam voltados para a auto-regulação, pode investir na gestão e na organização de grupos de formação e capacitação, nos quais sejam privilegiadas dinâmicas de estudo com a finalidade de refletir com o sujeito/colaborador a responsabilidade pela própria aprendizagem e habilitá-lo com as competências necessárias para a efetivação da auto-regulação de sua aprendizagem.
Pode-se estimular o estabelecimento de objetivos pessoais e significativos; desenvolver atividades que exijam investimento estratégico pessoal; incrementar a auto- eficácia; valorizar a aprendizagem; ensinar a estudar; explicitar a utilização de estratégias cognitivas, metacognitivas, motivacionais, emocionais e espirituais que favoreçam a realização de tarefas usuais ou rotineiras de forma eficaz e adequada; proporcionar aos aprendizes espaço para que possam realizar as aprendizagens de que necessitam (LOPES DA SILVA, 2004a).
O desenvolvimento de um trabalho, com ênfase na auto-regulação da aprendizagem, requer o envolvimento dos educadores/pedagogos e dos aprendizes envolvidos e a existência de uma proposta que faça a aprendizagem avançar. O educador/pedagogo, ao atuar em espaços organizacionais, precisa estabelecer metas, processos de desenvolvimento, mapear as necessidades dos sujeitos para depois construirestratégias que auxiliem e facilitem as progressões educativa e profissional. Estes pontos são identificados por Simão, Caetano e Flores (2005) como estratégicos, que levam ao desenvolvimento da ação, da colaboração, da investigação, da reflexão e estabelecem interações tensionais múltiplas. Estas ações podem articular-se entre autonomia e interdependência, entre estruturação e flexibilidade, entre investigaçao e ação. Tais processos influenciam-se mútua e constantemente de forma mais ou menos acentuada.
Segundo Lopes da Silva et al. (2004a), embora haja diferenças nas variáveis apresentadas pelos diversos teóricos para explicar a aprendizagem auto-regulada, dos múltiplos estudos teóricos e empíricos feitos sobre ela, surgem também convergências de idéias . São elas: as percepções de auto-eficácia; o uso consciente e deliberado de estratégias cognitivas e motivacionais; a dedicação na concretização dos objeivos educativos, que podem estar voltados tanto para o desenvolvimento na área profissional como na escolar.
Simão, Caetano e Flores (2005) apresentam um esquema no qual destacam dimensões que facilitam a auto-regulação: motivação, métodos, gestão do tempo, desempenho, ambiente físico e social. Os autores especificam que compete ao sujeito tomar decisões pessoais e refletidas para poder controlar o seu processo de aprendizagem.
Ao explicitarem cada uma das dimensões, ressaltam que os aspectos ‘motivacionais’ influenciam a auto-regulação e apresentam como objetivo de realização as atribuições, a auto- eficácia e a valorização da aprendizagem. A motivação é uma pré-condição para a aprendizagem. É usada para explicar por que as pessoas agem de uma determinada maneira, quanto esforço investem, como e por que se dedicam a determinada tarefa.
Enfatizam que a auto-regulação refere-se aos ‘métodos’ utilizados pelos aprendizes: estratégias cognitivas, que envolvem a manipulação do material a ser aprendido e estratégias metacognitivas que implicam o planejamento, o monitoramento e a auto-avaliação conscientes do processo de aprendizagem (FLAVELL, 1979). Os sujeitos, em geral, não desenvolvem, espontaneamente, estratégias de aprendizagem, por isso é preciso estimular e implementar o ensino de estratégias cognitivas e metacognitivas, de forma a ajudá-los a aplicá-las em sua proposta de trabalho.
No planejamento da ‘gestão do tempo’, os educadores/pedagogos podem organizar propostas de forma que seja possível aos sujeitos investirem determinada(s) hora(s) na realização de tarefas, mesmo que estas sejam horas destinadas ao trabalho, à produção. Formação e desenvolvimento precisam ser planejados de acordo com as características, as dificuldades e as necessidades demonstradas pelo aprendiz. É de extrema relevância ensinar estratégias de gerenciamento de tempo de forma a eliminar a perda de tempo e a ociosidade do sujeito envolvido na aprendizagem.
Para que alguém tenha maior controle sobre seus ‘desempenhos’ (trabalhos escritos, problemas de matemática e realização de testes), é preciso que desenvolva estratégias que ajudem a controlar ou a estimular seu comportamento, seus processos internos, regulados por um ciclo contínuo de automonitoramento. As intervenções desenvolvidas têm obtido bons resultados (ZIMMERMAN, 1994).
A auto-regulação do ‘ambiente físico e social’ refere-se aos processos utilizados pelos sujeitos para organizarem o contexto no qual decorre a aprendizagem, tirando o melhor partido dos recursos disponíveis: materiais e humanos. Pode-se resolver problemas de aprendizagem pela mediação de livros, revistas, vídeos, basta investir nessas estratégias.
No que concerne ao ambiente físico, os professores devem chamar a atenção dos sujeitos sobre as conseqüências para os que ficam distraídos durante a aprendizagem, precisam instruí-los sobre o modo de reorganizarem o local de trabalho e de como utilizarem todos os recursos disponíveis.
Quanto ao contexto social, é importante que o professor perceba seu papel de exemplo de forma a explicitar os processos de auto-regulação, cabe-lhe incentivar os aprendizes a seguirem exemplos de colegas com competências mais desenvolvidas para, desta forma, aprenderem a criar e criarem ambientes propícios à sua aprendizagem. É preciso também ensinar a construção de competências de ajuda instrumental (NEWMAN, 1980), de forma que promovam a realização de tarefas na busca da cooperação. Através do cuidado
destas dimensões, é possivel (re)construir as competências necessária à aprendizagem auto- regulatória.
Espaços escolares e não-escolares podem funcionar como locais privilegiados para estudo acompanhado, individual e em grupo. Neles, se pode oferecer apoio especializado de educadores, na perspectiva de fomentar a autonomia dos aprendentes na forma de livre acesso pela consulta de livros, fichas de exercícios, exemplares de provas, exames, propostas de trabalho e pela realização de investigações.
Para que a auto-regulação da aprendizagem tenha relevância nas propostas de trabalho, os temas tratados devem estar adequados às atividades, aos objetivos, às tarefas propostas. Para favorecer o envolvimento do aprendiz, podem ser elaboradas fichas (in)formativas e de controle que sirvam para o acompanhamento dos educadores e para utilizaçaõ pelos sujeitos que trabalham com ênfase na construção de competências.
Pela auto-regulação, o aprendiz é percebido como protagonista de sua aprendizagem. O papel do educador passa a ser o de intervir, considerando as hipóteses já construídas, para que o conhecimento avance. Neste contexto, evidencia-se a necessidade e a importância de ensinar/aprender para auto-regular a aprendizagem.
Morin (2000) salienta que é preciso reaprender a aprender. Para que exista a possibilidade de ensinar, o aprendiz deve aprender a utilizar estrategicamente recursos e a mobilizá-los em situações de aprendizagem, é o que indica que o educador seja capaz de aprender e, ao ensinar, reconheça-se como aprendiz, envolvendo-se no processo de aprendizagem auto-regulada. É importante que o educador/pedagogo tenha (re)aprendido a aprender, a reconhecer-se incompleto ao conhecimento, ter desejo de selecionar, elaborar, discutir, pesquisar, organizar, sistematizar informações e tomar decisões sobre o que deve aprender, como deve fazê-lo e em que situações e com que finalidade deve utilizar as estratégias de aprendizagem de que dispõe.
A capacidade para construir conhecimentos e usar informações pode ser melhorada a partir de diferentes estratégias, ou seja, se pode ensinar a pensar (GONZÁLES & TOURON, 1972; ALONSO TAPIA, 2002). A inteligência não é fenômeno estável e fixo como outrora considerado. Os psicólogos cognitivistas reconhecem que a inteligência é a capacidade para aprender (CHIPMAN & SEGAL, 1985), que opera através de uma série de habilidades, estratégias, operações e táticas, cuja construção precisa ser interativa.