V- KUR’AN-I KERİM’İN TÜRKÇE TERCÜMELERİ
8. Hz Davut Hakkındaki Haberler
Os primeiros elementos que compõem a teoria de Relações Públicas são organização e públicos. Nas visões de Dale e Michelon (1969), Parsons (1969), Katz e Kahn (1970), Etzioni (1980) e Chiavenato (1982), as organizações são percebidas como agrupamentos humanos que possuem propósitos específicos para atingir objetivos predeterminados. Assim sendo, as organizações, para Dale e Michelon (1969, p.53), são “a forma de toda associação humana que visa atingir um objetivo comum”, e complementam, afirmando serem elas unidades sociais intencionalmente construídas e reconstruídas. Katz e Kahn (1970) contribuem com tais pensamentos quando tratam a organização como um dispositivo social que cumpre, de maneira eficiente, por intermédio do grupo, alguma finalidade declarada.
Conforme Parsons (1969), a organização é estruturada por indivíduos ou grupos, formada por um sistema que reúne capital, trabalho, ações, normas e políticas. Simões (2001) acrescenta a essa estrutura sistemas de comunicação, informação, valores e processos decisórios. Chiavenato (1994) as conceitua como um empreendimento humano que promove a reunião e a integração de recursos não humanos e humanos que busca atingir objetivos comuns que satisfaçam necessidades individuais ou coletivas.
Nessa direção, têm-se os pressupostos teóricos de Bernardes (1993, p.23), quando afirma que organização é
[...] uma associação de pessoas caracterizada por ter a função de produzir bens, prestar serviços à sociedade e atender às necessidades de seus próprios participantes; por possuir uma estrutura formada por pessoas que se relacionam colaborando e dividindo o trabalho para transformar insumus em bens e serviços e, também, por ser perene no tempo.
Assim, as organizações são vistas como sendo de primeiro, segundo e terceiro setor (VOLTOLINI, 2004; MANZIONE, 2006; CHIAVENATO, 2007). De acordo com esse ponto de vista, o primeiro setor corresponde à área pública, composta pelo governo em suas três esferas, não visando ao lucro. O segundo setor corresponde à área privada, composta pelas empresas que visam ao lucro. O terceiro setor, por seu turno, corresponde às organizações da sociedade civil, às organizações não-governamentais, fundações, associações filantrópicas, entre outras, que não visam ao lucro e têm por objetivo gerar serviços de caráter público, voltado ao bem social.
De acordo com Srour (1998), as organizações são sistemas abertos. Thayer (1967) assevera que, além da organização ser um sistema aberto cujas partes estão relacionadas entre si e com seu ambiente, mostra-se de maneira interdependente. Isso porque todas as partes desse sistema afetam e são afetadas mutuamente – significa dizer, a mudança numa das partes afetará diretamente as demais.
Todos os sistemas organizacionais despendem algum esforço em controle e formação de consenso, afirma Etzioni (1980). Cada sistema possui sua estrutura e seus objetivos. Entretanto, esses objetivos necessitam ser vistos de forma compartilhada, buscando-se aproximação entre as partes que o compõem, a fim de que prevaleça a harmonia em lugar do conflito. Logo, como se depreende que uma organização inexiste isoladamente, convém que os indivíduos que a compõem estejam interligados para que exista a consecução dos seus objetivos. Em acréscimo, tem-se Chiavenato (2007), que observa que as organizações são originadas da necessidade humana primária de cooperação.
Relacionando organização com política, “as organizações são efetivamente um âmbito de atividade política sem que possuam objetivos por elas mesmas” (BURNS, 1973, p. 291). Trindade (1974) também entende a organização como sendo de âmbito político. Para o autor, existem relações políticas e sistemas políticos na medida em que existirem: luta de poder, tomada de decisão e processo de escolha. Endossa essa idéia a posição de Morgan (1995), que entende necessário encontrar formas para criar ordem e direção entre pessoas com interesses potencialmente diversos e iminentemente conflitantes. Conforme esse autor, a política em uma organização é mais claramente manifesta nos conflitos e nos jogos de poder. Logo, pode- se analisar a política organizacional de maneira sistemática, focalizando as relações em interesses, conflitos e poder.
Por sua vez, Yang e Grunig (2005) observam a sua compreensão de que o elemento- chave de uma organização não é somente um edifício ou um jogo da política e procedimentos. Aos olhares desses autores, as organizações são compostas fundamentalmente de pessoas e das suas relações com o outro. Uma organização existe quando indivíduos interagem para executar as funções essenciais que a ajudam a alcançar a missão organizacional. Contudo, como expõe Simões (2001), quando essa missão difere da dos objetivos dos membros que a compõem, pode resultar no desvio da rota do sistema. Em complemento, Chiavenato (2007) expõe que uma organização nunca é vista como uma unidade pronta e acabada, mas como um organismo fundamentalmente vivo e, por isso, sujeito continuamente a mudanças.
O segundo elemento que compõe inicialmente a teoria de Relações Públicas é o público. Conforme Childs (1964), por público se entende o conjunto de pessoas com interesses comuns à organização. Para o autor, público são pessoas, e não necessariamente grupo. Para Guth e Marsh (2000), por sua vez, público é o grupo de pessoas que se relaciona com uma organização. Andrade (2001) afirma que o público é composto tanto de indivíduos como de um grupo de indivíduos. A base da existência dos públicos é, para França (2003, p. 27), “a relação, a necessidade de troca de experiências entre as pessoas, de bens e serviços entre os grupos ou entre uma organização e os públicos dos quais ela depende para sua constituição”.
Por outro ângulo, Mills (1956) e Andrade (1994) vêem o público sem papel definido a desempenhar e com pouca ou nenhuma consciência da sua identidade, sendo formalmente organizado, politizado e independente das organizações. Andrade (1994) acrescenta que o público independe de contatos físicos com a organização, com que se relaciona direta ou indiretamente. Simões (1995), no entanto, mostra um ponto de vista diferente do de Mills e Andrade, ao afirmar que o público pode ser desorganizado ou organizado, alienado ou politizado, dependente ou independente da organização. Isso se dá dessa forma porque o interesse dos públicos pela organização, segundo Simões (1995), é elemento catalisador para a evolução da estrutura interna.
Um grupo intencional que se forma, mesmo por curto período, tendo em vista um objetivo comum: assim é como Poyares (1970) percebe o público. De acordo com o autor, esse agrupamento ou não de pessoas mostra-se racional, com senso crítico e com até mesmo emocionalidade. Andrade (1994) acresce que o público, elementar e espontâneo, apresenta como característica sua presença em debates e discussões com decisão ou opinião coletiva, geradores de controvérsia. Por ser produto dessa controvérsia, tem ainda em seu perfil ser amorfo e ter sua extensão e número modificados em conformidade com o modelo dessa controvérsia.
Além disso, o autor traz à tona que o público tem uma particularidade: o desacordo e a oposição. Logo, as ações conflitivas se fazem presentes, desde que, como salienta o autor, seus integrantes ajam por meio de discussões e interpretações. Com efeito, tem-se a predisposição do público a intensificar suas habilidades de crítica e reflexão. Por essa razão, é visto como racional, mantendo sua faculdade de crítica e autocontrole e agindo de maneira opinativa, podendo fazer concessões e compartilhar de experiências alheias.
Grunig e Hunt (1984) relatam que os indivíduos que compõem o público descobrem, no processo de relacionamento, possuir os mesmos problemas e planejam, assim, semelhantes comportamentos para tratá-los. Kunsch (1997) complementa que o público apresenta opiniões distintas, independentes do assunto, seja este tratado por meio da interação pessoal ou dos veículos de comunicação. Para Huang (2001), em contraposição, o público é dirigido, acionado por um ou mais motivos subjacentes, destacando-se, principalmente, a cooperação e a competição.
Em Lesly (1995, p. 37), verifica-se que o conceito de público de relacionamento de uma organização pode ser “um comitê de três pessoas [...] do mesmo modo os acionistas de uma firma; seus empregados; seus clientes; sua comunidade; da mesma maneira o poder legislativo, a nação inteira e o mundo”. Nesse sentido, de forma detalhada, apresenta-se uma listagem de públicos desenvolvida a partir dos aportes teóricos de Childs (1964), Canfield (1970), Penteado (1978), Andrade (1994) e Cutlip, Center e Broom (1999), que são: a diretoria e os funcionários de uma organização, os familiares desses diretores e funcionários, acionistas, fornecedores, revendedores, distribuidores, clientes, concorrentes, associações e entidades de classe, sindicatos, representantes da comunidade, mídia, governos, podendo ser ampliada essa listagem conforme a organização em análise. Destaca-se, contudo, que esse rol não segue uma teoria única ou análises geográfica, territorial ou sociológica, simplesmente identifica quem são os públicos que interagem direta ou indiretamente com a organização.
Colocando em evidência uma outra corrente de estudos, tem-se o público como sendo um agente de influência organizacional. Dessa opinião comungam autores como Mintzberg (1992), Simões (1995 e 2001), Ferrari (2003) e Phillips (2006). Para Mintzberg (1992, pp. 23- 24), públicos são agentes de influência, sendo “pessoas, conjuntos de pessoas, grupos e inclusive outras organizações [...] que buscam o controle das decisões e ações que toma a empresa”. Esses agentes de influência, segundo Simões (2001), desejam impor suas próprias decisões ou influenciar as decisões dos outros sobre recursos escassos.
Seguindo a mesma corrente, porém com nomenclatura distinta, tem-se o termo stakeholder, trabalhado inicialmente por Freeman (1984, p. 32). De acordo com esse autor, o conceito de stakeholder foi originalmente definido como “aqueles públicos de relevância tal que, sem o suporte deles, as organizações poderiam deixar de existir”. A lista de stakeholders incluía originalmente os acionistas, empregados, fornecedores, clientes, financiadores e a sociedade. A partir deste trabalho, alguns autores vêm contribuindo para o tema por meio de
estudos que buscam entender as organizações, enfocando não apenas o ponto de vista dos públicos, mas incluindo o conjunto entendido em stakeholders. Freeman (1984, p.24) sustenta que os stakeholders podem ser considerados “todas as partes interessadas nos rumos estratégicos da organização e que nela influem, ou são por elas influenciados, devendo, por isso, ser considerados nos processos de tomada de decisão”.
Essas definições tratam stakeholders por pessoas, grupos e empresas de interesse que se relacionam com a organização, afetando-a e sendo por ela afetados. Essa influência pode se dar de forma direta ou indireta, pelo desempenho da organização na busca de seus objetivos, em termos de produtos, políticas e processos operacionais. Como posicionamento teórico para esta tese, tem-se tanto público como stakeholder considerados como componentes da teoria de Relações Públicas.