3. KÜLTÜREL BAĞLAMDA ANLAM ve MEKAN’IN İRDELENMESİ
3.3. Çevre İnsan İlişkisi
3.3.1. Çevresel Psikoloji ve Mekan İlişkisi
3.3.1.1. Davranış
O processo de expansão urbana na direção de Nova Lima apresentou mudanças relevantes entre 1991 e 2000. Primeiramente, foi possível perceber que houve aumento superior a três vezes no número de emigrantes de data fixa qüinqüenais entre BH e Nova Lima, passando de 1.091, em 1991, para 3.325 pessoas, em 2000. A quantidade de emigrantes se distribuiu uniformemente entre os sexos; apenas em 1991, constatou-se predominância do sexo masculino (TAB.18).
Apesar de já existirem alguns condomínios na Região de Nova Lima desde a década de 70, o grande boom imobiliário é recente. Foi na década de 90 que se consolidou a ocupação desse tipo de empreendimento. Observa-se, hoje, uma tendência ao aumento da quantidade de emigrantes na próxima década uma vez que o número de condomínios e loteamentos vem aumentando cada vez mais na região.
Apesar de o número de emigrantes estar aumentando, percebe-se que Nova Lima ainda é responsável por uma pequena parte do fluxo migratório de toda a RMBH. Isso se deve ao fato de a expansão urbana para Nova Lima, do ponto de vista da migração intrametropolitana, ser recente, ao passo que o restante da RMBH já experimenta esse processo de expansão desde a década de 40 (TAB.17).
Tabela 18:
Emigrantes de data fixa de Belo Horizonte para municípios da RMBH de 1986/1991 e 1995/2000 - 1991 e 2000
MASCULINO FEMININO TOTAL MASCULINO FEMININO TOTAL
RRMBH 98,99 99,20 99,10 97,59 97,69 97,64
NOVA LIMA 1,01 0,80 0,90 2,41 2,31 2,36
TOTAL 59.240 61.472 120.712 69.253 71.706 140.959
Fonte: IBGE, Censos Demográficos de 1991 e 2000
VETORES 1991 2000
Entre os migrantes de Belo Horizonte para Nova Lima, 1986/91, pôde-se verificar que a maioria eram pessoas entre 20 e 40 anos. Havia, provavelmente, predominância de jovens casais que se mudaram para o município de Nova Lima acompanhados dos filhos. A grande proporção de mulheres de 20 a 29 anos e de homens de 30 a 39 anos, em 1991 pode ser explicada pelo fato de, em geral, as esposas serem mais jovens que os maridos. A quantidade de pessoas com mais de 60 anos de idade era pequena; desses, a proporção de mulheres era ligeiramente maior que a de homens (GRAF.5).
Gráfico 5:
Estrutura Etária dos emigrantes data fixa de BH para Nova Lima de 1986/91 e 1995/2000 - 1991 e 2000 1991 -20,000 -16,000 -12,000 -8,000 -4,000 0,000 4,000 8,000 12,000 16,000 20,000 0 a 4 5 a 9 10 a 19 20 a 29 30 a 39 40 a 49 50 a 59 60 e mais Homens Mulheres 2000 -20,000 -16,000 -12,000 -8,000 -4,000 0,000 4,000 8,000 12,000 16,000 20,000 0 a 4 5 a 9 10 a 19 20 a 29 30 a 39 40 a 49 50 a 59 60 e mais Homens Mulheres
Em 2000, verificou-se que a distribuição etária dos emigrantes era mais heterogênea; havia emigrantes praticamente de todas as faixas etárias e maior concentração de homens e mulheres nas faixas etárias de 30 a 39 anos. É interessante observar que, nesse período, uma proporção maior de homens de 60 anos e mais se mudara para Nova Lima, o que leva a pensar em outra hipótese - os homens se aposentavam e iam para esse município acompanhados da família, com o intuito de fugir da correria e tumulto da cidade grande. Ao comparar esses dados com os de 1991, verifica-se que houve, ainda, aumento na proporção de crianças de 5 a 9 anos e de mulheres de 10 a 19 anos (GRAF.5).
Com relação à escolaridade dos emigrantes data fixa 1986/91 e 1995/2000, verificou-se que, nos dois períodos analisados, os emigrantes de Belo Horizonte para Nova Lima apresentaram, em média, nível educacional superior ao dos que foram para os outros municípios metropolitanos.
Em 1991, foi possível observar que, entre os emigrantes que se deslocaram para Nova Lima, havia uma certa bipolaridade. Cerca de 30,5% tinha até 4 anos de estudo e 33,7%, mais do que doze anos de estudo. No ano de 2000, foi possível perceber um melhor nível educacional dos emigrantes oriundos de BH. De maneira geral, notou-se que houve, por um lado, redução de 77% na proporção de pessoas com primário completo e, por outro lado, aumento de 67% no número de emigrantes com mais de 12 anos de estudo, resultando, assim, aumento no nível de escolaridade das pessoas que realizavam esse movimento (TAB.19).
Tabela 19:
Belo Horizonte - Anos de estudo dos emigrantes de data fixa de 1986/1991 e 1995/2000, de 20 anos e mais de idade na data do Censo, para Nova Lima e para outros municípios da
RMBH - 1991 e 2000
RRMBH NOVA LIMA RRMBH NOVA LIMA
Sem instrução e menos de 1 ano 9,21 8,42 5,48 1,26
1 a 4 42,75 22,07 31,23 13,87 5 a 8 27,58 13,90 34,57 10,93 9 a 11 16,43 21,94 23,27 17,70 12 a 16 3,52 32,40 4,38 47,51 17 anos ou mais 0,52 1,28 1,07 8,73 Total 76.494 784 95.479 2.452
Fonte: IBGE, Censos Demográficos de 1991 e 2000
2000 1991
ANOS DE ESTUDO
Com relação às pessoas que saíram de BH e foram para os outros municípios da RMBH, verificou-se que, em 1991, a maioria possuía apenas o ensino fundamental
importante ressaltar que, apesar da alta proporção de indivíduos com apenas escolaridade baixa, houve diminuição na proporção de pessoas sem instrução e menos de um ano e de 1 a 4 anos de estudo. Tal diminuição ocorreu simultaneamente ao aumento de pessoas nos grupos de anos de estudo mais elevados (35%), indicando que o nível de escolaridade dos outros municípios também apresentara melhora na década (TAB.19).
Quanto ao rendimento médio mensal, em salários-mínimos, da ocupação principal dos emigrantes para Nova Lima e RRMBH, foi bastante diferente nos dois períodos analisados. Novamente foi possível encontrar emigrantes para o município de Nova Lima com nível médio de rendimento superior aos emigrantes para os outros municípios metropolitanos.
Assim, em 1991, a distribuição dos emigrantes, data fixa 1986/91, por rendimento da ocupação principal, para Nova Lima era bastante variada. Constatou-se alta proporção de pessoas recebendo um salário-mínimo (34,59%), e proporção relevante recebendo mais do que dez salários-mínimos (24,74%). Entre os emigrantes que foram para o restante da RMBH, pôde-se verificar que mais da metade recebia até dois salários-mínimos (61,7%), e apenas 3,4% recebia mensalmente mais de dez salários-mínimos.
Tabela 20:
Belo Horizonte - Distribuição, segundo o rendimento mensal em salários mínimos, dos emigrantes de data fixa de 1986/1991 e 1995/2000, ocupados, de 10 anos e mais na data do
Censo, Nova Lima e RRMBH - 1991 e 2000
RRMBH NOVA LIMA RRMBH NOVA LIMA até 1 32,73 34,59 14,36 2,51 1 a 2 29,00 11,76 34,35 13,98 2 a 3 14,95 6,86 16,16 9,95 3 a 5 12,24 12,32 17,87 7,96 5 a 10 7,71 9,66 12,47 17,07 10 a 15 1,87 9,94 2,49 17,54 15 a 20 0,61 4,90 1,02 8,85 20 e mais 0,89 9,94 1,29 22,15 Total 58.024 714 61.174 1.910
Fonte: IBGE, Censos Demográficos de 1991 e 2000
FAIXA DE RENDIMENTO
1991 2000
Por outro lado, ao comparar os dados de 2000 com os de 1991, percebe-se que houve grande melhora no rendimento dos emigrantes oriundos de Belo Horizonte. Já, entre os emigrantes para Nova Lima, houve redução na proporção de pessoas recebendo até dois salários, acompanhada pelo aumento de 96% na proporção com remuneração de mais de dez salários-mínimos. Com relação aos emigrantes para os outros municípios, também foi
possível verificar aumento no nível de renda, uma vez que houve redução na quantidade de pessoas recebendo até dois salários e acréscimo na proporção recebendo mais de dez salários (TAB.20).
Para complementar a análise sobre o rendimento dos emigrantes, é importante verificar as diferenças de remuneração existentes entre os sexos. Contudo, entre os emigrantes para Nova Lima, em 1991, não havia grandes diferenças entre os sexos, mas, ainda assim, havia uma proporção maior de mulheres recebendo mais do que dez salários- mínimos. Por outro lado, em 2000, percebe-se um melhor nível de rendimento entre os homens, em conseqüência, principalmente, da alta proporção de pessoas recebendo mais de vinte salários-mínimos (GRAF.6).
Gráfico 6:
Belo Horizonte - Distribuição, segundo o rendimento mensal em salários mínimos, dos emigrantes de data fixa de 1986/1991, ocupados, de 10 anos e mais na data do Censo,
Nova Lima e RRMBH - 1991 RRMBH 0,00 10,00 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 até 1 1 a 2 2 a 3 3 a 5 5 a 10 10 a 15 15 a 20 20 e mais % Masculino Feminino Nova Lima 0 10 20 30 40 50 60 até 1 1 a 2 2 a 3 3 a 5 5 a 10 10 a 15 15 a 20 20 e mais % Masculino Feminino
Fonte: IBGE, Censo Demográfico de 1991
Já nos municípios do RRMBH, percebe-se que, em 1991, a maior diferença está na proporção de mulheres recebendo até um salário-mínimo, que é maior do que a dos homens. Em 2000, é possível verificar que a estrutura da distribuição de rendimentos é semelhante e a diferença está no nível, com os emigrantes do sexo masculino recebendo salários mais altos do que os do sexo feminino. Dessa forma, nota-se que, tanto entre os emigrantes que se deslocaram para Nova Lima quanto entre os que foram para outros
municípios metropolitanos, o nível de renda é maior para os homens, corroborando a hipótese de desigualdade entre os sexos (GRAF.7).
Gráfico 7:
Belo Horizonte - Distribuição, segundo o rendimento mensal em salários mínimos, dos emigrantes de data fixa de 1995/2000, ocupados, de 10 anos e mais na data do Censo,
Nova Lima e RRMBH - 2000 RRMBH 0 10 20 30 40 50 60 até 1 1 a 2 2 a 3 3 a 5 5 a 10 10 a 15 15 a 20 20 e mais % Masculino Feminino Nova Lima 0 10 20 30 40 50 60 até 1 1 a 2 2 a 3 3 a 5 5 a 10 10 a 15 15 a 20 20 e mais % Masculino Feminino
Fonte: IBGE, Censo Demográfico de 2000
Afinal, a análise dos rendimentos médio e mediano das pessoas que mudaram para as regiões em estudo é a melhor maneira de se verificar se Nova Lima realmente recebia maior proporção de pessoas com nível de rendimento mais elevado. Por conseguinte, os emigrantes de dez anos e mais de idade, ocupados, que foram de BH para Nova Lima recebiam, em média, 8,13 salários-mínimos mensais, em 1991, e 12,45, em 2000. Nos dois anos analisados, a média de Nova Lima estava bem acima da média metropolitana, que era 2,7, em 1991, e 3,79, em 2000, destacando-se que os emigrantes, em boa parte, para Nova Lima tem, realmente, um maior nível de renda (TAB.21).
Aliás, o rendimento mediano é um bom indicador da desigualdade social existente na distribuição dos rendimentos dos emigrantes intrametropolitanos, tanto dos que têm como destino o município de Nova Lima, ou outros municípios da RMBH. Tanto em 1991, quanto em 2000, os emigrantes de BH para Nova Lima apresentaram o maior rendimento mediano, 3,86 e 9,57, ou seja, no primeiro período a metade dos migrantes recebia menos de 3,86 salários-mínimos e, no segundo período, menos de 9,57. Com relação aos emigrantes para os outros municípios metropolitanos, verificou-se que o rendimento mediano era muito inferior, apenas 1,60, em 1991, e 2,15, em 2000. Conclui-se, então, que
houve, entre 1991 e 2000, aumento do rendimento dos emigrantes para Nova Lima oriundos de BH, bem maior do que o sucedido com os demais emigrantes metropolitanos.
Com relação à situação das emigrantes era pior que a dos homens, principalmente no RRMBH, onde a renda mediana das que emigraram era de 1,09 salários-mínimos. Em 2000, houve aumento no rendimento mediano das mulheres que foram para o RRMBH e Nova Lima, respectivamente. Ainda assim, o rendimento mediano delas era inferior ao dos homens. Deve-se observar que, mesmo não havendo diferença expressiva no nível de escolaridade entre os sexos, o salário da mulher continuava sendo inferior, indício, certamente, da discriminação em relação ao trabalho exercido por pessoas do sexo feminino.
Tabela 21:
Rendimento mensal médio e mediano, em salários mínimos, dos emigrantes de 10 anos e mais, na data do Censo, ocupados, que saíram de Belo Horizonte para os municípios do
RRMBH e de Nova Lima - 1991 e 2000
MASCULINO FEMININO TOTAL MASCULINO FEMININO TOTAL
RRMBH 3,14 1,74 2,65 4,10 2,57 3,52 NOVA LIMA 9,26 6,15 8,13 15,05 8,81 12,45 TOTAL 3,20 1,78 2,71 4,41 2,78 3,79 RRMBH 1,87 1,09 1,60 2,61 1,67 2,09 NOVA LIMA 4,53 1,97 3,86 12,31 6,45 9,57 TOTAL 1,87 1,08 1,60 2,66 1,69 2,15
Fonte: IBGE, Censos Demográficos de 1991 e 2000
RENDIMENTO MÉDIO
RENDIMENTO MEDIANO
VETORES 1991 2000
Verificou-se, ainda, que, entre os emigrantes para Nova Lima e para o RRMBH, tanto entre os homens, quanto entre as mulheres, havia grande diferença entre o valor dos rendimentos médio e mediano. O rendimento mediano era menor do que o rendimento médio, indicando concentração na distribuição dos rendimentos. Essa concentração se dava, de diferentes maneiras, entre os emigrantes para Nova Lima e para o RRMBH. Por exemplo: como o rendimento mediano dos emigrantes para Nova Lima era alto, havia concentração de rendimentos mais elevados. Ao contrário, os emigrantes para o restante da RMBH possuíam renda mediana baixa, daí a renda concentrava-se em níveis mais baixos.
Essa análise corrobora a teoria referente à expansão urbana em termos de desigualdade em uma organização (LOJKINE, 1981), reflexo da desigualdade entre os habitantes. Nesse sentido, a emigração de BH para Nova Lima e para os outros municípios da RM aponta nessa direção, pois as características desses emigrantes eram marcadamente
rendimento. Os emigrantes para Nova Lima apresentavam, em média, melhor nível de escolaridade e rendimentos.
A propósito, é interessante observar que as características dos emigrantes de BH para Nova Lima, data fixa, 1995/2000, melhoraram em relação àqueles, data fixa, 1986/1991. Havia, em 2000, uma proporção consideravelmente maior de migrantes com mais de 12 anos de estudo e com rendimento mais altos do que os emigrantes para o RRMBH. Além do aumento da emigração de BH para Nova Lima, verificou-se alteração no perfil dos emigrantes e uma proporção ainda maior de pessoas com maior nível de escolaridade e rendimento.
Com isso, essas diferenças evidenciam o processo de segregação social existente. Nesse processo, o espaço atua como mecanismo de exclusão a partir da diferença entre os preços do solo. A segregação implica, no caso, delimitação de espaço destinado às camadas sociais médias e mais altas, ou melhor, espaços de moradia para os privilegiados em Nova Lima.
Ora, sabe-se que o preço do solo é regulado pelo mercado imobiliário, que pode ser considerado um agente da segregação social, já que, como salienta CARDOSO (2000a), os agentes imobiliários adotam comportamento especulativo, esperando a valorização da terra, para, então, vendê-la por um preço mais alto. Com isso, o preço do solo torna-se uma ferramenta de seletividade migratória intrametropolitana.
Cotejando as informações a respeito das características dos emigrantes com a teoria da seletividade migratória (MARTINE, 1980), verifica-se que boa parte das pessoas que se mudam para Nova Lima, o fazem por fatores positivos ou de atração, pois possuem melhores níveis de escolaridade e rendimento. Por outro lado, grande parte dos que se transferem para outros municípios metropolitanos, o fazem por fatores negativos ou de expulsão, constituindo-se uma população menos qualificada, com menor nível de renda.
Vale ressaltar ainda, que, apesar do alto nível de renda e escolaridade de parte considerável dos emigrantes para Nova Lima, uma parcela importante deles apresenta níveis de escolaridade e renda baixos. Com isso, o processo de expansão demográfica de Nova Lima está longe de ser socialmente homogêneo (MENDONÇA, 2004).
Apesar da heterogeneidade, há de se observar que se comparado aos outros municípios do RRMBH, tem mudado para Nova Lima uma crescente proporção de pessoas com melhores condições econômicas e sociais. Isso demonstra uma possível concentração de pessoas da camada social mais privilegiada na Região Sul da RMBH.
5.2. Perfil socioeconômico dos indivíduos que realizam o Movimento pendular