4.3. TAŞIYICININ SORUMLU OLDUĞU HALLERE İLİŞKİN
4.3.1. Davanın Tarafları
Neste apartado, recolhem-se os aspectos que resultaram de importância para explicar os câmbios nos detentores do domínio das águas brasileiras.
As primeiras referências legislativas da época do Brasil colonial, recolhidas nas Ordenações do Reino (II, 1603), consideravam os rios navegáveis enquadrados dentro das propriedades reais, mas dos rios não navegáveis não se dispunham nada. Assim, Título XXVI Dos Direitos Reais, Secção 8: “os rios navegáveis e os que possíveis de fazer navegáveis, caudalosos, que corram todo o tempo. [...] a propriedade deles fica no Patrimônio Real”.
Neste sentido, a propriedade dos grandes rios é interpretada como uma propriedade particular dos monarcas.
Tendo em vista que contra a prerrogativa da pertença aos Direitos Reais desse tipo de rios havia constantes reações. Em 1804, a Coroa Portuguesa promulgou um “Alvará de 27 de novembro de 1804”, que consagrou a situação de fato existente, no sentido da livre derivação das águas dos rios e ribeiros, que podiam ser feitas por particulares, por canais ou levadas, em benefício da agricultura e da indústria. Com fundamento neste ato, podia-se adquirir o direito ao uso das águas pela pré-ocupação (POMPEU, 2006). Este fato indica que cada vez era menos presente a propriedade privada das águas.
Posteriormente, a Constituição do Império, em 1824, não tratou diretamente o tema das águas, mas assegurava o direito de propriedade total, incluindo a do subsolo e, portanto, a dos mananciais que nele existissem, porém, também era previsto que o patrimônio particular poderia ser desapropriado mediante prévia indenização quando o poder público julgasse necessária a utilização dos recursos nessa propriedade. Com a proclamação da República, a constituição republicana de 1891 não orientou sobre a propriedade das águas (STOLL; SANTOS, 2016).
conseguiu que o Código Civil de 1916 tratasse a dominialidade das águas como resposta a um uso crescente do recurso. Assim, as águas são consideradas bens públicos de uso comum do povo, sendo de uso livre ou por pago estabelecido pelo Poder Público (BENJAMÍN; MARQUES; TINKER, 2005).
A Constituição Republicana de 1934 declarou, pela primeira vez, o domínio da União, dos Estados, dos municípios e particulares (POMPEU, 2010).
Para permitir o controle e a estimulação da exploração industrial da água pelo Poder Público, passou a ser importante esclarecer a propriedade dos recursos hídricos e reduzir o poder dos proprietários privados, inclusive estabelecendo regras para o uso da água (BENJAMÍN; MARQUES; TINKER, 2005). Por isso, no Código de Águas de 1934 (1934), os recursos hídricos foram classificados como: águas públicas tratadas no Capítulo 1, águas comuns e águas particulares, abordadas nos Capítulos 2 e 3 respetivamente. Ademais, o Código repartiu as águas públicas entre a União, os estados federados e os municípios, matéria a que dedicou o Título II.
A Constituições de 1937, de 1946 e 1967 mantiveram as atribuições sobre a dominialidade da União e, relativo à dominialidade dos Estados, incluíram pequenas modificações (CAMPOS, 2003c).
A constituição Federal (1988) proporciona maior importância aos recursos hídricos. Na CF, do mesmo jeito que na Política Nacional de Recursos Hídricos, todas as águas brasileiras são consideradas públicas. O reparto da propriedade, vigente na atualidade, foi estabelecido nesta Constituição.
5.1.2 Reparto da titularidade das águas superficiais na atualidade
Como mencionado no apartado anterior, a Constituição Federal (1988) estabeleceu o reparto da propriedade vigente na atualidade. Nesta é estabelecido que:
• São domínio da União (C.F. Art. 20, III) os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais;
• São propriedade dos Estados (C.F. Art. 26, I) as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, ressalvadas, neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União.
qualquer recurso hídrico, embora se reconheça a eles um importante papel na gestão desses bens (FRANÇA, 2008).
Como indicam Porto e Porto ( 2008), deve ser ressaltado que a dominialidade está definida sobre os corpos hídricos e não sobre a bacia hidrográfica. Com esta classificação dada pela Constituição, as grandes bacias hidrográficas conterão rios de propriedade da União e rios de propriedade de algum Estado. Existindo uma propriedade que pode dificultar o gerenciamento dessas grandes bacias (BENJAMÍN; MARQUES; TINKER, 2005).
Assim, continuam Porto e Porto ( 2008), exige-se, de fato, o exercício do princípio federativo, de atribuições e competências dos três entes federativos (União, Estados e municípios), visando à gestão compartilhada do bem de uso comum, a água. Dada a gestão compartilhada da água e o interesse público envolvido na questão, adiciona-se (FRANÇA, 2008) a Lei das Águas, Lei nº 9.433/1997, que estabelece que as águas no Brasil sejam administradas a partir das Bacias Hidrográficas pelos respectivos Comitês de Bacia. Esses comitês são formados, segundo o Art. 39, por representantes da União (I), dos Estados e do Distrito Federal cujos territórios se situem, ainda que parcialmente, em suas respectivas áreas de atuação (II); dos Municípios situados, no todo ou em parte, em sua área de atuação (III); dos usuários das águas de sua área de atuação (IV); das entidades civis.
5.1.3 Dominialidade das águas subterrâneas
A respeito das águas subterrâneas, Neto (2008) afirma que a Constituição Federal foi omissa em estabelecer a quem pertencem as águas subterrâneas que se estendem para mais de um dos Estados. Em razão disso, tramita no Congresso Brasileiro uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC117) que visa alterar as redações do inciso I do art. 26 CF e inciso III do art. 20 CF para que a partir de então possam vigorar com os seguintes textos:
Art. 20. São bens da União Federal: [...] III – os lagos, rios e quaisquer correntes de águas, superficiais ou subterrâneas, inclusive os aquíferos, em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais.
Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados: I – as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, circunscrita ao seu território, ressalvadas, neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União.
5.2 NA ESPANHA