III. HUKUK İLE KURULAN YENİ İLİŞKİLENME: DAVA TAKİPLERİ
3.2 Dava Takiplerini Ortaya Çıkaran Siyasi ve Toplumsal Dinamikler
Conhecida e reconhecida como produtora de atividades de ensino, pesquisa e extensão, a missão da Universidade tem sido apresentada de diversas formas através dos tempos. Atualmente amplia sua abrangência para incluir os cenários político, econômico, cultural e social em sua transmissão e produção de conhecimento. A preocupação em integrar dinamicamente as atividades de ensino, pesquisa e extensão tem sido cada vez mais enfatizada nos discursos vigentes. No entanto, o grande propósito de servir à sociedade se
confunde com a face instrumental e capitalista e essa polêmica tem sido levantada a partir da proliferação de universidades privadas observada nos últimos anos. Buscando conhecer a percepção dos docentes sobre esse tema, observou-se que não há consenso sobre o discurso da missão universitária. A resposta a seguir veio de um respondente do grupo A:
Ainda tenho uma clara opinião a respeito da universidade. Eu creio que a universidade no nível nacional está um pouco dando as costas à realidade (…) cada um dos programas (…) não considera no desenho do currículo (…) a realidade que será apresentada aos alunos. É certo que há um contexto universitário globalizado (…) há que formar profissionais para o mundo, mas também há que considerar a nossa realidade. .. Não o está fazendo o governo, não o está fazendo o campo empresarial porque há uma certa correlação entre os três entes ...
Observa-se a interdiscursividade na conjugação da realidade externa e macro discursos, evidenciados pelo uso da terceira pessoa, e a realidade interna ou discurso em nível micro, indicados no uso da primeira pessoa. Além disso, a contradição mostrada nos elementos textuais sublinhados e em itálico sustentam ainda mais essa convivência interdiscursiva, que leva à percepção de que o processo de construção de significados inerente à constituição e internalização das instituições foi feito de forma periférica. Observa-se a presença de duas forças institucionais, uma coerente com o grupo ao qual pertence o respondente; e outra ajustada às suas próprias reflexões e questionamentos da validade dessas instituições. Nesse sentido, pode-se afirmar que o indivíduo passa por um processo de ressignificação, distanciando-se um pouco da definição de habitus de Berger & Luckmann (1976), implicando que o próprio grupo não se apresenta totalmente institucionalizado. Talvez pelas próprias
características do grupo, que possui um sentido crítico mais apurado e conhecimento mais profundo sobre a temática, esse fato ocorra.
O respondente a seguir foi classificado dentro do grupo B, explicitado anteriormente: “bom, o que vemos é… digamos que … há umas universidades que buscaram ou estão buscando.. eeeee... muitas dos .. digamos... vínculos do que está se passando com a globalização, a educação virtual, não?, educação semi-presencial, que vemos creio que está se incidindo... (…) em muitas universidades. Nossas universidades não escapam mais desta alternativa, atualmente nos encontramos já dentro de um processo de educação virtual, temos inclusive um convênio com uma universidade de Espanha que vamos trabalhar com esta temática, não?, inclusive viajamos para Espanha, eee não?, para tratar de expor a experiência de educação semi presencial que tem a faculdade e de alguma maneira como um referente ao processo de educação que tem havido... mas não somente em nossa universidade, como também em outras universidades do país. Hoje em dia encontramos mestrado da Universidade de Lima que está se dando em Chiclayo24, ou seja, estão dando de forma virtual... não somente em nosso Peru, mas também em nível internacional”.
Nesse momento há intervenção do entrevistador, que refez a pergunta para buscar objetividade na resposta e o resultado foi o que se segue:
“hummmm, salvo em casos isolados, eu creio que não, ou seja, muito pouco se avançou … nas universidades públicas muitas delas …estão vivendo processos de reajuste, de se isolar, de se esconder, de grupos que desejam tomar poder… eu creio que aí não avançamos muito”.
Com relação à fala da representante do grupo B, observa-se um discurso reticente, indicando muitos momentos de ressignificações. Essa afirmação se sustenta nos silêncios que estão simbolizados pelas reticências, pelas palavras que usa como apoio para seguir sua fala (ou seja, digamos, não?, eee). As ressignificações podem evidenciar a presença de outros discursos não tão claros ou compartilhados. O sujeito se sente mais confortável quando migra para sua realidade já conhecida e sua experiência. Quando o tom de voz fica mais seguro, evidencia o discurso predominante.
Mais uma vez a institucionalização não é tão forte e não caracteriza o habitus de Berger & Luckmann (1976). As interações produzidas pelos grupos e discussões que são disseminadas no meio acadêmico poderiam ser as responsáveis pelos processos de desinstitucionalização. A dimensão relacional seria responsável pelo processo de objetivação e internalização dos novos questionamentos, uma vez que a busca por legitimidade leva o grupo a uma certa homogeneidade.
Pode-se notar, ainda, que o sujeito entrevistado está totalmente envolvido no projeto que toma como exemplo, utilizando a primeira pessoa do plural para relatá-lo. A tendência a particularizar pode sinalizar uma ausência do discurso institucionalizado e depois retorna para o discurso que pensa ser o correto para o seu grupo de referência. Percebe-se uma construção discursiva de certa forma dialética, de idas e vindas, com contradições, em que o silêncio fundador se faz presente não só nos momentos de pausa, mas também nas ambigüidades e recursividades da fala.
O próximo respondente apresentou características do grupo C e nesta pergunta mostrou tendência a particularizar para sua universidade.
Depois de uma intervenção do entrevistador, respondeu: "… à parte de … de formadores e produtores de trabalho e de investigação científica… há … creio que aspectos de contribuição em desenvolvimento social … e científico, não?"
Também este respondente do grupo C: “Formativa, diria eu, basicamente, o desafio da universidade no mundo é formação”.
A primeira fala de C está impregnada de insegurança e busca apoio no entrevistador (as reticências, a brevidade da resposta, o uso de palavras que denotam a pouca familiaridade ou reflexão com o tema – não? Creio...). O discurso global e a discussão sobre missão organizacional tangenciam a realidade do grupo C e, na segunda fala observa-se tendência à instrumentalização apenas do ensino superior. Talvez indique a predominância do discurso particular sobre o geral, ou seja, o discurso tecnicista presente na realidade micro organizacional está mais compartilhado pelos seus membros do que o discurso institucional tradicional da missão universitária. A tendência a valorizar a dimensão técnica parece se institucionalizar graças à busca e reafirmação da legitimidade por meio dos grupos, conforme sustenta Alves (2002).