Além desta introdução, esta tese possui mais sete capítulos. O segundo capítulo descreve os marcos metodológicos da pesquisa, destacando os caminhos percorridos desde o momento inicial até a definição do seu problema e, a partir dali, até o momento “final”. Deixamos a palavra final entre aspas porque – como o estudo teve por unidade de análise uma política pública que ainda tem produzido frutos e poderá se desdobrar em outras ações –, consideramos este um trabalho não de todo acabado. Devemos salientar que o segundo capítulo foi estruturado de modo a evidenciar a perspectiva epistemológica que orientou o estudo, trazendo informações sobre as estratégias e técnicas de pesquisa utilizadas para a sua condução.
O Programa de Promoção da Igualdade de Oportunidade para Todos é introduzido no terceiro capítulo, parte em que tratamos dos fatores que favoreceram sua concepção. Nesse capítulo, grande atenção é dada à trajetória do Movimento Negro, a partir de 1979 até novembro de 2003, mês em que o Instituto de Advocacia Racial e Ambiental, juntamente com a Federação Nacional de Advogados, apresentou representações às 28 unidades do Ministério Público do Trabalho, denunciando as desigualdades raciais no mercado de trabalho. Em seguida oferecemos um panorama do formato do Programa, conforme concebido. O capítulo é encerrado ao apresentar o sistema Ministério Público no Brasil, o lugar do MPT em tal sistema, e a evolução histórica do Ministério Público, ressaltando o importante papel que esta instituição ocupa no País no período pós Constituição Federal de 1988.
O quarto capítulo trata da primeira etapa da implantação do Programa. Busca reconstituir como se deu a intervenção do MPT nas empresas em cada fase da implementação. Além disso, evidencia os argumentos mobilizados para levá-las a assinar o Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta (TAC), diante do qual se comprometeriam em implantar ações afirmativas que favorecessem a admissão de pessoas negras e daquelas com mais de quarenta
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anos, uma vez que, ao final dos procedimentos investigatórios, o grupo emergiu como vulnerável nos processos de contratação adotados pelos bancos investigados. Trata em seguida das ações civis públicas impetradas, pelo MPT, contra as organizações bancárias e dos argumentos mobilizados para convencimentos dos magistrados. O capítulo é encerrado ao apresentar a reação das bancas de defesa das organizações bancárias ante as acusações do MPT, bem como a do Judiciário Trabalhista e suas resistências à ação afirmativa em favor dos negros, demonstrando os argumentos mobilizados para tal. Os capítulos terceiro e quarto podem ser vistos como um relatório da primeira etapa da pesquisa, como definido no capítulo metodológico.
No capítulo quinto, apresentamos acontecimentos que, a nosso ver, contribuíram de modo significativo para que se desse início ao que nesta tese chamamos de segunda fase de implantação do PPIOT, que consistiu na adoção, pelas empresas, de práticas que favorecessem a admissão de profissionais negros. O capítulo traz também informações acerca do Programa Febraban de Valorização da Diversidade, implantado pela instituição em função do PPIOT. Em seguida, há uma análise da relação que as organizações bancárias mantiveram/mantêm com a Faculdade Zumbi dos Palmares, inclusive com evidências quantitativas sobre a intensificação da procura por estagiários/profissionais negros junto àquela organização em determinado momento da intervenção do MPT. O capítulo é finalizado relatando como se deu a implantação do programa de diversidade racial em um banco específico, assim como a percepção de profissionais negros sobre a sustentabilidade desses programas. O capítulo trará informações que possibilitarão responder as duas primeiras perguntas de pesquisa e evidências que, somadas àquelas dos dois capítulos seguintes, ajudarão a responder a terceira e a quarta perguntas de pesquisa.
Dado que em resposta ao PPIOT, a Febraban desenvolveu um programa de valorização da diversidade, o capítulo sexto traz uma revisão da literatura nacional sobre a gestão da diversidade. O objetivo foi examinar o sentido que pesquisadores e gestores no País atribuem à gestão da diversidade. Esta informação contribuirá para responder a terceira e quarta perguntas de pesquisa desta tese. O capítulo não termina ali, trazendo também uma revisão da literatura estrangeira sobre o tema, com o objetivo de analisar o que tem sido produzido no exterior sobre a gestão da diversidade, para que possamos contribuir com a literatura acadêmica produzida no País sobre o tema.
A revisão da literatura estrangeira sobre a gestão da diversidade demonstrará que a problemática da desigualdade e da discriminação em contextos de trabalho se faz muito presente
naqueles estudos e que as reflexões neles introduzidas permitem um rico diálogo com a experiência brasileira. Temas como o papel do Estado e dos gestores de recursos humanos nos processos de implantação de programas de ação afirmativa ou gestão da diversidade podem trazer muitos insights para a formatação de políticas que visem à promoção da igualdade racial no mercado de trabalho brasileiro e, por conseguinte, no próprio País. Uma vez que o objetivo primeiro do PPIOT foi a superação das desigualdades no mercado de trabalho, introduzimos no sétimo capítulo uma discussão sobre a teoria de desigualdade categórica durável do sociólogo Charles Tilly. Ao tratar dos mecanismos organizacionais pelos quais operam as desigualdades categóricas duráveis, esta teoria nos permitirá apontar possíveis respostas para as duas últimas perguntas desta pesquisa, que questionam a sustentabilidade do Programa Febraban de Valorização da Diversidade e sua capacidade de reduzir desigualdades raciais mercado de trabalho. Ao apresentar a teoria de Tilly, exemplificaremos seus conceitos mais complexos com fragmentos das evidências apresentadas nos capítulos anteriores, o que nos encaminhará para a conclusão desta tese, apresentada no oitavo capítulo.