Kentsel Altyapı
22-D DOĞRUDAN TEMİN USULÜ İLE GERÇEKLEŞTİRİLEN PROJELER
Meu trabalho de doutoramento22 se configura em uma pesquisa com foco no
campo da Linguística Aplicada pela perspectiva de estudos sobre o ensino e a aprendizagem de línguas, utilizando-me dos escopos teórico-metodológicos da teoria discursiva (AUTHIER-REVUZ, 1998, 2004; PÊCHEUX, [1975]/2009, [1983]/2010, [1988]/2012; PÊCHEUX; FUCHS, [1975]/2010) com enviesamento da perspectiva da psicanálise (FREUD, [1899]/1996, [1914]/1996, [1915]/1996, [1920]/1996, [1937- 1939]/1996; LACAN, [1953-1954]/1986, [1954-1955]/1985, e outros) e da perspectiva
discursivo-desconstrutivista (CORACINI; BERTOLDO, 2003; DERRIDA,
[1972]/2005). Desenvolvo a pesquisa nos moldes de um estudo de base qualitativa e interpretativa.
Para o trabalho de tessitura, apoio-me nos dizeres das linguistas aplicadas Maralice Neves e Marilene Oliveira (2015, p. 268): além de utilizar-me de conceitos da
22 Esta pesquisa de doutorado faz parte de um projeto maior organizado por minha orientadora, a Profa.
Dra. Maralice de Souza Neves, cuja aprovação na Comissão de Ética na Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (COEP/UFMG) se dá sob o código CAAE nº 33675214300005149.
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psicanálise, utilizo-me de procedimentos informados pela teoria discursiva. Para tanto, para proceder aos gestos de interpretação do corpus, utilizo-me de marcas enunciativas como os risos, as ênfases, a entonação, os lapsos, os vários tipos de pronomes e de advérbios, as repetições de itens lexicais e vários outros conectores que estabelecem relações de implicação, oposição, exemplificação, dentre outros. Busco também alinhavar os dizeres dos participantes, não somente pela deriva de sentidos, mas pelo real e pelo equívoco da língua, os impossíveis citados por Pêcheux ([1988]/2012) em O discurso: estrutura ou acontecimento – fatores todos problematizados pela perspectiva discursiva.
A abordagem metodológica da pesquisa consistiu na observação que faço da materialidade linguístico-discursiva produzida e que deixou aflorar ressonâncias discursivas – as repetições de marcas linguísticas e discursivas derivadas dos dizeres dos participantes, que são os vieses que tomo para ratificar a hipótese e para responder às perguntas de pesquisa. A linguista Silvana Serrani-Infante (2001, p. 40) ressalta que as ressonâncias são as recorrências de regularidades enunciativas que representam as marcas linguístico-discursivas no fio do discurso e que se repetem e criam sentidos, mesmo que contraditórios e heterogêneos. Essas marcas repetitivas podem ser os itens lexicais de uma mesma família ou de diferentes raízes lexicais, as construções parafrásticas, os modos de enunciar (como, por exemplo, o modo determinado e o indeterminado, as (de)negações e as afirmações), os modalizadores, bem como as contradições; além dos risos, da entonação enfática etc.
Nesse momento, teço uma analogia do trabalho de investigação com o bordado e seus pontos de alinhavo e de treliça. Primeiramente, para o ponto de alinhavo, que podemos comparar à perspectiva da teoria discursiva, precisamos trabalhar os pontos do lado direito coincidente com o avesso, isto é, passamos a agulha por cima e por baixo do tecido. Os pontos de alinhavo podem ser enlaçados com uma linha de cor ou espessura contrastante (nesse caso a psicanálise), a fim de termos um efeito decorativo e multicor. Os movimentos teórico-analíticos retirados da teoria discursiva se entrelaçam e criam um efeito de sentido para os gestos de interpretação do corpus. Os gestos de interpretação que teci na pesquisa trazem os efeitos de sentido dos dizeres dos participantes que se alinhavam à teoria discursiva pela deriva e fazem da análise algo único, visto que o contexto criado para a interpretação do corpus, como diz a linguista aplicada Eliane Andrade (2008, p. 102) “só vale no próprio contexto de análise”. Essa
Kátia Honório do Nascimento
Verso e reverso no PIBID-inglês: representações sobre ensino, aprendizagem e formação de professores de inglês
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costura pela deriva produz um matiz multicolorido para seus dizeres e nos permite, por exemplo, relacionar o intradiscurso (a linearidade do dizer, do enunciado) e o interdiscurso (o já-dito, o já-lá, o já-esquecido – a memória discursiva) para irmos além da sistematicidade do discurso e para darmos conta de chegar ao seu funcionamento desestabilizado pela causa daquilo que falha, que o opacifica, como mostra o linguista Michel Pêcheux ([1975]/2009), em seu livro Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Essa perspectiva orienta o trabalho de pesquisa na busca de regularidades discursivas e, desse modo, procuro identificar se a subjetividade dos participantes está sendo demarcada pelas condições de produção do PIBID, produzindo uma dada materialidade.
O ponto de alinhavo quando enlaçado e de outro matiz e espessura de fio é chamado ponto treliça e pode ser dado pela perspectiva da psicanálise. A psicanálise pode ser comparada a esse ponto. Primeiramente, devemos alinhavar com pontos bem longos e fios estendidos, a fim de obtermos um efeito espaçado, porém uniforme. Os pontos são feitos lado a lado, na horizontal e, em seguida, na vertical ou, ainda, em diagonal, causando outro efeito ao bordado. A trama se faz pelo entrecruzamento dos fios, prendendo-os com pequenos pontos cruzados, como os do ponto (em) cruz. O efeito final se dá como um efeito de rede, de vazado. A psicanálise nos ajuda a perceber que o sujeito, ao se assujeitar à linguagem, advém entre significantes e fica suspenso havendo sempre algo que a significação não recobre – é o efeito vazado, marcando-o como incompleto e cindido entre o simbolizável e o não simbolizável. Nessa concepção, tomo os participantes como sujeitos clivados e heterogêneos, atravessados pelo inconsciente e perpassados pelo desejo e pela falta que a linguagem não completa, mas que, por vezes, deixa ambos (o desejo e a falta) aflorarem em sua materialidade. Sendo assim, o sujeito não tem controle sobre os sentidos que produz, sendo constituído na ilusão imaginária de ser dono e origem de seu dizer. Este não se percebe flagrado pelo já-dito, pelo já-lá, pela memória discursiva e pela falta constitutiva a todo sujeito.
A psicanálise se faz como uma possibilidade de teorização sobre o sujeito diferente da teorização cartesiana. A visão cartesiana trabalha com um conceito de sujeito ideal: o sujeito lógico cartesiano – sujeito individual, centrado, objetivo e da razão que não sofre influências da exterioridade. A dimensão idealista elide o sujeito, o sentido, a historicidade e a ideologia, não considerando os efeitos de sentido sobre as condições de produção sócio-históricas do discurso do sujeito; ao invés disso, focaliza o
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conteúdo, a forma e a estrutura, numa tentativa de “banir de suas fronteiras a questão do sentido”, como se refere Pêcheux ([1975]/2009, p. 78) em Semântica e discurso.
Nesse ponto, é importante ressaltar que, ao escolher a psicanálise como um dos campos teóricos para esta pesquisa, busco compreender a singularidade dos participantes sem, contudo, enveredar profundamente nas conceituações da psicanálise: não haverá um indicativo de utilizar de seu escopo teórico como se estivesse em sua clínica ou como se eu fosse psicanalista. Irei ao esteio do pensamento do psicanalista e educador Marcelo Ricardo Pereira (2003, p. 33), visto que há sempre um risco em se analisar atos tão específicos do ponto de vista subjetivo: os dizeres enunciados pelos participantes que apresentam indícios de “suas subjetividades, seus recalques ou suas defesas”, visto estarmos, na verdade, “verificando os deslizes de linguagem, os movimentos do discurso, os lapsos e descontinuidades dos dizeres para analisarmos o posicionamento das professoras frente a sua relação com o outro (que pode ser o aluno, a escola, o supervisor, o interlocutor etc.)”.
Para proceder à análise, tive como foco depreender representações sobre a língua inglesa, sobre o professor de inglês e o ensino e a aprendizagem de inglês nas escolas públicas e a experiência de aprendizagem da LI pelos participantes, bem como procurei mostrar se suas representações foram modificadas com a participação no subprojeto, provocando algum deslocamento subjetivo. Para desenvolver a análise, acionei conceitos teóricos da teoria discursiva e da psicanálise.
Usei os seguintes códigos para identificação dos recortes discursivos:
QUADRO 1
CÓDIGOS UTILIZADOS NOS RECORTES DISCURSIVOS
RECORTES DISCURSIVOS PARTICIPANTES DA PESQUISA
DOC. = Documento do PIBID Pesq. = Pesquisadora
RD e o número de sequenciação do
recorte (RD1, RD2 etc.) = Recorte discursivo
Coord.PIBID e seu nome fictício =
Professor-coordenador do subprojeto do PIBID
Entr. = entrevista gravada em áudio e
transcrita Prof.superv. e seu nome fictício = Professora-supervisora do subprojeto do PIBID
Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Pibid. e seu nome fictício = Pibidiano(a) do subprojeto do PIBID Fonte: Quadro criado pela pesquisadora.
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1.1.2. O trabalho de tessitura do corpus, os gestos de interpretação e o recorte