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Düşünce ve Eylem Alanında Aydınlanma Ülkeler

yola gidilmiştir Polonya’da Aydınlanma, anayasanın haricinde ilk Milli Eğitim Bakanlığı’nın kurulması,

ÜÇÜNCÜ DOGMA

3. EVRENSELLİK ÖLÇÜTÜ PERSPEKTİFİNDEN BATI UYGARLIĞ

3.1.1 Düşünce ve Eylem Alanında Aydınlanma Ülkeler

De tudo que vimos acima, fica muito claro que a perícope que analisamos é importan- te na economia narrativa de Marcos. Mesmo que Crossan tenha razão ao considerá-la uma duplicação,327 ela não é de forma alguma secundária. Ela é rememorada no fechamento da primeira grande seção do evangelho. Além disso, ela é início de uma grande sequência de milagres, que somente se encerrará no capítulo oito.

O verso 35 é candidato para uma análise de redação. Segundo Bultmann,

uma vez que o sono de Jesus no v. 38 pertence à base essencial da história, a menção da hora tardia deveria ser uma parte original da introdução. Por ou- tro lado, " " " é editorial, ...328

De fato, Bultmann parece ter razão. A expressão “naquele dia” vincula a narrativa às parábolas anteriormente proferidas. Vale lembrar que o esquema temporal em Marcos é altamente artificial, como o demonstra o “primeiro dia” do ministério de Jesus.329

Além disso, devemos contar com uma mão redacional na questão da “desaparição dos barcos”. É mais provável que eles sejam parte de uma eventual fonte, uma vez que não faria sentido introduzi-los desnecessariamente, e não há menção alguma (por exemplo) de um eventual naufrágio. Assim, Bultmann afirma

Como o é [editorial] ! ( " "), que está vinculado com vv. Iss., enquanto a menção aos é antiga, e foi tornada ininteligível pela edição.330

Embora seja possível, como vimos, que Marcos tenha lançado mão de fontes literárias pré-existentes na confecção desta seção, sendo possível até mesmo que nossa narrativa fi- zesse parte desta coleção,331 é evidente que a organização do material é fortemente influen- ciada pelo interesse teológico-literário do autor.

Como observa Kümmel,

Se é permitido concluir que foi o próprio Marcos quem criou o itinerário de Jesus, então é preciso também admitir que a grande concentração da ativida- de de Jesus na Galiléia teve origem em algum motivo de ordem teológica.

327 CROSSAN, John Dominic. O Jesus Histórico. pp. 349 – 350. 328 BULTMANN, Rudolf. The History of the Synoptic Tradition. p. 215.

329 SOARES, Sebastião Armando Gameleira; JÚNIOR, João Luiz Correia. Evangelho de Marcos. Vol. 1. p. 95.

O autor afirma “O primeiro dia é paradigmático. Jesus atua em favor de enfermos e endemoninhados”. Ênfa- se nossa.

330 BULTMANN, Rudolf. The History of the Synoptic Tradition. p. 215. Cf. tb. DIBELIUS, Martin. From Tradi-

tion to Gospel. p. 74.

[...] A estrutura de Marcos está, pois, de acordo com determinados cenários geográficos.332

É evidente, pois, que a localização geográfica do mar não é casual.333 O mar é, para Marcos, um lugar revestido de significados teológicos. Fatos importantes de seu evangelho, como vimos, se dão ou em um barco, ou em torno do mar. É evidente, também, que ao fazer do mar um componente geográfico importante nesta seção de seu evangelho, Marcos está lançando mão – de maneira criativa – de um tema que já analisamos no capítulo anterior, relativo ao mar como local de forças demoníacas e caóticas.

Outro tema que é enfatizado nesta seção – e, portanto, é fruto de atividade redacional – é a tensão entre “fé” e “falta de fé”.

O segundo grupo de milagres consiste de 4. 35 – 6. 6. É mantido junto pelas palavras-chave () e (), isto é, por um motivo literário característico dos mila- gres (4. 41; 5. 34, 36; 6. 6). O início e o final desta seção ligam a crença nos milagres com a questão da identidade de Jesus: ‘Quem é esse?’ (4. 41) e ‘não é esse ... ?’ (6. 3).334

Assim sendo, nossa perícope começa a articular um tema que será desenvolvido ao longo de toda uma seção do evangelho. Ela não apenas começa um ciclo de milagres que terminará no capítulo oito, mas passa a expor um tema fundamental para Marcos.

Aqui reencontramos uma tensão que já havíamos detectado. O verso 40, que consiste na dupla pergunta retórica de Jesus, é claramente intrusivo na forma literária. Porém é jus- tamente nele que se avança o tema da “fé”/ “falta de fé”. Em outras palavras, ele é um can- didato fortíssimo a ser fruto da mão redacional de Marcos. Assim, Meier afirma que:

Até onde diz respeito à mão editorial de Marcos, os melhores candidatos pa- ra a intervenção redacional são as questões retóricas correlacionadas que já percebemos. Os comentários rudes, não-edificantes dos discípulos para Jesus são típicos do Evangelho de Marcos, assim como o são as repreensões seve- ras de Jesus, que por vezes representam os discípulos como sem fé ou nem um pouco melhores que os cegos de fora do grupo. Como a maioria dos co- mentaristas observa, o duplo ataque verbal de Jesus aos discípulos como co- vardes e – mais significativamente – como ainda sem fé se encaixa perfei- tamente com a representação de Marcos dos discípulos bem como seu tema do “segredo messiânico”.335

332 KÜMMEL, Werner Georg. Introdução ao Novo Testamento. pp. 102 – 103. Cf. tb. SOARES, Sebastião Ar-

mando Gameleira; JÚNIOR, João Luiz Correia. O Evangelho de Marcos. Vol. 1. p. 33.

333 Vide também MARXEN, Willi. El Evangelista Marcos. pp. 49 – 109. Este autor discute longamente o “es-

quema geográfico” do Evangelho de Marcos.

334 THEISSEN, Gerd. The Miracle Stories of the Early Christian Tradition. p. 208. 335 MEIER, John P. A Marginal Jew. pp. 929 – 930.

Como vimos, tal invectiva de Jesus contra os discípulos não é “casual”: ela correspon- de formalmente à primeira intervenção rude dos discípulos, também retórica. Meier chega a argumentar que é possível que mesmo esta pergunta por parte dos discípulos seja redacio- nal:

Agora, se a pergunta retórica de Jesus mais a repreensão em 4. 40 são adi- ções de Marcos à história, assim, também, mais provavelmente, é a pergunta retórica mais repreensão correlacionada proferida pelos discípulos no v. 38.336

Ele vai além disso. Meier chega a postular a possibilidade da própria “pseudo- aclamação” no final da história também ser fruto da pena de Marcos:

Uma vez que as contribuições de Marcos à esta história aparentemente toma- ram a forma de perguntas retóricas – primeiro pelos discípulos, então por Je- sus – pode-se perguntar se a quase-aclamação dos discípulos ao final da his- tória também seja formulação de Marcos, uma vez que ela também assume a forma de uma pergunta retórica que os próprios discípulos elucubram. Ade- quadamente, esta pergunta retórica final enfatiza a tensão entre a experiência dos discípulos de Jesus como o operador de milagres (“até mesmo o vento e o mar lhe obedecem”) e sua falta de compreensão de quem ele realmente é (“Quem é esse?”). A tensão entre a experiência íntima do poder de Jesus e a falta de compreensão de sua natureza verdadeira é o grande tema da repre- sentação dos discípulos por Marcos. Portanto, conquanto a história primitiva pudesse ter tido algum tipo de aclamação coral conclusiva, a formulação presente bem pode vir da mão de Marcos.337

O Segredo Messiânico é outro tema que nos interessa neste momento. Já vimos que a divisão do evangelho em duas partes se dá na transição do capítulo oito para o nove. Esta transição, porém, está ligada ao tema que Marcos articula em torno deste segredo. Segundo Joachim Gnilka, o primeiro a propor tal conceito para a compreensão de Marcos foi Wrede:

O descobrimento do segredo messiânico no Evangelho de Marcos (em cone- xão com 4. 11) se deveu ao trabalho inovador de W. Wrede. Para Wrede, es- te segredo não está baseado na vida do Jesus histórico, mas sim é uma cons- trução dogmática. É constituído por três elementos: as ordens para guardar silêncio dadas aos curados, aos demônios e aos discípulos, cujo cumprimen- to resulta freqüentemente impossível; das repetidas observações sobre a in- compreensão e a incredulidade dos discípulos bem como do doutrinamento por parábolas como uma forma de doutrinamento pensada para o povo. Os três elementos constituem um conceito unitário e fechado. Não obstante, Wrede opina que a teoria do segredo, por causa dos diversos momentos em que aparece em Marcos, não foi obra do evangelista, mas já existia anterior-

336 MEIER, John P. A Marginal Jew. p. 930. 337 MEIER, John P. A Marginal Jew. p. 930.

mente a ele. A Marcos corresponde apenas uma participação importante em sua apresentação.338

Em outras palavras, mesmo que Marcos tenha herdado o esquema básico do segredo messiânico, ainda assim lhe deu forma e expressão particulares – isto é, o segredo messiâni- co no Evangelho de Marcos tem um aspecto redacional. Na lista que Wrede sugere consta, justamente, a questão da fé e falta de fé dos discípulos. Assim, nossa perícope adquire um significado dentro deste contexto. Theissen já observara339 que a seção 4. 35 – 6. 6 era arti- culada em torno deste tema, e Meier já comentara que isto era vinculado ao segredo messiâ- nico.340 Tal vinculação se dá, como vimos, através da forte possibilidade que as perguntas retóricas tanto dos discípulos quanto de Jesus sejam frutos da atividade redacional de Mar- cos. Ao intervir na forma literária da história de milagre, Marcos o faz deliberadamente – e através disso vincula a perícope não apenas a uma seção imediata do evangelho, mas ao seu esquema maior para a obra.

Após considerarmos a “mão editorial” de Marcos, podemos passar, pois, a analisar a forma literária da narrativa como a temos agora.