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1.5 FİNANSAL SERBESTLEŞMENİN GELİR DAĞILIMI AÇISINDAN

2.1.1 Cumhuriyetin Devraldığı Ekonomik Miras

Na Subseção 2.1 do Capítulo 2, discorre-se sobre os impasses teórico- metodológicos enfrentados durante o planejamento e desenvolvimento de uma pesquisa que se propõe a abordar o tempo de fala, sendo apresentada uma

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Reitera-se que a informação relativa à variável tamanho do intervalo de fala considerou as múltiplas mensurações locais e não a média dessas.

sequência de questionamentos atinentes à construção do método de investigação. Na mencionada subseção discute-se sobre:

a) que unidade linguística utilizar na contagem (se sentença, palavra, sílaba, unidade VV, mora, segmento ou outra) e o critério a ser adotado em sua identificação;

b) qual o método de cálculo, se direto (o número de unidades no intervalo dividido pela sua duração) ou inverso (a duração do intervalo dividida pelo número de unidades produzidas);

c) qual o status da unidade selecionada, se será observada a forma

fonológica ou a fonética, havendo também a possibilidade de uso do registro ortográfico;

d) qual o escopo de análise desejado ou possível, se global e/ ou local;

e) que tipo e tamanho de intervalo de fala submeter à examinação, ou seja, se o cômputo se dará em turnos de fala, orações, intervalos interpausais, frases entonacionais ou outro e como controlar efeitos intervenientes observados em intervalos muito curtos e muito longos;

f) que tipo de material de fala utilizar (se espontâneo ou não), sua forma de eliciação e condições de gravação;

g) que conduta adotar com relação às pausas silenciosas (duração a ser considerada na caracterização), às pausas preenchidas (admiti-las ou não) e à fala disfluente (admiti-las ou não).

Em síntese, as decisões técnicas tomadas em resposta aos questionamentos elencados acima foram, respectivamente:

a) a escolha da sílaba como unidade linguística a ser utilizada no cômputo das taxas e da presença de ao menos um dos vestígios acústicos associados às vogais plenas para cômputo de sílaba;

b) o cálculo direto das TEs e das TAs, ressalvada a reversão indispensável à avaliação do fenômeno de encurtamento antecipatório;

c) a versão fonética de sílaba, na fala como efetivamente implementada (a despeito da controvérsia conceitual, apresentada na Subseção 2.1 do Capítulo 2);

d) a observação global e local das taxas (a última, em suas múltiplas tomadas e através da média aritmética dessas);

e) a consideração de turnos de fala (no caso da TE) e intervalos interpausais (no caso da TA) com no mínimo quatro sílabas, não havendo restrição quanto à extensão máxima;

f) a análise de diálogos espontâneos gravados sem a ciência dos locutores, no caso da interceptação telefônica de conversação ao telefone celular (gravação desavisada) e com a ciência dos locutores, no caso do registro ambiental de entrevista semidirigida (gravação avisada);

g) o estabelecimento de 130ms como limiar na caracterização das pausas silenciosas e a admissão dos intervalos de fala com pausa preenchida e evento(s) de disfluência(s) como útil no cálculo da TE e como não útil no cálculo da TA.

O método estruturado a partir de tais proposições foi implementado, o que permitiu a avaliação da pertinência das decisões teórico-metodológicas tomadas neste estudo, sendo essa a seguir apresentada.

Quanto à adoção da sílaba fonética como unidade linguística de contagem, essa se mostrou apropriada no sentido da funcionalidade e, como previsto, favorável à comparabilidade entre os resultados obtidos e os já publicados. Exceções ao posto deveram-se à má qualidade acústica especialmente encontrada na gravação desavisada (provinda de interceptação telefônica), onde se tem banda de frequência restrita e típica baixa relação sinal/ ruído, o que conduziu à percepção de que a adoção de uma unidade menor, por exemplo, o segmento (BINNENPOORTE, 2005; FONAGY e MAGDICS, 1960; MIRGHAFORI et al., 1996; PFITZINGER, 1998; TROUVAIN et al. 2001; VERHASSELT e MARTENS, 1996), seria aparentemente inviável em registros sonoros com essas limitações qualitativas.

A imprecisão conceitual ainda vigente acerca da perspectiva fonética de sílaba, em contrapartida, dificultou sobremaneira a definição do critério a ser considerado na identificação da unidade no sinal acústico. A identificação automatizada dos elementos vocálicos, correspondentes a unidades silábicas, tem como referência o parâmetro intensidade, em decibéis (dB), pontuando como sílaba os picos de intensidade antecedidos e sucedidos por um decaimento pré-definido (JONG e WEMPE, 2009).

No estudo em tela, no entanto, em razão de se considerar a fala verdadeiramente naturalística, rica em excepcionalidades e eventos não regulares, acreditou-se que a adoção de semelhante recurso comprometeria a detecção

fidedigna das vogais silábicas presentes no texto oral, exigindo grande trabalho de retificação. Assim, optou-se pela identificação manual (não demeritória, tampouco mais subjetiva, uma vez que à marcação automática seguem conferência e retificações do investigador), que implicou o estabelecimento de um critério diferente da intensidade, uma vez que a mesma não foi controlada durante a captura dos sinais (gravação desavisada e avisada).

No empreendimento recorreu-se aos vestígios acústicos associados aos segmentos vocálicos (conforme Subseção 1.2.2.1, Capítulo 1) e ao que diferenciasse, segundo a literatura, vocóides silábicos de não silábicos, tendo sido de extrema relevância o postulado por Meneses (2012), que discute a caracterização das vogais desvozeadas no PB, também encontradas no presente estudo, e por Padgett (2008), que contrapõe os elementos acústicos definidores de vogais e semivogais.

Poder-se-ia simplesmente referir que foi adotada neste estudo a unidade VV69 como elemento de contagem, já que, de fato, trabalhou-se na busca por vogais consecutivas. No entanto, conforme exposto na Subseção 2.1, Capítulo 2, tal unidade é, por conceito, pausa-includente, o que inviabiliza sua adoção em concepção original como unidade de contagem no estabelecimento da TA. Havendo o interesse na comparação do comportamento das duas taxas em estudo (TE e TA), tornou-se inevitável a admissão de um único tipo de unidade de contagem, no caso, a sílaba fonética, identificada a partir de vestígios acústicos associados às vogais plenas.

Quanto à direção da fórmula de cálculo, se direta ou indireta (via duração média das sílabas), foi compulsória a adoção da primeira, visto ser essa a amplamente utilizada nos estudos sobre o tema. Destaca-se que, no entanto, sendo de interesse, de posse do número de sílabas e da duração temporal relativa a cada intervalo de fala, facilmente o cálculo pode ser refeito, como, a exemplo, do que ocorreu por ocasião da verificação do fenômeno de encurtamento antecipatório, situação em que se correlacionou o número de sílabas produzido nos intervalos interpausais e a duração média da sílaba (obtida a partir do cálculo inverso da taxa).

O fato de a pesquisa ter abarcado ambos os escopos de observação (global e local, o último verificado tanto através das próprias múltiplas tomadas locais quanto

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através da média aritmética dessas), deveu-se à importância de se definir o custo- benefício da aplicação de uma ou outra forma de mensuração na rotina de Comparação Forense de Locutor, em que se têm normalmente curtos prazos para a entrega de Laudos Periciais. Além disso, a obtenção do coeficiente indicativo do potencial discriminatório das taxas, foco principal deste estudo, requer informações acerca da variabilidade intrassujeito e intersujeitos, firmada (conforme Subseção 4.1.1.4 deste capítulo) global e localmente.

No que se refere à exigência de no mínimo quatro sílabas para a aceitação do intervalo de fala como útil, seja turno de fala ou intervalo interpausal, constatou-se que nos corpora dos sete sujeitos pesquisados a maior parte dos intervalos de fala

com um número de sílabas menor do que o mínimo exigido abriga, como já apontado na literatura (JESSEN, 2007), segmento(s) alongado(s), o que repercute invariavelmente na diminuição da taxa (TE ou TA) obtida.

Já com respeito à opção de não restrição quanto ao tamanho máximo do intervalo de fala feita neste estudo, não foi observado impacto outro senão o do efeito de encurtamento antecipatório, fisiologicamente previsível e neste estudo foi confirmado como significativo, sendo a ingerência de tal efeito progressivamente maior à medida que aumenta o número de unidades silábicas no intervalo.

Neste estudo, os intervalos de fala excessivamente longos referem-se especificamente aos turnos de fala, já que a duração dos intervalos interpausais é limitada, ao menos, pela capacidade expiratória do indivíduo. Na qualificação dos turnos de fala (como útil ou não útil) observou-se que os excessivamente longos acabaram sendo naturalmente descartados em razão de apresentarem fala sobreposta, ininteligibilidade à oitiva ou à inspeção acústica, vocalização não linguística, menos do que quatro sílabas, interrupção na transmissão do sinal e/ou impedimento ético à divulgação (critérios de descarte de material apresentados na Subseção 3.3.4 do Capítulo 3).

Nesse sentido, a adoção de turnos de fala mostrou-se um tanto problemática na gravação avisada, onde o entrevistador incentiva a narrativa longa, na intenção de provocar o envolvimento do falante no discurso e a diminuição da atenção dispensada à fala. Alguns dos extensos (e proveitosos) turnos de fala, nos quais se observava a ocorrência (mesmo que única) de qualquer um dos elementos justificadores de descarte de material, tiveram de ser descartados.

Já quanto à utilização de intervalos interpausais, destaca-se como conflitiva apenas a duração do limiar adotada (130ms), tendo o mesmo por vezes se mostrado excessivo (foram encontradas no corpus algumas pausas visivelmente linguísticas

cujas durações são inferiores aos 130ms estabelecidos).

A utilização de fala espontânea (especialmente a definida por Labov, 1972, como casual, encontrada neste estudo na gravação desavisada), excepcionalmente bem-vinda uma vez que, na comparação forense, é sobre esse tipo de material que se debruçam os peritos, mostrou-se, como previsto, de análise complexa. No desenvolvimento do trabalho, diversas circunstâncias não convencionais, para as quais não se encontrou suficiente discussão e apontamento de conduta na literatura, tiveram de ser enfrentadas, como a situação das vogais com configurações acústicas não canônicas, dos alongamentos segmentais não associados à disfluência, mas sim a ênfases típicas da fala espontânea, e do acolhimento ou não da pausa preenchida no material a ser submetido ao cálculo da TA. A disfluência foi encontrada como elemento altamente recorrente nos corpora dos sujeitos

pesquisados, merecendo cuidadosa abordagem, uma vez que a produção de segmentos consonantais desacompanhada de vogais agrega tempo à duração total do intervalo de fala, afetando diretamente o resultado da taxa (levando à diminuição da mesma).

Finalizando, cabe salientar que a investigação a partir de materiais de fala que se contrapõem quanto à ciência ou não da gravação (realidade inelutável na Comparação Forense de Locutor e que, ao que se sabe, tem investigação inédita, ao menos no Brasil), frente aos resultados obtidos e à possibilidade de contribuição efetiva à aplicação forense, revelou-se prestimosa.