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COVID-19 HAVA AMBULANSI

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A prensa de tipos móveis criada por Gutenberg em meados do século XV não foi uma aparição sem contexto. Com a necessidade crescente por informação, a Europa, vivendo plena fase de efervescência cultural, e com o desenvolvimento de universidades, demanda por livros. Essa urgência não era compatível com a demora na produção dos mesmos, pois cada cópia manuscrita levava, muitas vezes, meses de trabalho dos monges. Também eram caras e, portanto, disponíveis para poucos. A produção precisava ser acelerada, a despeito dos protestos dos antigos copistas.

A ideia de Gutenberg também não pode ser caracterizada como totalmente original. No Egito, desde o século IV, se utilizava a técnica da xilografia para estampar tecidos, e no Ocidente, nos séculos XII ou XIII. A xilografia consiste em um bloco de madeira talhado com o desenho a ser estampado em relevo, que era pressionado sobre uma superfície – tecido, papiro ou papel. A técnica foi adaptada para imprimir papel pelos chineses nos séculos IX ou X e na Europa no século XIV (Ibid.: 43).

Os problemas da xilografia que fizeram com que a técnica avançasse, dando lugar à impressão tipográfica, foram a pouca durabilidade da madeira, o que fazia com que a matriz tivesse de ser refeita em pouco tempo, a lentidão de fazer uma página por vez, os caracteres um a um. A tipografia e os tipos móveis em metal resolveram o problema.

O processo consiste em gravar sobre um punção de metal muito duro cada sinal tipográfico, depois em bater esse punção a entalhe sobre uma matriz de metal menos duro, e por fim em encaixar essa matriz num molde para fundir em série, vazando nele uma liga de chumbo, estanho e antimônio, os caracteres tipográficos que recebem a impressão da letra às avessas (Ibid.: 44).

Outro fator importante para o sucesso de Gutenberg foi a possibilidade de usar o papel como suporte de impressão, já que o pergaminho, além de raro, não era maleável para passar pela prensa, e nem liso o suficiente. A prensa trouxe ainda a possibilidade de imprimir uma folha frente e verso, maior rapidez ao processo de impressão e o desenvolvimento de uma tinta mais gordurosa e mais durável.

A identificação das obras impressas por Gutenberg não é totalmente confiável, já que não há datas ou outros sinais que possam indicar com certeza a origem destas. No entanto, o que se convencionou designar como o primeiro livro impresso foi a Bíblia, chamada de Bíblia de 42 linhas (por página). Um dos exemplares conservados tem uma inscrição a mão do ano

61 de 1455. Tem mil páginas e usa 290 sinais tipográficos diferentes (Ibid.: 46). A invenção da imprensa reforçou uma das características imanentes ao livro, a ampla difusão.

O papel, antes feito por uma massa de celulose obtida por meio de trapos passou a ter como matéria-prima a pasta de madeira em 1845. Nesse mesmo século, a técnica para obtenção de papel a partir da madeira se aperfeiçoa com a colaboração da revolução industrial.

A história do livro e a do jornal estão intrinsecamente ligadas. O aumento da importância de ambos nas sociedades se deu graças à invenção de Gutenberg. Folhas manuscritas com informações recentes já circulavam desde o século XIII. Mas a tipografia dá impulso à circulação da informação.

A partir do século XV, imprimem-se folhas volantes ou livretes de um ou dois cadernos, os “canards”, que relatam um acontecimento pouco importante da atualidade ou uma história apresentada como tal, e os “occasionnels”, que dão informações militares ou políticas, publicadas muitas vezes com o intuito de propaganda (Ibid.: 81).

Não havia, no entanto, regularidade na emissão e publicação das informações. O “periodismo” foi possível com o desenvolvimento dos serviços de correio, no início do século XVII, mas “vingou” apenas no século XVIII. Na Alemanha,

entre 1588 e 1598, Michael Eyzinger29 publica duas vezes por ano um volume que relata os principais acontecimentos do semestre, para ser vendido nas feiras da primavera e do outono de Frankfurt. Em 1597, Leonard Straub30 imprime em Rorschach, perto de Saint-Gall31, o primeiro mensário conhecido... Na França, o primeiro periódico, Le Mercure Français (1611) ainda era apenas anual (Idem).

O primeiro diário que conseguiu sobreviver algumas décadas foi o The Daily Courant, de 1702, constituído de uma página com duas colunas, publicado por Elizabeth Mallet. Elizabeth nem sempre é reconhecida como a responsável pelo jornal, porque em 1705 ele foi repassado a Samuel Buckley. Na França, foi o Journal de Paris, lançado em 1777, no formato infolio 4º (página dobrada em quatro, comum aos livros na época) e tratava de fait divers, previsão do tempo, espetáculos e novidades literárias. Como um de seus sócios era farmacêutico, Antoine-Alexis Cadet de Vaux, havia algumas reportagens com preocupação

29 Michael Eyzinger foi um nobre, diplomata e historiador, que escrevia artigos em Colônia sobre as disputas eclesiásticas da cidade.

30 Impressor francês 31 Suíça

62 sanitária. Uma das campanhas lideradas pelo periódico foi a favor da retirada do cemitério dos Inocentes do centro de Paris. A vida mais longa desses empreendimentos jornalísticos não significa que não tenha havido tentativas de diários anteriormente. Labarre destaca duas delas em 1660, uma em Leipzig e outra em Londres.

Mais uma evidência de que jornal e livro têm origem comum é que o termo manchete, de grande importância para o jornalismo, surgiu a partir do livro. O texto principal dos livros era rodeado por comentários, impressos em corpo menor que o texto.

Quando as anotações se tornaram mais breves, colocaram-nas às margens a par do texto. São as “manchetes”, assim chamadas por serem por vezes acompanhadas de uma pequena mão saindo de um punho, que indica a passagem visada; isso permitia ao leitor abarcar o texto e sua anotação de um só golpe de vista (Ibid: 52).