2.2. Seyahat Özgürlüğüne Müdahalenin Kapsamı Ve Sınırları
3.1.2. Yargı Kararlarına Bağlı Olarak Yurt Dışına Çıkma Yasağı
3.1.2.1 Ceza Muhakemeleri Kanununda Adli Kontrol Neticesinde
A respeito do posicionamento de MacIntyre contra a manutenção de fronteiras rígidas entre as disciplinas acadêmicas que abordamos no quarto capítulo do presente trabalho (MacINTYRE, 2001a, p.444-5; cf. 1984, p.265), apresentaremos aqui uma apreciação de cunho pessoal.
As análises desenvolvidas no quarto capítulo de Depois da Virtude143 sobre o projeto iluminista se iniciam com a afirmação de que a rígida demarcação das fronteiras do saber é uma das causas da pouca relevância da filosofia no cenário atual. A tese fundamental do capítulo é que a moral iluminista, em suas diferentes vertentes, construiu-se a partir de um conjunto de crenças morais herdadas historicamente, mas tentou fundamentá-las sem o apoio da tradição e da história
– recorrendo apenas a diferentes discursos racionais. Daí o fracasso de seu projeto.
O referido capítulo nos permite desenvolver uma crítica à conduta de alguns departamentos de filosofia que estabelecem critérios de aceite e de avaliação da produção acadêmica condicionados a um enquadramento inflexível à metodologia filosófica eleita que, por sua vez, julga-se de alguma forma superior e exclusiva. Os estudantes de filosofia são desencorajados de ir além da simples apropriação dos textos clássicos e de suas interpretações, ou seja, de desenvolver um senso crítico propriamente filosófico e criativo, que seja minimamente contextualizado na contemporaneidade.
Julgamos coerente, com o que se pode inferir do texto de MacIntyre, que esse tipo de
atitude distorce, ou mesmo impossibilita as “relações fundamentais” – estas seriam as relações
éticas num sentido macintyriano, pressupondo os três estágios de desenvolvimento lógico das virtudes: práticas, unidade e tradição – empobrecendo ou até mesmo impossibilitando o debate filosófico. Isso ocorre porque, quando a academia passa a ser uma espécie de administradora de
“disciplinas autônomas”, ela reduz seu papel ao de uma fábrica de pesquisadores que julgam ter
como única função a manutenção da própria pesquisa que, de uma maneira obscura, pretende enriquecer o saber144.
143“Na nossa própria cultura, a filosofia acadêmica é uma atividade marginalizada e especializada. Os professores de Filosofia de vez em quando tentam vestir roupas da importância e algumas pessoas com formação universitária são assombradas por vagas memórias de Introdução à Filosofia” (MacINTYRE, 2001a, p.73; cf. 1984, p.36).
144
MacIntyre está preocupado com a natureza, o valor e a função social do conhecimento produzido e com a sua relação com a moralidade. Essas são especificidades que, se ignoradas, propagam uma postura com pretensões de neutralidade, herdeira do projeto iluminista de fundamentar e justificar uma moral universal145.
Nesse sentido, o que ele afirma ser uma compartimentalização do pensamento reafirma o processo de isolamento da academia em si mesma. Esse tipo de autonomia acadêmica parece ser um sintoma do esfacelamento da moralidade contemporânea proposto no diagnóstico macintyriano, no qual cada discurso só faz sentido no interior dele mesmo. Para MacIntyre, além de formar pesquisadores implicados nas problemáticas no seu tempo, a academia filosófica também deve preocupar-se com o seu papel da formação dos demais profissionais.
Se a filosofia estivesse presente organicamente nas práticas, ela não precisaria ser
“introduzida”, como a cereja do bolo, pois o que de fato existe é apenas um tipo de “aplicação”
da filosofia, reduzido às comissões de bioética, às iniciativas de introduzir filosofia no Ensino Médio etc. Isso nos parece, em grande parte, apenas uma pequena prévia do formato acadêmico convencional e não aponta para a diminuição do abismo entre teoria e prática morais criticadas por MacIntyre. Segundo ele, a redução desse abismo implicaria flexibilização das fronteiras acadêmicas e reavaliação do papel de uma autonomia acadêmica tão radical.
Nas mais diversas áreas do conhecimento, a necessidade de administração de habilidades que podem ser consideradas filosóficas como o domínio da lógica, a sensibilidade estética, os esclarecimentos sobre a natureza da realidade e a resolução de questões morais emergem a todo o momento.
Essas são habilidades cuja exclusão do campo das atividades práticas priva a sociedade de
um nível intelectual mínimo, assim como reduz a filosofia à “coisa de pesquisador”, propagando
uma impressão equívoca – porém generalizada – de que, do ponto de vista prático, a reflexão filosófica é inútil. Além de caracterizar a filosofia como algo que se deve fazer mediante
145 “Tanto a nossa cultura geral quanto a nossa filosofia acadêmica são, em essência, o rebento de uma cultura na qual a Filosofia constituía uma forma importante de atividade social, quanto o seu papel e sua função eram bem diferentes do que vemos entre nós. O fracasso daquela cultura na solução de seus problemas que um dia foram práticos e filosóficos foi um e talvez o principal fator determinante da forma dos nossos problemas filosóficos acadêmicos e dos nossos problemas sociais práticos” (MacINTYRE, 2001a, p.74; cf. 1984, p.36).
abstração e distanciamento da realidade, esse pode ser considerado, portanto, um exemplo do intuito de MacIntyre de reaproximação entre teoria e prática morais146.
146
Em minha curta experiência como professora substituta da UFBA no ano de 2007, ministrei disciplinas de introdução à filosofia para cursos como Direito, Administração, Geografia, Engenharia e Enfermagem. Em boa parte das turmas, pude constatar um sentimento quase que unânime por parte dos alunos de que “algo mais produtivo” poderia estar sendo feito, do ponto de vista da sua formação profissional. Apesar da surpresa diante desse tipo de questionamento por parte de estudantes universitários privilegiados, também me questionei sobre até que ponto os próprios filósofos e professores da academia não são responsáveis pela resistência de outras aéreas do conhecimento à filosofia como disciplina formadora e obrigatória.