2.4. İlgili Araştırmalar
2.4.1. Cebir ve Doğrusal Denklemlerle İlgili Yapılan Çalışmalar
O compositor argentino Dante Grela, cuja formação se filia à linha de tradição de seus compatriotas Francisco Kroepfl e Juan Carlos Paz, foi figura marcante na FEA. Desde sua primeira visita em 1977, durante o Festival de Inverno daquele ano, foram mais de 10 viagens, nas quais ministrou cursos, oficinas e regeu obras de sua autoria. Durante o primeiro “Simpósio para Pesquisadores em Música contemporânea”, em 1984, Dante Grela ofereceu dois cursos: (1) “Análise de obras de Edgard Varèse”, e (2) “Composição”, subdividido em dois níveis. O programa do curso de composição era o seguinte:
A – Nível de iniciação
1) Busca e experimentação de materiais sonoros - exploração exaustiva de possibilidades - classificação. 2) Composição primária de estruturas sonoras a partir de associações sugeridas pelos materiais empregados. 3) Princípios gerais de organização sonora com base nos princípios de repetição, transformação, mudança, oposição, superposição. 4) Definição e aplicação dos seguintes conceitos na organização da forma: estatismo / mobilidade, continuidade / descontinuidade, tensão / repouso, estabilidade / instabilidade. 5) Definição da forma quanto a seus aspectos articulatório e comparativo em nível de macroforma. 6) Sistemas de notação: seu emprego com sentido funcional - discussão sobre as características gerais dos diversos sistemas, assinalando seus aspectos positivos e negativos em cada caso. 7) composição de peças breves, aplicando os princípios que serão desenvolvidos durante o curso.
B – Alunos com conhecimentos prévios:
1) Considerações gerais sobre o problema da forma nas artes. 2) A forma na composição musical através de distintas épocas da história da música – suas condições e suas características. 3) A diferença entre forma e procedimento compositivo - a forma como condicionante prévio e a forma resultante do processo compositivo. 4) Formas direcionais e não direcionais - a inter-relação entre fatores de unificação e de variedade na forma. 5) O papel da simetria na construção da forma - diversos tipos de simetria, seu emprego implícito ou explícito na construção formal e na organização dos diversos parâmetros. 6) As formas seccionadas e as formas contínuas - unidades formais estáveis e instáveis dentro da forma; diversos tipos e características. 7) A estruturação do espaço no processo de composição – espaço virtual e espaço real; a intensidade, o registro e os tamanhos intervalares como fatores associados com a organização e percepção da espacialidade virtual.
8) O espaço real: sua organização como parte da estruturação da forma - espaços fixos e móveis, evoluções, deslocamentos. (PROGRAMA DO I CICLO DE MÚSICA CONTEMPORÂNEA DE BELO HORIZONTE, 1984)
A partir desse detalhado programa de curso, podemos vislumbrar um pouco do trabalho desse professor/compositor. Observa-se aqui um extremo rigor metodológico e uma organização impecável dos conteúdos. Outro aspecto marcante da pedagogia de Dante Grela é a opção pela música contemporânea. Oliveira menciona o fato de o curso de análise de obras de Edgard Varèse ter suscitado um interesse especial pela obra deste compositor no contexto da FEA:
O curso de análise oferecido no I Simpósio focalizou [as seguintes obras]: Arcana, Integrales, Hiperprisma, Octandre, Deserts e Equatorial. Acreditamos que este trabalho realizado por Dante Grela tenha causado um reflexo nos Ciclos visto que, ao longo dos mesmos, foram executadas no mínimo quatro obras de Varèse, como constatamos através da análise de programas. Além de Density, para flauta solo, que é uma peça mais comumente executada, foram apresentadas Octandre (III Ciclo), Offrandes e Hiperprisma (V Ciclo), sob regência da Afrânio Lacerda, em primeira audição em Belo Horizonte (OLIVEIRA, 1999, p.59-60).
A metodologia de análise musical desenvolvida por Grela (1987, p.2) se apóia numa terminologia “genérica e flexível”, que pretende ser “aplicável à música a se investigar, sem limitações de linguagem, época, estilo”. A intenção é substituir a terminologia tradicional (que utiliza termos como frase, período etc), mais apropriada à música clássica européia. Essa metodologia é fundamentada em alguns princípios que consistem basicamente em considerar o trabalho de análise a partir de três pontos de vista principais: (1) articulatório, (2) comparativo e (3) funcional. O aspecto articulatório trata das divisões e das conexões entre as partes que constituem a totalidade da forma musical, permitindo compreender como as unidades da forma se articulam no tempo, e como se organizam hierarquicamente em níveis articulatórios. O aspecto comparativo da análise descreve o grau de semelhança e diferença entre unidades (consideradas em qualquer nível articulatório) da forma musical. Esse trabalho comparativo se apóia em categorias como identidade, semelhança,
dessemelhança e oposição. Entendendo que existem graus de semelhança e diferença, Dante Grela define ainda três categorias intermediárias: diferenças tendentes à identidade; semelhanças propriamente ditas e semelhanças tendentes à dessemelhança. O aspecto funcional da análise trata de identificar e descrever a função que cada unidade formal cumpre no contexto geral da forma. Grela enumera uma série de funções formais, tais como exposição, transformação, transição, introdução, interpolação, extensão, conclusão e interjeição. Tais categorias de análise guardam certa analogia com a análise sintática, buscando identificar e descrever os “termos” do enunciado musical.
FIGURA 9 - Dante Grela, na FEA
O reflexo e as conseqüências dos cursos de composição e análise de Dante Grela são evidentes em dois campos de atividade musical: (1) na composição, auxiliando diretamente o aluno iniciante, que, em seu trabalho de criação, extrai elementos, procedimentos e relações da análise musical, e (2) na performance, em que o intérprete, através de uma maior consciência das relações formais, pode vir a realizar uma execução que enfatize os aspectos estruturais de cada composição. Mas, além disso, é importante destacar que a análise, sobretudo quando apoiada em uma terminologia acessível, é de fundamental importância na educação musical.
O educador a utiliza como ferramenta para compreensão não apenas de obras acabadas e de peças de repertório, mas qualquer atividade musical escolarizada (jogos, exercícios), qualquer aspecto isolável da linguagem musical (ritmo, alturas, textura etc), é passível de uma análise dessa natureza. Dessa forma, a análise musical contribui para a compreensão do fato musical de uma maneira geral, mas principalmente em sua dimensão imanente, formal, estrutural.