3. DENEYSEL ÇALIŞMALAR 39
3.1 CdTe ve CdS Filmlerin Büyütme Yöntemleri 39
Solano-Suarez (2007) indica que até o décimo seminário de Lacan, o objeto de desejo aparecia como sendo alguma coisa visada pelo sujeito, até que Lacan derruba o engodo da intencionalidade. O objeto a passa, então, a ser a causa do desejo e não a visada do sujeito.
Para fixar nossa meta, direi que o objeto a não deve ser situado em coisa alguma que seja análoga à intencionalidade de uma noese. Na intencionalidade do desejo, que deve ser distinguida dele, esse objeto deve ser concebido como a causa do desejo. (Lacan, 1962-63/2005, p. 114-115)
O objeto a é o que resta da operação de subjetivação, é o objeto para sempre perdido, quando o sujeito (S), ainda num tempo mítico de puro gozo, constitui-se como sujeito de desejo (S) a partir do lugar do Outro (A) como tesouro de significantes. O objeto a é, então, o dejeto, aquilo que não foi assimilado na “significantização”, constituindo-se como a causa do desejo. Ele não dá acesso ao gozo, mas sim ao Outro. Só podemos ter acesso ao Outro por meio do objeto a.
De objeto do desejo, como algo a ser alcançado tal qual a cenoura que produz o movimento do burro, o objeto a, na qualidade de resto de uma operação e causa para um sujeito, reorienta toda a teoria da Psicanálise até então revista por Lacan. Ainda apoiado na ideia do objeto perdido de Freud, Lacan dá um novo passo epistêmico, iniciando a conformação de um conceito verdadeiramente lacaniano. A partir daqui, ele empreenderá esforços na busca da formalização do objeto a, enquanto objeto causa do desejo, o que trará consequências diretas sobre sua proposição acerca do feminino.
Assim, além de mudar o estatuto do objeto a, Lacan (1962-63/2005) traz um ponto de virada em relação ao feminino, que será mais bem costurado dez anos depois, em seu vigésimo seminário, a saber, que em relação ao desejo, à mulher não falta nada. O falo era, desde sempre, o objeto de desejo em torno do qual a parceria amorosa se dava em sua vertente positiva. No entanto, o gozo coincide com a detumescência do órgão pênis, uma função negativa. “É por funcionar na cópula humana não apenas como instrumento de desejo, mas também como seu negativo, que o falo se apresenta na função de a com o sinal de menos” (p.194), é o . E frente a isso, em relação ao desejo, nada falta à mulher, a falta está do lado masculino.
Em sua articulação entre amor, desejo e gozo, Lacan (1962-63/2005) afirma que “só o amor permite o gozo condescender ao desejo” (p. 197), ou seja, só o amor pode fazer passar do gozo auto-erótico para a relação com o Outro como objeto a. É pela via do amor que o sujeito (S) se forma, saindo da posição mítica de puro gozo (S). O gozo (sempre parcial) é auto-erótico, goza-se no próprio corpo. Dessa forma, é o amor que pode permitir que se renuncie ao gozo do próprio pênis e que se aceite um gozo mais difícil, em busca do desejo, entrando em sua cadeia metonímica infinita. O que faz vínculo é o amor.
“Propor-me como desejante, eron, é propor-me como falta de a, e é por essa via que abro a porta para o gozo de meu ser.” (Lacan 1962-63/2005, p.198). Essa citação de Lacan parece uma forma de articular a relação entre desejo e gozo. O que ele propõe é que para me tornar desejante, a falta do objeto precisa estar do meu lado, só há gozo com a castração. Goza-se, portanto, a partir da lei. Só podemos desejar se o Outro torna-se meu objeto, o que
causa angústia “justamente por eu não poder fazer dele mais que a, por meu desejo o “aizar”, se assim posso dizê-lo” (p.199).
O que deseja a mulher, então, é poder usufruir do parceiro, o que o angustia, pois só pode haver desejo com a castração. Ao objetivar o ser do homem, pois o que ela quer é seu gozo, a mulher só pode atingi-lo castrando-o. Lacan (1962-63/2005) indica que, assim, a mulher apresenta uma diferença no campo do gozo. Para ela, há uma frouxidão no nó do desejo. No desejo do homem, o é o que está em jogo como termo central, e isso implica , em sua relação com o objeto, que ele tenha que passar por uma negativização do falo e pelo complexo de castração. Para a mulher, isso não está em questão. No ato da cópula, é o homem que joga com o órgão, que detumesce no orgasmo, enquanto a mulher não tem que se haver com isso, por isso, há essa diferença em relação ao gozo do homem e da mulher.
Isso não tira a mulher da relação com o desejo do Outro, ao contrário, é justamente isso que ela enfrenta. Entretanto, para ela, o objeto fálico chega em segundo lugar. Lacan (1962-63/2005) indica que não podemos considerar o Penisneid como o o termo final em relação às mulheres. Para a mulher, o objeto, diferente do homem, não está ligado à falta. Com isso, não há, para ela, nada a desejar no caminho do gozo. Lacan afirma que isso não lhes simplifica a questão do desejo, “mas, enfim, interessarem-se pelo objeto como objeto de nosso desejo causa menos complicações para elas” (p.200). Essa afirmação remete-nos mesmo à mulher fazendo-se como objeto causa de desejo do homem. Lacan conclui mesmo que o gozo da mulher é maior que o do homem. Por isso, elas estão mais próximas do real, “é que ao real não falta nada” (p.205).
Aqui, encontramos as duas fantasias relativas às posições homem e mulher. O masoquimos feminino, presente no texto de 1960, e o mito do Don Juan. A fantasia do masoquismo feminino é a suposição masculina de que a mulher gozaria estando no lugar de objeto fetiche, não colocando nada de seu desejo, pois é isso que angustia o homem. Já “Don Juan é um sonho feminino” (Lacan, 1962-62/2005, p.212), pois nele não há a detumescência. Ele é o homem que tem ( ) e no qual a sua relação com o objeto é apagada, já que não é um sujeito desejante. O que está em jogo é que ele pode ter todas as mulheres, desde que tomadas uma a uma.
Concluindo, nesse Seminário, Lacan mais uma vez demonstra a radicalidade da dissimetria entre os parceiros. Enquanto a mulher supera a angústia pelo amor, para o homem, o desejo da mulher o angustia. Lacan também nos aponta que o amor pode fazer o gozo ceder de seu imperativo auto-erótico e passar pelo desejo. Dessa forma, entendemos que o amor pode ser tomado como um dos fundamentos do próprio laço entre os sujeitos e, mesmo que
marcado pela dissimetria, há o encontro. Ainda, o autor dá um passo em relação ao gozo feminino, mostrando sua diferença em relação ao gozo masculino, o que culmina na formulação, no Seminário XX, do gozo não-todo.