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CdTe ve CdS Esaslı Eklemlerin Karakteristikleri 34 

2.  GENEL BİLGİLER 2 

2.8  Metal/CdTe, CdS Eklemlerin Özellikleri 25 

2.8.2  CdTe ve CdS Esaslı Eklemlerin Karakteristikleri 34 

Em seu oitavo seminário, Lacan (1960-61/1992) dedica-se ao estudo da transferência, utilizando como referência o diálogo do texto “O Banquete”, escrito em 380 a.C. por Platão17. O autor faz uma importante relação entre o amor e a experiência analítica, claramente em uma referência a Anna O. e Breuer: “No começo da experiência analítica,

17 Platão foi discípulo de Sócrates e tomou como sua a tarefa de escrever as ideias do mestre após este ter sido

vamos lembrar, foi o amor” (Lacan, 1960-61/1992, p.12). O autor afirma que o amor interessa ao estudo da transferência na medida em que é o problema do amor que nos permite compreender o que se passa na transferência. Há uma confusão entre o fenômeno do amor e o da transferência, uma vez que ambos conduzem à falta, o que tem relação com a sua afirmação “o amor é dar o que não se tem” (p. 41).

Deste seminário, visamos três pontos fundamentais: a não relação harmônica no par amoroso, a posição feminina e o apontamento sobre o agalma. Todavia, para isso, consideramos importante apresentarmos brevemente o texto platônico. O banquete era uma cerimônia grega, marcada por regras, de concurso íntimo, realizado entre pessoas da elite e na qual cada pessoa presente dava sua contribuição a um tema eleito com um pequeno discurso. O tema escolhido para o banquete de Platão foi o amor. Cabe esclarecer que, apesar de escrito por Platão, quem narrou a ocasião a ele foi Apolodoro, que supostamente havia recebido a narração de Aristodemo. Lacan (1960-61/1992) indica que, se há alguma mentira na história, ela “é uma bela mentira” (p.36).

Na cerimônia, exigia-se que não se bebesse demais, o que demonstrava seu caráter de seriedade. No entanto, a mesma é interrompida por Alcibíades que, bêbado, invade o espaço e passa a discursar sobre o amor de forma escandalosa. Sócrates, por sua vez, foi um filósofo que deu toda importância ao conhecimento, mas que, no entanto, ao falar do amor, não disse quase nada, passando sua palavra para uma mulher: Diotima. Sobre o amor, Sócrates não o coloca em lugar elevado, e toma a palavra enquanto falava Agatão, seu amado. Quem abre os discursos é Fedro, colocando o amor no campo dos deuses.

Indica-nos Lacan (1960-61/1992) que “o amor grego nos permite retirar, na relação de amor, os dois parceiros do neutro” (p. 41), ao ter criado duas funções existentes no casal: o érastès - o amante e o éróménos - amado. O amante é localizado como o sujeito desejante, e o amado, como aquele que tem algo no par amoroso. Então, surge a questão de saber se o que o amado possui tem relação com o que falta no sujeito de desejo, e é aí que reside todo o problema do amor. O que ocorre é que não há nenhuma coincidência no par amoroso: o que falta em um não é o que existe no outro. Essa afirmação já não apontaria para o que é formalizado na década de 70 sobre a inexistência da relação sexual? Acreditamos que sim.

Apesar do desencontro na parceria amorosa, o par amante e amado faz do amor “um vínculo contra o qual qualquer esforço humano viria se quebrar” (Lacan, 1960-61/1995, p.52). Dessa forma, um exército feito de amantes e amados seria invencível, já que ambos representam um para o outro alta autoridade moral, diante da qual não se cede. O extremo disso seria o amor como princípio do sacrifício.

No discurso de Fedro, o amor é colocado no campo dos deuses. Ele conta que os deuses comparam o amor de Alceste, Orfeu e Aquiles, para tentar eleger qual seria o melhor amor. Ressalta-se que o amor grego é o amor homossexual, mas Fedro diz: “e quanto a morrer, só os consente quem ama, não apenas homens, mas também as mulheres” (Platão, 2003, p.10), e fala de Alceste. Ela era casada com o rei Admeto e tinha com ele três filhos. Admeto é sorteado pelas divindades das trevas para morrer e Alceste se oferece para morrer em seu lugar, mesmo havendo outros que pudessem morrer em lugar do rei.

Lacan (1960-61/1992) indica que Alceste é a encarnação do amor e que substitui o ser de Admeto na morte. “A substituição, a metáfora, de que lhes falava há pouco é aqui realizada no sentido literal. Alceste se coloca, autenticamente, no lugar de Admeto” (p. 53-54). Há, aí, a metáfora como mola do amor, um ser é colocado no lugar de outro ser. Aqui, não há a transformação do amado em amante, como veremos em Aquiles, é como amante, desde sempre, que Alceste se oferece para morrer no lugar do marido. Importante ressaltar que os deuses permitem que Alceste retorne do mundo dos mortos, coisa rara, mostrando assim “que até os deuses honram ao máximo o zelo e a virtude do amor” (Platão, 2003, p. 11), afirma Fedro. O amor é um significante que opera como metáfora, como substituição. E a significação do amor se dá na medida em que o amado se comporta como amante.

Orfeu, por sua vez, é autorizado por Plutão a descer ao Império dos mortos para buscar sua mulher Eurídice, tendo como condição que não olhasse para trás até que chegasse à região da luz. No entanto, corroído pela dúvida de estar mesmo sendo seguido por ela, olha para trás e, com isso, ela desaparece. Sobre Orfeu, Lacan (1960-61/1992) diz que ele foi enganado pelos deuses que não lhe mostraram sua mulher de verdade, mas sim um fantasma. Há uma diferença entre “o objeto de nosso amor enquanto que encoberto pelas nossas fantasias e o ser do outro, na medida em que o amor fica se interrogando para saber se pode alcançá-lo” (Lacan, 1960-61/1992, p.53). Eurídice, assim, estaria no lugar de objeto, o objeto recoberto pelas fantasias do amante, enquanto Alceste teria visado ao ser do amado, ao oferecer seu ser no lugar do ser de Admeto.

Já Aquiles nos interessa aqui por ser a partir de sua história que podemos compreender a significação do amor, quando o amado passa a se comportar como amante. Aquiles foi escolhido pelos deuses para simbolizar o amor, e não Alceste, pois por estar na posição de amado, seu sacrifício tornou-se mais admirável.

O que realmente mais admiram e honram os deuses é essa virtude que se forma em torno do amor, porém, mais ainda admiram-na e apreciam e recompensam quando é o amado que gosta do amante do

que quando é este daquele. Eis por que Aquiles eles honraram mais do que Alceste, enviando-o às ilhas dos bem-aventurados. (Platão,2003, p.11)

Aquiles, personagem do poema Ilíada de Homero, recebe a notícia de que seu amante Pátroclo foi morto por engano em um combate com Heitor. Quem era visado por Heitor era ele próprio. Enfurecido, Aquiles resolve se vingar. Sua mãe, Tétis, pede que ele renuncie à vingança, pois somente assim sobreviveria à guerra, voltaria para casa e morreria de velhice. No entanto, mesmo sabendo da sua iminente morte, Aquiles escolhe se vingar e mata Heitor. Lacan (1960-61/1992) ressalta que Aquiles teve escolha e que sua escolha é tão decisiva quanto o sacrifício de Alceste, tendo o mesmo valor de substituição do ser pelo ser, no entanto, com Aquiles temos uma virada de posição. Se a princípio estava na posição de amado, ele passa a se comportar como um amante, sendo essa a significação do amor. Daí, Lacan adverte que no par erótico é do lado do amante que se encontra a atividade. O amor, portanto, é uma metáfora que produz o acontecimento de fazer com que o amado comporte-se como amante, ou seja, quando o amado passa, então, a sinalizar seu desejo pelo amante.

Ainda nesse Seminário, há dois pontos que nos interessam aqui: o primeiro refere-se ao objeto agalmático, e o segundo, à posição de Alcibíades que faz a Sócrates “uma cena feminina” (Lacan, 1960-61/1992, p.160). Ele faz da sua entrada no banquete uma irrupção, mudando as regras do jogo. Se antes faziam um elogio ao amor, Alcibíades propõe que se faça um elogio ao outro, ao parceiro que está à sua direita. Com isso, passam a falar do amor em ato.

A tentativa de Alcibíades é a de fazer com que Sócrates mostre a ele algum sinal de seu desejo, que no passado não havia ficado escondido. Alcibíades foi o amado de Sócrates. O que estava em jogo era, portanto, a metáfora do amor, ao passar, ele, de amado para amante. Por sua vez, a posição de Sócrates era a de impassibilidade, ele não suporta a posição passiva de amado, e por saber disso, por saber que o amor é essa metáfora, ele não ama. Mas o que há em Sócrates que causa Alcibíades? “Há, pois, agalmata em Sócrates, e foi isso o que provocou o amor de Alcibíades” (Lacan, 1960-61/1992, p.152).

Agalma é o objeto que possui as características de ser precioso, é o objeto agalmático que mobiliza o desejo do amante, tendo como característica fundamental o fato de haver uma submissão do amante àquele que possui o objeto agalmático. Não é ao ser que o desejo se dirige, mas ao objeto, diferentemente do amor como testemunha Alceste e Aquiles. Lacan (1960-61/1992) nos indica isso quando, no discurso de Sócrates, é pontuado que Alcibíades, na realidade, dirigia-se a Agatão: “Mas Alcibíades deseja sempre a mesma coisa. O que ele busca em Agatão, não duvidem, é este mesmo ponto supremo onde o sujeito é abolido na

fantasia, seus agalmata” (p. 161). Alcibíades faz a metáfora do amor e, por isso, é ele quem ama.

Por que ele quer ser amado? Na verdade, ele já o é, e sabe disso. O milagre do amor é realizado nele na medida em que ele se torna o desejante. E quando Alcibíades se manifesta como amoroso, não é, como diria, como uma mulherzinha. Porque ele é Alcibíades, aquele cujos desejos não conhecem limites; quando se engaja no campo referencial, que é para ele o campo do amor, demonstra aí um caso notável de ausência do temor de castração, em outras palavras, de falta total desta famosa Ablehnung der

Weiblichkeit [rejeição da feminilidade]. Todos sabem, com efeito, que nos modelos antigos os tipos mais extremos de virilidade são sempre acompanhados de um perfeito desdém pelo risco eventual de se fazer tratar de mulher, mesmo que por seus soldados, como aconteceu, vocês sabem, com César (Lacan, 1960-61/1992, p.160).

Lacan, com isso, quer nos apontar que no amor é a posição feminina que está em jogo. Rosa (2010), em seu trabalho sobre os transtornos amorosos, indica que colocar Alcibíades na série de mulheres aponta para uma constatação que se impôs em seu trabalho: que o amor feminiza. Ele tem efeitos feminizantes ao colocar o sujeito em relação com a falta e, ao não se obter a complementaridade na parceria amorosa, isso poderia levar às mais transtornadas atitudes. Aquiles representa bem isso ao matar Heitor, quando carrega arrastando dia e noite o seu corpo, mostrando aí seu desvario.

O amor, neste momento da obra de Lacan (1960-51/1992), é colocado no campo simbólico, como uma metáfora, e tiramos daqui algumas indicações que serão formalizadas na década de 70: a não relação sexual e o ilimitado do amor feminino. Antes, porém, ainda que não seja nosso objetivo abordar toda a teorização lacaniana sobre o amor, achamos válido trazer a discussão do Seminário 10 sobre a articulação do gozo com o desejo e o amor.