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CdS/CdTe ve CdZnS/CdS/CdTe Pillerin Elektrik ve Fotovoltaik Karakteristikleri84 

4.  BULGULAR 55 

4.4  CdZnS Esaslı Güneş Pillerin Karakteristikleri 80 

4.4.2  CdS/CdTe ve CdZnS/CdS/CdTe Pillerin Elektrik ve Fotovoltaik Karakteristikleri84 

A problemática da metodologia surge sempre que buscamos fazer uma pesquisa em psicanálise. Isso se deve ao próprio conflito existente entre psicanálise e ciência, visto que uma visa um saber sobre o particular, enquanto a outra um saber que se julga universal. Entretanto, a preocupação com a cientificidade nasce junto com a psicanálise, a partir da preocupação de Freud em aproximar, em um primeiro momento, a psicanálise à ciência, uma vez que a ciência era seu ponto de referência e sua mira. “Sua descoberta, no entanto, descortinou o que se pode chamar a inadequação do ser humano à pesquisa científica, uma tendência a recusar, recalcar o saber.” (Mezêncio, 2004, p.104). O que indica a divergência entre o objeto da psicanálise, o sujeito divido por excelência, e a objetividade da ciência.

Mezêncio (2004) observa que “Freud foi levado, inicialmente, em razão da natureza do seu objeto de investigação, ao princípio metodológico da simultaneidade do tratamento e da investigação, da clínica e da teoria.” (p.104). Tem-se, então, o princípio metodológico de aliar o tratamento analítico à investigação, o que se torna mais claro quando localizamos que a psicanálise nasce a partir da clínica da histeria.

Em 1911, a pedido do Dr. Andrew Davidson - Secretário da Seção de Medicina Psicológica e Neurologia Australiano, Freud (1911/2006) escreveu um artigo para ser lido perante o Congresso Médico Australiano. Após situar a extensão da psicanálise nos EUA e na Europa, Freud chama a psicanálise de uma “combinação notável”, uma vez que “abrange não apenas um método de pesquisa das neuroses, mas também um método de tratamento baseado na etiologia assim descoberta” (p.225). Ele acrescenta que a psicanálise se encontra incompleta, como todo e qualquer novo produto da ciência. Aqui, vê-se a importância dada por Freud à localização da psicanálise no campo da ciência, bem como a ênfase de que a psicanálise abrange a pesquisa e o tratamento.

Em “Dois verbetes de enciclopédia” Freud (1923b/2006) define a psicanálise a partir de três eixos: como procedimento de investigação, como um método de tratamento e como uma coleção de informações psicológicas. Portanto, na definição mesma de sua teoria, ele não abre mão de aliar a pesquisa (investigação) ao tratamento.

A partir dessas notas, podemos extrair dois fundamentos essenciais: o primeiro refere- se à impossibilidade de completude do saber da psicanálise, e o segundo, ao enlace entre a clínica e a pesquisa, tendo como indubitável resultado a produção de saber psicanalítico. Ainda, quando o autor indica que a teoria está sempre pronta a se modificar, pode-se pensar na própria evolução da psicanálise a partir dos casos estudados por Freud.

Tendo sido a psicanálise criada a partir das histórias clínicas dos pacientes de Freud, Barroso (2003) pergunta como se poderia pensar a clínica da histeria sem o caso Dora, bem como a teoria da psicose sem o caso Schreber, e da neurose obsessiva sem o caso do Homem dos ratos. Ainda, o caso do Homem dos lobos, “[...] testemunha, sobretudo, que foi em torno do real da clínica que Freud tece suas construções.” (p.19). Assim, Freud produz o saber da psicanálise a partir de sua prática clínica, demonstrando, com isso, a afinidade existente entre a psicanálise, a pesquisa e a construção do caso clínico.

Contudo, Freud afirma que por surgir da clínica não exclui da psicanálise seu rigor teórico, mas aponta para algo fundamental sobre a construção do caso: o mesmo não serve para uma mera demonstração e/ou afirmação da teoria, “mas, ao contrário, trata-se da exigência de retificação dos conceitos, a partir de cada caso em especial” (Pacheco, 2003, p.35). Se seguimos o percurso freudiano, isso fica evidente quando Freud retoma e reformula conceitos ao longo de sua obra a partir de sua experiência clínica. Podemos tomar, como exemplo, o abandono da teoria da sedução, quando Freud a substitui pela teoria da fantasia de sedução a partir dos atendimentos às histéricas.

Sobre a construção do caso em Freud e Lacan, podemos seguir com a contribuição de Laurent (2003) em seu texto “O relato do caso, crise e solução”, no qual ele nos indica que o relato de caso freudiano se aproxima de um modelo romanceado, mas sem que Freud deixe de fixar algo que seria próprio a seu modelo, a saber, o sonho do paciente e as associações subsequentes. A forma freudiana de relato consegue “integrar a sessão analítica, por natureza enodada na dissimetria do analista e do analisante, em um mesmo relato contínuo do diálogo do sujeito com seu inconsciente” (p.70).

Na década de 20, as novas formações sintomáticas que resistem ao desvelamento inconsciente colocaram em xeque a prática da interpretação e, consequentemente, a construção do caso clínico pela via do sonho e suas interpretações. Nesse período, o caso torna-se uma tentativa de elucidar a dificuldade de cada analista. Surge, então, uma nova forma de construção e relato de caso, a partir da extração de elementos cruciais da sessão psicanalítica, sendo a forma curta o que passa a prevalecer. “A unidade do caso não era mais o destino de um sujeito, mas o fato memorável, transmissível, extraído de uma sessão” (Laurent, 2003, p.71).

Lacan, em sua tese de doutoramento, em psiquiatria, faz um estudo exaustivo do caso Aimeé, em torno do conceito de personalidade. Laurent (2003) indica que o fundo do método utilizado nesta tese é de Karl Jasper, e que ao fazer sua passagem para a psicanálise, Lacan abandona “as experiências falaciosas de um método exaustivo. Mais exatamente, ele substituirá a exaustão pela coerência do nível formal onde o sintoma de estabelece” (p.71). Lacan já demonstrava a função de produção de saber a partir do caso clínico em sua tese. Nela, opta por escandir um único caso, buscando “a descrição completa dos laços etiológicos e significativos por onde a psicose depende da história de vida do sujeito” (Barroso, 2003, p.22), ou seja, lhe interessa menos produzir uma saber geral sobre a psicose paranóica que um saber sobre o caso trabalhado. O valor metodológico do caso se deu pela sua particularidade, sem desconsiderar o que do caso se encaixava na classificação de psicose.

Já em sua leitura dos casos freudianos, Lacan os eleva ao lugar de paradigma, uma vez que, a partir dos casos, localiza-se tanto a estrutura como aquilo que tem de mais singular no caso, aquilo que se repete no sujeito, bem como o modo de interrupção da repetição. Lacan localiza a “combinatória inconsciente” (Laurent, 2003, p72) em sua leitura dos casos freudianos. Em “O mito individual do neurótico”, no qual estuda o caso do Homem dos ratos, ele aponta que apesar deste caso ser essencial para o estudo dos determinantes da neurose, não é aí que está seu valor metodológico. “Seu valor é tributário da ‘constelação originária que presidiu ao nascimento do sujeito’, isto é, as relações familiares que estruturaram a união de

seus pais, e que mostrou uma íntima relação com a contingência motivadora do sofrimento do sujeito” (Barroso, 2003, p.23).

A construção do caso deve incluir o não programado, o contingente, as surpresas que pegam o analista e o fora da cadeia significante que surge. Só assim, pode-se considerar a experiência do real em jogo na análise - “um caso é um caso se ele testemunha sobre a incidência lógica de um dizer no dispositivo de cura, e sobre sua orientação em direção ao tratamento de um problema real, de um problema libidinal, de um problema de gozo.” (Laurent, 2003, p.69). Laurent parece nos indicar, nessa passagem, que o caso clínico será sempre de um sujeito específico, e que o analista está nele implicado. E ainda, ao localizar a transmissão do real e do singular como o mais importante no caso clínico, não se busca eliminar nele o que se tem de estrutural, o que caberia numa classificação, mas trata-se de transcender as classificações, apontando, inclusive, o que do sintoma do sujeito pode desconstruir as classes pré-estabelecidas, uma vez que “a nominação do sintoma remete, em ultima instância, a um impossível, ao que da pulsão se recusa ao significante.” (Laurent, 2003, p.72).

Assim, propor-se a pesquisar em psicanálise, principalmente no âmbito acadêmico, faz questionar a metodologia nesse campo, bem como a própria relação com a ciência, como foi apontado inicialmente. Quando um psicanalista ou um estudante de psicanálise se insere na pesquisa acadêmica, não é possível que a sua experiência oriunda da clínica seja posta de lado. Se o caso clínico, mesmo que criticado, for aceito no meio acadêmico, ele consegue marcar a transmissão do saber da psicanálise pela via do singular, fazendo dialogar psicanálise, ciência e universidade. É o saber da experiência clínica que pode ser abordado a partir da construção do caso, e por terem sido os próprios casos que nos levaram à pesquisa, e não o contrário, optamos por trabalhar com a metodologia de construção de caso. Com isso, vamos a eles.

5.2. Caso Amanda

Ao que leva o amor Clarice Lispector

- (Eu te amo) - (É isso então o que sou?) - (Você é o amor que tenho por você) - (Sinto que vou me reconhecer... estou quase vendo... falta tão pouco) - (Eu te amo) - (Ah, agora sim. Estou me vendo. Esta sou eu, então. Que retrato de corpo inteiro)

Amanda21 iniciou o cumprimento da Medida Socioeducativa de Liberdade Assistida aos 15 anos de idade, após ter sido apreendida com grande quantidade de drogas ilícitas, destinadas à venda. A adolescente residia com a mãe, Sra. Maria e uma irmã mais nova. Os pais eram separados e ela possuía dois irmãos mais velhos, Patrícia, que era uma liderança do tráfico de drogas em seu bairro, e Pedro, que não tinha envolvimento com a criminalidade. O pai de Amanda não tinha contato regular com a filha. Após a separação, ele deixou para a família um imóvel para aluguel, do qual a genitora retirava seu sustento. Além disso, ele era usuário de drogas e envolvido com o tráfico de drogas em outro bairro, no entanto, traficava apenas para manter seu uso, sem ter adquirido uma posição de ascensão no crime.

Sobre sua apreensão, Amanda disse que as drogas eram do namorado e que foi apreendida por “culpa dele”, pois desde que iniciara o relacionamento, começou a traficar para ele. Era ela quem escondia as drogas e também quem, muitas vezes, ficava na rua entregando-as aos compradores. Amanda nunca usou uma arma e não tinha histórico de qualquer ato violento.

Quando a genitora compareceu ao atendimento, apenas se queixou da filha, dizendo que Amanda passava o dia todo na rua, usando drogas com as amigas. Quando interpelada sobre o fato da filha ter ido morar com um namorado aos treze anos de idade, disse que não gostou disso, mas que “não podia fazer nada”. Mostrou-se pouco interessada na filha, apresentando-se apática e cansada.

A dificuldade na condução do caso de Amanda residia no fato dela não querer falar sobre seu relacionamento, ao mesmo tempo em que responsabilizava o ex-parceiro pelo seu envolvimento infracional. A isso, somava-se o fato de Amanda estar sempre indisposta e de demandar algumas coisas, embora não desse continuidade àquilo que pedia no momento em que suas demandas eram atendidas, como aconteceu em relação à escola, cursos e encaminhamento para tirar documentos.

A certa altura do acompanhamento, Amanda é convocada para uma audiência. No atendimento seguinte, quando questionada sobre a mesma, fica muito nervosa e grita: “Se eu tiver que ficar indo lá, não vou aguentar, vou fazer uma besteira!”. Esse é o primeiro atendimento em que se propõe a falar do ato infracional e conversar sobre os eixos da Medida. Pela primeira vez, fala do namorado, e esse assunto vai sendo tratado nos atendimentos seguintes. Diz que o medo de fazer besteira tem relação com o medo que sente do ex- namorado: “Eu não consigo nem dormir direito, fico pensando nele”.

Amanda começou a namorar Ronaldo aos 13 anos de idade e sabia que ele era traficante:“Não sei o que vi nele, ele tinha um tanto de namorada na rua”. Também afirmou que algo nele a atraiu, mas não sabia bem o que era, no entanto, fazia questão de dizer o quanto ele era desejado por outras jovens. Amanda relatou que, quando foi morar com Ronaldo, ela era a única que residia na mesma casa que ele, mesmo ele tendo outras parceiras na rua. No momento dessa fala, ela demonstra certo orgulho, o que raramente aparecia quando falava de Ronaldo, já que o mais comum eram frases do tipo: “eu era burra”; “eu não ouvia ninguém, minha mãe falava comigo para eu parar, mas não adiantava”. Sobre o namoro, dizia o seguinte: “Ele já me bateu e tinha outras mulheres. Eu era boba demais. Ele tinha um tanto de namorada”. O fato de Ronaldo ter várias outras mulheres era um ponto da queixa de Amanda, mais do que as próprias agressões e proibições que ele lhe impunha. Em um atendimento, conclui: “Olha o que eu fiz com a minha vida”, e se refere ao fato de “por causa dele” ter sido apreendida. Sobre o fim do relacionamento, Amanda conta que Ronaldo foi expulso do bairro por outras pessoas também envolvidas com o tráfico de drogas e a abandonou sem se despedir. O fato de ter sido abandonada a deixou sem uma resposta sobre o fim do relacionamento.

Em certo momento, Amanda conta que foi à igreja porque lhe disseram que Ronaldo havia feito “macumba” para ela, e que por esse motivo ela estaria sentindo tanto medo dele. Na igreja, teriam desfeito esse processo, e agora estava “livre dele”. Amanda conta que seu medo era de que ele voltasse para o bairro, embora não soubesse a razão de sentir tal medo de sua presença. Esse medo sentido por Ronaldo nunca foi bem explicado por Amanda, pois ela própria não o compreendia direito, o medo a ultrapassava.

Sempre que se tentava trabalhar com Amanda a sua responsabilidade em relação a seus atos e suas apreensões, ela repetia: “já te falei, fui vender drogas quando comecei a namorar”. Assim, não se responsabilizava pelo envolvimento infracional, indicando-nos que o que estava em jogo não era uma relação com o ato infracional, mas um relacionamento amoroso fracassado com todas as vicissitudes advindas daí.

O atendimento de Amanda foi interrompido no momento em que a técnica mudou-se de regional, quando a adolescente passou a ser atendida por outra pessoa. Segundo últimas informações, Amanda ainda demandou os mesmos cursos, mas não os efetivou, e se queixava de muita tristeza e de uma vontade repentina de chorar, principalmente, após a prisão da irmã e do cunhado por tráfico de drogas. No entanto, a adolescente retomou os estudos após um longo período e conseguiu finalizar o cumprimento de sua Medida Socioeducativa de

Liberdade Assistida. Depois disso, não tivemos mais informações sobre Amanda, que hoje está com 18 anos.

5.2.1 Discussão

Amanda apresenta-se no período da puberdade, que, conforme vimos com Freud (1905/2006; 1914/2006), é o momento em que figuras de ideais são importantes para que o adolescente possa ter um ponto onde se apoiar, via identificação. A adolescência torna-se mais difícil para as meninas, pois para elas, há o processo de feminização concomitante. Nesse momento, comum a todas as adolescentes, cada uma dará uma resposta singular.

No caso de Amanda, temos uma mãe opaca, que não lhe transmite algo sobre o campo do desejo, um pai fraco, que nem mesmo no crime conseguiu se sobressair, e uma irmã traficante, com quem tinha uma boa relação e que nos parece servir como um suporte de identificação. O pai, apesar de ser apresentado como fraco, parece exercer sua função simbólica. Ele não era impotente e isso era reconhecido pela adolescente. Ao separar-se de Sra. Maria, deixou para ela e os filhos um imóvel de aluguel, de onde a família retirava seu sustento.

Frente ao não saber paradigmático da adolescência, cada sujeito buscará uma resposta sintomática para isso, conforme vimos com Stevens (2004). No caso de Amanda, há a formação de uma parceria sintomática que, ao mesmo tempo em que responde aos enigmas da feminilidade, parece também funcionar como uma resposta à adolescência. Vimos com Wedekind (1991) que Wendla, frente à negativa de sua mãe em lhe dizer sobre o encontro sexual, força um encontro com Melchior, como uma forma de tentar articular esse não saber. Essa parece ser a solução de Amanda, que aos treze anos de idade tem um encontro amoroso e vai, ao extremo da parceria, morar com o namorado e traficar para ele. Ambos os encontros mostram a dificuldade de uma construção de saber sobre o encontro sexual, que Lacan (1974/2003) toma como mal sucedido para todos. Amanda faz também, nesse momento, a separação, no campo do real, da autoridade materna. A genitora denegria muito a filha alocando a ela um “a menos”, ela não apostava em Amanda, mostrando-se indiferente às escolhas da filha e descomprometida com a mesma.

Stevens (2004) propõe o uso de drogas como uma das respostas sintomáticas da adolescência. Esse uso só aparece para Amanda após o rompimento com o namorado, quando

ela passa a usar maconha com um grupo de amigas. O uso de drogas pode ser considerado tanto como recreativo, através do qual o grupo tem aí uma função, como também pode entrar no campo de uma toxicomania verdadeira, que é uma forma de rompimento com o gozo fálico. No caso de Amanda, o que vemos é uma saída não pelas drogas, mas pelo grupo. Quando é abandonada, face ao encontro com o Outro sexo, perde a experiência de consolidação de uma resposta pela via da parceria amorosa, Amanda, então, parece recorrer ao grupo, via identificação ao grupo de amigas “maconheiras”.

Se o saber é uma das respostas possíveis surgidas na puberdade, ele não sustenta Amanda. Com Melchior (Wedekind, 1891/1991) vimos uma tentativa de articulação sobre o encontro com o Outro sexo via saber, o que não excluiu o mal entendido do encontro amoroso com Wendla. Com Amanda, por sua vez, vimos que não há uma busca pelo saber. A educação formal não respondeu às reais questões em jogo na adolescência e ela não empreendeu outro movimento em relação ao saber, assentando-se, antes, numa certa indiferença ao saber com o uso das drogas

A parceria amorosa de Amanda nos parece ter um lugar central, não apenas para as questões que a puberdade convoca, mas principalmente para o enigma da feminilidade. Ainda que seja estrutural a ausência de um significante do feminino, como já apontamos, a mãe de Amanda parecia não funcionar como anteparo, ainda que especular, para o exercício desejante e também parecia não servir como semblante da feminilidade para sua filha. Ela conta em um atendimento que, desde que se separou, ficou por conta de cuidar da casa, de sua saúde (ela alegava ser muito doente) e dos filhos e netos – mesmo deixando-os à deriva, sem, de fato, ocupar-se deles ou, mais especialmente, de Amanda. O que singulariza essa mulher é que ela não se coloca como causa de desejo de um homem. Sua saída para os enigmas da feminilidade parecem radicar-se numa saída fálica pelo campo da maternidade.

Patrícia, sua irmã mais velha - sabe-se pouco dela -, era traficante em sua região e conhecida por ser muito cruel22. Não podemos negar que haja um suporte para a identificação sexuada nessa relação. Não podemos, porém, elaborar muito sobre ela, dada a ausência de informação sobre a mesma, pois Amanda praticamente não falava da irmã. Com isso, temos poucos elementos dessa relação.

Se a puberdade traz várias questões para o sujeito, a feminilidade adiciona a sua cota. Como vimos, não há um significante próprio do campo do feminino, e o gozo localizado no

22 Essa informação da crueldade da irmã como traficante nunca foi trazida por Amanda. Sabíamos desta

informação tanto pelos parceiros da rede de serviços, bem como por outros adolescentes atendidos nas Medidas Socioeducativas, que já chegaram a, inclusive, serem ameaçados de morte por Patrícia.

registro feminino do não-todo também não identifica a mulher. Uma solução possível para a inexistência d´A mulher é ser a mulher de um homem (Lacan, 1972-73/2008). A parceria de Amanda parece nos demonstrar isso.

Ronaldo possui algo que Amanda não sabe o que é, quando nos diz não saber o que viu nele, o que a encantou. Aí, parece ser o agalma que está em jogo, pois apesar de ser ele o