DÜNYADA TOPRAK REFORMU(1)
BREZ‹LYA Özet
Coseriu (1979) explica que há algumas distorções nos estudos da linguagem baseados na concepção estruturalista de língua desenvolvida por Saussure. Esses estudos pós- saussurianos, apesar de atribuírem certa importância ao falar, permanecem observando a fala do ponto de vista da língua, devendo esta ser vista como um fenômeno distinto daquela justificando-se pelas limitações impostas pelo esquema langue e parole. Coseriu defende que não se deve explicar o falar apenas do ponto de vista da língua, e sim, vice-versa, porque o falar é uma atividade mais ampla que a língua, sendo essa contida totalmente no falar, mas o falar não sendo contido em sua totalidade na língua.
[...] não há que explicar o falar do ponto de vista da língua, e sim, vice-versa. Isso porque a linguagem é concretamente falar, atividade e porque o falar é mais amplo que a língua; enquanto que a língua se encontra inteiramente contida no falar, o falar não se encontra inteiramente contida na língua. (COSERIU, 1979, p. 213).
O falar possui maior amplitude que a língua, mesmo sendo uma ação de falar uma língua em sua acepção histórica, devido aos seus recursos não-verbais, como a gestualidade, expressões faciais, suspensão da própria fala que contém seus significados próprios. A língua contém apenas as circustâncias, nas quais os signos adquirem significação na atividade concreta do falar. Nessa atividade do falar, alguns elementos da expressão verbal que não são
permanentes podem adquirir funções ocasionais em determinadas circunstâncias que acabam ultrapassando os limites da língua. Coseriu (1979) explica que essa técnica geral do falar diz respeito à determinação e as circunstâncias do falar correspondem ao entorno. Ao mencionar essa técnica geral do falar, o linguista romeno se detém à determinação nominal no âmbito da linguagem enunciativa e explica que corresponde à determinação as operações que se realizam na linguagem como atividade para dizer algo acerca de algo com os signos da língua. À determinação correspondem os processos de atualização, discriminação, delimitação e identificação.
A atualização consiste em trazer para a realidade concreta da língua um conceito virtual, isto é, transformar um significado nominal em sua essência para a sua existência, por exemplo, o conceito virtual homem para o atualizado o homem; a discriminação corresponde aos entes denotados que se apresentam como exemplos de uma classe, em outras palavras, quando se denota um ente de um grupo que é composto pelos entes em particular, ou ainda, representa uma porção de um objeto extenso: um homem, este homem; a operação de delimitação parcializa a designação do conceito de forma a orientar a referência para uma parte do particular denotado: o vasto oceano, sol matutino, menino louro; a identificação especifica o significado de formas multívocas desfazendo qualquer equívoco entre elas: língua idioma [não língua anatômica], o sol moeda [ não o astro]. Essas operações de determinação possuem algumas subdivisões, entretanto, não vamos entrar em sua particularidades porque para este estudo, interressa apenas os conceitos referentes aos entornos para justificar o contexto da escrita das atas das câmaras municipais da Paraíba.
Essas operações da determinação citadas não ocorrem de forma isolada das circunstâncias da língua, uma vez que o discurso necessita de um contexto para completar sua significação e, por esse motivo, falamos mais do que queremos dizer. Isso acontece porque os entornos, ou seja, as circunstâncias da língua, servem como um “pano de fundo” para o discurso, mas vão além dessa função ao orientar todo o discurso para que este tenha sentido. Coseriu (1979) divide os entornos em: situação, região, contexto e universo de discurso.
A situação se caracteriza pelas relações espaço-temporais criadas no discurso, pois quando alguém fala algo para uma outra pessoa, realiza essa ação de falar num determinado espaço e num momento do tempo. Coseriu chama de região o espaço em que, dentro dos seus limites, um signo funciona em determinados sistemas de significação. Essa segunda circunstância se subdivide em: zona, âmbito e ambiente. A primeira é a região em que se emprega corretamente um signo conhecido, ou seja, quando é utilizado nos seus limites de significação. Ao âmbito corresponde a região em que o signo pertence ao domínio cultural
dos falantes ou de sua experiência orgânica, como por exemplo, iglu e casa possuem âmbitos diferentes, pertencem a conceitos de moradia em culturas diferentes. A última subdivisão da região é estabelecida social ou culturalmente em espaços como a família, a escola, as comunidades profissionais, as castas etc.
Sobre a noção de contexto, Coseriu explica que “é toda realidade que rodeia um signo, um ato verbal ou um discurso, como presença física, como saber dos interlocutores e como atividade.” (COSERIU, 1979, p. 231). Sendo assim, o contexto é a situação na qual um signo se insere na atividade concreta do falar. O contexto se subdivide em: idiomático, verbal e o extraverbal. O contexto idiomático é a própria língua como contexto. No falar, só uma parte da língua se manisfesta, ficando a outra parte submersa, no dizer de Coseriu (1979, p. 231) “esta parte significa toda a língua, a todo saber idiomático dos falantes.” O contexto verbal é o discurso enquanto entorno e o contexto extraverbal é toda circunstância não- linguística conhecida pelo falante que se distingue em diversos contextos:
físico: abarca os objetos que estão à vista dos falantes ou as coisas a que um signo adere (um signo impesso, gravado ou escrito);
empírico: é constituído por um estado de coisas conhecido por quem fala num determinado momento e lugar, mas que não está à vista do falante. Exemplo: Vou à praia, mas não se vê a praia no momento do discurso;
natural: é todo o universo empírico conhecido pelos falantes, no qual palavras como o sol, a lua, a terra são singularizados;
prático ou ocasional: é a ocasião do falar. Toda expressão falada ou escrita que produzimos só tem sentido numa determinada ocasião;
histórico: é constituído pelas circunstâncias históricas conhecidas pelos falantes; cultural: é uma das formas do contexto histórico. Abarca todo o cenário cultural de
uma comunidade.
O universo do discurso, último tipo de entorno destacado por Coseriu, é um sistema universal de significação a que o discurso pertence e que determina o seu sentido e validade. Assim, uma frase utilizada no âmbito da literatura não tem o mesmo sentido nas ciências aritméticas, pois pertencem a universos discursivos diferentes.