Amenajman Planlarının
5.1. Biyolojik Çeşitliliğin Korunmasına Yönelik Koruma Öncelikli Alanlar İçin Yapılacak Düzenlemeler
Em setembro de 1995 foi realizado um grande cadastramento dos alunos, anunciado pela SEE-SP como medida para identificar o número real de alunos e evitar os “alunos- fantasma”, ou seja, a sobrenotificação de matrículas na rede estadual, situação que vinha sendo denunciada pela própria Secretaria desde 1993.
Mas quando foi realizado o anúncio da reorganização da rede física, nos meses de outubro e de novembro de 1995, a real motivação do cadastramento foi explicitada. Como a reorganização visava redistribuir os alunos nas escolas considerando a série cursada e o local de moradia, um cadastramento atualizado era essencial.
Os jornais repercutiram diversos protestos de comunidades escolares, grupos de familiares e movimentos de educação contrários à reorganização da rede física. Também foram constantes as críticas de intelectuais, especialistas em educação e deputados estaduais59 ao autoritarismo da secretária da Educação na condução da mudança.
A APM da EEPSG Jacomo Stavale solicitou mandato de segurança a fim de garantir que a escola não fosse incluída na reorganização. Na EEPSG Prof. Joaquim Leme do Prado, no bairro do Imirim, familiares e alunos protestaram com faixas e cartazes contra a mudança.
59 A Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, presidida pela deputada Bia Pardi, do Partido dos Trabalhadores, teve papel atuante nesse período, buscando negociar com a SEE-SP para que a medida fosse melhor planejada em diálogo com a população e com a rede estadual.
Na EEPSG Angelo Bortolo as famílias mostravam-se preocupadas com o futuro dos filhos, já que o bairro não possuía muitas escolas e as existentes eram de péssima qualidade. Demostravam temor por não saber onde os filhos iriam estudar e com o fato de a SEE-SP poder enviá-los para onde quisesse, sem consultar os pais. Um abaixo-assinado contrário à reforma, com 3 mil assinaturas, foi entregue à 4ª Delegacia de Ensino.
Em notícia do OESP, Mário Sérgio Cortella e Rubens Barboza Camargo denunciaram que o propósito real e inconfesso da reorganização era a municipalização de parte das escolas da rede estadual, o que Cortella chamou de “municipalização compulsória e precoce” (BAPTISTELLA, R. S. Especialistas criticam reforma do ensino em SP. OESP, São Paulo, p. A15, 08/11/1995).
O filósofo Renato Janine Ribeiro escreveu artigo criticando a violência simbólica da medida proposta pela SEE-SP, já que ela afetaria a vida de milhares de pessoas alijadas do processo decisório e até mesmo do direito de saber onde iriam estudar e trabalhar no próximo ano, em nome de uma racionalidade puramente técnica.
Mas uma sociedade democrática não deve tolerar governantes que, pretextando razões de ordem puramente técnica, destrocem referenciais que localizam as pessoas, seus afetos, seu mundo. Até porque a técnica só é racional enquanto for meio. E aí cabe perguntar, para que fins? (RIBEIRO, R. J. Graves ameaças. OESP, São Paulo, p. A2, 30/11/1995)
O início das aulas após a reorganização foi bastante confuso. Na EEPSG Vitor Miguel, em Sapopemba, havia classes com 55 alunos e em outras os estudantes precisavam assistir às aulas sentados no chão. Na EEPSG Antonio Prado Jr, na Vila Rosina, em Mauá, foi implantado rodízio: a cada dia uma turma ficava em casa para não ter que sentar no chão. Na EEPSG Ana Siqueira Silva, localizada no bairro Cidade d’Abril, na zona norte da capital paulista, a única das redondezas a oferecer 2º grau, faltavam carteiras e as salas tinham 50 alunos.
Os jornais também traziam depoimentos de mães que discorriam sobre suas dificuldades em lidar com as consequências da reforma. Em uma das reportagens, por exemplo, é apresentado o relato de uma mãe afirmando que cada um de seus três filhos havia sido enviado a uma escola diferente, tornando complicada a rotina familiar. Havia também casos de alunos alocados em escolas distantes de suas casas, obrigados a atravessar grandes avenidas, perigosas para o deslocamento das crianças e dos adolescentes.
Notícia do Jornal da Tarde retrata protesto de grupo de mães da Mooca na Coordenadoria de Ensino da Grande São Paulo - COGSP, levando fotos para comprovar o
estado precário da escola para a qual seus filhos haviam sido mandados e um dossiê documentando todos os pedidos de reforma e providências enviados pela diretora da escola ao órgão (Pais reclamam da reforma de ensino. JT, São Paulo, 17/01/1996).
Em várias cidades foi necessária a mediação do Poder Judiciário, sobretudo por meio dos promotores da Infância e Juventude, para dirimir os conflitos entre a SEE-SP e as famílias. Na cidade de Pederneiras, por meio de negociações envolvendo vereadores, representantes da educação municipal e associações de bairro, foi possível reverter as medidas da reorganização, evitando a ação popular que seria impetrada pelo promotor.
Segundo os jornais, a racionalização da rede física gerou um saldo econômico positivo: o fechamento de 148 escolas em dois anos, sendo 18 na cidade de São Paulo. Deste total, 24 unidades foram preparadas para a venda.
Finalmente, transcrevemos abaixo um trecho da carta de um leitor, em março de 1998. O desabafo revela um pouco do ambiente de insatisfação pelo modo como as mudanças foram realizadas e pela falta de transparência em relação aos seus reais objetivos. Foi um período em que a SEE-SP sofreu duras críticas do sindicato de professores, mas também de pesquisadores e intelectuais, ligados ou não à educação.
Constata-se que existe despreparo, irresponsabilidade e falta de sensibilidade na cúpula dirigente do ensino estadual. Primeiro, era o aluno fantasma. E gastou-se muito dinheiro num cadastramento que até hoje não sabemos o resultado. Segundo, veio a chamada reorganização, e só agora sabemos que tal medida visava à municipalização das escolas de 1ª a 4ª séries, o que é uma grande aventura porque os municípios estão quase todos quebrados. Terceiro, a extinção do período noturno em muitas escolas. Quarto, a não construção de escolas, obrigando a secretaria a limitar a matrícula de alunos com menos de sete anos e a fazer um famoso bingo para o ingresso no segundo grau.[...] (OESP. Fórum de debates - leitores. Daniel Barbosa de Andrade, São Paulo, p. A2, 16/03/1998).