4.1. Sonuçlar
4.1.1. Birinci Alt Probleme İlişkin Sonuçlar
Os esforços das mães brasileiras em direção à criação e ou preservação da atmosfera para o PLH entre imigrantes já foi apontada por pesquisadoras como Mota (2004; 2010), Lico (2011), Polinsky e Kagan (2011) dentre outra(o)s autores e, a maioria, cita a afetividade e, consequentemente, o esforço para o sucesso da comunicação entre mães e filhos. O recorte da fala da PM2 nos revela o seguinte:
[16] [...] O jeito dos japoneses, eles são, meio assim, fechados /.../ o brasileiro não, já pega na mão, já se abraça /.../ esse contato, assim né? eu acho muito importante e que no Japão não tem [...]”. (ES, PM2, 24/07/2015).
O trecho anterior expresso pela PM2 indica um ponto importante para a discussão: o primeiro é de que a afetividade é marca da cultura brasileira e, portanto, é considerada importante quando da transmissão da herança cultural aos seus filhos. Essa crença sugere que o contato afetivo é um atributo da cultura brasileira e da crença da importância do desenvolvimento desse atributo como herança cultural pelos filhos das participantes. A PM3 relata uma percepção similar à PM2 ao dizer o seguinte sobre o que acredita ser importante em relação à herança cultural brasileira:
[17] [...] Hummm (+)(+) eu acho que pra elas o importante é o contato mesmo né. O contato com brasileiro, porque o japonês, como a gente tá aqui no Japão, então contato com japonês elas têm. É::: uma coisa normal na escola e a menor tá na creche, então é:: aquela coisa de: de: (+) de AH, de calor humano NÉ. (ES, 24/07/2015, PM3).
A fim de atender às perguntas da pesquisa, nos ativemos em responder a primeira constatação, que trata da crença da afetividade como um atributo da cultura brasileira. Apesar de seus filhos conviverem mais com a sociedade japonesa, as três participantes afirmam encontrar somente entre a comunidade brasileira a afetividade e interação social desejada e almejam que seus filhos compartilhem dessa característica. Na pesquisa de Souza (2010), as mães também relataram utilizar o português para expressarem suas emoções tanto em relação a elas mesmas quanto aos seus filhos, (SOUZA, 2010, p. 86) tais como “Mostro minhas emoções quando falo português” e “Meus filhos falam português com as pessoas que eles têm mais intimidade” sugerem que as mães atribuam significativa importância ao PLH, em especial à afetividade como característica inerente à LH, como ferramenta de diálogo familiar.
A autora supracitada também aponta que as estratégias de autoidentificação das mães têm impacto sobre seus filhos e a escolha da LH no lugar da língua do país estrangeiro e aponta que o lugar de nascimento dos pais e a exposição majoritária à língua portuguesa ou inglesa podem definir a identidade étnica dos filhos.
A discussão neste artigo sugere que o modo pelo qual as mães migrantes reagem ao contato com a comunidade receptora influencia o senso de etnicidade das crianças e, assim, as suas ligações emocionais e instrumentais com a comunidade de fala. (SOUZA, 2010, p.93, tradução nossa31).
Em consonância com a autora supracitada, entendemos que a percepção das mães sobre afetividade é de que essa característica é presente substancialmente, entre/na comunidade brasileira. A percepção das crenças das mães e os fatores que as impedem ou favorecem a desenvolver determinadas ações dependem do contexto onde as crenças
31 Trecho original: the discussion in this article suggests that the way in which migrant mothers react to
their contact with the receptor community influences their children's sense of ethnicity, and thus, their emotional and instrumental links to their community language (SOUZA, 2010, p. 93).
são, aparentemente, muito mais influenciadas do que as ações em si. Pelo fato de as participantes mães não conseguirem se comunicar em japonês e, consequentemente, não conseguem se inserir plenamente na sociedade japonesa, acabam restringindo seus círculos de convivência e de seus filhos à comunidade brasileira no Japão e, virtualmente, com os brasileiros no Brasil.
Bittens e Jennings- Winterle (2015) indicam que a característica da plasticidade cultural é importante para famílias imigrantes que lidam com o processo de ensino- aprendizagem de LH, uma vez que os participantes possam ser mais abertos ao diálogo com a comunidade receptora sem abrir mão de sua identidade, mas negociando-a em uma sociedade que tende a se tornar multicultural. As autoras asseveram que:
Não somente assimila costumes, valores e a própria língua do país hospedeiro, mas ainda, de maneira eloquente, apresenta-se. Ao relacionar com cidadãos locais e demais imigrantes, é capaz de ver a estrutura daquela sociedade com olhos críticos, sem vendas. Sua visão de mundo é afetada por sua essência materna, mas ele é capaz de acomodar o velho e o novo de maneira simbiótica. (2015, p. 75).
Nesta pesquisa tomamos o conceito de língua e cultura como indissociáveis e, portanto, entendemos que o comportamento sociocultural dos pais diante da sociedade receptora pode influenciar o desenvolvimento linguístico e cultural dos filhos. De acordo com a entrevista com a coordenadora do Projeto CONSTRUIR, Luzia Tanaka, um dos objetivos do projeto é, inicialmente, fazer com que os participantes, juntamente com a família, reconheçam uns aos outros como imigrantes em busca do resgate de sua cultura e essa troca de experiências ocorre independentemente da língua escolhida para comunicação, seja a majoritária ou de herança, pois a importância é dada à compreensão do povo brasileiro e de sua cultura.
[18] Buscamos o aprendizado com sentido real e que traga sentido na experiência dele [do aluno]. (ES, 24/07/2015, Luzia Tanaka).
Deste modo, percebemos que o objetivo não é somente o ganho da proficiência linguística dos participantes, mas o envolvimento de todos os imigrantes brasileiros para o desenvolvimento de um ambiente que acolha a língua e cultura brasileira como modo de fortalecimento das raízes culturais e não mais como uma língua nativa que os distancia
da sociedade japonesa. Um episódio representativo desse objetivo de associação entre língua e cultura relatado pela coordenadora foi o “encontro com a identidade” em que os alunos traziam seus passaportes e certidões de nascimento. A ideia era não somente a apresentação de um novo gênero textual, mas o reconhecimento de suas identidades e de seus locais de pertença.
De Houwer (1999 apud ROCHA, 2015, p.89) assinala a relação entre três elementos importantes para ilustrar a relação entre crenças, práticas e resultados: as crenças e atitudes dos pais, escolhas linguísticas e estratégias de interação dos pais e o desenvolvimento linguístico dos filhos. Tais elementos são desenvolvidos organicamente, em especial nesta pesquisa, as crenças e ações dos pais juntamente com as crenças e ações dos filhos são, simbioticamente, desenvolvidos. Buscamos, dessa forma, contextualizar o PLH em tal comunidade e entendemos que os pais exercem influência significativa no modo como apresentam e nutrem a língua e cultura brasileira. Quando uma PM decide apenas dialogar com as filhas em casa, entendemos que é um insumo linguístico e cultural limitado, enquanto outros PF têm acesso à redes sociais, canais de televisão e Youtube brasileiros e são, constantemente, expostos a insumos e conteúdos diversos.
O esforço das mães em manter e desenvolver uma comunicação em português com seus filhos, conforme revelam os excertos supracitados, é manifesto e o desejo de estreitamento de laços com os familiares é considerado como elemento propulsor e motivacional do aprendizado. Embora não seja possível afirmar de qual forma ou como tais vínculos afetivos influenciam, compreendemos que é um fator importante a ser levado em consideração quando do ensino-aprendizado do PLH.
4.1.4 Crenças sobre a motivação dos participantes sobre o aprendizado e