3.1 BULGULAR
3.1.2. Birinci Alt Probleme İlişkin Nitel Verilerin Analizi
3.1.2.1. Yöneticiler İle Yapılan Görüşmelere Ait Bulgular ve Yorum
A presente pesquisa buscou investigar as crenças e ações dos participantes sobre a manutenção do PLH dentro de suas famílias e as relações estabelecidas a partir desse contato. Os participantes filhos, adolescentes matriculados em instituições de ensino japonesas da região de Osaka, e frequentadores do projeto Construir/ARTEL – Oficina Arte Educação e Letramento, onde promovem educação e lazer em e através da língua portuguesa.
O projeto supracitado é uma iniciativa voluntária, conduzido pela professora Luzia Tanaka, e é voltado ao ensino da língua-cultura brasileira para filhos de brasileiros nascidos, em sua maioria, em solo japonês. Destaca-se a participação ativa dos pais em atividades desenvolvidas pelo projeto, tais como acampamentos e festividades locais, além disso, o envolvimento dos pais propicia um melhor entendimento do processo educacional de seus filhos, despertando nestes o interesse e a importância do aprendizado da língua e cultura. Segue abaixo panfletos ilustrativos do projeto Construir/ARTEL:
Figura 2 - Panfleto de divulgação do projeto construir/artel
Fonte: ARTEL - Oficina de Arte Educação e Letramento (Página do Facebook)
O espaço individual do núcleo familiar é considerado como o ponto de partida no contexto do PLH. Ressalta-se que a língua japonesa ocorre majoritariamente em contexto formal, levando em consideração que boa parte da jornada diária dos filhos das participantes é no contexto escolar japonês e, portanto, o uso da língua japonesa é consequentemente a língua de uso principal e a língua portuguesa é falada em casa e também durante os encontros no projeto.
A escolha pelo contexto desta pesquisa deve-se ao fato da proponente da pesquisa ter vivenciado a experiência escolar em contexto migratório japonês e as dificuldades do
processo educacional, revelando o desejo, portanto, de poder contribuir para o entendimento da educação bilíngue das gerações vindouras, compreendendo que não é tarefa fácil tanto pelos adolescentes como pelos pais em manter a educação de seus filhos.
Entendemos que o desenvolvimento pleno da língua japonesa e a inserção na comunidade japonesa não necessariamente ocorrem abrindo-se mão da identidade cultural brasileira, representada pelo PLH. As características dos participantes revelam o produto de genes culturais de ambas as culturas e nos alertam que as sociedades caminham cada vez mais para a globalização, para o convívio em contextos multiculturais de forma harmoniosa.
3.4.1 Participantes da pesquisa
Os participantes da pesquisa estruturam-se da seguinte forma: a) grupo de mães brasileiras (doravante PM, participante mãe) e b) filhos das participantes em questão (doravante PF, participante filho). O primeiro grupo é composto por três mães brasileiras e todas têm filhos matriculados em rede escolar japonesa e mantêm o PLH em convívio familiar. O segundo grupo é composto pelos filhos dessas mães brasileiras, em sua maioria, adolescentes, conforme quadro abaixo. Ressaltamos que o foco da pesquisa são as crenças e ações das PM e os dados dos PF foram utilizados de modo a corroborar e enriquecer o processo de triangulação dos dados.
Quadro 7 - Participantes da pesquisa
Fonte: elaboração nossa
Participante
Mãe 1 Brasileira, casada, 1 filho (15 anos) e 1 filha (11 anos), ambos moram com pai e mãe. 39 anos
Formação: não relatou
A participante relata que a língua japonesa é muito difícil, pode pronunciar e ler algumas palavras, mas não interage no idioma. Reside há 19 anos no Japão. Cidade atual: Sakai (Osaka) Não fala a língua japonesa
Codinome(s) do/a(s) filho/a(s):
Formas de interação com a língua-cultura brasileira: Projeto CONSTRUIR/ Artel televisão, canais de internet e outros meios de comunicação brasileiros.
Motivo da ida ao Japão: trabalho em fábricas.
Participante
Mãe 2 Brasileira, casada, 2 filhas (11 e 13 anos) 43 anos
Formação: 2º grau completo Reside há 14 anos no Japão
A participante relata não ter problemas com a comunicação oral em língua japonesa, mas tem dificuldade com a escrita e leitura.
Atualmente retornou aos estudos da língua japonesa a fim de aprender a ler e escrever no silabário japonês.
Codinome(s) do/a(s) filho/a(s)
Formas de interação com a língua-cultura brasileira: somente através do projeto CONSTRUIR/ Artel
Motivo da ida ao Japão: trabalho em fábricas. Participante
Mãe 3 Brasileira, casada, 2 filhas (4 e 11 anos) 39 anos
1º grau completo
Reside há 20 anos no Japão. Cidade atual: Kishiwada (Osaka) Não fala a língua japonesa. Não detalhou os motivos em entrevista.
Codinome(s) do/a(s) filho/a(s)
Formas de interação com a língua-cultura brasileira: projeto CONSTRUIR/ Artel, músicas e televisão brasileira
As crenças e ações dos pais podem levar às escolhas linguísticas dos filhos e atuam numa posição central no processo educacional destes, principalmente quando atuam como protagonistas da manutenção e preservação da LH. Rocha (2015) indica que o êxito na criação de filhos bilíngues depende muito dos modelos de input linguístico dos próprios pais e é uma das variáveis na aquisição de línguas, dentre outras.
Os participantes foram escolhidos a partir de quatro critérios fundamentais para o desenvolvimento da pesquisa, haja vista a necessidade de delimitação do grupo a ser investigado. O primeiro deles foi a nacionalidade dos participantes, haja vista que o contexto é sobre brasileiros residentes no Japão, em especial, mães brasileiras e seus respectivos filhos, também brasileiros.
O segundo critério utilizado diz respeito à predominância do uso da língua japonesa em ambiente formal pelos filhos, sendo confirmado que todos estão matriculados em instituições japonesas de ensino. A predominância da língua japonesa em contextos formais de modo a não excluir o PLH é um critério fundamental, pois caracteriza o bilinguismo em questão. Não foi aplicado nenhum questionário para verificação da língua japonesa, pois os participantes foram educados desde o ensino primário, portanto, tem a língua japonesa como língua principal.
O terceiro critério utilizado para a seleção dos participantes é o recebimento de
input da língua portuguesa a fim de verificar o PLH utilizado no dia a dia dos participantes do segundo grupo. A confirmação desse input ocorreu através da observação direta durante as aulas ministradas pelo projeto de LH e, posteriormente, realizei entrevista semiestruturada com as respectivas mães sobre os ambientes nos quais o português é mantido. Os detalhes da observação direta estão disponíveis no final deste trabalho, relatando as aulas ministradas pelo projeto CONSTRUIR/ Artel sob a perspectiva da pesquisadora. Os padrões de input variam de acordo com o lar e a política linguística adotada, ou seja, a língua portuguesa pode ser utilizada somente no lar, ou em atividades culturais com a participação de brasileiros, encontros familiares e outros, a depender da família. Rocha (2015) nos esclarece que em casos em que ambos os pais são falantes da LH conduz a maiores chances de sucesso na transmissão desta.
Ainda que apenas um dos pais fale a LH, a condição de input necessária não se trata apenas de quantidade, mas de qualidade. A autora ainda nos alerta que outros fatores
atuam no bilinguismo27 além do input e da interação, como as ações positivas dos pais e,
principalmente, quando estes utilizam estratégias para a motivação do bilíngue como transmissão e manutenção de LH, tais como a persistência de uso, consistência no uso da língua e uso de diversas técnicas de ensino-aprendizagem.
O quarto e último critério trata do tempo de estadia no Japão, de modo que a vivência cultural dos participantes na sociedade japonesa ocorra há pelo menos dez anos, configurando um tempo relevante de interação entre a comunidade japonesa e, em seio familiar e amigos brasileiros, com a comunidade brasileira.