II. BÖLÜM
3.1. Niobe’nin Çocukları (Ta Pedya Tis Niovis) Romanı
3.1.5. Romanda Türk İmgesi “Öteki”
3.1.5.2. Niobe’nin Çocukları Birinci Ciltte Türk İmgesi
3.1.5.2.1. Birinci Ciltte Tarihi Karakter Olarak Mustafa Kemal Paşa
Qualidade é definida no dicionário Houaiss (2011) como propriedade que determina a essência ou a natureza de um ser ou coisa; conjunto de traços psicológicos e/ou morais de um indivíduo; caráter, índole; característica inerente; característica comum que serve para agrupar (seres ou objetos); espécie, casta, jaez; grau negativo ou positivo de excelência. Dessa forma, discutir qualidade implica a ideia de comparação entre dois elementos em que um é melhor, pior ou igual ao outro.
O termo “qualidade”, do latim qualis, significa que tipo, que casta, que natureza, que caráter, etc.; no âmbito da educação também tem variado segundo o tempo e o meio. Segundo Bertolin (2007), no espaço da educação superior, a qualidade é inexoravelmente, reconstruída em função de um conjunto de especificidades das instituições de educação, tais como autonomia acadêmica e aspectos impeditivos de formalização das atividades científicas. Portanto, no âmbito da educação superior, não se pode adotar plenamente os conceitos e os programas de qualidade originários da indústria e da iniciativa privada.
Muitas são as respostas que têm sido atribuídas à pergunta: O que significa qualidade na educação superior? Ultimamente, o debate sobre a educação superior vem sendo focado na qualidade, na garantia de qualidade para a aprendizagem, formação e a educação, abarcando estruturas, os processos e os resultados educacionais (PAWLOWSKI, 2007; ADELSBERGER et al., 2008; SOMERS, 2010; MOROSINI, 2008).
Vários autores demonstram crescente preocupação com a educação, em especial, no que tange a sua melhoria no ensino superior. Nesse enfoque, Juliatto (2005, p. 19-20) diz:
Cresce no Brasil a preocupação com a qualidade da educação superior [...] A preocupação demonstra que se vê inadiável a necessidade de melhoramento imediato, o que demanda critério, proficiência e, mais que tudo, determinação e constância. [...] A preocupação com a qualidade da educação superior não ocorre apenas no Brasil. Ela existe como crescente desafio mundial.
Percebe-se a preocupação com a melhoria de qualidade da educação considerando que nas últimas décadas, no mundo inteiro, está acontecendo um movimento de internacionalização na educação superior e, consequentemente, está voltado para a qualidade da educação entendendo-a como pilar para a formação e atuação profissional.
Várias são as instituições, órgãos e entidades, preocupados com as ações de responsabilidade social da Universidade, voltados para que se instaure uma pedagogia universitária de qualidade no mundo. Órgãos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – (UNESCO)2 estão empenhados em
questões e ações que priorizam a universidade socialmente responsável. De acordo com Defourny e Cunha (2008, p. 292)
[...] a educação passou a ser considerada como fator preponderante no contexto de acirrada competitividade entre as nações, a questão da qualidade deslocou-se para a região central das políticas públicas. Não foram poucos os países que seguiram essa trilha e procuraram ampliar seus investimentos na área educacional. Seguiu-se essa mudança a necessidade de avaliar o seu desempenho. Dessa forma, sobretudo a partir dos anos 90, muitos países criaram sistemas de avaliação, como também organismos internacionais como a UNESCO e a OCDE deram início a programas de avaliação em diversos países, estabelecendo escalas de classificação e divulgando escores e a posição de cada país.
Para Dalla Corte (2011), a internacionalização está presente no cenário da educação superior e, portanto, requer congregar com prioridades educacionais que apontam para a formação de competências, o controle do desempenho e, também, escores de competitividade.
Morosini (2008), ao tratar sobre a internacionalização da educação superior, no que se refere aos indicadores na perspectiva da qualidade do ensino e da pesquisa, sinaliza: “O impacto no ensino e na pesquisa tem como características: a visão que a qualidade está relacionada à responsabilidade e ao compromisso e contribui para o desenvolvimento de experiências de aprendizado de estudantes”.
2 A UNESCO
– Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, fundada em 1945, tem como objetivo contribuir para a paz e a segurança no mundo mediante a educação, a ciência, a cultura e as comunicações. É um organismo das Nações Unidas. Seu principal objetivo é reduzir o analfabetismo no mundo e para isso a UNESCO financia a formação de professores. A partir da década de 90 esta organização vem se preocupando também com a educação superior e, em 1998, realizou a Conferencia Mundial de Educação Superior – CMES. No ano de 2009 a II CES foi realizada também em Paris, precedida por CRES – Conferência Regionais de Educação Superior, nos diversos continentes.
Também, a autora se refere às “[...] evidências do impacto da avaliação de qualidade sobre as práticas de ensino” (p. 262), que apontam, propriamente dito, prováveis indicadores de qualidade da educação superior:
Reformas no currículo, padrões mais altos e desenvolvimento de instrumento para avaliação de estudante, inovação em programas profissionais, programas melhores para instrutores e desenvolvimento em padrões e sistemas de promoção; grande consolidação da qualidade e crescimento da atenção dada a função ensino nas IES e nas comunidades acadêmicas, através de discussões sobre ensino, monitoria e implicações do ensino por ele mesmo [...] da informação para os professores sobre seus pontos fortes e fragilidades, situações diagnósticas de ajuda; discussão e mudança de valores desenvolvimento de sentido de pertença a uma IES e legitimidade daqueles que iniciaram a avaliação. (MOROSINI, 2008, p. 262).
Nessa direção, a implementação de mecanismos avaliativos que priorizam a qualidade da educação superior está relacionada a mudanças no processo ensino e aprendizagem, sobretudo, porque apontam para critérios e indicadores que sinalizam o que está acontecendo e o que precisa ser redimensionado para alcançar os objetivos previstos para a IES, para o Curso, para a produção docente e discente, entre outros aspectos.
Sendo assim, pode-se defender que a qualidade no ensino superior, entre outras instâncias, tem como premissa: produção científica docente e discente; padrões de satisfação às necessidades dos sujeitos os quais a instituição está disponibilizando seus serviços; padrões mínimos os quais possam garantir que as necessidades sejam bem atendidas; aprimoramento dos ambientes, os processos de gestão e organização, o processo ensino-aprendizagem e as relações.
A relação qualidade na educação superior está intrinsecamente agregada à cultura estabelecida pelos cursos de formação, bem como repercute nos contextos educacionais em que os professores atuam. Examinar as questões que envolvem a formação e atuação dos professores, em especial na cultura da Instituição de Ensino Superior (IES) e nas práticas que qualificam a formação pretendida com o enfoque no eixo da gestão pedagógica universitária, exige que se olhe sobre o viés de um ensino eficaz. De acordo com Cabrera (2010) e Cabrera e LaNasa (2008), o ensino eficaz está relacionado ao que é capaz de produzir resultados demonstráveis em relação à aquisição de competências.
Segundo Sugumar (2009), a competência refere-se ao conhecimento, habilidades e atitudes que deverá ter durante sua carreira. Nesse sentido, a
docência no ensino superior é espaço de processos específicos, os quais necessitam ser interpretados, especialmente pelo contexto societário, assim como as atividades acadêmicas que autorizam a certificação – e entre elas o ensino – estão, inevitavelmente, relacionadas com perspectivas de boa qualidade na atuação profissional dos docentes no ensino superior. Para Rios (2001) e Braslavask (1999), a boa qualidade refere-se à competência docente com a capacidade de fazer com saber e com consciência dos resultados desse saber.
A atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), em seu Título II – Dos Princípios e Fins da Educação Nacional, em seu Art. 3º, parágrafo IX, propõe que a educação deve garantir o padrão de qualidade, indicando uma preocupação de que esse atributo acompanhe a oferta dos serviços educacionais. Entretanto, não define claramente o que seria o padrão de qualidade, ainda que seus dispositivos apontem desdobramentos que revelam concepções e valores.
A LDBEN, referindo-se ao ensino superior no Capítulo IV – Da Educação Superior, em seu Art. 43º, em vários parágrafos, explicita com mais clareza o entendimento de qualidade, através da caracterização de compromissos desse nível de ensino. Pela Lei, depreende-se uma posição que favoreça o desenvolvimento, pelo aluno, do poder de criação cultural, do espírito crítico e do pensamento reflexivo. Mesmo com os méritos dessa explicitação, os indicadores de qualidade apresentam grande complexidade, dificultando o direcionamento de políticas de fomento e avaliação que deem sustentação aos processos a serem implementados. Envolvem condições subjetivas e, ao mesmo tempo, assumem positivamente a complexidade do processo educativo, reconhecendo a multiplicidade de fatores envolvidos no mesmo. Entretanto, favorecem uma definição de padrões sujeita a lógicas políticas e econômicas conjunturais (MOROSINI et al., 2012, p. 04).
A qualidade de uma universidade está diretamente ligada à qualidade do ensino que é ofertado que, por sua vez, vincula-se ao trabalho que o professor realiza em sala de aula e em outros espaços acadêmicos destinados à aprendizagem dos estudantes. Dessa forma, professores qualificados, bem preparados e dispostos a investir na aprendizagem dos alunos terão maiores condições de criar as situações necessárias para uma formação acadêmica consistente.
Para Tardif (2000, p. 13), é importante compreender a epistemologia da prática profissional como o "estudo do conjunto dos saberes utilizados realmente pelos profissionais em seu espaço de trabalho cotidiano para desempenhar todas as suas tarefas”. A sala de aula passa a ser o lugar privilegiado de mobilização e
construção de novos saberes que configurarão o fazer docente. As dimensões éticas e estéticas da gestão pedagógica dos professores passam a ser consideradas, pois essa prática implica construção de valores, expectativas e relações interpessoais que vão tecendo a complexidade da trama que o processo de ensino-aprendizagem produz.
García (1999, p. 26) conceitua a formação de professores:
A formação de professores é a área de conhecimentos, investigação e de propostas teóricas e práticas que, no âmbito da Didática e da Organização Escolar, estuda os processos através dos quais os professores – em formação ou em exercício – se implicam individualmente ou em equipe, em experiências de aprendizagem através dos quais adquiram ou melhoram os seus conhecimentos, competências e disposições, e que lhes permite intervir profissionalmente no desenvolvimento do seu ensino, do currículo e da escola, com o objetivo de melhorar a qualidade da educação que os alunos recebem.
Tal processo exige ações auto, hétero e interformativas, pela construção e reconstrução conceitual, advindas do processo de compartilhamento. Então, o desenvolvimento profissional docente se delineia por demarcações de caminhos, considerando a sua finalidade formativa e as respectivas trajetórias pessoais, profissionais e institucionais, imbricadas nesse processo (ISAIA e BOLZAN, 2008).
Entrelaçar em uma pesquisa os saberes e fazeres de professores formadores pedagogos e as relações com a qualidade da educação superior significa desafiar a investigar a trajetória docente, com o olhar criterioso e investigativo nos pressupostos básicos e formativos dos professores.
Juliatto (2005, p. 79) expressa que
Os indicadores de qualidade têm de ser empregados com cuidado e para a finalidade para a qual foram criados. Eles não são medidas absolutas da qualidade. Eles são indicadores de qualidade singelos, mas significativos. Eles indicam e sinalam algo que até pode necessitar de maior elucidação e explicação. A ênfase deve ser dada aos indicadores como sinais ou guias que por certo, comportam valiosa informação.
O autor aborda, com ênfase, a questão quantitativa como norteadora e disseminadora de possíveis indicadores, mas aponta para a necessidade de uma abordagem qualitativa complementar para confirmar e qualificar efetivamente os dados obtidos. Entre várias concepções, Isaia e Bolzan (2008) reconhecem que os
indicadores são correspondentes sinais ou marcas, ao longo de determinado processo que se deseja avaliar.
Para tanto, é preciso estabelecer uma visão de conjunto que integre diversos aspectos que apresentam dimensão subjetiva e, portanto qualitativa, ao se refletir acerca de certa realidade. Assim, elege-se a expressão interpretativa de indicadores, sem ignorar a dimensão objetiva e quantitativa dos mesmos.
Destaca-se a qualidade sob três enfoques abordados por Morosini (2001, p. 90):
Alguns enquadram qualidade na concepção de isomorfismo, articulada à idéia da empregabilidade e à lógica de mercado. Outros a entendem como respeito à diversidade e para outros, ainda, a qualidade vem imbricada ao conceito de eqüidade.
A autora aponta três concepções de qualidade do ensino superior, as quais, certamente, são produzidas pelas expectativas e políticas de administração. Basicamente, sabe-se que, quando institucionalmente, opta-se por algumas práticas, se está mobilizado por questões jurídicas, de ordem legal, assim como pelo viés das políticas educacionais. Nesse sentido, é importante que se registre que os condicionantes paradigmáticos interferem nas concepções e práticas de avaliação institucional e, consequentemente, produzem indicadores que verificam a qualidade dos serviços, da aprendizagem, dos espaços físicos, do conhecimento [re]construído, dos recursos, entre outros aspectos.
Como aponta Morosini (2001), a qualidade isomórfica é sinônimo de avaliação, uma vez que está presente no processo de planejamento, na implementação das práticas pensadas, no controle e verificação das ações realizadas e dos resultados obtidos. Está conectada a tipos de padrões focados a sustentabilidade e empregabilidade, consequentemente, a políticas públicas voltadas para o mercado.
Cabe ressaltar que, para além dessas categorias de qualidade, Morosini (2001) também coloca que essas três perspectivas de qualidade estão inter- relacionadas, contrapondo a separação específica e nítida, ou seja, não existe uma tendência de qualidade numa IES, pois dependendo do momento e da situação a instituição adota uma sistemática ou outra, assim como pode estar mesclando as diferentes facetas paradigmáticas da qualidade do ensino.
Qualidade aplicada aos sistemas universitários corresponde a um conceito de construção social, local e internacional; pressupõe acordo entre atores; indicadores podem ser resultantes de processos de negociação. Qualidade e excelência podem se definir pelo conceito e missão das universidades (MOROSINI, 2008, p. 265).
A qualidade na educação superior, conforme Rios (2001), pode ser entendida sob quatro enfoques: qualidade da educação como competência técnica; qualidade da educação enquanto proposição e realização de atividades; qualidade da educação organizacional; qualidade da educação pela capacidade de articulação.
Rodrigues (2011) comenta que a qualidade:
[...] está vinculada à satisfação e à motivação, é indicada por uma infra- estrutura adequada, por procedimentos administrativos, pela capacitação docente, pela avaliação e atualização constantes, formação profissional e crítica, produção e avanço do conhecimento, transformação social, valorização da pesquisa e da extensão (p. 51).
Sguissardi (2009) lembra que quando se fala em qualidade na educação superior, imediatamente se relaciona a “avaliação”, o que envolve, segundo o autor, o Estado Avaliador. Também, associa-se à competitividade e à empregabilidade. O autor, ainda, enfatiza que a qualidade no ensino na pesquisa sempre se traduziu na imagem pública construída pela Instituição, em reposta às demandas do Estado, das elites hegemônicas. Assim sendo, afirmar-se que o conceito de qualidade pode ser relacionado à eficiência e à produtividade de um lado; e de outro, seria relacionado à idéia acadêmica, integrando ensino-pesquisa-extensão (SGUISSARDI, 2009).
Nesse contexto, conforme o Instituto Nacional de Pesquisa (INEP) do Ministério da Educação e Cultura (MEC), é preciso que as IES priorizem condições agregadas ao ambiente educativo; prática pedagógica e avaliação; ensino e aprendizagem; gestão; formação e condições de trabalho dos profissionais; ambiente físico; acesso e permanência dos alunos, entre outros aspectos.
Portanto, pode-se defender que a qualidade no ensino superior, entre outras instâncias, tem como premissa: produção científica docente e discente; padrões de satisfação às necessidades dos sujeitos
A qualidade na educação superior não se expressa simplesmente nem se esgota na relação entre insumos6 e quantidade dos produtos. Dimensões
pedagógicas, científicas, técnicas, éticas, políticas, econômicas, e tantas outras que constituem o humano, são co-essenciais no complexo fenômeno da qualidade educativa e a muito pouco deles cabe indicadores que se centram no formal, no burocrático e no operacional.
Nesse sentido, a Instituição de Ensino Superior precisa articular a organização e a condução de todo processo educativo, com critérios bem definidos para, sobretudo, saber aonde quer chegar, por que, com quem, e como vai se fazer isso acontecer, para que, efetivamente, esse processo seja legitimado pela gestão pedagógica dos professores para os quais a instituição está disponibilizando seus serviços; padrões mínimos os quais possam garantir que as necessidades sejam bem atendidas; aprimoramento dos ambientes, os processos de gestão e organização, o processo ensino-aprendizagem e as relações no contexto educacional.
O debate sobre a educação superior sinaliza a garantia de qualidade, para a aprendizagem, a formação e a educação, abarcando estruturas, os processos e os resultados educacionais (MOROSINI, 2008). Para tanto, é preciso compreender os processos da organização das políticas no Brasil que regulam a qualidade do ensino superior no âmbito nacional.