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Birden İhtar Edilen Bir Mesele-i Mühimme

Construída sob uma categoria única, as teorias pessoais situadas estão ligadas às explicações de como a atividade empreendedora deve acontecer no âmbito das experiências de cada empreendedor. Construídas sob a forma de uma rede de significados, a mesma é formada por explicações e opiniões dos empreendedores ou de seus parceiros e colegas de trabalho que convivem pessoalmente com o trabalho do autor-empreendedor e do sócio- empreendedor. Como exemplo de importância dessas redes, temos o primeiro mentor do

autor-empreendedor que, por meio da convivência, passou a ocupar lugar de relevância na vida e carreira deste último.

Assim como abordado por Rae (2004), as teorias pessoais situadas, ou teorias práticas, são construídas a partir dos recursos situados, tácitos, intuitivos e implícitos das e nas práticas dos empreendedores; são geralmente representados em quadros interpretativos de “o que, como, por que, quem e sobre quais condições” as práticas são consideradas eficazes e estão relacionadas à aprendizagem e ao desenvolvimento pessoal, à identificação e desenvolvimento de oportunidades inovadoras, à criação de novos negócios e gerenciamento e ao crescimento das empresas.

De maneira detalhada, o autor-empreendedor compreende que a atividade empreendedora deve conceber a especialização, o domínio de conhecimentos técnicos e a compreensão do ‘funcionamento’ do setor econômico no qual se empreende, como precedentes da ação gerencial: “Todo mundo tem que ser técnico, no caso, específico do meu setor. Eu tenho que entender o meu setor para depois entender outra coisa (...) Mas, eu acho que para você empreender você tem que ser bom em uma coisa” (E201); e “O empreendedorismo, eu acho que é isso: é você fazer bem feito o que você faz. Se dedicar de verdade ao que você faz” (E204).

O autor-empreendedor traz à tona duas noções interligadas sobre a conceituação do empreendedorismo. A primeira, diz respeito aos conhecimentos e especialização operacional, ou seja, a atividade específica em que se pretende empreender; a segunda, remete à dedicação sobre uma atividade, o que amplia o empreendedorismo além do movimento empresarial. Assim, a explicação sobre o que pode ser considerado o empreendedorismo e as principais características do movimento são enquadradas na compreensão do setor e na dedicação à realização de algo, de uma maneira sobre o que funciona (RAE, 2004). Essas teorias são produzidas como resultados da aprendizagem ativa das experiências e relacionamentos (DOWNING, 2005).

Determinados atributos pessoais são essenciais nessa ação, como a resiliência e a polivalência. A primeira concebida, figurativamente, como a capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças e, a segunda, como a competência de alguém conseguir realizar várias atividades em tempos alternados, como pode ser observado no trecho do sócio-empreendedor: “Então, a pessoa tem que ter muita resiliência e polivalência. Essas são as duas coisas que eu sempre digo aqui aos meninos. Resiliência, você conseguir se sobressair dos problemas. E, polivalência, você conseguir fazer várias coisas” (Cs23).

Uma reflexão do trecho anterior com o subsequente revela que as características que os empreendedores possuem, de certa forma, são exigidas aos novos funcionários como forma de conseguir realizar as atividades e, também, podem ser transmitidas por meio do convívio e das conversações. Ou seja, as teorias pessoais situadas de como as coisas funcionam naquela empresa, portadas pelos proprietários, influenciam a ação dos funcionários:

“Isso eu vejo muito, quando eu morava aqui antes de ir para João Pessoa. No tempo que eu jogava, quando eu jogava eu gostava de jogar futebol, futsal, vôlei, natação. Então, eu fui uma pessoa muito polivalente no esporte que me trouxe a polivalência agora” (Cs24).

Essa ideia de transferência de características necessárias é corroborada por Rae e Carswell (2000) quando os mesmos agrupam as teorias pessoais em gerenciamento por meio de pessoas; balanceamento entre controle e liberdade; crescimento do negócio estando próximo do mercado; e, visão, tomada de decisão e planejamento.

Cada ambiente e cada setor econômico possui suas particularidades. Então, empreendedor precisa conhecer essas particularidades se quiser conseguir sucesso em seu negócio. “Saber aonde é que está ‘mexendo’” diz respeito aos conhecimentos e à consciência de ‘o que funciona’ e do como empreender nesses ambientes:

“Ele se fundamenta muito na questão do seu negócio. Ele sabe o que é que está fazendo. Ele sabe aonde é que está mexendo. Ele sabe como empreender (...) Ele tem ideias, ele tem planos para o que ele domina, que é a questão da tecnologia” (Ps18).

O “sabe onde está mexendo” simboliza um profundo conhecimento sobre a atividade principal, tanto na sua operacionalização, quanto nas ações gerenciais. Segundo Pitt (1998), as teorias pessoais são alimentadas por quatro componentes: uma apreciação do contexto; um modelo de ação que agrupa pressupostos sobre metas, agência e relacionamento causal; dilemas de obstáculos e ações percebidas; e, concepções dos papéis expressas metaforicamente.

As teorias pessoais situadas também dizem respeito a como o papel do empreendedor é compreendido na sociedade: daquele preocupado com o resultado financeiro, para aquele preocupado com questões sociais. E isso reflete em como ele será visto e reconhecido:

“Antigamente, o pessoal era empreendedor... chamava de empreendedor porque sabia ganhar dinheiro. Mas, a que custo? Como esse cara sabia? Hoje, são valores fundamentais para se ganhar dinheiro: a maneira como se faz para ganhar

dinheiro. A maneira como se faz necessário para conseguir sucesso. Porque se não, deixa de ser referência” (Mp22).

O entendimento das particularidades da atividade principal e do meio em que a empresa está situada mostra como o empreendedor deve agir para aplicar as rotinas organizacionais da maneira como achar melhor:

“Porque aqui e em vários lugares o pessoal diz assim: O cliente que manda. Porque se a gente deixar ser assim, aqui, o cliente sempre vai fazer o errado, porque a gente está para ensinar o cara a fazer as coisas. Então, se a gente fizer da maneira que ele quer, vai dar problema” (Cs28).

Os profissionais produzem leis com suas próprias palavras, que se aplicam dentro das fronteiras de seu caso que não podem ser generalizadas por causa da experiência limitada à sua própria prática, observação e trocas sociais; assim, elas permanecem tácitas se não forem verbalizadas, tornando-se recursos discursivos por meio de reflexões ou estórias (RAE, 2004).

Assim, as teorias pessoais situadas reúnem as concepções e leis sobre o que funciona na ação empreendedora, ao reunir as concepções de mundo de empreendedores, suas experiências e relacionamentos em determinada localidade. A utilidade dessas leis de ordenamento e de funcionamento se faz presente nas especificidades do meio em que o empreendedor está enraizado, pois, estando baseado em uma realidade socialmente construída, em que as rotinas diárias e ações coletivas são dinamicamente modificáveis, explicações e leis positivistas, muitas vezes, são de pouco valor e utilidade.