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BÖLÜM 2: ENERJİ ALANINDA YEŞİL ÇÖZÜMLER: YENİLENEBİLİR

2.2. Yenilenebilir Enerji Ve Yeşil Enerji Kavramları

2.2.3. Biokütle (Biyo-Yakıt) Enerjisi

2.2.3.1. Biokütle (Biyo-Yakıt) Enerjisi Kavramı

“O estabelecimento de áreas protegidas, em vez de ser baseado na idéia importada de ‘natureza selvagem intocada’, deveria fundamentar-se na concepção de paisagem ou mosaico de ecossistemas e habitats, constituindo- se em continuum entre porções de matas nativas até áreas de agricultura tradicional que, em muitos casos, constituem o território das comunidades tradicionais. Não se justifica retirar desse continuum as áreas menos tocadas pelo homem e engessá-las numa categoria tipo parque nacional ou reserva biológica onde a população nativa não pode viver”. (DIEGUES, 2000:42)

Prosseguindo a nossa análise dos depoimentos orais das entrevistas da comunidade de São Pedro Joselândia, identificamos que a tão sonhada proteção à biodiversidade do pantanal, com a criação de áreas protegidas, é rejeitada nas abordagens dos discursos de preservação da comunidade. Desta forma há aqueles que não vêem a proliferação da preservação de alguns espécimes como benéfico para o equilíbrio ecológico do pantanal. Para eles, o aumento de onças e cobras na reserva representa um forte desequilíbrio ecológico para a comunidade. Veja as respostas neste sentido.

“Eu acho que não devia preserva as cobras e as onças. Eu sei que em muitos lugares há pessoas que não conhecem. Mas para nos representa perigo. Eu acho que devia preserva as coisas boas: caça e passarinhos. As cobras e onças comem as nossas criações. Um pesquisador foi morto por uma onça”.

“A onça já está nos atrapalhando com os bezerros. Cobras aumentaram consideravelmente em nossa região, porque a onça não tem mais o que comer lá...”.

(Depoimentos orais)

Esses relatos demonstram a complexidade que existe na preservação e conservação das áreas protegidas. Se por um lado está havendo um melhoramento do desempenho das espécies, por outro está causando impactos na conexão entre a comunidade e biodiversidade ecológica. A necessidade que possui de subsistência as

comunidades encaram como problema a proliferação das espécies que agridem ou ameaçam a criação de outras espécies como o gado e o cavalo que são animais essenciais na viabilidade econômica destas comunidades.

Rosseto e Brasil Jr. (2002:20) comentam que “a ocupação das paisagens naturais ocorre normalmente através das atividades econômicas; é, portanto, um fenômeno de dimensão ecológica, sujeita a condicionalmente imposta pela natureza”. Neste sentido os autores dizem que o processo de ocupação dos pantanais mato-grossenses pelos habitantes não índios está longe de ser considerado harmônico. Para eles, isto está ligado aos ciclos econômico do estado, caracterizado pela exploração desordenada dos elementos naturais e pelas péssimas condições de vida da ampla camada da população.

Para Moscovici (1974, apud Diegues, 2000. p. 22), o homem produz o meio que o cerca e é, ao mesmo tempo, seu produto. Nesse sentido, deve-se considerar normal a intervenção do homem no curso dos fenômenos e dos ciclos naturais, à semelhança das outras espécies que, segundo suas faculdades, agem sobre as substâncias, energias e a vida das outras espécies.

“O que traz problema não é o fato, mas a maneira como o homem intervém na natureza. Uma natureza pura, não transformada, é um museu, uma reserva, um artifício de cultura como outros, na qual somente o naturalismo reativo acredita. Desse modo, o fundamental não é natureza em si, mas a relação entre o homem e a natureza”.

(Ibidem, 2000, p. 23)

Com base neste enfoque acredita-se que é fundamental o conhecimento do mecanismo de produção e reprodução econômica, social e cultural que asseguram a reprodução dos ecossistemas. Com isto é preciso conhecer sobremaneira as estratégias para conservação dos ecossistemas naturais que, por sua vez, devem estar ancoradas num sólido conhecimento das relações entre as comunidades e seu meio ambiente, que tradicionalmente utilizam forma ecologicamente equilibrada.

Com a criação das áreas protegidas sem os devidos cuidados, as comunidades locais que possuem um profundo etnoconhecimento de utilização do bioma, acabam tendo sua sobrevivência comprometida, e, sentindo-se incapazes de encontrar

alternativa econômica, ficam às margens dessas áreas. Com isto, essas populações são induzidas aos processos predatórios destas áreas.

Em São Pedro Joselândia a comunidade demonstra que sofre com os impactos de criação da RPPN Sesc pantanal e almeja a possibilidade de realizar uma parceria com o Sesc, para amenizar esses impactos sobre a comunidade. Como a maioria possui um pequeno rebanho de gado para própria subsistência, com a criação da RPPN acabaram ficando sem área firme (que não alaga) para disponibilizar o gado na época da cheia do pantanal.Veja alguns depoimentos que registramos.

“Como a nossa comunidade está voltada para o trabalho com o gado, eles poderiam ceder algumas áreas de pasto na reserva na época das águas”.

“Com a criação da reserva ficamos sem onde colocar o gado em época de cheia. O Sesc podia liberar a reserva para colocamos o gado. Ajudaria até limpa a reserva sem prejudicar a conservação. Com falta desta área o nosso gado está morrendo por falta de onde colocar na cheia do pantanal”.

“Os animais que tinham convivência como gados, com a falta feles estão vindo para cá. Com isto o caititu, o porco queixada, a onça está matando a nossa criação. Acho que os bichos gostam de viver com o gado. Eles não gostam de ficar no sujo”.

“Devia ser aberto como antes. Agora eles fecharam para nós. Não sou de acordo com isto. Por que o mundo foi feito para todos. Aquele monte de mata que poderíamos trabalhar agora não poder nem criar uma rês para nossa sobrevivência”.

“Acho que eles deviam deixar o pantaneiro criar uma vaquinha, geraria emprego, carne e harmonicamente o bicho iria aparecer. Se o pantaneiro fizesse o cocho, vamos por sal de tarde quando a gente fosse tomar o gado, lá ia o veado, a anta e todos esses bichos param comerem o sal também. Mas nada disso ele levam em consideração”.

Esses depoimentos demonstram que a criação da RPPN Sesc Pantanal acabou tirando da comunidade o principal território de terras firmes pantaneira para criação do pequeno rebanho de bovino de sua subsistência. A utilização dos recursos naturais, como o acesso ao riozinho e à baia da fartura, principais berçários de criação natural de peixes, que há décadas contribuía com o cardápio alimentar da comunidade, agora, como eles dizem: “está preso” na reserva.

A necessidade de parceria entre e a comunidade e a administração da RPPN está longe de ser consolidada. Isto porque as ações do Sesc Pantanal com a reserva estão totalmente voltadas para práticas de ecoturismo para levar o setor comercial e industrial à contemplação do mundo natural no pantanal.

Diegues (2000, p.43) defende um novo modelo de conservação ancorado na necessidade de se construir uma nova aliança entre o ser humano, a sociedade e a natureza, baseada, entre outros pontos, na importância das comunidades tradicionais, na conservação de ecossistemas presentes e nos territórios em que habitam. A proposta do autor encontra-se voltada para a valorização do conhecimento e das práticas de manejo dessas populações.

Dentro deste cenário a idéia é que essas áreas não sejam apenas ambientes para utilização de cientistas naturais e sociais, mas sim para se construir uma nova aliança entre os cientistas e os construtores e portadores do conhecimento local. Considerando os dois conhecimentos – o científico e o local – importantes para consolidação destas áreas.

“Essa nova aliança deverá se fazer também na superação das divergências que hoje separam os ecologistas sociais e os preservacionista, uma vez que uma das principais ameaças está vindo das instituições neoliberais que acham que a conservação poderá ser atingida pó mecanismos de mercado”.

(DIEGUES, 2000, p. 42)

Dentro desta visão, o autor nos alerta que o modelo do mito de natureza intocada, aparentemente moderna e “globalizadora”, ou as áreas protegidas, estão sendo privatizadas ou terceirizadas, para que empresas se encarreguem de construir e gerir os

equipamentos turísticos, transformando essas áreas em “Disneylândia naturais” destinadas exclusivamente à obtenção de lucro. O que fica explícito nos problemas apresentados pelas comunidades de Mimoso e São Pedro Joselândia refletidos neste estudo.

Benzer Belgeler