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O Programa Rede de Famílias Acolhedoras de Santos foi criado a partir de preocupações relacionadas à institucionalização de crianças e adolescentes e as conseqüências sobre o desenvolvimento psicossocial do indivíduo.

A iniciativa desse tipo de trabalho partiu do Poder Executivo, tendo sido escolhida essa modalidade de programa em função da necessidade de garantir o direito à convivência familiar e comunitária prevista no ECA, em seu artigo 4º. A atual coordenadora do programa avalia que, “ao ir para um abrigo, a criança já tem esse direito lesado a princípio, porque, ou a convivência vai faltar, ou vai ser uma convivência muito esporádica”. Desta maneira, acredita-se que o programa é uma das formas de possibilitar essa garantia, uma vez que a criança passa a conviver com uma mesma família, além da sua, até que sua situação jurídica seja definida.

O programa do Município de Santos abrange qualquer criança ou adolescente entre 0 e 17 anos e 11 meses de idade, que esteja, por alguma razão, impossibilitado de continuar convivendo com sua família de origem, podendo se constituir, ou não, em casos de violação de direitos. Isso porque abrange situações em que a família da criança não pode se responsabilizar por ela, como nos casos, por exemplo, de internação hospitalar e da falta de rede de apoio externo à família. O estado de pobreza não se configura como fator a ser considerado para a retirada da criança e/ou do adolescente de sua família.

A coordenadora, em seu depoimento, analisa que, em Santos, se partiu de um determinado extremo, no qual se retirava crianças por qualquer motivo, inclusive por causa da pobreza, passando-se para o outro extremo, da supervalorização da família, ou seja, “a família a qualquer custo”, em detrimento do foco do programa, que é o bem-estar da criança e do adolescente.

A discussão sobre um programa de acolhimento iniciou-se com a campanha Seja um Anjo da Guarda, no contexto de um movimento de retirada das crianças do processo de institucionalização, bem como para incentivar a convivência familiar e a comunitária. Em seguida, houve um período em que esse interesse por um novo programa deixou de existir, sendo retomadas as discussões em 1998. Nesse momento, recorreu-se à experiência do Município do Rio de Janeiro (RJ), para construir as bases de uma proposta. O programa Família Acolhedora, da Associação Brasileira Terra dos Homens do Rio de Janeiro, foi visitado e a maior parte das experiências lá acumuladas serviu para a estruturação inicial do programa no Município de Santos.

Ainda no que se refere à implementação do programa propriamente dita, inicialmente, o processo começou a ser discutido por técnicos da Prefeitura do Município de Santos, como um programa a ser operado pelo Executivo.

Em virtude das dificuldades que surgiram, por exigências do Poder Judiciário e do Ministério Público de então, que discordavam de seu formato, vários projetos foram elaborados, derivados do inicial, sem que se tenha atingido um consenso, o que atrasou a sua implementação. Essas divergências desencadearam a formação de um grupo de discussão, primeira semente do atual Grupo Gestor, composto, na ocasião, por representantes da antiga Secretaria de Ação Comunitária (SEAC), atual Secretaria de Assistência Social (SEAS); técnicos dos abrigos públicos; por representantes dos abrigos privados com programas inscritos no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA); assim como um representante da Diretoria Técnica do Poder Judiciário; e a então Promotoria da Vara da Infância e da Juventude da Comarca de Santos.

Nesse processo de discussão (interna e interinstitucional), o programa foi se modificando, até atingir o formato atual.

Em 30 de dezembro de 2003, foi publicada a Lei municipal 2177 (Anexo D), instituindo o programa no município e prevendo a publicação do decreto que regulamentaria seu funcionamento, o que ocorreu somente em 9 de dezembro de

2004 (Decreto 4.344 - Anexo E), após novas discussões e ampla divulgação entre as partes interessadas (Grupo Gestor).

Durante a implantação do Programa, foi definido, em conjunto com o novo juiz da Vara da Infância e da Juventude da Comarca de Santos, o novo representante do Ministério Público, a atual coordenadora e o advogado do Programa, um fluxo, que garantisse à família acolhedora a guarda quase imediata da criança em situação de risco.

Assim, o programa passou a funcionar, efetivamente, em fevereiro de 2005, concomitantemente às mudanças ocorridas no Poder Judiciário e no Ministério Público e na mesma ocasião em que foram nomeados os atuais juiz e promotor da Vara da Infância e da Juventude da cidade. Essas mudanças aumentaram as possibilidades de uma nova abordagem e de oxigenação de idéias preconcebidas, facilitando a discussão do fluxo, a implantação efetiva do Programa e o estabelecimento de um acordo entre as partes envolvidas que, segundo a coordenadora do Programa, tem se mostrado bastante produtivo e eficaz.

Embora o decreto de regulamentação do Programa, em seu artigo 12, criasse o Grupo Gestor e lhe atribuísse a incumbência de avaliar as famílias candidatas ao acolhimento (inicialmente, supunha-se que a demanda maior viria do voluntariado dos abrigos), a prática indicou novos rumos, ficando essa tarefa sob a responsabilidade direta da equipe do Programa, cujo resultado passou a ser submetido à aprovação ou não do Grupo Gestor.

Entre outras competências, o Grupo Gestor também teria a incumbência de realizar um levantamento das famílias extensivas, das crianças abrigadas, com a finalidade de detectar a existência de membros que se dispusessem a se responsabilizar pela criança já abrigada, mas que não o faziam por dificuldades unicamente de ordem financeira. Nesses casos, esses membros seriam incluídos como famílias acolhedoras, com o apoio material necessário, que lhes permitisse assumir a guarda da criança institucionalizada.

Assim, na busca dessas famílias, que tanto poderiam ser extensivas como completamente estranhas à criança/adolescente, algumas dificuldades surgiram.

Em relação às famílias extensivas, aquelas que se candidataram, não apresentavam condições para assumir a guarda, por motivos que não os financeiros, tais como, a existência de membros fazendo uso de substâncias psicoativas, o fato de haver já uma sobrecarga de encargos que as impossibilitava de assumir uma

nova responsabilidade e/ou situações cujos vínculos já estavam profundamente esgarçados.

Uma outra possibilidade, pensada pelo Grupo Gestor para candidatos a serem famílias acolhedoras, envolvia aquelas pessoas que já realizavam trabalho voluntário nos abrigos. Destas, se esperava intensa procura e adesão ao Programa, pelo fato de já manterem alguma proximidade com as crianças abrigadas. Entretanto, as mesmas possuíam como principal interesse o encaminhamento para a adoção, fato este que colidia frontalmente com um dos critérios do Programa, qual seja, que a família candidata a ser acolhedora, ao ingressar no Programa, não deveria intencionar a adoção da criança eventualmente acolhida.

Outros aspectos, igualmente, dificultaram esse processo, dentre eles, a falta de clareza, por parte dos técnicos envolvidos, em relação aos critérios de avaliação das famílias candidatas. Essa nebulosidade acerca dos critérios de avaliação, levava ao uso de referenciais muito diferenciados, dificultando discussões posteriores. Além disso, muito embora a troca de informações, o entrelaçamento de idéias, e o diálogo fossem peças fundamentais para o bom funcionamento do Programa, as dificuldades de comunicação eram constantes, entre um grupo tão numeroso e diversificado e o Poder Judiciário, cujo diálogo ficou centralizado em um só representante.

Dessa maneira, a representante da SEAS, no Grupo Gestor, atual coordenadora do Programa, passou a ser a responsável pelas avaliações e pelo diálogo mantido com o Poder Judiciário. Também coordenava as reuniões mensais do Grupo Gestor, durante as quais eram discutidas todas as avaliações realizadas no período. Com esse funcionamento e a reforma administrativa ocorrida no final do ano de 2005, o Programa transformou-se em uma seção da Secretaria de Assistência Social, recebendo mais dois técnicos (um psicólogo e um assistente social) e um operador social, fato que viabilizou uma nova forma de funcionamento. Hoje, o Grupo Gestor, que é composto pela equipe do Programa, pelos técnicos de todos os abrigos do município e por um técnico do Poder Judiciário, promove reuniões mensais de avaliação dos cadastros feitos no período; acompanha os casos atendidos; e participa da capacitação das famílias acolhedoras aprovadas e também de outras reuniões que são realizadas com elas.

Para isso, ficou estabelecido que o Grupo Gestor deixaria de participar diretamente da avaliação das famílias candidatas a acolhedoras, e apenas discutiria

a aprovação ou não dessas famílias para sua inclusão no cadastro. No momento, esse grupo participa também de reuniões de supervisão no próprio espaço do Programa. O fato do mesmo ter passado a contar com a presença constante de um representante da Diretoria Técnica do Fórum de Santos (embora este não estivesse em sua composição inicial, conforme consta no Decreto 4.344) facilitou, inclusive, o diálogo com o Poder Judiciário.

Cabe salientar que o decreto mencionado, em seu artigo 12, parágrafo 1º, estabelece a composição do Grupo Gestor e, em seu parágrafo 2º, discorre sobre a possibilidade de incluir ou excluir membros desse Grupo, sempre em conformidade com o parecer do CMDCA.

Ao contrário do esperado, as famílias candidatas a acolhedoras surgiram da própria comunidade e não do voluntariado dos abrigos (como se pensava inicialmente), sendo encaminhadas, em um primeiro momento, principalmente pelos Conselhos Tutelares do Município de Santos. Em alguns desses casos, essas famílias são membros das famílias extensivas das crianças e dos adolescentes, o que está previsto na lei municipal e também no decreto oficialmente publicados. Atualmente, as famílias candidatas procuram o Programa mediante a divulgação, que ocorre na mídia, e em palestras, que são realizadas com grupos da comunidade, e se inscrevem pelo telefone, para uma primeira entrevista.

Hoje, em Santos, a família extensiva pode se tornar acolhedora para aquela criança que está no abrigo ou em vias de ser institucionalizada. Isso ocorre quando o problema é exclusivamente financeiro, não podendo ser outras as razões, tais como, maus-tratos ou qualquer outra falta que essa família cometa em relação àquela criança. Assim, o acolhimento pode se dar na família extensiva, que passa por todo o processo de avaliação e de treinamento, como se fosse qualquer outra família candidata ao acolhimento. Porém, uma vez aprovada no cadastro de famílias acolhedoras, a família extensiva da criança e do adolescente em processo de acolhimento terá prioridade sobre as demais famílias inscritas no Programa. Isso de acordo com o artigo 1º, § 5º, da lei municipal que institui o Programa e com o artigo 3º, § 1º do decreto que regulamenta o funcionamento do mesmo.

A atual coordenadora do Programa reflete que há certa dificuldade na avaliação da família extensiva, tendo em vista não ser fácil perceber até que ponto a problemática está só relacionada à questão financeira ou não. Nesse sentido, esta é sempre uma avaliação muito cuidadosa. Isto porque a família extensiva necessitará

ter muita firmeza em relação aos pais biológicos, tendo em vista a sua proximidade, assim como devido ao fato de a família de origem saber onde a criança mora, o que facilita a ocorrência de uma “invasão” daquele “espaço”. Por esse motivo, as visitas são mantidas no Programa e a família extensiva é preparada da mesma forma que qualquer outra família candidata ao acolhimento.

A coordenadora comenta que, hoje, com o Plano Nacional de Acolhimento Familiar, considera-se como família extensiva qualquer pessoa que possua vínculo afetivo com a criança, ainda que não seja parente biológico. Assim, justifica-se a prioridade que essa família (acolhedora) tem sobre as outras, uma vez que, para a criança, importa ficar em uma família com quem ela já tenha laços, e onde “o sofrimento para ela será muito menor”. Desta feita, é considerada família extensiva, pelo Plano Nacional de Acolhimento Familiar, vizinhos que já ficavam com a criança, comadres, compadres, etc. Aquelas pessoas que, antes da crise, já socorriam a família de origem da criança, tendo estabelecido vínculo de afetividade.

O Programa Rede de Famílias Acolhedoras de Santos igualmente seguiu as diretrizes do Plano Nacional de Acolhimento Familiar, considerando, tanto na lei municipal, quanto em seu respectivo decreto, família extensiva como sendo “a família ou pessoa com grau de parentesco ou relação de afinidade ou afetividade com a criança ou adolescente”.

O princípio que norteia o Programa é o do direito à convivência familiar e comunitária e do investimento na família de origem, evitando a retirada da criança por qualquer motivo, principalmente pela questão da pobreza, o que fere os princípios do ECA.

O Programa possui, outrossim, estruturação interinstitucional, uma vez que conta, além da própria equipe fixa (Poder Executivo), com os técnicos dos abrigos públicos e privados, com um representante da equipe técnica do Poder Judiciário, bem como com a participação muito próxima do juiz e do promotor público da Vara da Infância e da Juventude da Comarca de Santos e também do Conselho Tutelar local.

No que se refere à avaliação das famílias candidatas ao acolhimento, a equipe do Programa realiza uma primeira entrevista, possibilitando-lhes o direito de escolha quanto ao sexo, à faixa etária, entre outras características da criança a ser acolhida. Em geral, a entrevista é feita por um assistente social e um psicólogo, mediante instrumental criado pela própria equipe.

Em um segundo momento, a referida equipe realiza visita domiciliar, ocasião em que é feita nova entrevista, desta vez com os membros do grupo familiar e demais pessoas que residam no local, no sentido de garantir a concordância de todos quanto ao acolhimento.

Na seqüência, a equipe do Programa elabora um relatório que é levado para a apreciação do Grupo Gestor, o qual determina se essa família será aprovada ou não. Além dessa discussão relacionada à avaliação das famílias candidatas, o Grupo Gestor também analisa os casos que estão em acolhimento; os que estão em processo de destituição do poder familiar; e os casos em que há possibilidade de retorno para a família de origem. Na atualidade, as reuniões do Grupo Gestor ocorrem mensalmente, em geral, às quintas-feiras, no período vespertino.

Após essa etapa, e se aprovada nessa fase, solicita-se à família que aguarde a formação de um grupo de capacitação, que é constituído por, no mínimo, cinco famílias. Além do aspecto avaliativo, a capacitação tem também a função de preparar essas famílias para que possam receber crianças/adolescentes na condição de família acolhedora.

O processo de capacitação em si demanda a realização de cinco reuniões consecutivas, uma vez por semana, de três horas de duração, em média, cada uma. As reuniões são preparadas pela equipe do Programa e pelo Grupo Gestor. Em virtude deste último ser constituído por muitas pessoas, cada técnico participa de um bloco, havendo um rodízio dos mesmos nas diversas capacitações. Os três membros da equipe do Programa participam de toda a capacitação. Na primeira reunião, faz-se uma nova apresentação do Programa, revendo-se os pontos importantes a serem destacados; as pessoas falam um pouco sobre a sua motivação para ingressar nesse tipo de Programa e é feito um convite, aos casais que já passaram por esse processo, e hoje são famílias acolhedoras, para darem os seus depoimentos. Na segunda reunião, é trabalhado o bloco “família”, quando se discute: o conceito de família; os preconceitos existentes dentro do próprio grupo familiar; os problemas que toda família possui; e as razões pelas quais algumas famílias se tornam disfuncionais. Na terceira reunião, é trabalhado o bloco “criança” em que são tratadas questões relativas ao desenvolvimento da criança, à necessidade de se colocar limites, bem como aos aspectos relacionados à formação de sua identidade. Na quarta reunião, o bloco “institucionalização” trata das conseqüências desta para o desenvolvimento socioemocional da criança, para a

formação de sua identidade e para o seu relacionamento social como um todo. E, finalmente, na quinta reunião, que é dedicada ao bloco relativo às “questões legais”, trabalha-se a diferença existente entre os conceitos de guarda, de tutela e de adoção, destacando-se, dentre outros aspectos, os deveres do guardião, o caráter temporário da guarda e a irreversibilidade do processo de adoção.

No decorrer de todos esses encontros, são utilizadas dinâmicas, discussões e reflexões sobre o tema “família acolhedora”. Também são avaliados os questionamentos trazidos pelos participantes, a freqüência, o envolvimento no processo, entre outros, sendo muito comum a desistência de algumas dessas famílias na metade do procedimento.

Terminada a capacitação, é solicitada, à família candidata, a documentação (que é a mesma requerida para a adoção), ou seja, xerox da carteira de identidade, do CPF, atestado de saúde física e mental, atestado de antecedentes criminais, atestado de idoneidade firmado por duas pessoas que não sejam parentes dos candidatos, certidão de casamento (se houver) e comprovante de convênio médico (também se houver). Toda essa documentação é encaminhada ao juiz da Vara da Infância e da Juventude e apensada ao cadastro de famílias acolhedoras (que é um cadastro distinto do destinado à adoção), ficando, dessa forma, já como famílias pré-aprovadas para a obtenção da guarda de crianças/adolescentes que precisem ser acolhidos.

Definidas e preparadas as famílias, o Programa comunica ao Conselho Tutelar e aos abrigos que está apto a receber crianças/adolescentes que necessitem de acolhimento. Assim, a criança chega ao Programa através de denúncias, em geral, feitas ao Conselho Tutelar, ou por meio dos abrigos.

Ao surgirem situações de denúncia ao Conselho Tutelar, antes do abrigamento institucional, o conselheiro consulta a equipe do Programa, a qual, mediante contato telefônico mantido com a família previamente cadastrada, pergunta-lhe sobre a possibilidade ou não de acolher naquele momento. Se houver essa possibilidade, a equipe do Programa acompanha o Conselho Tutelar na retirada da criança da família de origem e a leva até o local de moradia da família acolhedora selecionada. Nesse momento, os técnicos do Programa que acompanham o conselheiro, já fazem um primeiro contato com a família de origem. Entretanto, cabe esclarecer que o primeiro atendimento e a avaliação da

necessidade de inclusão dessa criança no Programa são feitos por membros do Conselho Tutelar.

Assim, sempre que houver uma denúncia em que os direitos fundamentais de uma criança, ou adolescente, estejam sendo violados, será feita uma tentativa de inserção no Programa, antes de encaminhá-lo para um abrigo. Desta feita, os critérios de inclusão dessas crianças no Programa abrangem aspectos relacionados a maus-tratos, abandono, exploração, falecimento dos pais, negligência familiar, entre outros, ou qualquer situação em que a criança/adolescente não possa permanecer naquele momento com sua família de origem.

O primeiro contato da criança com a família que vai acolhê-la se dá quando a equipe do Programa a leva para a família acolhedora. Portanto, não existe contato ou aproximação que preceda esse encontro. Assim, quando a família acolhedora é convocada, por telefone, pela equipe do Programa, são passadas algumas informações sobre o que está acontecendo com aquela criança, e esta última é preparada no caminho. A coordenadora do Programa aduz que, em geral, a criança não apresenta resistência em ficar com a família acolhedora, uma vez que a maior parte da demanda compreende uma faixa etária abaixo de seis anos de idade, sendo crianças curiosas, que ficam à vontade na casa escolhida, e não demonstram dificuldades imediatas de adaptação nesse novo contexto familiar.

No período em que a criança fica sob os cuidados da família acolhedora, é realizado um acompanhamento da mesma por parte da equipe do Programa. Esse acompanhamento ocorre tanto durante as visitas semanais, nas quais a família acolhedora traz a criança na sede do Programa para manter contato com a família de origem, quanto nas visitas domiciliares, realizadas pelos próprios técnicos que trabalham no Programa, às residências das famílias acolhedoras. As visitas semanais na sede do Programa tem por objetivo possibilitar que os vínculos entre a criança e sua família biológica não sejam rompidos, bem como criar oportunidades de orientação à família de origem.

As famílias acolhedoras recebem um subsídio em pecúnia, que é de R$270,24 (duzentos e setenta reais e vinte e quatro centavos), por criança acolhida.

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Benzer Belgeler