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Bilgisayarlarda Arama ve El koyma Tedbirlerinin BiliĢim Suçları Açısından

2.3. ULUSLARARASI ALANDA VE DÜNYADA BĠLĠġĠM SUÇLARI

3.1.2. Genel Olarak BiliĢim Suçlarında KovuĢturma Evresi

3.1.1.4. Bilgisayarlarda Arama ve El koyma Tedbirlerinin BiliĢim Suçları Açısından

A via de reparo de DNA por excisão de nucleotídeo inclui mais de 35 genes e possui como função principal a remoção de danos induzidos por raios UV (dímeros de pirimidina) e adutos de DNA associados com exposição a agentes químicos (HU et al, 2002; AU, SALAMA e SIERRA-TORRES, 2003; WOGAN et al, 2004; WLODARCZYK e NOWICKA, 2012). Esta via é uma das mais importantes na remoção de danos no DNA causados por carcinógenos do tabaco, bem como de distorções na dupla hélice que podem interferir no pareamento das bases obstruindo a replicação e a transcrição (HOEIJMAKERS, 2001; FRIEDBERG, 2003; AN et al, 2007), além de reparar danos causados por drogas alquilantes, análogos da platina e radiação (AIELLO et al, 2011). Assim, a via NER constitui o processo de reparo de DNA mais flexível, podendo reconhecer e reparar uma grande variedade de danos: desde pequenas modificações oxidativas até grandes adutos carcinogênicos de DNA (WLODARCZYK e NOWICKA, 2012).

Várias enzimas encontram-se envolvidas nessa via de reparo, incluindo a XPA (xeroderma pigmentosum complementary group A), RPA (replication protein A), XPC (xeroderma pigmentosum complementary group C), XPD (xeroderma pigmentosum complementary group D), ERCC1 (excision repair cross-complementing 1) e XPF (xeroderma pigmentosum complementary group F) (CHIANG et al, 2010; ZHOU et al, 2012). A via NER envolve reconhecimento do dano, abertura local da fita de DNA em volta das lesões, dupla incisão do fragmento de DNA lesionado, síntese do DNA e ligação das fitas (WLODARCZYK e NOWICKA, 2012).

O reconhecimento do dano é executado pelo complexo XPC formado pelas proteínas XPC, HR23B e Centrina-2, que se liga à fita de DNA não lesionada (NOUSPIKEL et al, 2009). As proteínas XPA e RPA se ligam ao local lesionado e dão suporte ao reconhecimento do dano (WLODARCZYK e NOWICKA, 2012). O complexo TFIIH (transcription factor II H), que é um heterodímero com duas helicases diferentes – XPD (atividade 5’- 3’) e XPB (atividade 3’- 5’) ligadas a um complexo quinase ciclina-ativada (cyclin-activated kinase), é recrutado e

separa a dupla fita de DNA envolvendo a mutação (RIEDL et al, 2003; JENSEN et al, 2011). A XPB e a atividade de helicase da XPD permitem a abertura da dupla fita de DNA em um local próximo ao dano e faz com que as nucleases dano-específicas clivem o DNA (WLODARCZYK e NOWICKA, 2012) (Figura 1).

Posteriormente, um complexo XPA se liga à fita de DNA lesionada sendo seguido pela chegada de um complexo de incisão que consiste das endonucleases XPG e XPF (NOUSPIKEL et al, 2009). Este evento causa a excisão de 25 a 30 nucleotídeos, incluindo o DNA lesionado. Logo depois, a DNA-polimerase ou a sintetiza novamente a fita de DNA. A enzima DNA- ligase une as extremidades formadas pela remoção dos nucleotídeos (JENSEN et al, 2011). A presença do XPD mantém a estabilidade do complexo, mas a atividade de helicase não afeta o processo de transcrição (WLODARCZYK e NOWICKA, 2012).

A via de reconhecimento que envolve o complexo XPC é denominada Reparo de Genoma Global (global genome repair) e corrige falhas em todo o genoma (RIEDL et al, 2003) (Figura 1A). O reconhecimento do dano pelo Reparo Acoplado à Transcrição (transcription- coupled repair), que repara genes ativamente transcritos, envolve o retardamento da RNA- polimerase seguido pelo recrutamento de moléculas sensoras, como as proteínas CSA (Cockayne syndrome group A) ou CSB (Cockayne syndrome group B) (JENSEN et al, 2011) (Figura 1B).

O XPD (Xeroderma pigmentosum complementation group D) também conhecido como ERCC2 (excision repair cross-complementing rodent repair deficiency, complementation group 2) é um gene de reparo de DNA por excisão de nucleotídeos. O produto do XPD é uma helicase dependente de ATP, constituindo uma subunidade do complexo do fator de reparo de transcrição TFIIH e está envolvido nas respostas apoptóticas mediadas pelo p53 (SPITZ et al, 2003; ZHOU et al, 2012). O gene XPD é altamente conservado em organismos eucariontes e exibe homologia com o Rad53 e Rad15 (SPITZ et al, 2003). Efeitos hereditários no XPD podem resultar em três desordens distintas: a ausência do gene resulta no Xeroderma pigmentoso (doença de pele com alta tendência ao desenvolvimento de câncer) e a alteração no seu processo de transcrição pode produzir a Tricotiodistrofia e a Síndrome de Cockayne (KUMAR et al, 2012).

O gene XPD encontra-se localizado no cromossomo humano 19q13.2- q13.3 e contém 23 éxons. Existem seis SNPs no gene XPD, localizados nos códons 199, 201, 312, 711 e 751. Os polimorfismos nos códons 199, 201, 312 e 751 podem resultar em mudanças de aminoácidos. Adicionalmente, a mutação no gene XPD pode afetar a atividade da proteína XPD. A mutação nos códons 199 e 201 ocorre em aproximadamente 4% dos indivíduos apenas, já as mutações nos códons 312 e 751 são mais frequentes. O fenótipo mutado do XPD é correlacionado a uma diminuição na capacidade de reparo do DNA, que pode aumentar o risco de câncer (LUNN et al, 2000; ZHOU et al, 2012). Um dos polimorfismos do XPD mais pesquisados é o Lys751Gln,

ocasionado pela troca A→C, sendo relacionado com a ocorrência de carcinomas em estudos recentes (BREWSTER et al, 2006; DUFLOTH et al, 2008; SYNOWIEC et al, 2008; YUAN et al, 2011b; DING et al, 2012; KUMAR et al, 2012; WU et al, 2012). Este polimorfismo ocasiona a troca do aminoácido lisina por glutamina na região C-terminal da proteína. Este evento pode produzir alterações na função do XPD, influenciar a capacidade de reparo e pode alterar a susceptibilidade genética para determinadas doenças (WLODARCZYK e NOWICKA, 2012).

Os SNPs do XPD têm sido estudados em várias neoplasias malignas, como: câncer de mama (DUFLOTH et al, 2008), câncer de pulmão (POPANDA et al, 2004; HU et al, 2005; LÓPEZ-CIMA et al, 2007), adenocarcinoma de esôfago (CASSON et al, 2005; YE et al, 2006; LIU et al, 2007; FERGUSON et al, 2008), adenocarcinoma do pâncreas (MCWILLIAMS et al, 2008), carcinomas de cabeça e pescoço (CARLES et al, 2006; AN et al, 2007) e carcinomas orais de células escamosas (KIETTHUBTHEW et al, 2006; RAMACHANDRAN et al, 2006; SLIWINSKI et al, 2011).

Au, Salama e Sierra-Torres (2003) analisaram a capacidade de reparo de DNA em linfócitos de 80 pacientes que foram irradiados com raios X e ultravioleta. Para tanto, genotiparam polimorfismos em genes de reparo de DNA envolvidos com o reparo de danos por radiação (XRCC1, XRCC3, APE1, XPD). Observou-se que as variantes XRCC1 399Gln e XRCC3 241Met foram associadas com aumento significativo em deleções cromossômicas quando comparados com os alelos homozigotos normais (p=0,021 e p=0,041, respectivamente). As variantes XPD 312Asn e XPD 751Gln estiveram associadas com um aumento em quebras de cromátides também em comparação com o alelo homozigoto normal (p=0,002). Os autores sugerem que os alelos XPD 312Asn e XPD 751Gln exibem deficiências consideráveis em sua função durante o reparo por excisão de nucleotídeo.

Casson et al (2005) afirmam que a ocorrência do alelo XPD Lys751Lys resulta em um reparo inadequado de danos no DNA induzidos por raios-X. Os autores verificaram que o polimorfismo XPD Lys751Gln estava relacionado com um efeito protetor contra a doença de refluxo gastro-esofágico (n=126), esofagite de Barret (n=125) e adenocarcinoma de esôfago (n=56) (p<0,05). Para estes, o fenótipo maligno estava relacionado com um desequilíbrio em polimorfismos em genes de reparo de excisão de nucleotídeos, sendo um aumento de risco com o XPC e uma diminuição com o XPD. Ye et al (2006) sugeriram em seu estudo que esse polimorfismo seria um marcador genético em potencial para avaliar a susceptibilidade para o adenocarcinoma de esôfago, encontrando uma correlação positiva entre o polimorfismo e o

adenocarcinoma de esôfago em uma população escandinava (grupo caso = 303, grupo controle = 472).

Liu et al (2007), por sua vez, observaram um aumento na frequência de adenocarcinoma de esôfago em associação com o XPD Lys751Gln em uma população caucasiana da América do Norte (p=0,048; grupo caso = 183, grupo controle = 336). Ferguson et al (2008) investigaram os polimorfismos hOGG1 Ser326Cys, XRCC1 Arg399Gln e XPD Lys751Gln e não identificaram associação estatisticamente significativa entre estes polimorfismos e o risco para adenocarcinoma de esôfago (n=227), esofagite de Barret (n=224) ou esofagite de refluxo (n=230).

Wlodarczyk e Nowicka (2012) avaliaram a relação entre o polimorfismo XPD Lys751Gln e o dano ao DNA de linfócitos em indivíduos caucasianos saudáveis (86 indivíduos). Observou-se que indivíduos com o alelo XPD 751Gln exibiam mais danos no DNA que aqueles com o alelo XPD Lys751, independente do sexo, idade ou tabagismo (p=0.0001 no grupo de não fumantes, p=0.0068 no grupo de fumantes). Os autores sugerem que os indivíduos com o alelo XPD 751Gln são mais susceptíveis a danos ao DNA. Ainda acrescentam que a análise de polimorfismos genéticos pode predizer a variação interindividual nos níveis de adutos de DNA causada pela exposição aos componentes do tabaco e o risco de desenvolvimento de doenças associadas.

Outros estudos encontraram associação positiva entre o polimorfismo do XPD Lys751Gln e um risco aumentado para o desenvolvimento de carcinomas de cabeça e pescoço. Sliwinski et al (2011) em seu estudo avaliaram a frequência de diversos polimorfismos em carcinomas de cabeça e pescoço. Estes autores observaram uma maior frequência do genótipo heterozigoto do XPD Lys751Gln (58%) e não encontraram diferença na distribuição dos genótipos entre o grupo de pacientes (n=265) e de controles (n=280; pacientes sem histórico de neoplasia maligna ou doença genética) (p=0,724, p=0,863 e p=0,429). Neste estudo, houve uma associação do polimorfismo do XPD com uma maior ocorrência de câncer de cabeça e pescoço apenas quando este foi correlacionado com outros polimorfismos estudados, como OGG1 Ser326Cys e MUTYH Tyr165Cys (p<0,05).

Kumar et al (2012) avaliaram a influência do estilo de vida (consumo de álcool e tabaco) e dos genótipos dos genes XRCC1 (Arg194Trp, Arg280His, Arg399Gln) e XPD (Lys751Gln) e suas associações com o risco para desenvolvimento de carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço (n=278 pacientes e n=278 controles). Observou-se uma associação entre as

variantes Arg194Trp e Arg399Gln do XRCC1 e um efeito protetor contra o câncer (p=0,028); a Arg280His não exibiu resultados significativos (p=0,12). O alelo Gln do XPD, por sua vez, esteve associado a um aumento no risco de desenvolvimento deste câncer, sendo este de 2,7 vezes para indivíduos fumantes, que mascavam tabaco e/ou ingeriam álcool (p=0,001). A análise da interação entre os polimorfismos XPD Lys751Gln e XRCC1 Arg280His revelou um aumento de 6,1 vezes no risco de desenvolvimento de câncer (p=0,028), sugerindo que a interação entre vários genes de reparo de DNA pode modular a susceptibilidade para esta neoplasia. Os autores afirmam que seus resultados indicam um alto grau de interação genética envolvendo genes de reparo de DNA das vias BER e NER, particularmente o XRCC1 e o XPD.