• Sonuç bulunamadı

1.2. İnformal Bilgi – İnformal Öğrenme – İnformal İletişim

1.3.3. Bilgi Yönetimi Kaynakları

O objetivo central deste estudo é levantar questionamentos relacionados ao discurso que subsidiou ideologicamente o Estado instaurado após 1937, e seu projeto de ocupação dos

“vazios espaciais” proposto pela campanha “Marcha para o Oeste”. O discurso que buscava

subsidiar ideologicamente o Estado nos anos que sucederam o Movimento de 30, contou com a colaboração de vários segmentos da sociedade, principalmente com a incorporação dos intelectuais junto as instituições e órgão estatais. Considerado que Cassiano Ricardo colaborou com a elaboração dessa construção discursiva, neste trabalho, procuramos realizar uma espécie de biografia desse intelectual com a pretensão de situá-lo dentro do contexto político. Iniciando sua projeção como escritor com o livro de poemas Dentro da Noite (1917)

– uma obra situada entre o parnasianismo e o simbolismo em um momento de revisão literária

nacional – sua adesão ao Modernismo tardiamente – ao lado de Plínio Salgado e Menotti Del Picchia – passando pelo Levante de 32 até sua colaboração ao corpo doutrinário do Estado Novo. Nossa pretensão foi perceber para quem o intelectual se dirigia, da mesma forma, como esse pensamento foi incorporado pelo Estado.

A partir da década de 1920 a sociedade brasileira passou a preocupar-se cada vez mais com a análise e explicação da sociedade brasileira. No campo das idéias, procurava-se rever os valores que permeavam a sociedade, para tanto, pretendia-se neste momento recuperar as raízes da formação social, tanto no que se refere as artes, quanto relacionado as causas do atraso econômico e social frente as nações modernas. Tal preocupação também abrangeu a forma como estava definida a organização política do Estado. Surgiram debates que apontavam a República de 1889 e seu viés Liberal, como uma das causas de tal atraso e de dependência do Brasil frente aos centros comerciais da Europa. Em oposição a essa perspectiva, alguns intelectuais apoiaram-se na tendência autoritária como saída para a organização do Estado e sua ação na esfera econômica. Também coexistiam, opiniões que propunham uma definitiva adoção do liberalismo político e econômico. Já referente a economia nacional, o latifúndio açucareiro foi o ponto central onde todas as críticas se confluíam, pois sua produção destinada ao mercado internacional prejudicava a sobrevivência de um mercado interno.

A produção cafeeira também foi debatida neste contexto, mas os debates estavam voltados para a atuação maior do Estado no que se refere ao apóio financeiro, principalmente após 1929. O processo de industrialização também foi incorporado nessa revisão da sociedade brasileira, o apóio ao desenvolvimento de um parque industrial – principalmente a partir da

década de 30 – e o impacto que esta realizou sobre o meio urbano permeava, tanto a revisão das artes, quanto ao desenvolvimento econômico e produtivo do Brasil. A preocupação em explicar e encontrar as causas do atraso brasileiro, também apontava o descaso do poder estatal referente as regiões e as populações interioranas como responsável pela situação brasileira. Esses são apenas alguns pontos que na década de 1930 comporão parte do arcabouço ideológico que subsidiará o discurso estadonovista referente a modernização da sociedade brasileira através da incorporação dos sertões.

Como construção discursiva, procuramos avaliar neste trabalho como a re-elaboração

do “mito bandeirante” – processo pelo qual um símbolo essencialmente paulista foi transposto

em símbolo nacional – foi trabalhada por Cassiano Ricardo, como também, demonstrar que o Governo varguista (1930-0945) apropriou-se desse “mito” como arcabouço ideológico para dar legitimidade a sua ação intervencionista. No que concerne a re-elaboração do “mito

bandeirante” e a apropriação deste pelo Governo varguista, pode-se perceber uma construção

discursiva que busca no presente os temas a serem justificados pela autoridade dos intelectuais e da tradição. Neste trabalho podemos considerar que o passado é trabalhado por Cassiano Ricardo, com o intuito de edificar uma continuidade com a situação presente. O que o escritor pretende realizar, não é uma explicação do passado, mas uma justificação do momento atual, ao mesmo tempo em que, o Governo Federal através de alguns meios de comunicação – imprensa, pronunciamentos oficiais e pelo IBGE – buscou divulgar e cristalizar essa ideologia como verdade.

Aqui podemos avaliar como as idéias de um intelectual – Cassiano Ricardo – voltado para formação de opinião da elite – como o livro era um objeto de luxo pelo seu auto custo e que o número de analfabetos no Brasil contava a maior parte da população, as idéias ali expostas era voltada para a população letrada e com poder aquisitivo – foi divulgado algumas formas. Pelo que podemos considerar ele estava voltado para as elites paulistas – cafeicultores, industriais – e de outros segmentos econômicos e produtivos do país, além de servir para a manutenção do poder estatal. Se um escritor fala para alguém, é bom saber de onde ele fala? Não podemos situá-lo como um intelectual, propriamente dito do Estado Novo, mas um intelectual que incorporado ao regime defendia os interesses de um estado: São Paulo.

Os enunciados que faziam referência ao “mito bandeirante” contidos nos

pronunciamentos de Vargas acabavam por afirmar por meio de uma autoridade política – o presidente – que o que era dito era verdade. Os símbolos recuperados e trabalhados, através dos pronunciamentos – sem falar em sua visita a capital goiana – acabam se tornando um ritual, onde as palavras e os atos transforma-se em acontecimentos. Esse mesmo discurso

intelectual e público – no sentido de quem fala é um representante do Estado – ao ser incorporado pelo IBGE – uma instituição com fins de descrição e estatística, ou seja, um órgão pretendidamente científico – acaba por justificar por meio da ciência a necessidade e as

possibilidades que a ocupação dos “vazios espaciais” pode oferecer. O intelectual, o público e

o cientifico comungando de uma mesma ideologia que por meio da imprensa escrita – aqui trabalhamos com exemplares do principal jornal da capital goiana – torna-se notícia, como a divisão do território do Tocantins e a campanha pela estatua do Bandeirante em Goiânia.

O bandeirante como personagem histórico foi sucessivas vezes alvo de interpretações no século XIX e início do século XX. Estas leituras pretendiam expor um ponto de vista sobre a conquista do território, em termos de “herói versus bandido”, do “espírito de aventura”, da

“expansão do território”, e de outras características associadas à ancestralidade paulista,

principalmente as que o apontavam como um tipo regional diferenciado. Como então esse símbolo – o bandeirante – que representa o paulista como tipo regional diferenciado acaba por ganhar uma estátua em sua homenagem em uma capital recém inaugurada no interior de Goiás. Uma coisa não podemos negar, é a força da re-elaboração do “mito bandeirante” apropriada pelo Estado neste período, pois um mito – bandeirante e conquista do sertões se igualam – trabalhado por intelectuais paulistas, sua difusão pelos pronunciamentos de uma autoridade, o cuidado científico que o IBGE dá e a sua divulgação pela imprensa, não só modificou paisagem rural, mas também os centros urbanos.

A partir dessas considerações avaliamos que em 32 os paulistas ao se levantaram contra o Governo Provisório – revolta desencadeada devido ao fato de que o estado pretendia manter sua autonomia frente ao processo de centralização das decisões política – era necessário encontrar um suporte para justificar suas posições. Neste momento, o bandeirante ressurgiu com nova força e acrescido de mais uma característica, ou seja, a defesa da autonomia política de São Paulo frente ao governo “revolucionário”, ocorrendo a recuperação desse símbolo como suporte ideológico na luta.

O poema Martim Cererê (1928) como uma versão mítica da origem das Bandeiras, não deixou de elevar os paulistas como herdeiros dos construtores (bandeirantes) da nacionalidade, até porque, para Cassiano Ricardo, para se construir uma Nação deve-se primeiro conquistar o território. Também conferia a produção cafeeira paulista, como continuadora da obra dos bandeirantes. O pioneirismo paulista referente a indústria, também é

inserido nesta continuidade, devido ao fato de que, o “espírito empreendedor” do bandeirante

influencia o paulista moderno em inserir São Paulo e o Brasil na rota do mundo moderno. A ancestralidade bandeirante, a força da produção do café e da indústria eram motivos que davam entusiasmo para os paulistas enfrentarem – pelas armas – o Governo Provisório. Com

a derrota, nada mais justo ou melhor, dizendo, nada mais oportuno para o Governo central do que apoiar-se no “mito bandeirante” como suporte ideológico, elegendo o bandeirante como

símbolo de unificação nacional e emblema da campanha “Marcha para o Oeste”.

No entanto, o “mito bandeirante” incorporado ao discurso ideológico do Governo Federal, também serviu para satisfazer os interesses da elite paulista: na necessidade de afirmar – pela tradição e exemplos históricos – a hegemonia de São Paulo frente a outros estados; na versão de que a construção da Nação foi iniciada por seus ancestrais, desta forma, São Paulo se torna um modelo a ser seguido; e nas pressões dos setores cafeicultores e industriais que acabaram por submeter outras regiões as necessidades econômicas do Sudeste. Todos esses apontamentos estavam em jogo na re-elaboração do “mito bandeirante” na década de 30, principalmente no ensaio Marcha para Oeste de Cassiano Ricardo. Por outro lado, esse mesmo mito possibilitou ao Governo varguista autorizar-se como parte do “destino

nacional”. O Estado Novo se coloca dentro de uma linha evolutiva, onde um “governo forte”

guiado por um líder conciliador consegue unir vários interesses pelo bem comum, tornando-se a continuidade das Bandeiras no tempo. Cassiano Ricardo trabalha essa ponte entre o regional e o nacional em seu ensaio, pois ao explicar a influência das Bandeiras na formação social e política brasileira, cria-se a idéia do “espírito bandeirante” – pertencente ao paulista – que transcende a pura questão de conquista, ocupação e exploração do território – ela “caminha no

tempo” – chegando a influenciar as representações políticas e até o próprio Estado moderno

brasileiro. Pode-se dizer que os paulistas perderam a batalha nos campos, mas ganharam a guerra ideológica.

Ao relacionar as idéias de Cassiano Ricardo expostas no ensaio analisado, podemos perceber como elas confluem para uma ponte entre o passado e o presente, pois o autor busca justificar determinadas situações do presente a partir de uma interpretação do passado, ao mesmo tempo em que parte de acontecimentos e personagens do passado para justificar ações no presente. Ocorre uma relação entre o mítico e o histórico, pois ao pretender uma análise do passado histórico brasileiro, o autor acaba por valorizar o mito sobre o acontecimento, ou seja, o histórico é apropriado para a caracterização do principal mito ricardiano: a gênese do Estado moderno brasileiro. Também podemos destacar um diálogo entre o regional e o nacional, visto que a origem dos formadores da nacionalidade é essencialmente paulista, ou melhor, o mito parte do regional para se tornar sinônimo da identidade nacional. As idéias contidas no livro de Cassiano Ricardo também é a afirmação de uma Nação que busca projetar-se para o futuro, a partir de uma organização social construída através do tempo e no espaço. Esses são outros dois pares que compõem a narrativa do autor, pois o sertão (espaço) através dos tempos foi alvo de interferência humana inspiradas pelo bandeirantismo, e é por isso que na versão

ricardiana, as Bandeiras caminham no tempo em um espaço devidamente localizado. Nesse sentido, o autor pretende explicar a influência das Bandeiras na organização social e política brasileira dentro de uma relação de mão dupla entre passado-presente, a partir de uma explicação mítico-histórica da influência das Bandeiras na sociedade, para enfim demonstrar como a contradição entre regional-nacional se diluiu através de uma continuidade espaço- temporal.

E nesse modelo de explicação proposto pelo autor, o recurso de palavras conceitos –

“pioneiro”, “desbravador”, “sertanista”, “raça”, “nacional”, “destino”, “heróis”, “união” –

também emergem re-significadas por Cassiano Ricardo para idealizar o tipo de brasileiro produtivo que o Estado Novo pretendia. Além do tipo de brasileiro, o autor em Marcha para

Oeste, utiliza-se do mesmo recurso – “democracia”, “solidariedade social”, “coletividade” –

para definir a estrutura da Bandeira como gênese do Estado brasileiro. E é nessa configuração que podemos considerar que o ensaio Marcha Para Oeste de Cassiano Ricardo aproxima-se mais de um romance histórico da gênese do Estado Novo do que uma obra de ensaio crítico da formação social e política do Brasil.

A crítica ao sistema produtivo da Nordeste em contraposição a pequena propriedade da São Paulo colonial e da monocultura do café, expostas no ensaio, pretende afirmar a posição do Sudeste frente a outras estruturas produtivas, assim como, eleger uma nova forma de organizar o sistema produtivo nacional. Em meio a um contexto – década de 1920 e 1930 – de fortes tensões políticas e econômicas no campo e na cidade, debates ideológicos sobre sistemas econômicos e modelos de Estado, criação de um novo brasileiro, a falta de uma economia nacional e um mercado interno débil, Cassiano Ricardo não deixa de ser influenciado por esses questionamentos. Esse intelectual não só levanta questões pertinentes a intervenção do Estado nesses pontos, como tenta demonstrar que a forma como o Estado Novo está organizado é uma herança histórica e não uma organização fruto de debates ideológicos e estrangeiros. Podemos demonstrar como a explicação do autor reunida em

Marcha para Oeste e o modelo de Estado adotado no Brasil estão lado a lado, ou seja, o

ensaio é o resultado de uma “História” feita de frente pra trás.

Historicamente, segundo Cassiano Ricardo, a questão da mão-de-obra foi resolvida com a hierarquização das raças e sua função na organização social da Bandeira, cada qual exercendo suas atividades culturais: branco-cidade-comando, índio-sertão-movimento e o negro-campo-obediência. Tal hierarquização não está baseada em preconceitos raciais, pois a miscigenação, segundo o autor, diluiu os racismos. Este pressuposto vem combater as teorias que defendiam a pureza racial como responsável pelo fortalecimento de um povo, ou seja, contra a pureza racial elege-se a mistura das raças como fundamento da organização interna

da bandeira. E é esta relação que dá os primeiros passos no sentido de uma “democracia social

tipicamente brasileira”, pois na “marcha” cabem todos, segundo a versão ricardiana. Durante o Estado Novo, o controle da mão-de-obra, em certo sentido, foi uma forma de afirmar que as ações do governo – em questões trabalhistas – pretendiam atender a todos os interesses classistas. Nas cidades a legislação procurou acatar algumas reivindicações trabalhistas, assim como, conseguiu suprimir as greves ao manter o controle dos sindicatos. A pressão das elites industriais por incentivos econômicos aumentava ainda mais o número de trabalhadores, devido ao aparecimento de novas fábricas, sendo necessária a intervenção do Estado nas tensões e normas entre patrões e empregados.

No campo, a necessidade aumentar a produção interna provocou a interferência do Estado, no entanto, as Leis Trabalhistas não alcançaram esse trabalhador, deixando intocáveis as relações de poder ali estabelecidas – a tradição como contrato de trabalho – ou melhor, uma forma de não interferir nas relações de poder entre os grandes latifundiários e seus agregados. Além de secretarias e departamentos voltados para o setor agrícola monocultor – trigo, café, entre outros – e o setor extrativista, o Governo Federal iniciou algumas colônias agrícolas formadas por pequenas propriedades. Estas surgiram com o intuito de se destinar a policultura e abastecimento do consumo interno, principalmente do Sudeste. Para ambas as propostas destinadas ao campo, era necessária a intervenção estatal para orientar a migração de excedentes populacionais para outras regiões do país, principalmente do Nordeste para o Norte e Centro-Oeste.

Ao considera que o ensaio é um meio de autorizar o Estado Novo a partir da caneta de um intelectual, podemos perceber que tanto o controle da mão-de-obra na cidade, como no campo, era divulgado pelo poder estatal como uma forma de demonstrar que o Estado buscava incluir a todos em seus programas. O governo tentava demonstrar essa preocupação ao instituir leis para o trabalhador urbano, e em regiões despovoadas, se repovoava com as migrações, ou seja, o controle da mão-de-obra torna-se a nova versão da “hierarquização

funcional”, não mais definida pela raça, mas pelas necessidades econômicas e produtivas do

país. Como a questão da raça no Brasil na década de 1930 estava relativamente sob controle, a relação entre negro e obediência no contexto pode ser resolvida ao lembrar que negro e campo

também são pares. Neste sentido, o ensaio pode levar a entender que nessa nova “hierarquia funcional” a relação amplia-se para cidade-comando e campo-obediência, onde o camponês é inserido na nova “marcha” ao doar sua principal contribuição: a obediência. Por outro lado, a

relação de comando e obediência não mais se resume a questões entre indivíduos, ou melhor, a relação cidade-comando e campo-odediência podem ser consideradas a defesa do domínio da cidade sobre o campo. Neste bojo, pretendia-se um trabalhador disciplinado e produtivo,

tanto na cidade, quanto na zona rural. Alegava-se que as greves não eram mais “necessárias”,

pois o “Estado Bandeirante” tutelaria suas reivindicações, e os conflitos no campo não se

justificariam, pois as migrações e a formação de colônias agrícolas devolveriam o agricultor a terra. Na versão de Cassiano Ricardo, assim como a Bandeira, o Estado a partir de 1930 vinha divulgando que visava incluir todas as potencialidades produtivas em um só objetivo: o crescimento e fortalecimento da Nação.

A gênese desse Estado que inclui a todos e abrange todas as potencialidades produtivas, segundo Cassiano Ricardo está na sociedade piratiningana. As Bandeiras originadas dessa sociedade eram Estados em miniatura, eles eram dotados de um líder com

poder legislativo, executivo e judiciário que garantiria o exercício da “democracia social”.

Esse líder também reunia todos os interesses em prol da coletividade, além de conquistar o território e dar os primeiros passos para a construção da nacionalidade. Esse Estado germinal

garantia a “democracia social” sob a tutela do líder, que se transfigura no “herói” disciplinado

das Bandeiras. E de acordo com esse pressuposto, Cassiano Ricardo justifica a existência de

um “Estado Forte”, com um líder que garantisse a disciplina e obediência, para que, os vários interesses compartilhem da “democracia social tipicamente brasileira”, ou seja, é apoiado

nessa reinterpretação da organização interna da Bandeira que o autor busca a origem do Estado moderno no Brasil. Neste sentido, pode-se perceber que o ensaio pretende justificar historicamente que não há porque contestar o Estado Novo, pois ele está nos primórdios da sociedade brasileira, e não apenas uma invenção de gabinete.

A partir da década de 20 ocorreu uma preocupação maior frente as modificações em três realidades espaciais: cidade, sertão e campo. Na cidade as transformações, como por exemplo, a urbanização e a industrialização, deram novo impulso as artes, ao surgimento de novos grupos sociais e ao fortalecimento de outros. Também surgiu a contestação da influência européia em vários seguimentos da sociedade, principalmente sobre as cidades do litoral. O campo, local de exploração dos agricultores pobres, de refúgio das oligarquias, espaço produtivo baseado no latifúndio e na monocultura, além de atrelado ao mercado internacional, era posto como uma realidade a ser superada. Entre a cidade e o campo existia o sertão, espaço abandonado e dono de imensas possibilidades de riquezas. Cassiano Ricardo unifica essas três visões ao dar sua versão das Bandeiras e de como a recuperação desse espírito conseguiria unificar essas três realidades, ou seja, o espaço posto como vazio deveria ser preenchido pela fusão entre o campo e a cidade.

Para Cassiano Ricardo, enquanto a sociedade piratiningana ainda não se instituiu em Bandeira, o sertão não era uma realidade brasileira. A partir do momento em que o bandeirante passa a conquistar o sertão, inicia-se uma cidade em marcha, assim como, nas

regiões de mineração cria-se um sistema produtivo típico dessa sociedade: a pequena

propriedade. O bandeirante “histórico” segundo a versão ricardiana unificou essas três

realidades, mas foi interrompida por influências estrangeiras. O café novamente possibilitou

essa união, pois “ao longo dos cafezais iam surgindo cidades” que aos poucos se espalhavam

pelo sertão despovoado. Em inúmeras vezes no livro, essa fusão é reivindicada como uma continuidade inerente ao destino da Nação, até porque, segundo o autor, o Estado estava

retomando tal iniciativa através da campanha “Marcha para o Oeste”.

A “democracia social tipicamente brasileira” é outro tema de suma importância no