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2. YÖNTEM

2.2. BİRİNCİ ÇALIŞMA

Conforme mencionado, o campo empírico desta pesquisa foi o Programa Bolsa-Família, implementado na cidade de Bambuí, situada na região Centro-Oeste do Estado de Minas Gerais.

Tomou-se como sujeitos da pesquisa as famílias beneficiárias do Programa Bolsa-Família em Bambuí, bem como o Gestor municipal do Programa na cidade. À época da pesquisa, a população de beneficiários cadastrados e contemplados do Programa Bolsa-Família na cidade de Bambuí girava em torno de 900 famílias, em média, mensalmente (MDS, 2010b), desde a implantação do Programa na localidade. Optou-se por uma amostragem proporcional sobre essas famílias, por fornecer estimativas mais fidedignas dos diferentes grupos que compõem a população. Eis que todo membro da população é classificado em um único estrato, ao mesmo tempo, sem estar fora dessa classificação. A amostragem dos sujeitos da pesquisa foi calculada como estratificada proporcional, resultando em número 160 questionários, que foram aplicados pessoalmente e distribuídos igualmente, de forma proporcional ao número de beneficiários por bairros da cidade.

Tomou-se também como informante desta pesquisa o Gestor municipal do Programa, por ser ele o responsável pela implementação e articulação entre as esferas federal, estadual e municipal na cidade, coordenando e orientando as equipes de trabalho multiprofissionais e multidisciplinares aliadas ao Programa Bolsa-Família.

Para a aplicação do questionário à beneficiária foi necessário, inicialmente, identificar o número de famílias contempladas em cada bairro, para que se pudesse fazer a distribuição proporcional de questionários para obter suas respostas, objetivando-se a consecução dos demais objetivos propostos, pela compreensão de suas falas. Porém, uma operação que, inicialmente, pareceria simples, mas que se constituiu no primeiro obstáculo para a inicialização dos trabalhos práticos, ocasionado pela inconsistência dos dados dos cadastros municipais, uma vez que não contemplavam corretamente o lançamento de dados para busca, evidenciando a

Oficialmente, a cidade de Bambuí possui um total 24 bairros, conforme verificado na Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) da Prefeitura Municipal de Bambuí (BAMBUÍ, 2010), estabelecidos na sua zona urbana e em sua zona rural, o que totalizariam 25 bairros.

Para o levantamento do respectivo número de famílias representadas em cada bairro, tomou-se como base a listagem das famílias beneficiárias do Programa Bolsa- Família em Bambuí, no mês de agosto de 2010, extraída do site do MDS (2010b), que demonstrava a totalização de 951 famílias ativas e que estariam recebendo o benefício naquele mês, conforme dados fornecidos.

Foi solicitado à SMAS da Prefeitura Municipal de Bambuí uma discriminação distributiva por bairro, quanto aos beneficiários do Programa Bolsa- Família na cidade. Durante essa busca foi verificado, todavia, que os cadastros municipais estavam inconsistentes e, conforme foi dito, não contemplavam corretamente o lançamento de dados para a busca como solicitada. Isso se dava porque, no momento do lançamento na base de dados do respectivo Programa, os bairros recebiam várias terminologias, sendo cadastrados de formas diferenciadas, inclusive por uso de seus apelidos comumente conhecidos pela população, o que inutilizaria uma pesquisa correta de dados somente por este formato de pesquisa. Uma reorganização desses dados a partir de informações dos setores-chave da Prefeitura Municipal, não foi possível porque, da mesma forma que identificado na Secretaria Municipal de Assistência Social, estariam os dados lançados de forma errônea, com várias terminologias. Além disso, o cruzamento de informações de outros setores, como os dados fornecidos pelas Secretarias Municipais da Saúde e da Educação, demandaria muito tempo e, pelos defeitos de lançamento, como afirmados anteriormente, poderia gerar mais dificuldades de cruzamentos de bairros e de averiguação dos nomes das famílias beneficiárias.

Diante desse obstáculo, buscou-se, então, verificar a listagem de beneficiários de programas sociais federais do CadÚnico (MDS, 2010c), relativo ao município de Bambuí, pois nele estão incluídos também os nomes de todos os beneficiários do PBF na cidade. Dessa forma, procedeu-se à elaboração de levantamento de dados pela análise documental das listagens de beneficiários do PBF na cidade e pelo CadÚnico.

No confronto da listagem do CadÚnico, verificou-se a existência de 2.016 famílias cadastradas em programas federais relativos ao mês de agosto de 2010, e,

diante de tal informação, já que os dados das famílias cadastradas do PBF no município são reproduzidos no CadÚnico, buscou-se extrair desse cadastro a elaboração de uma listagem apenas com os nomes das famílias beneficiárias do PBF, por bairro, entre as 951 famílias contempladas e ativas no mês de agosto/2010, como constava da lista de beneficiários do Programa.

Em razão de lançamentos errôneos efetivados no cadastro municipal, a listagem de beneficiários de programas sociais federais constante do CadÚnico listava um total de 157 bairros (Quadro 2 – Apêndice 4), o que dificultaria a consulta de dados apenas pelo nome oficial do bairro, como consta dos cadastros municipais. Verificou-se, ainda, pela análise dos dados registrados no CadÚnico, que, além de não haver registro confiável de informações de nomes de bairros, igualmente a descrição dos nomes de ruas do município estaria duvidoso, uma vez que foram grafados no cadastro de forma errônea, ao que deveria ser identificado pelo registro oficial municipal, num total de 38 lançamentos.

Também, pelo exame da listagem do CadÚnico, onde deveria constar como bairro a denominação “zona rural”, relativamente aos beneficiários de programas sociais federais que residiam fora da zona urbana, na operacionalização de lançamentos de dados desse cadastro foram apuradas 136 indicações errôneas, já que era comum constar do cadastro ou o nome da fazenda, ou o nome da comunidade, ou o nome do proprietário da fazenda onde residia o beneficiário, inobstante haver um campo próprio no cadastro para melhor especificar, na zona rural, onde estaria residindo o beneficiário. Essa situação corrobora que a ausência de padrão e critérios de lançamento de dados pelo ente público gera erros de indicadores quando o cidadão precisa fazer consulta ao banco de dados públicos, tanto para colher informações gerais quanto para avaliações ou controles externo e interno. Diante dessa realidade e, para melhor agilização dos trabalhos da pesquisa, foram separadas as famílias beneficiarias do PBF da listagem do CadÚnico, indicadas nos respectivos bairros de residência pelo nome de registro oficial municipal. Após o término dessa fase, foram agrupadas as famílias por rua no respectivo bairro, em demonstrativo por ordem alfabética de ruas por bairro para a facilitar a identificação dos logradouros durante a pesquisa de campo.

famílias onde a mulher era a representante da família para fins de recebimento dos benefícios do Programa. Então, buscou-se excluir da listagem representantes do sexo masculino, encontrados no número de 13 beneficiários homens, que não estariam no universo de pesquisa. Excluídos esses nomes e deduzindo-os do total de famílias beneficiárias, restaram 938 famílias que poderiam atender aos critérios da pesquisa e que, para tanto, foi utilizada a seguinte fórmula estatística, em que:

n se refere ao tamanho da amostra, t se refere ao valor do escore Z para o intervalo de confiança adotado, d se refere à margem de erro, P é a probabilidade de um evento ocorrer dentro de uma população, Q é a probabilidade de um evento não ocorrer dentro de uma população e N é o tamanho da população. : ) 1 ) ( ( 1 1 ) ( 2 2 2 2 d PQ t N d PQ t n

A partir daí, definiram-se 17% como percentual estatisticamente significativo para a amostragem, o que resultou num total de 160 famílias a serem entrevistadas. Dessa forma, cada bairro teve, ao menos, uma família beneficiada contemplada com um questionário (Quadro 3 – Apêndice 4).

Considerando a proporcionalidade de famílias por bairro e considerando a inexistência de famílias cadastradas no Programa Bolsa-Família nos bairros Centenário e Residencial Nova Bambuí, foi delimitado o universo da pesquisa em 23 bairros, sendo 22 urbanos mais a zona rural (Gráfico 1 – Apêndice 5). Posteriormente, procedeu-se ao agendamento dessas famílias para um contato inicial.

De posse dos endereços, buscou-se realizar o agendamento das nossas visitas. Nessa etapa, verificou-se que 191 residências se encontravam fechadas. De acordo com informações dos vizinhos, a beneficiária ou a família não poderia ser encontrada por dois motivos: ou por terem se mudado de endereço, ou por estar a beneficiária fora do lar prestando serviços a terceiros, o que a impedia, assim, de participar, obviamente, da pesquisa. Dessas 191 famílias, 68 teriam se mudado de residência sem, contudo, comunicar tal fato à SMAS para as devidas atualizações, o que implicava erro de informação nos cadastros oficiais. Nas demais 123 famílias, o imóvel residencial estaria fechado, pois seus moradores estariam ou trabalhando, ou não permanecendo em casa, conforme informação de vizinhos.

Tentando descobrir a atividade das beneficiárias nesse grupo de 123 residências fechadas, apurou-se que, delas, seis beneficiárias eram vendedoras autônomas, outras sete eram industriárias e 12 trabalhavam como comerciárias. Ainda, 30 beneficiárias trabalhavam como empregadas domésticas e outras 54 eram trabalhadoras rurais. Foi finalmente constatado que em 14 domicílios, apesar de os vizinhos informarem que a beneficiária não teria ocupação, sendo dona de casa, infelizmente não foi possível localizá-la, tanto na fase de preagendamento quanto na de pesquisa. Além dessas situações, em 30 residências (apesar da concordância das famílias para a participação na pesquisa) não foi possível realizar as entrevistas, em razão de impedimentos pessoais dos beneficiários ou de sua família, por problemas de saúde na beneficiária ou familiar em 21 casos; morte de beneficiária em três casos ou mesmo, seis casos de cancelamento do benefício à época da pesquisa. Finalmente, 12 beneficiárias se recusaram a participar da pesquisa, sendo cinco por alegação de falta de tempo para o atendimento; outras quatro afirmaram que estariam ocupadas com outras tarefas e que não poderiam atender à pesquisa naquele momento, talvez depois; e, finalmente, as demais três beneficiarias, que se recusaram terminantemente a participar da pesquisa, sem explicar o motivo da recusa.

Excluindo-se, desse modo, as 233 situações de obstáculo para a pesquisa como anteriormente indicadas, tentou-se apurar das 705 famílias beneficiárias remanescentes o maior alcance possível de sua distribuição representativa nos bairros. Desse número, buscou-se colher a amostra, composta por 160 famílias, distribuídas por bairros. Para buscar uma resposta ainda mais homogênea no universo da pesquisa, buscou-se cobrir o maior número possível de ruas por bairro aonde haveria duas ou mais famílias beneficiárias. Tal procedimento poderia ser averiguado, apesar de morarem num mesmo bairro, as famílias beneficiárias poderiam não apresentar as mesmas situações de pobreza, empoderamento e inclusão social perversa.