DENEME 6 1. Arda, verdiği yanıtla konunun farklı
16. Beyin fırtınası tekniği ile öğrenciler herhan- herhan-gi bir problem durumu hakkında
A transmutação no conceito de desenvolvimento vem sendo trabalhada por autores como Jean-Marie Harribey, conforme cita pertinentemente Maria Luiza A. Mayer Feitosa. A autora, ainda, assevera que a convivência entre sustentabilidade e
capitalismo só seria possível caso houvesse mudanças estruturais no âmbito do próprio modelo de produção:
Para Harribey, é apropriado chamar-se hoje de desenvolvimento “a possibilidade de todos os habitantes da terra terem acesso à água, alimentação, saúde, educação e democracia”, percebendo-se, assim, que a noção de desenvolvimento humano sustentável abrange as várias liberdades de escolha, participação, planejamento, melhoramento das condições de vida, bem-estar e justiça ambiental e social, embora ainda permaneça em debate a possibilidade de convivência construtiva entre o capitalismo e as práticas da sustentabilidade, posto parecerem incompatíveis, salvo se
ocorrerem mudanças estruturais no seio do próprio capitalismo, dada a emergência das questões ambientais e sociais da atualidade74 (Sem grifos no original).
Ainda, válido mencionar fragmento da exposição de Cançado Trindade no que tange à temática do direito ao desenvolvimento conjugado à justiça social, ipsis litteris:
Desde a Declaração das Nações Unidas de 1986, tem-se esclarecido que os sujeitos ativos ou beneficiários do direito ao desenvolvimento são os seres humanos e os povos, e os sujeitos passivos são os responsáveis pela realização daquele direito, com ênfase especial nas obrigações atribuídas aos Estados, individual e coletivamente. As medidas contempladas para tal realização se estendem aos níveis tanto nacional como internacional. A significação maior desta evolução reside no reconhecimento ou asserção do direito ao desenvolvimento como um “direito humano inalienável”75.
O autor cita a existência de uma relação jurídica obrigacional em torno do direito ao desenvolvimento, em que o papel do direito seria efetivamente construir e disciplinar a relação jurídica obrigacional – válida tanto para o âmbito interno quanto para o internacional – no sentido de que as pessoas e os povos são os destinatários desse direito enquanto os Estados e demais atores internacionais são os devedores dessa obrigação.
A evolução do pensamento econômico e sua interface dinâmica com as diversas áreas do conhecimento sempre perfilharam a busca por teorias gerais que explicassem e norteassem a questão do desenvolvimento.
74 HARRIBEY, Jean-Marie Apud FEITOSA, Maria Luiza A. Mayer. Direito econômico do desenvolvimento e direito humano ao desenvolvimento. Limites e confrontações. In: FEITOSA,
Maria Luiza Alencar Mayer et alli. Direitos humanos de solidariedade: avanços e impasses. Curitiba: Appris, 2013. Pág. 181.
75 TRINDADE, Antônio Augusto Cançado. Tratado de Direito Internacional dos Direitos Humanos.
Inicialmente entendido como crescimento voltado à melhoria da performance dos indicadores de eficiência de produção, esse conceito evoluiu para agasalhar os valores humanos e ambientais.
Da mesma forma, a relação entre Direito e Desenvolvimento vem sendo debatida, no sentido de fixar a importância e o papel da ordem jurídica na concepção e evolução desse paradigma, já que o arcabouço normativo, inclusive na seara internacional, tangencia e media as relações sociais e econômicas.
Nas palavras de Welber Barral e Luiz Otávio Pimentel, esse nexo é uma premissa básica a ser considerada:
Pode-se aceitar, como premissa inicial, que os ordenamentos jurídicos possuem uma relação de causa e efeito com os sistemas econômico-sociais. O impacto das normas internacionais nos sistemas jurídicos nacionais aprofunda a complexidade desta relação, criando um desafio analítico multidisciplinar76.
Assim, a noção de desenvolvimento muito tem ampliado e favorecido em seu arcabouço os aspectos socioambientais. Trata-se de um progresso teórico natural, já que na época em que a ciência econômica foi inaugurada por Adam Smith e sua “Riqueza das Nações”, não havia que se falar em ameaças ecológicas, esgotamento de recursos ou comprometimento da biodiversidade. Era o início da Revolução Industrial e tais preocupações seriam, naquele tempo, deveras visionárias.
Acerca desse processo de mudança na concepção de desenvolvimento, segue a percuciente lição:
Como se observa pela “Nova Economia Institucional”77, a literatura
recente busca novos fatores importantes ao processo de desenvolvimento, uma vez que os determinantes não possuem validade inquestionável; pelo contrário, modificam-se constantemente de acordo com o momento histórico. Portanto, muito além de fatores geográficos e econômicos, alguns determinantes emergentes na discussão sobre o desenvolvimento são, por exemplo, o papel do capital humano, das inovações, da liberdade econômica e da performance das instituições. (...) Ademais, o direito ao desenvolvimento, como proposto pela declaração dos direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), difere
76 BARRAL, Welber. PIMENTEL, Luiz Otávio. In. Teoria Jurídica e Desenvolvimento. Florianópolis:
Fundação Boiteux, 2006. Pág. 7.
77 A Nova Economia Institucional tem como fundador Douglass C. North com sua obra “Institutions,
fundamentalmente das políticas de crescimento de um país relacionadas a metas de crescimento do PIB e geração de emprego e renda. 78
Atualmente, o patamar civilizatório e a exploração exagerada dos recursos naturais e humanos exigem a implementação de um arquétipo de desenvolvimento moldado por um ideal imperativo de sustentabilidade socioambiental, seja no interior dos Estados nacionais como também no cenário internacional.
Contudo, uma incoerência insofismável ameaça o progresso entre teorização e prática, posto que a realidade encontra-se apartada dos ideais de proteção. De tal modo, a par da proliferação de modelos que buscam conciliar crescimento econômico e defesa do meio ambiente, as agressões vicejam em proporções nunca antes assistidas.
Com efeito, a economia consiste em bem gerenciar os recursos disponíveis. Quanto mais escassos esses insumos, maior a necessidade que se tem de otimizar seu aproveitamento. No contexto atual, a finitude dos recursos naturais e, sobretudo, o perecimento dos recursos humanos tem exigido que o crescimento econômico valha-se de medidas defensivas. A título de regimes de compensação ambiental, tem-se o exemplo do pagamento por serviços ambientais (PSA), bem como outros estímulos creditícios e tributários.
Historicamente, o meio ambiente impôs desafios à humanidade, ditando uma marcha de superação e adaptação cultural e tecnológica. Com efeito, a capacidade de modificação do ser humano relativizou o determinismo das forças ecológicas, mas a falta de estabilidade no meio natural sempre foi um impulso de desenvolvimento e não de rebaixamento das civilizações.
Acerca dessas influências ecológicas, seguem as palavras do historiador William Hardy McNeill:
A relativa estabilidade do mais primitivo estilo de vida baseado na caça sugere um ajustamento muito exato ao meio ambiente. Cada bando herdava respostas habituais adequadas a qualquer situação que pudesse apresentar-se. Na ausência de alterações importantes no equilíbrio ecológico de plantas e animais, dentro do qual os primitivos caçadores humanos encontravam o seu nicho, talvez a vida humana mantivesse ainda hoje os padrões de conduta
78 SEABRA, Fernando; FORMAGGI, Lenina, et FLACH, Lisandra. O papel das Instituições no Desenvolvimento Econômico. In. Teoria Jurídica e Desenvolvimento. Florianópolis: Fundação
apropriados a pequenos bandos errantes de caçadores e coletores. Nesse caso, a evolução cultural humana teria seguido uma marcha muito mais lenta, assemelhando-se mais aos ritmos de desenvolvimento biológico, dos quais se emancipou, do que ao avanço impetuoso da história. Em algumas partes importantes da Terra, todavia, o ambiente natural não permaneceu estável. Houve, pelo contrário, mudanças climáticas ao longo das fronteiras setentrionais da habitação humana (e proto-humana), que por diversas vezes transformaram o meio ecológico, e assim submeteram os homens a uma série de críticos desafios aos seus poderes de adaptação e invenção. Foi isso, com toda a probabilidade, que libertou as potencialidades de evolução cultural das malhas cerradas dos usos e costumes que definiam, mas também restringiam, a vida dos antigos caçadores79.
Tal premissa pode ser ilustrada, por exemplo, com prática tipicamente evidenciada no modo de produção feudal, no qual se estimulava a técnica do pousio, consorciada com a rotação de culturas, a fim de resguardar a fertilidade dos solos, conforme se depreende da obra “História da Riqueza do Homem”, de Leo Huberman80.
No entanto, o cenário de crise sistêmica atual não decorre da mera instabilidade natural dos fatores ambientais, até porque a civilização humana teria maiores potencialidades de comando e controle sobre essas conjunturas adversas, se comparadas às épocas anteriores.
A conjuntura hodierna difere porque se vivencia um grave panorama desencadeado pelas próprias ações antrópicas, ou seja, a crise socioambiental não é obra da natureza, mas sim produto do homem.