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BÖLÜM 2: AVRUPA İDARİ ALANI: SÜREÇLER, BELGELER VE KURUMLAR

2.2 Birlik Düzeyindeki Belgeler ve Çalışmalar

2.2.5 Beyaz Kitaplar

Sandra iniciou a entrevista corrigindo uma informação anterior. Quando contou que a filha havia batido nela, e ela, por não saber o que fazer acabou chorando, havia dito que a filha tinha por volta de 10 ou 11 meses, no entanto, já tinha mais de um ano, pois estava na escola. Disse que depois da entrevista parou para pensar, e achou realmente cedo para Laura ter reações tão compreensivas.

No entanto, voltou a dizer que acha a filha inteligente, mais desenvolvida, solta e consegue se expressar melhor, e não acha que é “coisa de mãe”, pois toma como base as crianças da escola ou outras crianças da mesma idade. Contou altiva sobre um dia em que Laura estava brincando com a filha de uma vizinha, que também chamava Bianca, e não conseguia falar direito apesar de terem a mesma idade, de maneira que a própria Laura chamou a atenção da menina dizendo que não entendia o que ela dizia. Mas acredita que em parte é porque a babá que toma conta da criança é confusa na fala, acrescentando que ela e o marido sempre falaram normal com a filha, sem infantilizar, salvo alguns momentos em que Laura está muito manhosa. Contudo, disse que as mães entendem seus filhos, mesmo que outras pessoas não, e que ela entende Laura, mesmo quando a menina está com a chupeta na boca.

Retomando o fato de que Laura voltou a pegar chupeta recentemente, perguntei como ela estava. Sandra falou que ela está se acostumando com a ideia de ter uma irmã, e acha que de fato ela nunca teve problema com isto, mas voltou a pegar a chupeta e engatinha pela casa, só não sabe dizer se isto é apenas uma brincadeira ou uma forma de regressão. Porém, admitiu que tem medo desta regressão, e sabe que Laura vai ficar manhosa quando Bianca nascer.

60 Eu tenho um pouco de medo de ela regredir, regredir e regredir cada vez mais sabe? Mas sei lá, vou confiar que ela vai me ajudar e vai ser bacana. Eu tenho medo na verdade de magoar ela sabe? Sei lá ela pode se sentir meio posto de lado.

Falou que tem pessoas que trazem presentes só para Bianca, mas tem gente que pensa nas duas e trás uma lembrança para Laura, mas quando ela não ganha presente mostra insatisfação. Apesar de que depois de ter engravidado, Laura passou a se interessar por bebês, e antes queria apenas brincar e falar com crianças mais velhas, e ficava muito frustrada e sentida quando um mais velho a ignorava, chegando a chorar. Sandra conta que morre de dó quando isto acontece, e tenta intervir para que a criança responda, mas quando não é possível, procura explicar para Laura que nem todas as pessoas querem brincar.

Falei que um pouco de ciúme era inevitável e normal, até porque o bebê fica no colo muito tempo. E Sandra comentou que colo será um problema, pois Laura pede muito colo, e não pode ser de outra pessoa, precisa ser o colo da mãe, contudo, está difícil carregá-la nos braços por estar grávida, e porque Laura é uma criança grande, pesa dezessete quilos. E mesmo nos três primeiros meses, período em que é recomendado que a gestante não levante peso, Sandra carregava a filha.

Contou que outro dia, foram até o metrô, e conhecendo Laura, Sandra perguntou se ela queria o carrinho, pois não poderia ir no colo. A filha disse que não precisava, mas no meio do caminho pediu colo e começou a chorar desesperadamente por não conseguir o que queria. Sandra ficou muito brava, mas para não bater e por não saber o que fazer começou a chorar também, e foram andando e chorando até o metrô.

Passou a falar sobre a gravidez, e disse que está sentindo contrações de treino, mas tem estranhado as cólicas, pois não lembra de sentir dores tão fortes na primeira gestação. Percebe que o parto está bem próximo, contudo ainda não decidiu onde a criança vai nascer. Visitou a Casa Angela, uma casa de parto particular, e como não pode pagar, Sandra irá visitar uma casa de parto pública no Sapobemba. Contou que compraram quase tudo do enxoval, só faltando a banheira e o babytube, brincando que as contrações deixaram ela preocupada, então acha melhor deixar tudo pronto. Assim como com Laura, Sandra irá fazer dois chás de bebê, um na cidade

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dos pais e outro em São Paulo, mas Sandra sente que não pode deixar para fazer os chás muito em cima da hora.

Falou que o marido ouve falar das cólicas e do cansaço, mas sempre diz que Sandra está exagerando, contudo está bastante desconfortável.

Até quando reclamo de alguma coisa ele acha que eu estou exagerando...quando falo das cólicas, ele acha que eu to exagerando, e que eu quero mordomia...quando eu acordo ele cedo pra levar a Laura na escola ele fala ‘Ah você foi dormir tarde neh, tá com preguiça de levar a Laura na escola’...mas é cansativo...e não é isso eu acordo e fico acordada o dia inteiro, eu noto, eu vou varrer um chão cara! Tá cada vez mais complicado. Tá difícil, é cansaço mesmo, eu to andando que nem uma pata (risos)....de mal estar, desconforto, eu to sentindo menos que da Laura...a única coisa que eu to achando estranho mesmo são as cólicas.

Comentei que achava sua barriga grande, e perguntei quantos quilos ela havia engordado. Sandra disse que não sabe, apesar de que o médico deva ter anotado, mas ela mesma não está preocupada, diferente da primeira gestação que ela contava cada quilo, alegando que a criança irá nascer de qualquer forma, mostrando bastante calma.

Falou que ela e as pessoas estão percebendo que ela está muito mais irritada, e acaba sendo grossa com Guilherme e Laura, principalmente com o marido, que fica chateado à vezes. Reconhecendo-se um pouco na mãe, que era muito brava e chegava a bater em Sandra e Maria, mas que depois ia pedir desculpas chorando.

Eu to muito mais irritada, todo mundo tá percebendo isso...e eu to percebendo, as vezes o Guilherme fala comigo e eu respondo de um jeito que não tem necessidade, e ele fica chateado eu falo ‘desculpa, não é pensado, ah eu vou ser grossa’, com a Sofia eu também andei sendo meio mal educada...daí eu vi minha mãe assim certinho, só que minha mãe era ao extremo, ela batia em mim e na minha irmã, assim, por qualquer coisa, era muito brava...passava o dia, aí na hora de dormir ela vinha chorando e pedia desculpa, sabe assim acho que ela se arrependia.

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Sandra tem perdido a paciência e gritado com Laura, que acaba chorando, e apesar do marido dizer que na primeira gestação ela estava brava também, ela não lembra de ter ficado tão irritada, mas como é a segunda gestação, Sandra acha que o marido poderia ser mais compreensivo. E acabou falando sobre um ocorrido com Laura.

Ela chora, para, mas fica chorando...daí me irrita do mesmo jeito. Outro dia fui pingar rinossoro, e ela é super de boa, deixa pingar...mas nesse dia, acho que já tava no processo de ficar irritada, aí eu fui pingar e ela bateu na minha mão, fiquei tão brava que joguei o negócio em uma bolsinha, daí ela tava com a mão perto sabe, aí bateu na mão dela, ela chora assim sabe, e eu fiquei super mal, e ela chorando ‘bateu, bateu!’, que ódio, que raiva de mim mesmo...pensava nisto e chorava.

Voltou a falar que tem brigado bastante com o marido, e percebe que exagera em alguns momentos, mas também demanda maior atenção. Parece não estar se sentindo cuidada. Relatou algumas brigas que tem com o marido, desde política até coisas do dia-a-dia, como recolher coisas do chão que a cachorra derrubou.

Poxa, ajuda cara, eu to grávida, num posso ficar abaixando para limpar sujeira do cachorro, não é justo comigo ...ele acha que eu faço uma tempestade num copo d’água. Mas acho que ele é mais desatento do que tá me fazendo mal do que qualquer coisa, do que pode me irritar...semana passada inteira falamos sobre isso, eu sou grossa com ele, e ele reclama, ‘Mas Guilherme desculpa, num é pensando’.

Perguntei como foi isso na primeira gravidez.

Ele foi muito mais, muito mais, muito mais...eu cobro isso dele. Ele não foi em nenhuma consulta comigo dessa vez, com a Laura, teve uma vez que o medico chamou, eu não sei porque, eu entrei na frente e não chamei ele, ele ficou sentidíssimo que eu não chamei ele, que ele ficou de fora, mas poxa ele

63 podia ter ido atrás de mim sabe? Nossa, ele ficou super mal, e assim, eu acabei entrando lá e nem me dei conta. Mas ele ia em todos os exames, marcamos o ultrassom 3D eu nem ia marcar, mas me senti mal sabe, fiz da Laura e não vou fazer da Bianca. Marquei numa quinta que ele podia depois do trabalho, mas pra convencer ele a ir foi super difícil.

Depois falou de alguns comentários que a família fez comparando as crianças, que a deixaram chateada, e não quer estigmatizar a criança que nem nasceu, nem quer pensar se a família gosta mais de uma ou outra criança, mas no fundo sabe que isto acontece, e que principalmente quando crescer, a avó ou avô, irá gostar mais de um neto ou outro. “Minha mãe fala isto, não é que você gosta mais de um filho do que do outro, você tem mais afinidade com um filho do que com outro.” (Sandra)

Contou que Laura está dormindo muito tarde, pois fica relutando para dormir, e sente que ela testa Sandra, pois dorme mais rápido com a tia, dizendo que semana passada foi apenas um dia para a escola, pois estava acordando muito tarde todos os dias, e estava indo dormir depois de meia noite. Acredita que isto pode ser reflexo de sua irritação. Passou a falar então sobre erros que não quer cometer com Bianca, sendo mais firme. Citou alguns exemplos sobre comida, celulares e tablets. Não vai deixar mexer tanto ou comer muito doce. Voltou o olhar para si mesma, e falou que por vezes também fica muito entretida com tecnologias, e percebe que a filha deseja atenção, por isso espera que as filhas possam brincar juntas.

Ao final, voltou a falar do parto, mostrando certo incomodo por ainda não saber onde será o parto. Guilherme disse que se Sandra começar o trabalho de parto de repente, ele vai colocá-la em um carro e levá-la para Santa Casa, mas o desejo de Sandra é completamente diferente.

Mal sabe ele que meu plano é totalmente diferente...se tivesse de pagar, eu gostaria de ter aqui em casa, tentei convencer ele, mas não, não, não, então falei que não quero ir para um hospital, ele entendeu depois de muito choro...mas também, agora sei lá, deixei tudo tão pra última hora que sei lá, tem uma lista de hospitais aí, já visitei um, mas vou ver os outros.

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Contou sobre uns posts que viu na internet de um grupo de gestantes, e havia uma mulher que esperou tanto as dores e contrações, que acabou tendo o filho no chuveiro. “Secretamente eu desejo isto todos os dias, mas o Guilherme que não me ouça falando isto, ele ia ficar louco.” (Sandra) Demonstrando muito interesse por um parto humanizado, até caseiro, mesmo tendo ouvido estórias sobre complicações no parto.

Percebendo sua apreensão sobre o assunto, perguntei se ela não achava importante deixar combinado com Guilherme algumas condições importantes para ela.

Ah, eu até pensei em fazer um lista de como quero o parto, mas ouvi dizer que as mulheres que fazem isto são meio hostilizadas, então sei lá...mas já falei pro Guilherme, ‘Olha você vai ser minha voz, se eu não quiser alguma coisa você tem de me ajudar’, ele disse que se não for nenhum pedido esdrúxulo tudo bem...ele é muito prático em algumas coisas, se alguém falar que tem que ser assim, ele não vai me ouvir...não vou dizer que me sinto desamparada...por exemplo, ele acha que a gente tem que ir na Santa Casa, mas eu não quero ele fala ‘Ah a Laura nasceu bem, deu tudo certo’, mas não foi bom pra mim, eu não gostei...(risos) ele acha que eu to de frescura, até mulher não entende isto às vezes...poxa falam que é só um cortinho, mas não é, você é multilada...incomoda pra caramba.