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C. Belediyelerin Yapısı ve İşleyişi 44 

1. Belediyelerin Organları 45 

Frequentemente itens lexicais e morfemas comportam-se de maneira diferente para a aplicação de regras no sentido de que um dispara uma regra enquanto outro não o faz, embora os dois sejam aparentemente idênticos em todos os demais aspectos. O que vem se verificando é que em certos fenômenos as explicações fonológicas por si sós não são suficientes para justificar alternâncias de comportamento. É o que ocorre no processo de síncope no piro (MATTESON, 1965; KISSEBERTH, 1970; LIN, 1997) citado por Pater (2007), língua em que morfemas alternam em engatilhar o apagamento da vogal precedente. Há ainda casos como o do morfema /wa/ que difere no fato de disparar o processo de apagamento no próprio morfema.

A esse fenômeno, denominado fonologia específica de morfema – morpheme-specific

phonology – Pater relaciona a atuação de restrições indexadas. O autor defende, para explicar

tais alternâncias, que restrições de marcação e de fidelidade podem ser lexicalmente indexadas, explicando o bloqueio ou o engatilhamento de uma regra em casos excepcionais dentro do panorama da Otimidade.

No que diz respeito ao engatilhamento excepcional de um processo, morfemas ou itens lexicais são indexados para a aplicação de uma restrição de marcação, enquanto no caso do bloqueio excepcional, morfemas ou itens lexicais são indexados para a aplicação de uma restrição de fidelidade específica (PATER, 2009).

Entre as diferentes propostas para resolver casos de irregularidades – cofonologias, ordenamento parcial, restrições indexadas (discutidas em 1.5) – este estudo segue Pater, segundo o qual itens lexicais ou morfemas são indexados. As demais abordagens elaboradas para explicar a alternância, referidas na fundamentação, não dão conta desses dois tipos de comportamento, além de que a proposta de Pater é a única que permite tanto a indexação de restrições de fidelidade como de marcação, diferenciando os processos de engatilhamento ou bloqueio excepcional.

Na abordagem das cofonologias, todas as restrições são puramente fonológicas, mas recebem ranqueamento diferenciado quando em um contexto definido. Portanto, há duas gramáticas. Na proposta de Pater, as próprias restrições identificam os morfemas ou itens lexicais que disparam o seu funcionamento. Esses são também marcados no léxico com L. “As restrições indexadas são as mesmas restrições de marcação e fidelidade universais cuja aplicação é relativizada a um grupo de itens lexicais” (PATER, 2007, p.262). Isso quer dizer

acrescentadas restrições indexadas para atuar em um contexto específico. O modelo trata de itens derivados com o recurso da indexação dos morfemas e dos itens não derivados recorrendo à indexação de itens lexicais específicos.

De acordo com Pater (2007), se há alguma alternância na língua não justificada por características fonológicas e que não pode ser explicada pela gramática já estabelecida para os casos regulares, deve-se verificar qual a restrição que seleciona o menor número de vencedores regulares e o maior número de vencedores no caso de alternância, e esta deve ser clonada para dar conta da excepcionalidade. Cria-se, então, uma cópia (clone) da restrição que será indexada e localizada em posição mais alta no ranqueamento, cuidando o contexto em que terá papel. A indexação no léxico, marcada por L (lexicon), indica que a restrição se aplica excepcionalmente naquele caso.

O quadro que segue mostra os candidatos selecionados, de acordo com a regra de acento, pelas duas restrições relacionadas ao peso. W representa winners, ou seja, ganhadores e L representa losers, perdedores. São levantados os pares de vencedor/perdedor para cada um dos termos não derivados (TESAR; SMOLENSKY, 1998).

Quadro 4: Restrições de peso que selecionam vencedores e perdedores.

W ~ L *APPEND *µ/CONS cor.dél ~ cór.del W L ní.vel ~ ni.vél L W co.lhér ~ có.lher W L fu.zíl ~ fú.zil W L vo.lá.til ~ vo.la.tíl L W ce.tím ~ cé.tim W L 4W/2L 4L/2W

Pares de candidatos vencedores e perdedores são elencados e avaliados pelas restrições relativas ao peso. A restrição que seleciona o menor número de vencedores é a que deve ser clonada, indexada e inserida em posição mais alta no ranqueamento para justificar a seleção nas situações de alternância.

Nos casos irregulares, nível e volátil, a restrição *µ/CONS seleciona os vencedores e a restrição *APPEND, por sua vez, seleciona os perdedores, pois proíbe a silabificação como apêndice, disso decorrendo a análise da consoante pós-vocálica como portadora de unidade de peso correspondente.

Com base no quadro com os pares vencedor/perdedor elencados, confirmamos o ranqueamento proposto em páginas precedentes para dar conta das regularidades. Como a restrição *µ/CONS é a que seleciona o menor número de vencedores no contexto das regularidades e, consequentemente, mais vencedores nos casos irregulares, essa deve ser clonada, indexada e inserida em uma posição mais alta no ranqueamento que dará conta das exceções, como nível e volátil. Em casos regulares, a restrição indexada não tem papel. Ela atuará apenas nos termos indexados no léxico.

O par cor.dél ~ cór.del, por exemplo, apresenta o padrão geral da língua: cor.dél, no qual a consoante pós-vocálica recebe peso e a sílaba pesada final é portadora do acento principal e a contraparte cór.del, em que a consoante pós-vocálica é sílabificada como apêndice de sílaba, sem receber peso, gera uma sílaba final leve. Por conseguinte, o pé é formado pelas duas sílabas finais e o acento recai sobre a penúltima sílaba. Por essa razão, dizemos que a restrição *µ/CONS seleciona o perdedor, uma vez que proíbe a atribuição de mora à consoante final.

Por outro lado, a restrição que seleciona o vencedor, *APPEND, garante que as consoantes não sejam silabificadas como apêndice de sílaba e, assim, recebam peso. Sempre que há consoante pós-vocálica em sílabas finais de palavras em português, verifica-se a interação entre essas duas restrições.

Dessa forma, colher, fuzil, nariz e cetim são candidatos ótimos, enquanto exceções como nível, volátil e lápis, são lexicalmente marcadas, pois a consoante pós-vocálica é sílabificada como apêndice de sílaba e não contribui para o peso dela. Nesse caso, ajustam-se à Regra Geral (b), não sendo excluídas do sistema.

Como afirma Pater (2000, p.239), a teoria oferece meios para a relativização da atuação de uma restrição a um grupo lexical específico, o que evita a necessidade de diversas gramáticas para explicar os dados de uma mesma língua. O objetivo desse estudo é verificar o papel de CVC no sistema acentual.

A gramática, por conseguinte, é a que segue:

Gramática: *µ/CONSL>> *APPEND >> *µ/CONS Léxico: cordel, colher, fuzil, cetim, nariz, nívelL, volátilL.